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VENTO DE MAIO

Terça-feira, 12.05.15

“Maio ventoso/ano venturoso.”

 

Talvez porque maio fosse um mês em que as culturas ainda eram “bebés” e, por conseguinte, abrigadas pelas paredes de cerrados e courelas, os ventos não lhe faziam muito mal. Provavelmente até as beneficiariam. Daí este adágio muito utilizado na Fajã Grande, a querer significar que soprassem fortes ventanias em maio, pois nos meses seguintes os ventos, se existissem, seriam bem mais prejudiciais. Isto porque numa ilha onde, contra tudo e contra todos, o vento soprava frequentemente e com muita intensidade.

Talvez este maio ventoso inspirasse o poema do cantor e compositor brasileiro Salomão Borges Filho, mais conhecido como Lô Borges, Vento de Maio:

 

“Vento de maio rainha de raio estrela cadente

Chegou de repente o fim da viagem

Agora já não dá mais pra voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique

Apenas para chover no meu piquenique

Assim meu sapato coberto de barro

Apenas pra não parar nem voltar atrás

Chegou de repente o fim da viagem

Agora já não dá mais...

Vento de raio rainha de maio estrela cadente

Chegou de repente o fim da viagem

Agora já não dá mais pra voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique

Apenas para chover no meu piquenique

Assim meu sapato coberto de barro

Apenas pra não parar nem voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique

Apenas para chover...

Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção

Sol girassol e meus olhos abertos pra outra emoção

E quase que eu me esqueci que o tempo não pára

Nem vai esperar

Vento de maio rainha dos raios de sol

Vá no teu pique estrela cadente até nunca mais

Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez

Nem lembro teu nome nem sei

Estrela qualquer lá no fundo do mar

Vento de maio rainha dos raios de sol

Chegou de repente o fim da viagem

Agora já não dá mais pra voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique

Apenas para chover no meu piquenique

Assim meu sapato coberto de barro

Apenas pra não parar nem voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique

Apenas para chover no meu piquenique...”

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publicado por picodavigia2 às 08:42

ABRIL FRIO E MOLHADO

Quinta-feira, 30.04.15

“Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.”

 

O mês de Abril, antigamente, na Fajã Grande, era um mês de grande e de intensa atividade agrícola, sendo esta absolutamente necessária e fundamental para a sustentabilidade económica da população daquele pequeno povoado, encastoado entre a rocha e o mar. Na verdade, era em Abril que se plantava e semeava a maioria dos produtos agrícolas. Era em abril que se fazia a sementeira do milho, a maior e mais importante cultura da freguesia, nas terras mais afastadas do mar e que haviam sido trilhadas pelo gado amarrado à estaca, a alimentar-se das forrageiras, trevo ou erva da casta. Era em abril, também, se semeava as batatas o feijão as ervilhas, as abóboras, os bogangos e se faziam os canteiros da coivinha. Era em abril que se plantava a bata doce nas terras junto do mar, assim como as couves, a cebola e os tomateiros. Nas terras junto do mar, nomeadamente, do Areal, Furnas, Porto e Estaleiro iniciavam-se o arrancar das mondas, sachavam-se os campos semeados no mês anterior, calçava-se o milho para o proteger das ventanias e limpavam-se as terras das ervas daninhas. Uma intensa e cansativa atividade se impunha aos agricultores durante este mês. Ora para que tudo isto tivesse sucesso era necessário e fundamental que chovesse e não fizesse muito calor Se se equacionassem estes dois fatores e não houvesse salmoura ou fortes ventanias seria um ano de fartura. Mas era também o sucesso destas culturas e, sobretudo, o florescimento das pastagens, do mesmo modo com o epicentro em abril e que também muito beneficiava com a chuva e com a ausência de calor, fundamentais na alimentação do gado. Dai o adágio. “Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.”

A chuva, na verdade, tinha um efeito fundamental no sucesso da agricultura. Todas as plantas precisavam de água para sobreviver. Uma seca em abril podia ser fatal para culturas, provocar erosões, destruir o plantado e não deixar nascer o semeado, embora o tempo excessivamente húmido também pudesse causar outros problemas. As plantas necessitavam de quantidades adequadas de chuva e de ausência de calor excessivo para sobreviver. Ainda hoje, mesmo com sulfatos, adubos e quejandos, é assim.

Acrescente-se no entanto que, sob o ponto de vista etimológico, é fácil, concluir-se que este provérbio foi importado, talvez levado pelos primeiros povoadores, o que se pode concluir pelo uso da palavra celeiro, que não consta do léxico fajãgrandense, nem da ilha das Flores, onde o milho, o principal cereal cultivado nesta ilha, era guardado nos estaleiros.

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publicado por picodavigia2 às 09:37

MERENDA DE ABRIL

Quarta-feira, 15.04.15

Quem em Abril não merenda, ao cemitério se encomenda.”

Muitos e variados eram os provérbios utilizados, antigamente, com referência ao mês de abril. Talvez porque este fosse um dos mais interessantes meses do ano. Cuida-se que o nome abril derive da palavra latina aperire, um verbo que significa abrir. Na verdade este é o mês do início da primavera em que tudo na natureza se abre ou melhor refloresce. Mas também é neste mês que os campos são abertos, ou melhor, são cavados e lavrados para neles se colocarem variadas sementeiras. A maior e mais cansativa sementeira era a do milho que devia estar concluída nas primeiras semanas aguardando-se pela ocasião mais oportuna para se abrir o terreno, lavrá-lo e semeá-lo. Terras havia em que já era tempo de o sachar e mondar. Por isso o mês de abril é um mês de muitas lidas e canseiras e que exigia muito trabalho e grande esforço humano. Para isso era preciso força e, consequentemente ter uma boa e sólida alimentação. Esta será muito provavelmente a razão de ser deste adágio que, apesar da Fajã Grande não ser terra de lautas e frequentes merendas, ali era utilizado, como em muitas outras localidades, portuguesas, de onde terá sido trazido para os Açores, pelos primeiros povoadores.Pretendia-se alertar para a necessidade das pessoas estarem preparadas para os cansativos e pesados trabalhos agrícolas do quarto mês do ano.

Razão tinha Michelle Ramos quando escreveu: Trabalhar para comer e comer para trabalhar, a eterna filosofia da vida monótona que muitos possuem.

Na Fajã Grande, antigamente, muitos homens começavam a trabalhar de madrugada, antes do sol nascer, completamente em jejum, sem comer ou tomar uma boa tigela de café antes de suar as estopinhas. Quando se nega a energia do alimento ao nosso corpo, ele vai usando as suas reservas de gordura e, consequentemente, enfraquecendo. Isso para quem trabalhava de sol a sol, arduamente, a cavar, a sachar, a ceifar podia ser e era de facto muito prejudicial. Sem uma boa alimentação quem trabalha muito vai se sentir cansado e fraco. O trabalho não rende. Alem disso surgem as doenças, por vezes a morte prematura, como se pode depreender, consultando os registos de óbitos da Fajã, no final do século XIX. Os homens faleciam, regra geral, muito novos. Os trabalhos de abril exigiam, pois, uma sólida alimentação, incluindo uma boa merenda.

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publicado por picodavigia2 às 09:04

MARÇO VENTOSO

Segunda-feira, 09.03.15

“Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.”

 Provérbio antigo utilizado na Fajã Grande afirmando, sem sombra de dúvida, que quando fazia muito vento no mês de março, significava que no mês de abril iria chover muito. Trata-se de um adágio meteorológico muito simples e com possibilidade de ser sempre verdadeiro nas Flores, uma vez que março ainda é um mês de vento e abril de “águas mil”. Este adágio, como é óbvio, não tinha nenhum sentido figurado, o que aliás acontecia com todos os adágios deste género.

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publicado por picodavigia2 às 11:05

BONITEZA

Segunda-feira, 02.03.15

“Boniteza não põe mesa.”

Era um douto adágio este, cujo objetivo principal, ao ser utilizado, era combater a vaidade. Era geralmente utlizado quando alguém, direta ou indiretamente, se ufanava da sua beleza descuidando os aspetos práticos da vida, nomeadamente o trabalho do qual dependia a subsistência de cada pessoa

Este provérbio é universal, no entanto na Fajã Grande teria uma versão um pouco diferente da que acima se refere. Assim em vez do comum "A beleza não põe mesa" substitui-se beleza por boniteza, o que é bastante semelhante, uma vez que da mesma forma se condena uma espécie de padrão de beleza não-produtiva. A boniteza não pode ser encarada apenas como algo que a pessoa quer ter apenas por gostar, como algo de fútil e, sobretudo, improdutivo, algo que é agradável de se possuir mas não supre qualquer necessidade básica humana, como, por exemplo, a comida.

Com este provérbio pretendia-se, pois, alertar para que não nos devemos centrar na beleza, na aparência como valores primordiais, porque são supérfluos e vazios, destacando a sua inutilidade como fonte de vida e de saúde. Por sua vez, e em detrimento da beleza, a alimentação ganha destaque como elemento essencial à sobrevivência, à saúde, à energia e ao bem-estar. É verdade que a beleza atrai bastante e pode até te dar alguma vantagem sobre outros aspetos da vida, mas são as qualidades e a personalidade humana que definem a dignidade de um homem ou mulher. A boniteza é superficial, apesar de gostosa, mas não é fundamental, nem define a qualidade o ser humano.

 

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publicado por picodavigia2 às 07:26

DÍVIDAS E PROMESSAS

Sexta-feira, 06.02.15

“Ao rico não devas ao pobre não prometas.”

Mais um interessante adágio muito usado na Fajã Grande, sob a forma de conselho. No entanto não se pode considerar como exclusivo da freguesia, da ilha ou do arquipélago, sendo muito utilizado em todas as regiões do país e até no Brasil. Como muitos outros, este provérbio terá sido trazido para a Fajã Grande pelos primeiros povoadores. Com ele pretendia-se alertar os que nos eram próximos para o risco que era ficar a dever a quem tem muito. Na verdade as dívidas submetem os pobres aos ricos e, por vezes, quase os tornam escravos. Prometer aos pobres também não parecia ser muito aconselhável, pois a promessa exigia o cumprimento e a consequente sujeição a quem nunca poderia devolver o emprestado, pois fazia parte da honra de qualquer fajãgrandense honrar as promessas. A confiança que os outros depositavam em cada um de nós dependia, necessariamente das promessas e do seu cumprimento assim como da fidelidade aos contratos estabelecidos. Na Fajã Grande a confiança nos outros construía-se através não só da disponibilidade que as pessoas tinham para fazer promessas mas também e sobretudo da capacidade que tinham para as cumprir. A melhor maneira de destruirmos a nossa imagem e arruinarmos o nosso relacionamento com os outros é não pagar as dívidas ou não cumprir as promessas.

 

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publicado por picodavigia2 às 17:40

JANEIRO TERREADO

Terça-feira, 06.01.15

“Em janeiro sobe ao outeiro, Se vires verdejar põe-te a chorar, se vires terrear põe-te a cantar”.

Este interessantíssimo adágio era muito usado na Fajã Grande, na década de cinquenta, por altura do mês de janeiro, geralmente, um mês de muito mau tempo na mais ocidental freguesia da Europa. Ouvi muitas vezes, a minha avó, muito douta nestas questões, anunciá-lo. Se o mau tempo não grassava em Janeiro era uma grande preocupação para ela. Era muito interessante, neste adágio, o recurso à palavra terrear, uma palavra com a qual se pretendia expressar o estado dos terrenos sem vegetação e, portanto, com um colorido semelhante a terra, mas que não era de uso corrente. Ora segundo a sabedoria popular, um janeiro terreado era um bom sinal para as culturas que viriam nos meses seguintes. Janeiro, na verdade, era um mês de grandes tempestades, de fortes geadas e salmouras que, além de destruir tudo que era verde, cuidava-se que como que purificava a terra e preparava-a para que, na primavera seguinte, desabrochassem em plenitude as sementes e as plantas. Pelo contrário, o verdejar, isto é as plantas crescerem e cobriram os campos de verde, em janeiro, significava que os rigores do inverno estavam para vir mais tarde, dando cabo das colheitas, originando um ano de fraca produção agrícola. Era pois motivo para chorar.

Na Fajã Grande este adágio, no que ao outeiro diz respeito, tinha um significado muito próprio, uma vez que o centro da freguesia era ladeado a sul por um outeiro, chamado precisamente “Outeiro” e encimado por uma enorme cruz, donde se disfrutava de uma interessante vista sobre quase toda a freguesia, pelo que este adágio se enquadrava na perfeição. O adágio refletia-se perfeitamente no cenário paisagístico da freguesia.

Ia muitas vezes, em criança, ao Outeiro para brincar, cortar verduras ou até na festa da Cruz. Sempre que lá ia, no Inverno, ao olhar, lá do alto os serrados, belgas e currais, parecia-me ouvir a minha avó, mais uma vez, a cantarolar: “Em janeiro sobe ao outeiro, Se vires verdejar põe-te a chorar, se vires terrear põe-te a cantar”.

 aa

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publicado por picodavigia2 às 10:52

BURROS VALENTES

Terça-feira, 16.12.14

 “A puxar para casa/todos os burros são valentes.”

Este era um provérbio, também, muito utilizado na Fajã Grande, o qual encerra uma interessante duplicidade. Nele está patente, por um lado, uma certa ideia de egoísmo ou egocentrismo, contido na expressão puxar para casa, fazendo lembrar um outro dito, também ele expresso na sabedoria popular, o de puxar a brasa para a sua sardinha”. Na verdade, o ser humano muitas vezes mistifica-se e isola-se como que usurpando um querer para si, um açambarcar, um possuir ou ter de seu não somente mais do que os outros mas também o melhor, esquecendo os que estão ao seu lado, a partilha, a doação, a entrega e o deixar que os outros tenham ou possuam o melhor. E para se conseguir isto o ser humano, por vezes, não olha a meios, pelo que esta atitude ou este instinto parece caracterizar-se por se aproximar um pouco duma atitude meramente animalesca, e que o adágio exemplifica comparando-a com a dos animais, escolhendo-se como arquétipo o animal, aparentemente, mais estúpido – o burro. Assim como os burros, os homens no seu instinto puramente animalesco, preocupam-se primeiro consigo e depois consigo. Mas, por outro lado, o uso do provérbio também pretende, com alguma dose de cinismo, insinuar uma certa preguiça ou desmazelo revelado em atividades ou trabalhos que se destina a outros em prol de um maior empenhamento em tarefas pessoais.

Na verdade neste amplo império do egoísmo humano, que o uso do provérbio pretende recriminar, os homens assemelham-se a uns valentes burros. Não esqueçamos que é usado no seu sentido real, pelo que a comparação é totalmente válida, tanto a néscios como a doutos.a

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publicado por picodavigia2 às 10:29

LINHA E AGULHA

Terça-feira, 02.12.14

“Linha e agulha é meia costura.”

Na Fajã Grande, antigamente, todas as mulheres costuravam, utilizando, entre outros instrumentos e materiais a agulha e a linha. O epicentro desta atividade era o remendar a roupa, uma vez que esta era pouca e pobre e ao ser muito utilizada, sobretudo na prática diária da atividade agrícola, rompia-se com frequência. Não havia, pois, casa que não possuísse uma caixinha de costura, geralmente de papelão, com linhas e agulhas, estas espetadas num pequeno chumaço eu não se perdessem, que garantiam a costura. Este acervo de bens e instrumentos destinados à costura era guardado nos caninos das caixas onde se guardava a roupa melhor e a ele se juntavam pedaços e tiras de pano que iam sendo guardados para servirem de remendos. Assim, poder-se-ia dizer, no sentido real, que tendo linha e agulha era meio caminho andado para se realizar a costura, bastava apenas a arte da costureira e esta era iminente em todas as mulheres, pese embora houvesse na freguesia algumas costureiras especializadas para trabalhos que exigiam maior arte e engenho. Adaptando-se este adágio à vida quotidiana, utilizando-o no sentido figurado, ao utilizá-lo, queria com ele lembrar-se que para realizar qualquer atividade ou tarefa era necessário ter o material e o instrumento adequado, pois o resto viria por acréscimo e dependia da capacidade de cada um. O uso do provérbio era uma forma de a incentivar. Assim como à posse da linha e à agulha falta a arte de saber costurar, também na vida agrícola, aos instrumentos ou utensílios era necessário juntar a arte, a capacidade e a força de vontade de cada um. Mas também era lembrar que era muito importante que as pessoas se prevenissem com o material e os instrumentos necessários para os seus trabalhos diários.

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publicado por picodavigia2 às 09:13

A CANDEIA DA FRENTE

Quinta-feira, 13.11.14

“Candeia que vai adiante alumina duas vezes.”

Adágio muito conhecido, frequentemente utilizado na Fajã Grande, mas com a palavra alumina em vez de ilumina. Com ele pretendia-se incentivar a competência e a excelência em todas as atividades da vida

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publicado por picodavigia2 às 10:26

O TOUCINHO E O ESPETO

Segunda-feira, 03.11.14

“ Deus dá o toucinho a quem não tem espeto.”

 

Este adágio, muito utlizado na Fajã Grande, parece ser, sem sombra de dúvida, uma espécie de tradução ou de adaptação de um outro muito conhecido e citado em todo o país; “Deus dá nozes a quem não tem dentes.”, com o qual se pretende demonstrar que a natureza, por vezes, é pródiga, porquanto protege, apoia ou enche de bens aqueles que não precisam e que deles não podem usufruir. Era também isso que se pretendia demonstrar, na Fajã Grande, ao referir o adágio do toucinho e do espeto. Na verdade, a muitas pessoas são proporcionados bens, condições de vida, talvez até dons e alegrias, de que não sabem usufruir e, consequentemente, desperdiçando-os. Esta adaptação daquele adágio, na Fajã Grande, prende.se, muito naturalmente com o facto do porco e, consequentemente o toucinho, como que fazer parte da alimentação quotidiana, revelando-se um alimento precioso. Sendo assim, é fácil compreender-se o seu sentido e a intenção com que era usado. Na realidade com ele queria significar-se que muitas vezes se desperdiçam as boas oportunidades que a vida nos proporciona. Há quem as não as aproveite, apesar de serem proporcionadas, enquanto outros as aproveitariam se elas lhe fossem disponibilizadas.

Curioso é o facto de se relacionar o espeto com o toucinho, talvez para o assar. Mas na Fajã Grande não se usava espeto para assar toucinho Este era simplesmente cozido ou frito sob a forma de torresmos. Por sua vez o espeto era usado para assar maçarocas, no forno ou num brasido, quando estas ainda restavam verdes, isto é quando vertiam leite.

É, pois, estranha esta referência feita ao espeto utilizado para assar o toucinho, porquanto na Fajã Grande não era costume assar-se o toucinho na brasa, muito menos enfiado num espeto. Na Fajã Grande o espeto era usado, quase exclusivamente, para assar maçarocas de milho, quando este ainda veria leite, isto é, quando ainda estava verde, enquanto o toucinho se comia cozido em sopa ou frito, sob a forma de torresmos. Isto significa que este adágio, muito provavelmente, terá sido importado ou trazido pelos primeiros povoadores, como aliás muitos outros.

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publicado por picodavigia2 às 00:41

MEALHEIRO DE OUTUBRO

Quarta-feira, 08.10.14

“Em Outubro vai ao celeiro e enche o mealheiro.”

Significativo adágio este, utilizado na Fajã Grande e a querer lembrar que Outubro é o mês após as colheitas em que há abundância de produtos agrícolas. A palavra celeiro, no entanto, nunca foi usada na Fajã Grande, com o sentido de local onde se guardam as colheitas agrícolas, nem com nenhum outro sentido. Na Fajã as maçarocas de milho guardavam-se, cobertas com a casca e presas em cambulhões, no estaleiro, Se descascado, o milho era guardado em cestos ou sacos nas casas velhas ou de arrumos, sendo, por vezes, pendurado nos tirantes da cozinha que geralmente não eram forradas. Isto prova que este provérbio terá sido importado ou trazido pelos primeiros povoadores.

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publicado por picodavigia2 às 11:01

GORGULHO MOLEIRO

Segunda-feira, 01.09.14

“O gorgulho mal chega à farinha e logo pensa que é moleiro.”

 Este é um adágio de grande significado e de rico conteúdo, utilizado para combater a vaidade, a arrogância e a soberba daqueles a quem é dado um poder mínimo e pouco significativo o transformam, pela sua arrogância e soberba, num poder superior, máximo, cuidando que podem tudo e que sabem tudo e os outros. A soberba transforma-os em domadores imbecis. Na verdade, a soberba é um sentimento caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, levando a manifestações ostensivas de arrogância, por vezes sem fundamento algum em factos ou variáveis reais. A manipulação da soberba, da arrogância e da pretensão de superioridade pode gerar conflitos, inimizades e intrigas

A soberba não é privilégio dos ricos. Os pobres também podem experimentar a soberba ao se considerarem especiais, superiores, procurando fingir ou imaginar serem o que não são. O soberbo só se sente auto-realizado quando mostra aos outros a todo preço, mais do que vale ou do que pode, querendo despertar a inveja e a admiração dos outros, como se isso elevasse sua estima ao máximo e lhe trouxesse prazer.

Com este adágio pretendia.se pois combater estas atitudes . Ninguém deve mostrar ser mais do que o que é, do que o que vale ou do que o que pode ou é capaz.                                                                                                                                               

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publicado por picodavigia2 às 11:51

QUEM NÃO PEDE

Quarta-feira, 13.08.14

“A quem não reza Deus não ouve.”

Este é mais um interessante adágio, outrora, muito utilizado na Fajã Grande, sobretudo com um sentido figurado. Pretendia-se com o mesmo querer dizer ou lembrar a alguém que, para se obter qualquer favor, ajuda ou até conselho de outrem era necessário pedi-lo, primeiro. Na verdade, assim como para se obter as graças e os favores divinos se devia rezar, assim também para se obter o que quer que fosse de outrem, devia-se pedir, mas sob a forma de uma espécie de oração. O pedido, para ser obtido o que se pretendia, devia ser feito com humildade, nobreza e dignidade, como se de uma oração se tratasse. Naqueles tempos não era fácil obter o que quer que fosse sem formular um pedido. E pedir não era vergonha!

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publicado por picodavigia2 às 18:29

A LUA E O MARINHEIRO

Quinta-feira, 07.08.14

“Lua deitada, marinheiro em pé.”

Interessante adágio muito utilizado, outrora, na Fajã Grande, pese embora não fosse terra de muitos e briosos pescadores e marinheiro. Assim e muito naturalmente, não se aplicava apenas no sentido real, isto é, aos homens que tiravam do mar o seu ganha-pão e que, consequente, tinham que iniciar a sua faina diária muito cedo. Deviam partir para o mar de madrugada, ainda antes do dia nascer ou de a Lua já não iluminar a noite. O adágio aplicava-se, no sentido figurado, a todos os que trabalhavam os campos, agricultores criadores de gado. É que a vida agrícola, na mais ocidental freguesia açoriana, era dura, árdua e sem tréguas, por isso e assim como os marinheiros, deviam iniciá-la antes de amanhecer. Levantar cedo, por vezes ainda no escuro, para a safra agrícola quotidiano, era mais do que uma necessidade, uma obrigação. Este adágio recordava-a.

 

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publicado por picodavigia2 às 09:53

BELEZA NÃO PÔE MESA

Sexta-feira, 25.07.14

“Beleza não põe mesa.”

 

Este era um adágio muito utilizado na Fajã Grande, na década de cinquenta e anteriores.

Numa sociedade bastante pobre, com algumas limitações em termos alimentares, sobretudo no que à sua variedade dizia respeito, imperava o princípio de que mais importante do que a beleza era a saúde, o que para tal exigia o pão necessário em cada dia. Por outro lado, o uso deste adágio significava como que o anátema da vaidade, da preguiça, do deslumbramento.

De que serve a alguém ter beleza se afinal não tiver o alimento necessário em cada dia. Para isso impõe-se o trabalho.

 

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publicado por picodavigia2 às 10:24

MÁGOA ALIVIADA

Sábado, 12.07.14

“Mágoa contada é meia aliviada.”

 

Adágio muito utilizado, na plenitude do seu sentido real,  na Fajã Grande, na década de cinquenta, sobretudo pelas pessoas mais idosas.

Na verdade, entendiam as pessoas que era bom e salutar desabafar sobretudo com os amigos. Ficar sozinho a remoer, como se dizia, sobre algo que nos atormenta ou magoa, apenas faz aumentar o sofrimento ou a dor. Ao contrário, tendo alguém com quem se possa desabafar, isto é, partilhar algo que nos atormenta é uma forma de aliviar esse tormento. Por isso uma mágoa contada fica substancialmente aliviada.

Mas atenção, porque num meio pequeno e muito fechado, onde reina o mexerico e prevalece a intriga, era muito difícil encontrar esse alguém… Talvez, por isso mesmo o recurso frequente a\este interessante adágio.

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publicado por picodavigia2 às 11:50

EM JULHO

Terça-feira, 01.07.14

“Em Julho ceifo e debulho.”

Estranho este adágio, pouco lógico, na década de cinquenta e raramente usado na Fajã Grande. Talvez se reportasse aos tempos do cultivo do trigo, o que, aliás. parece ser confirmado pelo uso do verbo ceifar. Na verdade, o milho não se ceifava embora fosse debulhado, embora por processos muito diferentes do trigo. Este, depois de ceifado era espalhado na eira e, com uma grade presa ao moirão e puxada por um junta de vacas, era como que “amassado”, de forma a que os grãos se soltassem das espigas. Outro indicador de que este adágio se refere ao trigo é o facto de este amadurecer e ser colhido no Verão, incluindo o mês de Julho, enquanto o milho era “apanhado” em Setembro e Outubro.

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publicado por picodavigia2 às 09:20

JUNHO AMOROSO

Quarta-feira, 11.06.14

“Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso fazem o ano formoso.”

Mais um interessante adágio, muito utilizado na Fajã Grande, anos cinquenta. Da conjugação das características dos três principais meses de sementeiras – Abril, Maio e Junho – ter-se-iam as condições para um bom ano agrícola. Primeiro a chuva de Abril, para regar e adubar os campos em abundância, tornando-os férteis. Uma vez semeados, as fortes ventanias podiam concentrar-se em Maio, pois como os produtos\ estavam a nascer, o vento não os prejudicava. O que precisavam para crescer e fortificar era da calmaria, do Sol e do bom tempo de Junho, qualidades que o povo considerava como suas amigas e por isso o epitetava de Junho amoroso.

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publicado por picodavigia2 às 17:01

ESTRUME DE MAIO

Sábado, 24.05.14

“Em Maio até a unha do gado faz estrume.”

Interessante este adágio, outrora utilizado na Fajã Grande, revelado da necessidade que as sociedades agrícolas tinham de aproveitar todos os detritos orgânicos para adubar os campos, a fim de que produzissem boas colheitas. E o gado contribuía muito para isso. Na verdade, os bovinos, na mais ocidental freguesia açoriana, tinham um papel primordial na produção de estrume quer quando amarrados no palheiro, quer quando eram “amarradas à estaca” no “oitono”, nos meses de Março e Abril. Nas terras onde habitualmente se verificava o ciclo agrícola do milho, havia um tempo em que os campos ficavam livres daquele cereal. Antes e por entre os milheirais de folhas amareladas e secas, a abarrotar de espigas loirinhas, semeava-se o trevo ou a erva da casta que iam crescendo, crescendo até se tornarem forragens apetitosas, que depois da apanha do milho formavam, com as folhas verdes e as flores vermelhas, azuladas, amarelas e esbranquiçadas, uma variadíssima gama de tapetes multicolores, ondulados pelo vento, ornamentando a freguesia de lés-a-lés. Era por essa altura que as vacas eram para lá levadas para estas terras, onde ficavam alimentando-se não apenas das forragens verdejantes, mas também de erva e de incensos que para ali eram acarretados a fim de que a permanência dos animais durasse o tempo necessário e suficiente para “trilhar” bem o terreno, isto é, produzindo muito estrume. Na verdade, o objectivo fundamental era estrumar bem o terreno, aproveitando tudo. Em Maio lavravam-se os campos que haviam de produzir adubado pelo estrume dos bovinos. Este era fundamental, isto é, tão importante que até a sujidade contida numa unha de uma vaca deveria ser aproveitado.

Maio mês da lavoura dos campos estrumados… E todo o estrume era pouco…

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publicado por picodavigia2 às 16:28

BARRA VERMELHA

Quinta-feira, 08.05.14

“Barra vermelha água na orelha.”

 

A freguesia da Fajã Grande, a mais ocidental parcela de território povoado português, voltada a oeste, dia a pós dia, observava o ocaso do astro rei, mas no mar, lá bem longe, na linha do horizonte. No entanto ao pôr-se, o Sol provocava no espaço celeste imediatamente superior ou sobreposto â linha do horizonte, que na Fajã Grande era designado por barra, um muito interessante e variado colorido, ora com tons de azul e de anil, ora com tons amarelos, alaranjados e vermelhos. De tanto e tanto observar o colorido da barra, dia após dia, o povo percebera que alguns desses coloridos tinham consequências meteorológicas, como era o caso do vermelho, que seria sinal de que nos dias seguintes havia de chover. Daí a utilização deste interessantíssimo adágio, ao lembrar aos mais distraídos de que com a barra vermelha, vinham aí dias de chuva.

Nos anos cinquenta este adágio ainda era referido muitas vezes, sobretudo, por pessoas mais idosas. A sabedoria popular tem destas coisas.

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publicado por picodavigia2 às 16:31

ÁGUAS DE MAIO E DE ABRIL

Quinta-feira, 01.05.14

 “Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.”

Mais um interessante adágio, que embora, aparentemente, pouco usado na Fajã Grande, lembrava aos agricultores a importância da chuva nos meses de Abril e Maio.

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publicado por picodavigia2 às 16:19

LUA TROVEJADA

Quinta-feira, 17.04.14

“Lua nova trovejada, trinta dias é molhada.”

Interessante adágio, utilizado como aviso dos agricultores, não apenas na Fajã Grande, mas também em muitas outras localidades. Na Fajã Grande no entanto, era muito frequente.

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publicado por picodavigia2 às 17:53

ABRIL MOLHADO

Sábado, 12.04.14

“Abril molhado, sete vezes trovejado.”

Mais um adágio fajãgrandense, a lembrar que se chover em Abril serão muito frequentes as trovoadas. Tudo o que ao tempo dizia respeito se reflectia na vida e nos costumes de uma sociedade essencialmente agrícola, mas com uma pobre e simples agricultura de subsistência, trabalhosa, árdua, mísera e fustigada por flagelos atmosféricos, cenário que Pedro da Silveira retractou neste poema:

“… Na praça os homens falavam da beleza do tempo:

 

…..

 

…Na terra as plantas crescem.

Crescem promessas

nos olhos do povo.

 

…Então

o vento soprou rijo da banda do mar

e a salmoura caiu sobre a terra

como uma semente de maldição.

 

E onde houve searas viçosas

ficou mais um ano de fomes

e os nossos corações sangrando.”

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publicado por picodavigia2 às 16:44

SECA DE ABRIL

Segunda-feira, 07.04.14

 “Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.”

Abril geralmente é chuvoso e, na Fajã Grande, outrora, cuidava-se que isso era bom, pois umas secas no quarto mês do ano, sobretudo se o seu ante sucessor for invernoso, o que acontecia frequentemente, as colheitas poderiam ser muito prejudicadas, deixando os lavradores em apuros. É isso que se lembrava com este adágio, embora não muito frequente na Fajã Grande.

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publicado por picodavigia2 às 18:47

SOL DE ABRIL

Sábado, 05.04.14

“Sol de Abril, quem no vir abre a mão e deixa-o ir.”

Trata-se de mais um interessante adágio fajãgrandense de carácter meteorológico, através do qual se constata um fenómeno climatérico bastante vulgar nas ilhas açorianas e consequentemente nas Flores. Na realidade, no início da Primavera e, por conseguinte no mês de Abril, é vulgar nas ilhas existirem dias de alguma instabilidade climatérica. Naquele mês, nos Açores, geralmente o Sol é “de pouca dura”, isto é, o astro-rei tanto aparece como desaparece logo a seguir, alternando, no mesmo dia, com períodos de chuva. Por outras palavras, o Sol de Abril é muito instável e pouco seguro ou duradouro. É como um pássaro que se tem preso na mão e, se a abrirmos ele foge logo.

Com este erudito adágio pretende pois, a sabedoria popular, lembrar aos mais descuidados que nas suas idas e vindas aos campos e nos seus trabalhos e tarefas diárias, devem estar prevenidos contra esta instabilidade climatérica primaveril, porque pode estar a fazer Sol, num determinado momento do dia e, num abrir de mão, isto é, num instante, o tempo se alterar e começar a chover ou fazer mau tempo.

Douta sabedoria popular, com importantes ensinamentos que não devem ser ignorados pois revelam a virtude de, regra geral, serem exactos e verdadeiros.

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publicado por picodavigia2 às 21:02

NA GLÓRIA

Segunda-feira, 31.03.14

“Quem se vira na glória.”

 

Embora, mais propriamente, seja um dito do que um adágio, esta expressão era muito utilizada na Fajã Grande, na década de cinquenta. O seu uso manifestava um sentimento de desânimo, aborrecimento ou vontade de renúncia a qualquer empreendimento que se pretendesse realizar e se tivesse dificuldade em conseguir ou qualquer objectivo que se quisesse atingir e não se obtivesse. Assim e num momento de desânimo ou perante um objectivo fracassado surge o desejo da felicidade eterna, uma vez que a palavra glória aqui significa a glória celeste, ou seja, o céu. Por isso este dito também era utilizado numa outra versão:  “Quem se visse no céu.”

Estranha é a utilização da forma verbal, porquanto deveria ser usado o imperfeito do conjuntivo, como acontece na segunda versão, o que no entanto, não poderá significar mais do que uma deturpação da mesma.  

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publicado por picodavigia2 às 18:18

OSO

Sexta-feira, 28.03.14

“Janeiro geoso, Fevereiro nevoso Março frio e ventoso, Abril chuvoso, Maio calmoso faz um ano formoso.”

 

Interessante adágio que procura e usa adjectivos terminados em oso, para caracterizar os primeiros cinco meses do ano e rimarem, assim, com a melhor qualidade que uma sociedade agrária, com uma economia dependente do tempo, pretendia – formoso. Na Fajã Grande na década de cinquenta, o melhor que podia acontecer à população era um haver um ano formoso, isto é, um bom ano agrícola, muito fértil, bastante produtivo e farto. Ora segundo este dito popular, era da própria conjugação do diferente estado do tempo, ao longo dos cinco primeiros meses do ano, que tal dependia. Assim mesmo que Janeiro fosse um mês terrível com um inverno rigoroso e com geadas frequentes e contínuas, que em Fevereiro nevasse dia e noite ou o mês fosse repleto de nevoeiros e caligens e ainda que, até em Março fizesse muito frio e o vento soprasse em fúria e ocorressem grandes e fortes vendavais, mas se em Abril chegasse a chuva benfazeja e Maio trouxesse a calma atmosférica, isto é um tempo soalheiro, as colheitas seriam excelentes.

O povo contentava-se com pouco, pois mesmo do mau, neste caso do mau tempo e das terríveis invernias da ilha, o povo entendia que um pouquinho de bom tempo era o suficiente para a sua felicidade, que consistia, na realidade, na fartura de um ano agrícola.

Desejos limitados, submissos, humildes, conformados e pouco ambiciosos!

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publicado por picodavigia2 às 11:22

EM MARÇO

Sábado, 22.03.14

“Em Março, tanto durmo como faço.”

Mais um interessante adágio utilizado na Fajã Grande para indicar que ali, como em quase todas as outras localidades açorianas, o mês de Março era um verdadeiro mês de Inverno, onde se podia ter bom ou mau tempo e, consequentemente, durante o qual se podia trabalhar ou estar completamente impedido de o fazer.

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publicado por picodavigia2 às 19:42

MARÇO VENTOSO

Terça-feira, 18.03.14

“Quando Março sai ventoso, sai Abril chuvoso.”

Provérbio muito pouco utilizado na Fajã Grande, pese embora ali a situação meteorológica que ele contém fosse muito frequente naquela freguesia da maior ilha do grupo ocidental açoriano.

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publicado por picodavigia2 às 15:19





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