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Nº 36 JOÃO

Sexta-feira, 31.10.14

“Aos dezoito dias do mez de Outubro do anno de mil novecentos e dois, nesta egreja Parochial de São José da Fajã Grande, concelho das Lages, ilha das Flores, Diocese de Angra, baptisei solenemente um indivíduo do sexo masculino  quem dei o nome de João, e que nasceu nesta freguesia ás três e meia horas da manhã deste mesmo dia dezoito do dito mez e anno filho legítimo primeiro do nome de António Lourenço Fagundes, proprietário e de Maria de Jesus Fagundes de ocupação doméstica, naturaes, recebidos, parochianos e moradores na rua d’Assomada, neto paterno de José Lourenço Fagundes e de Mariana Joaquina de Jesus e materno de António Joaquim Fagundes  de Policena Joaquina da Silveira Foi padrinho José Lourenço Fagundes do Nascimento, casado proprietário e madrinha Maria do Céu Fagundes Cardozo solteira, os quais odos sei serem os próprios. E para constar lavrei um duplicado deste assentoe que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos, comigo assigna a madrinha e não assigna o padrinho por não saber escrever. Era ut supra.

Maria do Céu Fagundes Cardoso (assinatura)

Adiante vai paga a estampilha fiscal o valor de cem reis devido por este assento.

O Vice-Vigário Joaquim Ferreira de Campos”.

 

Este é o registo de batismo de meu pai, João Joaquim Fagundes.

O documento encontra-se, juntamente com milhares de outros, respeitantes às paróquias açorianas, que em boa hora foram guardados no site da Secretaria Regional da Educação e Cultura – Cultura Governo dos Açores – Inventário Genealógico, onde estão reproduzidas cópias dos assentos paroquiais até 1910, altura em que os nascimentos passaram a ser feitos no Registo Civil.

Neste ano de 1902, nasceram na Fajã Grande 47 crianças, trinta e quatro do sexo masculino, doze do feminino e uma morta à nascença, esta do lugar da Ponta. Uma boa safra, invejada nos dias de hoje.

Embora ainda não tendo lido todos os registos, reparei nalgumas outras curiosidades. O nome José é o mais comum, atribuído a 13 crianças, João a 9, assim como Maria também a 9. Seguem-se os nomes de António, Pedro, Francisco e Ana, cada um a duas crianças e apenas a uma foram dados os nomes de Augusto, Manuel, Nestor, Joaquim, Abílio e Lucinda. Uma outra curiosidade interessante: meu bisavô materno, José Fagundes da Silveira, juntamente com a sua terceira esposa, Mariana de Freitas foram padrinhos de um dos batizados.

 

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publicado por picodavigia2 às 11:13

A HISTÓRIA NA OBRA

Terça-feira, 26.08.14

(RESPIGANDO UM ARTIGO DO BOLETIM DO NÚCLEO CULTURAL DA HORTA)

 

Pedro da Silveira é uma das mais fascinantes personalidades da cultura açoriana e a sua obra um contínuo desafio para os leitores, pese embora esteja dispersou-se por livros, jornais, revistas e folhetos. Em Pedro da Silveira a História tem um lugar central, embora ele seja, acima de tudo, um poeta, caracterizado pela erudição e também pela investigação. A sua paixão pela investigação fez dele um historiador de literatura que se apressa a divulgar o fruto da sua investigação com consciência da utilidade que ela possa ter para os outros.

A produção de Pedro da Silveira divide-se por três grandes áreas: a poesia, a história da literatura e crítica literária e a etnografia, ou melhor dito, a antropologia cultural. Em todas elas a História está presente. Ideologia e cultura ou cultura e ideologia estão entrançadas na obra de Pedro da Silveira o que se torna o fio condutor da unidade do seu pensamento e trespassa o conjunto da sua produção quer literária, quer de historiador, quer de etnógrafo, quer de crítico.

A marca fundamental da formação política e cultural de Pedro da Silveira é o autodidatismo assente numa vontade férrea e numa curiosidade sem limites. Em Angra, quando jovem começou a sua formação estética., onde a sua principal “escola” foi a tertúlia de amigos, a convivência com alguns grupos de intelectuais citadinos, a muita leitura, e a busca incessante das novidades literárias, paralela, a uma formação ideológica segura, nascida e firmada na sua adolescência nas Flores, onde conheceu alguns exilados políticos. Com eles primeiro, com um grupo anarquista em Angra depois, consolidaram-se os princípios essenciais que o acompanhariam por toda a vida e serviram de base à sua filosofia cultural e interpretativa da história e da criação literária.

Sem se ter presente o gosto pela açorianidade, a compreensão de que regional e universal não são antagonismos e se entender a história açoriana como um colonialismo político e cultural fruto do imperialismo português, dificilmente se entenderá a mensagem cultural de Pedro da Silveira.

O poema que serve de pórtico A Ilha e o Mundo intitula-se «História» e é uma espécie de rumo da história das ilhas, bebido nos cronistas, na tradição e na observação, os três pilares da sua sabedoria. É uma “história das angústias e das raivas” que fazem o açoriano, neste caso o florentino, aqui fixado como paradigma. O poema, cujos versos são “gritos de revolta nem sequer esboçados”, marca uma periodização da história de um povo subjugado e explorado, mas submisso. “«História» é um poema espantoso que em duas páginas de um livro ensina mais do que muitos compêndios e, de facto, quem quiser ir ao âmago de uma história das ilhas deve começar por lê-lo e interiorizá-lo. Se o compreender, fica com a chave para desvendar cinco séculos de história açoriana.

Mas outro poema famoso é «Soneto de identidade», onde invoca as suas raízes, as insulares e as outras, as flamengas, as castelhanas, as alemãs, todas aquelas que fizeram as raízes do açoriano e sobretudo a “outra pátria que me coube e tomo”.

Pedro da Silveira é um historiador comprometido e fiel aos princípios formativos, pois  “cada qual tem a sua verdade ou, então, o que dá no mesmo, o seu modo de ver (ou ajeitar...) a verdade

A Antologia de poesia açoriana é um trabalho de maturidade, fruto de uma vida de investigação e de crítica, e o «Prefácio», que levantou uma tempestade de críticas, acusações e despeitos, um quase testamento onde a literatura açoriana (nunca posta em causa) é explicada como a consequência lógica e paralela a outras experiências do colonialismo cultural e Pedro da Silveira aproxima o caso cultural açoriano da experiência norte-americana e canadiana.

Para Pedro da Silveira, o século XIX foi o tempo por excelência da longa e difícil elaboração da identidade dos açorianos e, consequentemente, de todas as experiências e de todos os ensaios com as inevitáveis lições, entre as quais a compreensão que um Estado açoriano de todo independente era uma utopia. Assim, nasceria a Autonomia que, mesmo com várias limitações, buliu com a literatura contagiando-a com o seu ideal, pois nos Açores, o processo de emancipação cultural foi paralelo e profundamente ligado ao processo político. Mas o que é de salientar na construção teórica da história da literatura açoriana de Pedro da Silveira é a ideia de que tal literatura é um produto de consciencialização do açoriano, da sua própria identidade e das consequências daí advindas, como libertação dos colonialismos culturais e políticos. A teoria da história em Pedro da Silveira é, pois, um produto da sua formação ideológica, do seu horror às formas ditatoriais e aos imperialismos contra os quais sentia o dever cívico de combater por todos os meios, à boa maneira anarquista, ainda que tenha usado meios pacíficos, mas servindo-se de uma linguagem crítica, agressiva, que é uma marca indelével da sua obra. Pedro da Silveira compreendeu, ainda, que o caso estudado por Nemésio era essencial para fundamentar a sua teoria literária e passou a dedicar uma atenção persistente a este autor, sem dúvida pelo interesse que sempre lhe despertaram os patrícios das Flores, mas mais do que isso pela exemplaridade da sua obra para alicerçar a sua opinião sobre literatura açoriana. O estudo de Pedro da Silveira fez sobre Roberto de Mesquita é um exemplo de como ele construía o seu trabalho de historiador da literatura e de incansável investigador de um inventário sobre o qual posteriormente trabalhava os seus ensaios e através do qual caracteriza cada personalidade, ajudando a compreendê-la nos seus gostos e nas suas intenções.

Pedro da Silveira foi sempre um apaixonado pela sua ilha natal, as Flores e, mais concretamente, pela Fajã Grande, aliás uma das características apontadas por Nemésio como fundamento da açorianidade, é esse amor irracional pela ilha de origem, e essa sua ilha transformou-se no objecto preferencial da pesquisa e da meditação e um ponto de partida para a compreensão mais alargada dos fenómenos sociais, económicos, políticos e culturais da história dos Açores.

 

Ex do Boletim do NCH

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publicado por picodavigia2 às 10:32

ACONTECIMENTOS OCORRIDOS NAS FLORES NO SEC. XVII

Quinta-feira, 31.07.14

Em 1642, chegaram os primeiros escravos negros às Flores e trinta anos depois, em 1672, a ilha foi atacada por 40 navios de piratas holandeses

Por sua vez, em 1675 iniciou-se a construção da primitiva igreja da Fajãzinha, Até esta data os lugares da Fajã e o da Fajazinha, assim como outros muito mais pequenos, ao redor destes, pertenciam à freguesia das Lajes. O lugar da Ponta pertencia à paróquia de Ponta Delgada. Nessa altura, as Lajes teria pouco mais de 300 habitantes. Um ano depois foi criada a paróquia das Fajãs, com sede na Fajazinha, englobando a Fajã e a Ponta. Por essa altura Domingos Rodrigues Ramos era capitão na Fajã e fora testemunha da delimitação dos limites da paróquia na rocha da Ponta.

Em 1677 nasce na Fajã Grande o Alferes André de Fraga e, um ano depois, nasce, na Fajãzinha, Ana de Freitas, esposa do Alferes André Fraga, que se supõe terem sido os meus oitavos avós.

Em 1683 deu-se o desembarque, na ilha das Flores, de alguns colonos estrangeiros, vindos na fragata dinamarquesa Hawmanden.

Em 1890 nasce, em Santa Luzia do Pico, José Pereira de Azevedo que havia de casar com Maria de São João. Cerca de 22 anos mais tarde chegariam às Flores.

Em 1694 dá-se a célebre revolta dos Inhames, com epicentro na ilha de São Jorge em São Jorge, mas extensiva, mais tarde às Flores (Net)

Finalmente em 1696 verifica-se a 1ª Visita Pastoral de um Bispo diocesano às Flores. Tratou-se de D. António Vieira Leitão, 17.º bispo da Diocese de Angra, tendo-a governado de 1694 a 1714.

D. António Vieira Leitão nasceu em Lisboa, filho de Manuel Vieira Leitão, cavaleiro da Ordem de Cristo, e de sua mulher Maria Pedrosa. Ordenado presbítero em Lisboa, exerceu diversos cargos eclesiásticos de crescente relevo, entre os quais prior da freguesia de Santo Estêvão, desembargador da Relação Eclesiástica, provisor do Priorado do Crato e juiz da Legacia. Foi proposto para bispo de Angra por D. Pedro II, rei de Portugal, sendo confirmado por breve de 23 de Novembro de 1693 do papa Inocêncio XII. Foi sagrado bispo a 16 de Agosto de 1694 e a 25 do mesmo mês, ainda em Lisboa, nomeou uma junta para o governo da Diocese de Angra, enquanto não chegasse aos Açores. Governou a diocese açoriana até falecer, visitando todas as ilhas dos Açores, sendo o primeiro bispo diocesano a visitar as Flores e o Corvo. No entanto estas ilhas já haviam sido visitadas uma única vez, por um bispo, uma vez que, por volta de 1550, D. Baltasar de Évora ali terá chegado como visitador a mando de D. Rodrigo Pinheiro, 2.º bispo da diocese de Angra, que a governou de 1540 a 1552, sendo depois nomeado bispo do Porto, governando esta diocese de 1552 a 1572.

Por altura da visita de D. António Vieira Leitão, o concelho das Lajes teria cerca de 1200 pessoas e a ilha das Flores 1850.

 

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publicado por picodavigia2 às 16:52

PADRE JOÃO DE FREITAS LOURENÇO

Terça-feira, 22.07.14

Pouco se sabe sobre a vida deste ilustre fajãgrandense, o padre João Lourenço Fagundes, que teve escritura de doação patrimonial de bens, em 1820, uma ancestral das actuais Escrituras Públicas de Doação, feitas junto de um tabelião e através das quais uma das partes doa determinado bem, tanto móvel como imóvel a outra. Assim e em função desta data e da data de casamento dos pais, o padre João de Freitas Lourenço terá nascido no final do século XVIII, por volta de 1790. Era filho de João de Freitas Lourenço e de Mariana da Ascenção. O pai, falecido em 11 de Abril de 1815, com 83 anos, foi alferes num dos fortes da Fajã Grande e também era natural do lugar da Fajã, assim como a mãe. O pai era filho de Manuel Lourenço e de Joana de Freitas, tendo casado, e, 16 de Janeiro de 1779, com 49 anos de idade, na igreja da Fajazinha, na altura paróquia das Fajãs, com aquela que foi a mãe deste sacerdote, Maria da Ascenção, uma das filhas do capitão António de Freitas Henriques e de Maria de Freitas.

O avô paterno do padre João de Freitas Lourenço, Manuel Lourenço, casou duas vezes, ambas na igreja da Fajazinha. Em 1723 com Maia de Freitas filha do alferes André Fraga Pimentel e da segunda, em 1751, com Joana de Freitas, filha de António George Garcia e de Maria de Freitas., sendo esta a avó do padre João de Freitas Lourenço. Por sua vez os avós maternos, António de Freitas Henriques e Maria de Freitas também casaram na Fajãzinha, em 1760, ele filho do capitão Gaspar Henriques Coelho e de Francisca Rodrigues e ela filha de Bartolomeu Lourenço e de Isabel de Freitas, sendo irmã de Catarina de Freitas, casada com António da Silveira Azevedo, meus sétimos avós. Recorde-se que António da Silveira Azevedo era filho de José Pereira Azevedo, naturais de Santa Luzia do Pico, onde casaram, tendo-se refugiado nas Flores por altura da crise sísmica, em 1718.

 

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publicado por picodavigia2 às 16:34

VINTE E OITO DE MAIO

Quarta-feira, 28.05.14

O dia 28 de Maio de 1926 ficou assinalado na História de Portugal por nele ter ocorrido o início de um levantamento militar, no norte de Portugal, com o objectivo de tentar repor a ordem no país, que desde 1924 vivia em constantes sobressaltos. Caminhava-se. a passos largos. a guerra civil. O movimento sindicalista havia sido abafado, incidentes violentos grassavam por toda a parte e tinam sido criadas, no país, condições para a instalação de um regime de terror, em que proliferavam os assassinatos e os atentados terroristas. Havia um enorme descontentamento entre o povo português devido à política do Partido Democrático que, desprovido da sua ala radical, se tornara num partido conservador e corrupto, alheio às causas da justiça social dos trabalhadores.

Assim a instabilidade política atingira uma situação de pré guerra-civil, com confrontos entre unidades militares e com a sublevação de algumas unidades militares. A instabilidade atingiu um ponto de ruptura, levando a que alguns dos principais comandos militares programassem e encetassem uma revolta.

A revolução teve origem em Braga, sendo o comando das operações assumido pelo General Gomes da Costa. A 28 de Maio foi proclamado o movimento militar, tendo-se iniciado, de imediato, uma enorme movimentação de forças militares de Braga para Lisboa. Ao longo do dia seguinte, Sábado, 29 de Maio, unidades militares de todo o país declararam o seu apoio aos militares golpistas. A chefia da polícia de Lisboa também aderiu ao golpe.

O governo, verificando não ter qualquer capacidade para controlar a situação, apresentou a demissão ao Presidente da República, na altura o Dr Bernardino Machado. Tomou conta do poder Mendes Cabeçadas, e Bernardino Machado resignou, embora nesse mesmo dia ainda ocorresse a última sessão da Câmara dos Deputados e do Senado.

A 1 de Junho, as tropas revoltosas reuniram-se em Coimbra, onde acordaram na proclamação de um triunvirato governativo, presidido por Gomes da Costa de que faziam parte também Mendes Cabeçadas e Armando Ochoa.

O movimento militar, transforma-se, assim, numa autêntica revolução com a adesão de inúmeros sectores da sociedade portuguesa, desejosos de acabar com o clima de terror e violência que se tinha instalado no país.

No entanto, a revolta continuou e as tropas de Gomes da Costa chegaram a Sacavém. A situação era confusa, pois não havia certeza de quem deveria formar o novo governo. Foi perante este impasse que, entre as novas figuras, surgiu a do Ministro das Finanças, Oliveira Salazar, que mais tarde assumiu a chefia do Governo.

A revolução implantou um regime militar que duraria formalmente até 1933, sendo seguido pela aprovação de uma nova Constituição e pela institucionalização do «Estado Novo», um regime autocrático em parte inspirado no movimento fascista italiano que tinha acabado de despontar em Itália, mas controlado pelos sectores católicos conservadores portugueses.

O regime implantado com a revolução de 28 de Maio, conseguiu recuperar da situação económica absolutamente caótica a que a chamada «República Laica» o tinha feito chegar após o golpe de 5 de Outubro de 1910.

No entanto, embora tivesse recuperado a economia do país, o regime implantado em 28 de Maio de 1926, entrou por sua vez e após o final da II Guerra,  num lento processo de apodrecimento e degradação do país, culminando com a fatídica guerra do ultramar.

A Revolução de 28 de Maio de 1926 foi, pois, uma espécie de pronunciamento militar de cariz nacionalista e antiparlamentar que pôs termo à Primeira República Portuguesa, levando à implantação da Ditadura Militar, depois auto-denominada Ditadura Nacional e por fim transformada, após a aprovação da Constituição de 1933, em Estado Novo, regime que se manteve no poder em Portugal até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974.

A notícia deste golpe, no entanto, não terá chegado tão cedo à Fajã Grande das Flores.

 

NB – Dados retirados da Net

 

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publicado por picodavigia2 às 10:26

COSTA OCIDENTAL DAS FLORES (VISTA POR GASPAR FRUTUOSO - SEC. XVI)

Quinta-feira, 24.04.14

Na parte final do Livro VI, de  “Saudades da Terra”,  Gaspar Frutuoso descreve a Costa Ocidental da ilha das Flores, desde Ponta Delgada até à Fajã de Lopo Vaz,, no último quartel do século XVI. Reza assim a crónica d G. Fructuoso:

 

“…Dali a meia légua de rocha, de pedra viva e por baixo penedia, estão dois ilhéus… Criam-se neles muitos pássaros de toda sorte e muito marisco, e algum mato; chamam-se os ilhéus de Maria Vaz.

Daqui, a um tiro de bombarda, vai fazendo a rocha uma enseada, onde moram sete ou oito vizinhos, que lavram pão e pastel e têm um moinho em uma ribeira, que sai ao mar, chamada do Moinho.

Dali a um quarto de légua está uma fajã, chamada Grande, que dá pão e pastel, em terra rasa, com algumas engradas onde entram caravelas de até cinquenta moios de pão a tomar o pastel que nela se faz, onde também há marisco e pescado de toda a sorte, e no cabo dela está um areal, de meia légua de comprido, em que sempre anda o mar muito bravo; e dali por diante, a outra meia légua, é tudo rocha talhada, onde se apanha muita urzela, e de muita penedia por baixo, em que se cria infinidade de marisco e grandes cranguejos, e desta mesma maneira corre a rocha um tiro de bombarda até uma ponta, que sai ao mar um tiro de arcabuz, com um baixo de pedra, que tem lapas e búzios; e, logo adiante desta ponta, se faz uma baía, onde com ventos levantes ancoram navios de toda sorte e também naus da Índia.

No meio deste ancoradouro cai da rocha no mar, a pique, uma grande ribeira…

Pera o qual nordeste, virando esta ponta de alta rocha, de penedia e alguns pesqueiros por baixo, passado espaço de um tiro de bombarda, está um ilhéu, chamado de Maria Vaz, no mar, de grandura de um alqueire de terra, em que criam pássaros, como nos outros atrás ditos, onde há encoradouros de navios, defronte do qual vai beber no mar uma grande ribeira, chamada dos Moinhos, por ter um só que abasta à freiguesia de São Pedro, que está nesta ponta, e tem anexa uma ermida de Sant'Ana, que primeiro foi paróquia. Há nela homens nobres, Pimenteis, Homens, Costas, Fernandes, Vazes, Gomes e Vieiras; e é da jurdição de Santa Cruz. Fronteiro deste encoradouro, é terra tão alta, que se chama o Vento, por ali haver sempre grandes ventos que levam a terra, quando a acham lavrada.”

“…Dali a meia légua de rocha, de pedra viva e por baixo penedia, estão dois ilhéus, de grandura de alqueire de terra cada um, afastados da rocha um tiro de bombarda, que podem passar por antre eles e a terra navios e naus grandes, onde têm bom encoradouro. Criam-se neles muitos pássaros de toda sorte e muito marisco, e algum mato; chamam-se os ilhéus de Maria Vaz.

Daqui, a um tiro de bombarda, vai fazendo a rocha uma enseada, onde moram sete ou oito vizinhos, que lavram pão e pastel e têm um moinho em uma ribeira, que sai ao mar, chamada do Moinho.

Dali a um quarto de légua está uma fajã, chamada Grande, que dá pão e pastel, em terra rasa, com algumas engradas onde entram caravelas de até cinquenta moios de pão a tomar o pastel que nela se faz, onde também há marisco e pescado de toda a sorte, e no cabo dela está um areal, de meia légua de comprido, em que sempre anda o mar muito bravo; e dali por diante, a outra meia légua, é tudo rocha talhada, onde se apanha muita urzela, e de muita penedia por baixo, em que se cria infinidade de marisco e grandes cranguejos, e desta mesma maneira corre a rocha um tiro de bombarda até uma ponta, que sai ao mar um tiro de arcabuz, com um baixo de pedra, que tem lapas e búzios; e, logo adiante desta ponta, se faz uma baía, onde com ventos levantes ancoram navios de toda sorte e também naus da Índia.

No meiodeste ancoradouro cai da rocha no mar, a pique, uma grande ribeira.

Adiante um quarto de légua estão dois ilhéus no mar, afastados da terra um tiro de besta, que têm pouco mato em cima, onde criam diversas aves, e antre eles e a terra há encoradouros de navios, e ao lível com o mar corre uma ribeira, onde abicam as barcas dos

navios e dentro enchem as pipas de água, sem as tirar fora. Chama-se esta parte os Lagedos.

É terra lançante e a rocha pouco alta, que dá pão e pastel. Foi de um João Soares, dos Mosteiros, desta ilha de São Miguel, o qual, morando nestes Lagedos, por sua mão fez,

calafetou e breou um batel, sem saber nada destes ofícios, em que ia com sua mulher e filhos ouvir missa à vila das Lagens. Diziam dele que, quando tornava para sua casa, dizia à filha mais velha que pusesse o batel em e ela o tomava à cabeça e o punha onde queria, por ser muito pequeno e mal feito, mas servia-lhe, pelo caminho por terra ser trabalhoso, e muitas vezes este João Soares ia só às Lagens no barquinho e, às vezes, pescar nele.

Por diante um tiro de berço corre alta rocha dependia, até chegar a uma fajã, chamada de Lopo Vaz, de três moios de terra e rasa com o mar, ao longo do qual, antre grossa penedia há lapas e cranguejos, e pela banda da terra tem uma rocha de penedia, de altura de um tiro de besta, pela qual a través fez Lopo Vaz um caminho, por onde vão bois abaixo, que lhe custou e custa ainda muito, porque, quebrando a rocha muitas vezes, lho quebra, e logo lho torna a fazer, por ser a fajã de muito proveito de pastel e trigo, que nela amadurece primeiro que em nenhuma parte da ilha, e ter muitas fontes de água.

Desta fajã, espaço de meia légua, é tudo alta rocha, no cabo da qual está a vila das Lagens…”

 

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publicado por picodavigia2 às 10:37

A PARÓQUIA DA FAJÃ GRANDE

Terça-feira, 25.02.14

A erecção da nova paróquia de São José da Fajã Grande, por separação da de Nossa Senhora do Remédios de Fajãzinha, foi feita por alvará do bispo de Angra, D. Frei Estêvão de Jesus Maria, datado de 20 de Junho de 1861, instituindo de facto uma nova paróquia, incluindo nela as povoações da Fajã, da Ponta e da Cuada.

A igreja paroquial de São José da Fajã Grande nasceu como uma pequena ermida da mesma invocação, cuja construção foi iniciada em 1755, sendo benzida a 24 de Maio de 1757, pelo vigário da Matriz de Santa Cruz e Ouvidor de toda a ilha e também do Corvo, Agostinho Pereira de Lacerda. Situava-se no serrado do Licate. O seu primeiro administrador foi o padre Francisco de Freitas Henriques. Segundo a tradição, esta ermida comunicava, através duma ponte, como solar dos Freitas Henriques, que antes teria pertencido a um sargento-mor, deportado no lugar. O primeiro enterro na ermida teve lugar em Janeiro de 1758. A actual igreja, construída no sítio da antiga ermida, foi iniciada em 1847, ficando concluída em 1849. O templo foi benzido a 1 de Agosto de 1850.sendo feita pelo padre Francisco António da Silveira, ouvidor eclesiástico. Por legado de um emigrante fajãgrandense na América, de seu nome José Luís da Silveira, a igreja recebeu grandes melhoramentos em 1880.

 

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publicado por picodavigia2 às 15:02

PAPAS QUE FORAM FORÇADOS A ABDICAR

Segunda-feira, 27.01.14

Para além dos papas que abdicaram livremente e por iniciativa própria, embora fazendo-o por razões diversas, outros chefes da Cristandade foram forçados a abandonar a cátedra de São Pedro, por motivos alheios à sua própria vontade, sendo que, nalguns casos, as pressões foram tão violentas e tão execráveis que culminaram no assassinato do Sumo Pontífice. Desta lista histórica, obviamente, estão excluídos os papas mártires, dos primeiros séculos do cristianismo.

O Papa Eusébio foi eleito em 309, permanecendo na cátedra de Pedro apenas quatro meses, em consequências das perturbações e actos de violência na Igreja, devido a uma rumorosa disputa sobre a readmissão dos apóstatas, Eusébio foi banido pelo imperador Magêncio, que governava Roma, na altura. Foi exilado para a Sicília onde morreu em 310. A Igreja venera-o como santo e a sua festa é no dia 26 de Setembro. Sucedeu-lhe Melquíades, um papa africano de origem berbere, eleito após o imperador Maxêncio ter exilado Eusébio. Dois anos depois, Constantino derrotou Maxêncio, assumiu o governo de Roma e garantiu a liberdade religiosa aos cristãos.

João I, eleito papa em 523, ao ser enviado a Constantinopla, em 525, a fim de tentar obter tolerância da parte do imperador Justiniano para os árabes, foi aprisionado por Teodorico, o Grande, que o obrigou a abdicar do papado, colocando no seu lugar Félix IV, que, antes da sua morte, reuniu vários clérigos e importantes cidadãos romanos e, solenemente, elegeu seu sucessor, Bonifácio II, evitando assim as ameaças consubstanciadas na eleição do antipapa Dióscoro.

No mesmo século João III, eleito papa em 561, foi deposto e forçado a abdicar pelo general Narses, uma vez que, durante o seu pontificado os Lombardos invadiram a Itália e Narses tornou-se governador de Roma, entrando em rota de colisão com João III. Devido à guerra, durante mais de um ano, a Sé de Roma esteve vacante, sendo então eleito Bento I.

No século seguinte, o papa Martinho I, eleito em 649, condenou e afastou os escritos do imperador bizantino, Constante II, que, de imediato, o mandou aprisionar e levar cativo para Constantinopla, sendo julgado, considerado infame e condenado à morte. No entanto, ao ser forçado a renunciar, teve a pena capital suspensa, mas foi encarcerado, submetido a maus-tratos e desterrado para Quersoneso (actual Ucrânia), onde faleceu.

João VIII, eleito em 872, morreu envenenado, dez anos depois. Embora não descuidando os assuntos espirituais da igreja, João VIII assumiu-se mais como chefe militar e líder politico do que do pai espiritual da cristandade. Os seus exércitos defenderam a Itália contra os sarracenos, derrotando-os em Terracina. Em 875, coroou imperador o rei dos francos ocidentais, Carlos o Calvo, e à morte deste, coroou imperador, o rei dos francos orientais, Carlos III o Gordo. Mas depois da coroação, o imperador não manteve a ajuda que lhe prometera, pelo que o papa foi derrotado pelos árabes e forçado a abdicar. Em sua substituição foi eleito, precisamente no dia da sua morte, Marinho I.

Depois da morte de Bonifácio VI, em 896, algo de muito estranho e pouco ortodoxo aconteceu no Vaticano. O partido dos duques de Espoleto, a seu belo prazer, colocou no trono pontifício o Estêvão VI. Roma passou para a chefia de Lamberto de Espoleto e o novo papa foi obrigado a reconhecer Lamberto como único imperador e a reprovar e anular todos os actos do Papa Formoso, antecessor de Bonifácio VI, que coroara Arnolfo, imperador da Alemanha. Abusando da subserviência de Estêvão VI, os partidários de Lamberto instituíram o tribunal do "Sínodo do Cadáver". O cadáver mumificado do papa Formoso foi retirado, sacrilegamente, do seu ataúde, sentado num trono e acusado do grande crime de haver aceite ter sido Papa. Intimado a se defender, e logicamente nada respondendo por ser um mero cadáver, foi julgado criminoso, despojado das insígnias pontificais, sendo-lhe cortados os dedos da mão que abençoara as multidões. O cadáver foi depois lançado ao Tibre, donde foi retirado pelo povo, que lhe guardava enorme carinho e admiração e lhe deu sepultura. Estêvão VII foi aprisionado, obrigado a abdicar, acabando por ser linchado.

Leão V foi eleito papa em 903 e assassinado, dois meses após a eleição, pela família romana dos tusculanos, os mesmos que mataram o antipapa Cristóvão. A causa da sua morte permanece obscura e pouco se sabe, também, sobre a sua vida e acerca do seu curto pontificado. Foi preso por motivos desconhecidos e há uma lenda atribuindo a sua morte a Sérgio III, seu sucessor e, supostamente, pai do papa João XI. Muitos historiadores, no entanto cuidam que é mais provável Leão V ter morrido de causas naturais, na própria prisão.

O Papa João X foi eleito em 914. O seu pontificado foi profundamente influenciado por Alberico I de Spoleto, conde de Túsculo e esposo da bela princesa toscana, Marózia, que dominava Roma. João X foi um papa enérgico e independente, criou grandes inimigos, acabando por ser preso pelos partidários de Marózia, cujos planos ambiciosos condenara. Foi obrigado a abdicar do papado, morrendo na prisão, um ano depois, ao que consta de fome ou de ansiedade.

Pouco se sabe do papado de Estevão VII que terá sido eleito em 928 ou 929. A sua eleição foi imposta pelos condes de Túscolo, graças às suas intrigas contra Marózia, então senatriz de Roma. A validade do seu pontificado é dúbia, pois tal como o seu antecessor, Leão VI, foi eleito quando o Papa João X ainda era vivo mas estava preso. Consideram os historiadores que, se a retirada do papado a João X for inválida, Leão VI e Estêvão VII não foram papas legitimados. Ambos tiveram pontificados curtos e sem nenhuma informação relevante. Estevão VII, possivelmente, morreu assassinado em 931, pelo filho de Marózia, Alberico, que também assassinou a própria mãe.

Após a morte de Estevão VII, foi eleito João XI, com apenas 21 anos de idade, filho de Alberico I de Espeleto e de Marózia, através de intrigas da mãe, ficando completamente sob a sua influência, sob um governo tirano. Depois de várias lutas, um de seus irmãos tornou-se governador de Roma, obrigando João XI a refugiar-se num convento e a renunciar ao cargo.

Bento VI foi eleito papa em 973. Pouco se sabe do seu pontificado, excepto que confirmou os privilégios de várias igrejas e mosteiros e que, um ano após à sua eleição, foi preso, obrigado a abdicar e assassinado por estrangulamento.

Numa época perturbada, com dois antipapas à porfia, João XIV, foi eleito em 983. Após a morte do imperador Oto que o colocara no trono, os nobres de Roma aproveitaram o clima de insurreição e revoltaram-se contra o pontífice, sob o pretexto de que este não era romano. Foi o próprio antipapa Bonifácio VII que, aproveitando o contexto de agitação que se vivia em Roma, o prendeu no Castelo de Santo Ângelo, onde veio a morrer envenenado.

Finalmente, João XXI eleito em 1276 e o único papa português, até ao presente. João XXI não abdicou voluntariamente, nem foi forçado a fazê-lo por imposição de ninguém, mas simplesmente porque foi vítima de um acidente que lhe provocou a morte. Foi homem de grande sabedoria, professor, médico, cientista, pároco em Mafra e arcebispo de Braga e, nessa qualidade, participou no XIV Concílio Ecuménico de Lião, sendo, nessa altura elevado a cardeal pelo papa Gregório X. A sua eleição papal, após a morte do Papa Adriano V, decorre num período muito perturbado por tensões políticas e religiosas. O acidente que o vitimou e que, precocemente o afastou da cátedra de Pedro, ocorreu durante as obras de restauro do palácio onde vivia, em Viterbo.

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PAPAS QUE RENUNCIARAM ANTES DE BENTO XVI

Segunda-feira, 27.01.14

A anunciada renúncia à chefia da Igreja Católica, por vontade própria, pelo actual Papa, Bento XVI, senão inédita, é, pelo menos muito pouco vulgar entre os 262 sucessores de São Pedro. No entanto, alguns foram os papas que já o fizeram, embora por outras razões, cabendo a Bento XVI ficar na história como sendo o primeiro papa a abdicar por motivos, considerados pelo próprio, de incapacidade física ou mental, embora haja rumores, no Vaticano, de que João Paulo II, falecido em Abril de 2005, tenha escrito e deixado, aos cardeais, uma carta de renúncia, a fim de que fosse protocolada, caso viesse a ser vítima de qualquer tipo de doença que o deixasse incapacitado para o governo da Igreja.

A primeira renúncia de um chefe da Cristandade ocorreu no ano de 235, e foi feita pelo papa Ponciano, o 18º sucessor de Pedro, durante o seu exílio na Sardenha. Ponciano abdicou voluntariamente, ao perceber que jamais sairia com vida da “ilha da morte”, a fim de voltar ao Vaticano. Ponciano foi chefe da Igreja entre os anos 230 e 235, não foi martirizado como os seus predecessores, mas condenado a trabalhos forçados na Sardenha, pelo Imperador Maximino Trácio. Ponciano foi canonizado e a Igreja recorda-o, juntamente com Santo Hipólito, a 13 de Agosto. Desconhece-se quanto tempo Ponciano viveu exilado, após a renúncia, mas sabe-se que morreu de esgotamento, em virtude do tratamento cruel, violento e desumano de que foi vítima, nas minas da Sardenha, onde trabalhava, condenado a trabalhos forçados. Os seus restos mortais foram transladados para Roma pelo Papa Fabiano e enterrados na catacumba de Papa Calisto I.

O segundo papa a abdicar foi Silvério, em 537. Fê-lo, também, por ser forçado a exilar-se, por ordem da imperatriz Teodora, na ilha mediterrânea de Palmaria. Quando conseguiu libertar-se do exílio e regressar ao Vaticano, a imperatriz já havia colocado outro pontífice no seu lugar, o papa Virgílio, pelo que Silvério aceitou manter-se definitivamente afastado da cátedra de São Pedro. Também foi canonizado.

O Papa actual não ficará na história por ser o único papa de nome Bento a resignar. Durante uma época tumultuosa da história da Igreja Católica, conhecida como a “idade das trevas”, os papas acotovelaram-se, guerrearam e entregaram-se à corrupção e à venalidade, aliando-se, geralmente, a famílias aristocráticas, poderosas e influentes. Para acabar com exageradas mordomias e extravagantes excessos, nada abonatórios do Vigário de Cristo, a Igreja e o povo de Romana elegeu Bento V, como Sumo Pontífice, em 964. Algum tempo depois, o imperador Oto I, fundador do Sacro Império Romano, fez eleger, Leão VIII, pelo que Bento V, foi forçado a resignar, alguns meses após a sua própria eleição. Nascido em Roma, o papa Bento V foi eleito em 22 de Maio de 964, ainda durante o pontificado do seu antecessor, João XII, em circunstâncias políticas críticas e contra a vontade do poderoso imperador que depusera João XII. Bento V passou por períodos turbulentos, não conseguindo opor-se ao todo poderoso imperador que, assim, reinstalou Leão VIII no trono de São Pedro. Bento V abdicou e abandonou Roma, um mês, após a sua eleição, refugiando-se na Alemanha, onde permaneceu exilado, até a morte de Leão VIII. Com a nova vacância da Santa Sé, o imperador Oto I acabou por reconhecer-lhe a autoridade pontifícia sob pressão dos francos e romanos, mas o Sumo Pontífice emérito, faleceu poucos dias depois, com fama de santidade.

No século seguinte, em 1009, há relatos de uma nova renúncia papal. Desta feita foi o papa João XVIII, que abdicou pouco antes da sua morte, pela simples opção de querer viver os últimos tempos da sua vida, como monge, na basílica de São Paulo, em Roma. Eleito em 1004, durante os cinco anos e meio de pontificado, promoveu e paz por todos os lugares alcançados pela Igreja Romana, lutou tenazmente para que o cristianismo fosse difundido entre os bárbaros e os pagãos e realizou vários sínodos para levar mudanças à vida dos clérigos. Abdicou voluntariamente e retirou-se para o mosteiro de São Paulo Fora dos Muros, vivendo como monge, durante alguns anos.

No mesmo século, porém havia ainda de verificar-se uma nova mas heteróclita renúncia. Trata-se de Bento IX a quem são reconhecidos três mandatos como papa, implicando outras tantas renúncias.

Bento IX ascendeu ao papado em 1032, com apenas 20 anos, levando uma vida imoral e dissoluta. Em 1044, a cidade de Roma revoltou-se e elegeu como papa Silvestre III, a favor de quem Bento IX se viu obrigado a renunciar. Um ano depois, após a morte de Silvestre III, Bento IX voltou a ocupar a cátedra de São Pedro, num segundo pontificado, que durou apenas 21 dias, pois voltou a renunciar ao papado, mas de forma estranha “vendendo a tiara” ao seu padrinho João Gratian, o qual se fez eleger como novo papa, tomando o nome de Gregório VI. João Gratian, Arcipreste de S. João "ad portam Latinam", forçou o afilhado a abdicar, com o objectivo de ver a Santa Sé livre de um pontífice tão indigno, pese embora o seu pontificado também não tenha trazido a paz à Igreja. No entanto, os bispos reunidos em Sínodo consideraram que o modo como Gregório VI obtivera o pontificado era, claramente, um caso de simonia e obrigaram-no a renunciar, o que acabou por fazer. Como seu sucessor foi eleito Clemente II, que teve um curto papado. Após a sua morte, Bento IX retomou o trono de São Pedro, governando a igreja, apenas durante 228 dias, voltando a abdicar, pela terceira vez, mas definitivamente, em 1048. Bento IX nasceu em Roma com o nome Theophylactus e era filho de Alberico III, conde de Túsculo e sobrinho dos papas Bento VIII e João XIX. Foi o pai que devido ao seu poderio e influência, lhe obteve o trono papal. São Pedro Damião, no Liber Gomorrhianus descreve-o como "regozijando-se em imoralidade" e "um demónio do inferno dissimulado de sacerdote". O destino de Bento IX, depois de renunciar pela terceira vez, é obscuro. No entanto, parece provável que tenha abandonado, definitivamente, as suas pretensões papais.

Também o papa Celestino V abdicou em 1294. Frade beneditino radicalmente espiritualista e um asceta de vocação que vivia como recluso, Celestino V foi eleito num conclave que demorou cerca de dois anos, apesar de haver apenas doze votantes. O conclave foi mesmo interrompido por causa de uma epidemia de peste, que, inclusivamente, vitimou um dos cardeais. A somar a isso, vivia-se um período de lutas pelo poder, entre famílias italianas mais influentes. Em 5 de Julho de 1294, finalmente, elegeu-se Celestino V. De carácter fraco, submisso e desajustado para o cargo, deixou-se iludir e influenciar por famílias poderosas, sendo forçado a abdicar, meio ano após a sua eleição.

Por fim, o último papa a renunciar antes de Bento XVI foi Gregório XII, em 1415. Deposto pelo Concílio de Pisa em 1409, onde foi eleito o antipapa Alexandre V, manteve-se, teimosamente, no trono. A renúncia foi tomada, anos mais tarde, como uma negociação feita durante o Concílio de Constança, no período do Grande Cisma do Ocidente - uma grande crise religiosa que ocorreu na Igreja Católica entre 1378 a 1417. Gregório XII tinha 90 anos à época e sua renúncia acabou por contribuir positivamente para o termo da crise. Consta que o concílio, em reconhecimento pela dignidade mostrada pelo Papa, o convidou a assumir o bispado do Porto e a representação pontifícia da região italiana do Marche. Gregório XII não aceitou e agradeceu, através duma carta que enviou aos padres conciliares. Morreu dois anos após a renúncia.

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A ÙLTIMA BATALHA NAVAL DE CARVALHO ARAÚJO

Segunda-feira, 13.01.14

O navio São Miguel partiu da Madeira com destino aos Açores a 13 de Outubro de 1918. Transportava carga diversa e cerca de duzentos e seis passageiros. Estávamos em plena Guerra Mundial. Navios de guerra e submarinos alemães povoavam o mar dos Açores com frequência, por isso o comandante pediu apoio e protecção à Marinha Portuguesa, sendo-lhe enviado para escolta o navio patrulha Augusto Castilho, um antigo arrastão, transformado em navio de guerra, comandado pelo primeiro-tenente Carvalho Araújo, sendo uma parte da sua guarnição constituída por pessoal da Armada e por antigos tripulantes do antigo arrastão, menos experientes na arte bélica.

Ao amanhecer do dia 14 de Outubro encontravam-se os dois navios a cerca de duzentas milhas de Ponta Delgada, quando, subitamente, começaram a ver cair à sua volta granadas de grosso calibre que levantavam enormes colunas de água. Só então se aperceberam de que estavam a ser atacados a tiro de canhão por um submarino navegando à superfície. Aos gritos de «submarino!», «submarino!», o S. Miguel aumentou ao máximo a sua velocidade enquanto o Augusto Castilho passava a postos de combate, aumentava também a velocidade e começando a disparar contra o submarino e a lançar uma cortina de fumo para ocultar o São Miguel.

O submarino era alemão e estava armado com dois enormes canhões de grande calibre. O seu comandante era o experiente capitão-tenente Von Arnaul de La Periére. 

Iniciou-se então uma insólita batalha naval, com tiros de artilharia trocados entre a minúscula peça de ré do navio patrulha português e os dois monstros do submarino germânico. Graças à cortina de fumo lançada pelo Augusto Castilho e à pequena dimensão do alvo, os artilheiros alemães não conseguiam acertar com nenhum tiro no navio português, mas, por fim, as caixas de fumo acabaram-se, a visibilidade melhorou. O submarino aproximou-se e as granadas alemãs começaram, novamente, a cair muito perto das duas embarcações portuguesas.

Receando que o São Miguel fosse atingido, o comandante Carvalho Araújo inverteu o rumo do Augusto Castilho e avançou direito ao submarino, mas o navio patrulha português começava a ser atingido por estilhaços de granadas e a ter os primeiros mortos e feridos. Cerca de uma hora depois de ter começado o combate, o comandante Carvalho Araújo, vendo que o São Miguel já estava muito afastado, inverteu novamente o rumo e tomou o caminho do vapor, perseguido pelo submarino que continuava a bombardeá-lo intensamente. Nenhuma das granadas alemãs até então lhe tinha acertado em cheio, mas as que caiam mais perto produziam uma chuva de estilhaços que continuavam a fazer vítimas. Pelas oito da manhã acabaram-se as munições do navio patrulha português. Mais uma vez o comandante Carvalho Araújo inverteu o rumo e aproou ao submarino unicamente com a intenção de gastar todas as munições antes de se render. Quando estas se esgotaram mandou parar as máquinas e colocar a bandeira a meia adriça. Mas o fogo do submarino alemão continuava. O comandante português mandou içar a bandeira branca juntamente com a bandeira nacional, mas nem por isso o fogo do submarino abrandou. Nessa altura uma granada acertou em cheio no patrulha e uma onda de estilhaços varreu o navio. O comandante Carvalho Araújo caiu morto. O imediato e outros membros da tripulação ficaram feridos

Foi então que ocorreu um acidente grave a bordo do submarino. Uma das suas granadas explodiu prematuramente ao sair da boca da peça provocando avarias no seu casco exterior e em alguns tanques de combustível, sendo obrigado a suspender as hostilidades a fim de reparar as avarias, pelo que, o comandante do submarino deu ordens para cessar-fogo, pondo termo ao combate.

Ao ser içado o sinal de rendição, a guarnição do navio patrulha português colocou as embarcações na água, abandonando o navio. Mas uma das baleeiras estava muito danificada e foi ao fundo. A outra com vinte e nove homens a bordo, muitos deles feridos, seguiu à vela, sob o comando do aspirante Samuel Vieira, para a ilha de Santa Maria onde chegou dois dias depois, tendo morrido um dos feridos em combate durante a viagem. Os restantes doze homens, que tinham sido os últimos a deixar o navio, conseguiram, com um sobretudo dobrado, remendar o bote no qual, sob o comando do guarda-marinha Armando Ferraz, alcançaram a ilha de São Miguel após uma portentosa viagem de cerca de duzentas milhas a remos, sem comida e praticamente sem água.

O Augusto Castilho acabou por ser afundado com cargas explosivas colocadas a bordo.

 

(Fonte: Portal da Marinha)

 

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UM OVNI NA TERCEIRA

Quinta-feira, 02.01.14

No final da década de sessenta do século passado, mais concretamente no Inverno de1968, o guarda Serafim Sebastião, encontrava-se de vigia às instalações militares "Azores Air Station", no lugar do Cabrito, Cinco Picos, na ilha da Terceira. Como o trabalho não era muito, Serafim entretinha-se, tranquilamente, a ouvir, na rádio, o relato de futebol entre o Setúbal e o Sporting, quando, de repente, deixou de ouvir o transístor. Serafim tentou sintonizar, de novo o pequeno aparelho, mas foram vãos os seus esforços: "não ouvia nem aquela nem nenhuma outra estação de rádio”, pelo que desligou o aparelho. Eram nove horas da noite.

De repente, Serafim, que se encontrava ali sozinho, sentiu um "zumbido" estranho. Saiu para fora do paiol e viu, do lado esquerdo do posto onde se encontrava, um objecto estranho a aproximar-se. Regressou ao interior das instalações e, via telefone, comunicou, aos seus superiores, o que acabava de presenciar. Pediram-lhe que confirmasse a informação e ele voltou a sair, informando, novamente, que uma “grandessíssima claridade entrou pela janela dentro; claridade, essa, que era muito forte, de uma luz clara e, então, pedi que viessem quanto antes para cima”. Desligou o telefone, voltou a sair e pode, então, ver que aquela estranha claridade e o objecto donde emanava estavam parados sobre o posto de munições à face do paiol. Observando melhor, verificou que a claridade saía de um objecto oval, de aspecto metálico, com uma torre de vidro, a que estavam encostados dois seres. Pode confirmar também que não se tratava nem de um avião, ou balão ou helicóptero, mas sim de um objecto não identificado, fora do qual viu dois outros seres, que apesar de parecerem comunicar um com o outro, Serafim não os ouvia nem lhe via os rostos. Aproximou-se mais e viu que aquela espécie de homens tinham uma viseira de vidro a cobrir-lhes os rostos. Acendeu um o foco e apontou-o na direcção deles que ripostaram, de imediato, projectando sobre Serafim um foco de luz tão forte que este não podia olhar, caindo de imediato no chão, sem se lembrar do que aconteceu a seguir.

Serafim Sebastião foi encontrado inanimado no local. Conduzido hospital regional de Angra, ali foi observado. Encontrava-se em estado de choque de origem psicossomática; não falava, e ouvia muito mal. Às três da madrugada começou a balbuciar algumas palavras; às dez da manhã foi-lhe dada alta no Hospital Regional de Angra, seguindo para o aeroporto das Lajes, escoltado pela Polícia a fim de ser submetido a um inquérito oficial, efectuado pelas entidades aeronáuticas de Portugal e dos Estados Unidos, que não tardaram em informar a população, que se alarmara com a divulgação da notícia, que o que Serafim Sebastião tinha visto era apenas: um "balão-sonda”, que ao encontrar um campo eléctrico de alta tensão teria provocado determinado fenómeno que teria assombrado o guarda. Esqueceram-se, porém, as autoridades, de informar, que, naquele local, não passavam cabos de alta tensão, mas sim cabos telefónicos e que os serviços de radiossonda tinham lançado um único balão nesse dia, mas às 22 horas e que a subida fora perfeitamente controlada, a fim de transmitir a temperatura, ventos e humidade em altitude, tendo-se desintegrado a 126.000 pés, 1 hora e 50 minutos após o lançamento, nunca tendo perdido altitude, ou desviado anormalmente a sua trajectória, pelo que nunca poderia ter sido observado por Serafim Sebastião do local onde se encontrava.

Apesar da convicção das suas declarações, de ase ter deslocado aos Estados Unidos para depor, até hoje nunca se soube que objecto luminoso Serafim Sebastião observou, se falou verdade e, caso ter visto um objecto estranho, se realmente se tratava de um OVNI – Objecto Voador Não Identificado. Ficou célebre a sua frase, com o intuito de convencer do que vira, a sua declaração à Rádio Clube de Angra:

- “Eu vi visivelmente visto…”

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ALVARÁ DE ERECÇÃO DA FREGUESIA DE S. JOSÉ DA FAJÃ GRANDE - 1861

Terça-feira, 10.12.13

“Dom Fr Estevão de Jesus Maria, por Mercê de Deus e da Santa Sé Apcª, Bispo d’Angra e mais ilhas dos Açores, do Conselho de S.M – F.ma qu Deus Guarde.

Aos que esta Nossa Provisão virem, saúde e Benção.

Fazemos saber, que sendo notória, e por Nós verificada, a cauza justa e canónica da erecção de uma nova Freguezia na Ilha das Flores, com a denominação de = São José da Fajam Grande = composta do dito lugar da Fajam Grande, e dos da Ponta e da Quada, compreendidos actualmente  nos limites da Freguesia de Nossa Senhora dos Remédios da Fajamzinha, no concelho da Villa das Lagens; conformando-nos com a disposição do Real Decreto  de 4 de Abril do corrente anno, expedido por autorização da Carta da Lei de 4 de Junho de 1859, e uzando da autoridade ordinária  que nos compete, e da autoridade apostólica, que para tal fim nos hé delegada pelo Concílio de Trento, Sess. 21, de Reformat, Cap.4:

- Havemos por bem  erigir a nova Freguesia de San Jozé, a qual sugeitamos espiritualmente todos os moradores dos mencionados lugares da Fajam Grande, Ponta e Quada, e lhes ordenamos, que reconheção por seu legítimo Parocho  o que agora hé, ou que de futuro  for, da Freguezia de São José, ao qual confiamos a jurisdição espiritual para a cura d’almas. Mandamos que esta nossa Provisão seja publicada ou anunciada a estação Missa Conventual na Dominga seguinte à sua recepção, afixando-se duas cópias , por quinze dias, nas portas de ambas as Igrejas, ficando o original Archivado no Archivo da nova Freguesia; e de assim se haver cumprido os Rd.os Parochos , nos enviarão certidões pela nossa Camara Eccª.

Dado em Angra sob o nosso sinal, e sello maior das nossas armas, aos 20 de Junho de 1861 = Jacinto Ignº Cabral, Escr.am da mesma Camara o escrevi. Fr. Estevão Bispo d’Angra.”

Documento retirado do “Livro das Pastorais da Paróquia de S. José”, 1863, fl 2, in “Anais do Município das Lajes das Flores” edição Câmara Municipal das Lajes das flores, 1970, Documento nº 12. p. 135, cit. por Francisco António Nunes Pimentel Gomes, in “Ilha das Flores”, doc. 55, pg. 469.

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ALVARÁ RÉGIO AUTORIZANDO A CRIAÇÂO DA PAROCHIA DA FAJÃ GRANDE – 1861

Terça-feira, 10.12.13

Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça

“Tendo subido à minha Real Presença a representação em que os moradores das povoações da Fajãa-grande, Ponta e Cuada, que até agora tem pertencido à freguesia de Nossa Senhora dos Remédios da Fajãazinha no concelho da vila das Lagens da ilha das Flores, Bispado de Angra, pedem que as ditas povoações sejam desanexadas da freguesia mencionada, e fiquem constituindo uma freguesia independente e separada, servindo de Egreja parochial a que existe no dito logar da Fajãa-grande com a invocação de S. José: e constando-me pelas informações recebidas do Reverendo Bispo de Angra, e do Governador Civil do distrito da Horta, que se torna de muita necessidade a providência que se solicita, por causa da distância a que as mesmas povoações ficam da sede da parochia, e pela dificuldade, trabalho e perigo, que tem os respectivos moradores de recorrerem a ella, especialmente na estação invernosa, para assistirem aos ofícios Divinos, e de serem socorridos em suas necessidades espirituais em consequência da aspereza e acidente dos terrenos que a circundão: Hei por bem, conformando-me com o parecer do Reverendo Prelado, e Usando da autorização concedida pela carta de lei de 4 de Junho de 1859, Resolver que possa com efeito proceder-se à desanexação das povoações da Fajãa-grande, Ponta e Cuada, da freguesia de Nossa Senhora dos Remédios da Fajãazinha a que pertenciam e que fiquem constituindo uma freguesia independente e separada, servindo de Egreja parochial a que existe no dito lugar da Fajãa-grande, devendo abonar-se para côngrua subsistência do Parocho da nova freguesia, em cada anno, a mesma quantia em géneros e dinheiro que está arbitrada aos outros párochos do mesmo Bispado, em eguaes circunstâncias, e ficando a freguesia da Fajãazinha, depois da desanexação das ditas povoações sendo servida somente por um parocho com o vencimento correspondente. – O Ministro e Secretário de estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça o tenha assim entendido e faça expedir os despachos competentes para a sua devida execução. – Paço das Necessidades em 4 de Abril de 1861. Rei – Alberto António de Moraes Carvalho.”

 Documento retirado do livro de Francisco António Numes Pimentel Gomes “ A Ilha das Flores”, página 468, documento 54.

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O ENSINO NA FAJÃ GRANDE NO INÍCIO DO SÉCULO XX

Sexta-feira, 06.12.13

Na Fajã Grande, na década de cinquenta, as pessoas que haviam nascido nos finais do século XIX e nos primeiros anos do século XX, e que na altura rondavam os cinquenta ou sessenta anos, quase na totalidade, não sabiam ler ou escrever, embora uma ou outra soubesse assinar o seu nome. Era pois uma geração analfabeta, a dos nossos avós, embora possuindo uma cultura rica em tradições, em costumes e em douta sabedoria popular.  

Mas este analfabetismo que grassava por quase toda a freguesia, significava que o ensino nos primeiros anos do século XX pura e simplesmente não existira na Fajã ou então que teria sido bastante deficitário, pese embora, desde os tempos do Marquês de Pombal se evidenciassem esforços, em Portugal, no sentido de difundir a instrução primária por todo o país e de, mais tarde, em 1911, após a implementação da República, se ter estabelecido a obrigatoriedade do ensino primário dos sete aos dez anos, em todo o país. Na realidade, o ensino primário teve origem nas aulas de ler, escrever e contar que, até 1759, estavam a cargo de ordens religiosas, dado que os clérigos eram as únicas pessoas que tinham acesso ao ensino, destacando-se os Jesuitas que, nessa altura, já dispunham de um plano curricular único para ser aplicado em todas as suas escolas. Em 1759, o marquês de Pombal retira o ensino ao clero e procede à sua estatização, criando as chamadas “aulas régias” que, mais tarde, no século XIX, deram origem ao ensino primário. Durante a Monarquia Constitucional e a Primeira República foram efectuadas várias reformas do ensino primário, acabando por torná-lo obrigatório, em todo o país. No entanto, essa obrigatoriedade nunca saiu do papel e só veio a ser efectivada já durante o Estado Novo, mas mesmo assim demorou a atingir todo o território nacional.

Foi o que aconteceu na Fajã, onde tudo terá demorado a chegar e a implementar-se devidamente, dadas a sua distância e o seu isolamento. Segundo o relato de algumas pessoas mais velhas, por essa altura, não havia escola propriamente dita, em nenhum edifício ou sala pública, sendo possível, no entanto a uma ou outra criança, regra geral as mais inteligentes e que eram identificadas ou referenciadas pelo pároco na catequese, conseguisse aprender a ler e a escrever e adquirisse os conhecimentos básicos propostos pelos programas da altura. Segundo esses mesmos relatos, as aulas geralmente eram dadas em casa do próprio professor, que ensinava letras e números, ou seja, Português e Matemática, destinando-se, no entanto, a um número muito reduzido de crianças. Findos alguns anos, esses alunos estavam preparadas para fazer o exame da chamada 3.ª classe, a última do ensino primário, nessa altura. Esse exame no entanto, apenas poderia ser feito em Santa Cruz, com um júri especializado.

Mas embora todos os alunos que frequentavam as casas desses professores, geralmente, estivessem habilitados e bem preparados para o exame, nem todos o faziam, por um lado, porque os pais não viam vantagem nisso e por outro porque teriam de abdicar de um ou mais dias de trabalho e fariam alguma despesa ao deslocarem-se a Santa Cruz. Apenas as crianças que pretendiam continuar a estudar o faziam, mas isso era raro e quase exclusivo de algumas que, nessa altura, pretendiam, com a ajuda e colaboração do pároco, frequentar e estudar no Seminário de Angra.

A partir da década de vinte começou a haver salas de aulas públicas, com professores especializados, designados por “professores oficiais”, o que terá aumentado o número de alunos que frequentavam o ensino, criando-se mais tarde, na Fajã, duas escolas. A masculina que funcionava na Loja da Casa do senhor Padre Pimentel, na qual foi professor durante muitos homens um homem que marcou uma geração na Fajã Grande, o professor Orlando e que paralelamente ao ensino, desenvolveu uma intensa actividade cultural na freguesia. Outra figura de relevo e inesquecível na história do ensino na Fajã Grande foi o professor Santos, o qual, sendo viúvo na altura, casou na Fajã, onde viveu durante muitos anos. Por sua vez a escola feminina funcionava na casa de Espírito Santo de Baixo, onde as professoras alternavam com alguma frequência mas onde leccionou, também durante muitos anos e marcando uma geração de meninas, a esposa do Dr Mendonça, um médico que esteve radicado na Fajã, durante muitos anos, vindo mais tarde a fixar-se e a exercer a sua actividade na Madalena do Pico.

Apenas na década de cinquenta se juntaram as duas escolas, criando-se assim a “Escola Mista da Fajã Grande” que funcionou durante muitos anos na Casa do Espírito Santo de Baixo.

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A ANTIGA ERMIDA DE SÃO JOSÉ DA FAJÃ GRANDE

Sábado, 30.11.13

Benzida em quatro de Maio de 1757, a primitiva ermida de São José da Fajã Grande, terá muito provavelmente sido construída no início da década de cinquenta do século XVIII, ou seja, cerca de duzentos anos depois dos primeiros povoadores terem ocupado e iniciado o povoamento do actual território da Fajã Grande e um século depois de ser estruturado como povoado, tornando-se, provavelmente, num dos lugares mais prósperos da zona oeste da ilha das Flores. Essa foi talvez a razão porque em 1676, por provisão do bispo de Angra D. Frei Lourenço de Castro, o lugar da Fajã Grande foi desanexado da paróquia das Lajes, à qual pertencia, apesar da grande distância e maus caminhos, sendo, então, integrado na paróquia de Nossa Senhora dos Remédios das Fajãs, criada nessa altura, com sede na igreja daquela localidade, mas com jurisdição que abrangia toda a costa oeste da ilha, desde a Ponta da Fajã até ao Mosteiro, englobando assim os lugares de Ponta, Fajã Grande, Caldeira e Mosteiro.

A hipótese de ter havido uma outra ermida antes desta é bastante improvável, pois sabe-se que antes da construção desta capela, era costume os fiéis da Fajã irem à missa à Fajãzinha e quando o não podiam fazer, impedidos de passar o torrentoso caudal da Ribeira Grande, ficavam no alto da Eira da Cuada, donde viam a igreja Fajãzinha e ouviam os sinos, durante toda a missa, como que se estivessem presentes em espírito no próprio templo. Ainda hoje existe nesse local um enorme calhau, conhecido como a “Pedra da Missa”, precisamente no local onde os fiéis se reuniam e rezavam. Por outro lado, o caminho que liga a Assomada à ladeira do Biscoito, sempre se chamou ”Caminho da Missa”, por nele transitarem os fiéis quando iam à missa à Fajazinha, por não a haver na Fajã. Acredita-se inclusivamente, que no regresso viriam carregados com pedras para a construção da sua futura ermida.

Assim a primeira capela ou ermida existente na Fajã Grande terá sido esta, naturalmente construída em pedra e coberta de colmo como eram as casas da Fajã, nessa altura. Nas Courelas existe uma casa velha, ao lado do antigo palheiro de António Joaquim, que tem inscrições religiosas, abreviadas e em latim, nas vergas de duas portas e a data de 1757. Acredita-se que estas vergas teriam pertencido às portas desta ermida. Numa das inscrições pode ler-se “INRI”, e que são as letras iniciais das seguintes palavras latinas “Iesus Nazarenus, Rex Iudeorum”, que quer dizer “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus” e na outra “IHS” símbolo de Jesus Cristo presente na hóstia consagrada. A terem pertencido à ermida, fica demonstrado que esta era inevitavelmente construída em pedra.

O primeiro padre nomeado como administrador desta ermida, sem no entanto ser pároco pois a Fajã Grande ainda não era paróquia, foi o padre Francisco de Freitas Henriques, natural da Fajã, filho do capitão Gaspar Henriques e sua mulher Francisca Rodrigues e irmão do capitão Freitas Henriques, que, mais tarde, se tornou uma espécie de “senhor feudal” da Fajã Grande. Crê-se que este casal e os próprios filhos viveriam numa casa apalaçada, que ainda hoje existe, do lado norte da igreja e que estaria inclusivamente ligada à ermida através de uma ponte.

Também é provável que a imagem de São José exposta aos fiéis na igreja da Fajã, até aos anos cinquenta do século passado, fosse a mesma que existiu nesta primitiva ermida. Essa imagem, bastante antiga e com notável interesse histórico, apesar de muito cobiçada por coleccionadores de arte religiosa, resistiu a todas as tentativas de retirá-la da Fajã e, ainda hoje se encontra guardada na sacristia da actual igreja. A outra imagem existente na capela primitiva era a de São Miguel Arcanjo. Porém, esta, nos anos cinquenta e anteriores, não estava exposta aos fiéis, mas sim escondida numas arrecadações que existiam atrás do altar-mor, a que se relacionavam alguns medos e temores, pois o arcanjo tinha na mão uma balança com que havia de pesar o bem e o mal dos que iam morrendo, condenando-os ou salvando-os. Esta mítica imagem inspirou o poeta fajãgrandense Pedro da Silveira a dedicar-lhe um poema. No entanto, nunca se percebeu a razão por que o São Miguel, assim como a Senhora da Soledade não estavam na igreja à veneração dos fiéis.

Sabe-se também que o primeiro enterro realizado na Fajã e no interior da ermida, como era costume na altura, se realizou um ano após a sua inauguração, sendo a primeira pessoa ali sepultada Isabel de Freitas, de 22 anos, casada com Gervásio Rodrigues, naturais e residentes no lugar da Ponta e que haviam casado na igreja da Fajãzinha em dez de Julho de 1752.

Ainda hoje por decifrar é o facto de se chamar ao local onde se construiu esta ermida e, mais tarde, a igreja actual, o “serrado do Lincate”. Não parece que “Lincate” fosse nome de um lugar, pelo que seria sim nome ou antes o apelido do dono do terreno onde se construiu a ermida, embora fosse mais lógico citar-se o seu nome completo de um benemérito do que o seu apelido. Daí que continue a ser um pormenor ainda hoje indecifrável.

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publicado por picodavigia2 às 22:53

O CULTO DOS MORTOS

Quinta-feira, 28.11.13

Assim como a religião, também o culto dos mortos teve e continua a ter um lugar de relevo em todas as civilizações e é, talvez, um dos fenómenos mais estranhos, interessantes e diversificados da História da humanidade. Uma reflexão e um estudo profundo da evolução do pensamento e dos costumes das várias civilizações ao longo dos séculos, desde as épocas mais remotas até aos nossos dias, permite-nos conhecer as ideias, os sentimentos, as emoções, os rituais e as celebrações do homem sobre o mistério da sua própria morte.

Acredita-se que o culto dos mortos tenha sido anterior ao da adoração da divindade, talvez mesmo tenha sido o primeiro que originou o segundo, isto é, foi o homem que celebrando a memória dos seus mortos, pela primeira vez, teve a ideia ou o sentimento do sobrenatural e do divino, acreditando em algo que transcendesse a própria morte.

As civilizações indo-europeias, ainda antes do aparecimento dos primeiros filósofos, na cidade de Mileto, na Ásia Menor, foram pioneiras da crença na existência duma outra vida para além da vida terrena, considerando que a morte não consistia na decomposição do ser humano, mas sim na sua transformação para uma outra vida, convicções que muitas outras religiões, entre as quais o cristianismo, consagraram nos seus ensinamentos, através dos tempos

Também os gregos e os romanos acreditavam numa segunda existência humana, mas cuidando que a alma iria passar essa segunda vida na terra, junto dos vivos, mas num lugar diferente, chamado Inferno. Exemplo claro disto é a visita de Ulisses, na sua viagem de regresso após a guerra Tróia, aos Infernos, onde vai encontrar a mãe e outras pessoas que já haviam falecido, mas com quem ele fala e convive. Os gregos, no entanto, acreditavam que nesta segunda existência, a alma continuava unida ao corpo, pois este não se desfazia por completo, apenas se transformava, após a morte. Todas estas crenças originaram necessariamente ritos fúnebres muito diversificados, os quais, de alguma forma também mostram claramente que os povos que os celebravam, acreditavam que o falecido sobrevivesse depois da morte, e, por isso, enterravam junto com o morto, roupas, vasos, armas, vinho, comida, até mesmo sacrificavam escravos e cavalos para servi-lo na sepultura, como o haviam feito durante sua vida terrena. Inclusivamente os gregos tapavam os olhos dos mortos com duas moedas com que pagariam ao barqueiro a viagem que fariam entre o mundo dos vivos e o dos mortos.

De todas estas crenças dos gregos e de outros povos primitivos surgiu a necessidade de sepultar os mortos, pois acreditavam que a alma sem uma sepultura tornava-se perversa, aparecia aos vivos, atormentava-os e provocava-lhe doenças. Mas não bastava apenas enterrar o corpo, era necessário obedecer alguns ritos e realizar cerimónias fúnebres, evocando as almas e fazendo-as até sair, por alguns instantes, do sepulcro. A cerimónia dos mortos, na Grécia Antiga, era uma espécie de comemoração em que as famílias colocavam alimentos sobre o túmulo do seu morto, pronunciavam fórmulas que o convidavam a comer e ninguém podia tocar nestas oferendas pois eram destinadas explicitamente às necessidades do morto.

Como os mortos eram considerados criaturas sagradas, muitos povos antigos veneravam-nos como se fossem deuses e, por isso, diante da sepultura construíam um altar para sacrifícios semelhantes aos que existiam nos templos para oferecer sacrifícios aos deuses.

Os povos da Índia, também homenageavam os seus mortos, fazendo-lhe oferendas, rituais e celebrações diversas em sua memória e, assim como na Grécia, também ofereciam à alma dos mortos alimentos e tratavam-nos como seres divinos, a fim de que as suas almas não fossem atormentadas. Os egípcios também acreditavam na vida para além da morte, mas para permitir o acesso e a continuação nessa vida, era necessário que o corpo estivesse preservado, por isso os embalsamavam os seus mortos e construíam túmulos monumentais, chamados pirâmides, mastabas e hipogeus, onde também colocavam roupas, jóias, cosméticos e móveis para que o defunto utilizasse na sua nova habitação.

Outros povos da antiguidade possuíam crenças estranhas. É o caso dos cultos masdeístas, para quem a terra é sagrada e, por isso, os mortos não podiam ser enterrados por que eram considerados impuro, sendo os cadáveres colocados em torres e em outros lugares altos a fim de serem devorados pelas aves de rapina.

 Muitas destas crenças foram adoptadas, depois de sobrenaturalizadas, pelo cristianismo, e perduraram ao longo da Idade Média, sendo que, algumas delas, se mantiveram até aos nossos dias.

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publicado por picodavigia2 às 13:56

O "BANHO" DA SENHORA DA SAÚDE

Terça-feira, 26.11.13

Desde há décadas, talvez mesmo séculos que a paróquia da Fajã Grande das Flores e as suas gentes prestam uma expressiva e glorificante homenagem à Virgem Nossa Senhora, sob a invocação de Senhora da Saúdem, consubstanciando-a numa das maiores e mais importantes festas da ilha. Outrora celebrada no dia oito de Setembro, dia em que a Igreja Católica comemora a festa litúrgica da Natividade ou do nascimento da Mãe de Deus, a festa passou a celebrar-se, desde há alguns anos, no segundo domingo de Setembro. A actual imagem, que se reporta parcialmente ao início da década de cinquenta, representa a Virgem com uma digna e virtuosa simplicidade: de mãos postas, vestida com uma túnica cor-de-rosa e um manto azul e com uma coroa dourada na cabeça.

A antiga imagem, no que respeita à sua forma, aspecto ou desenho, era rigorosamente igual à actual, sendo, no entanto, muitíssimo diferente no que à sua pintura diz respeito, Tratava-se de uma bela, artística e valiosíssima imagem, bastante semelhante à actual Senhora do Rosário, que ainda existe num dos altares laterais da igreja paroquial, mas sem rosário e sem o Menino, pintada a ouro em estilo barroco. Uma autêntica e verdadeira obra de arte, ou seja uma imagem com um notável valor histórico.

No início da década de cinquenta, por indicação de algumas pessoas mais importantes ou com maior influência na freguesia e mais afectas à igreja e com o apoio económico de um ou outro americano, o pároco da freguesia, na altura, entendeu que se tratava duma imagem “velha, estragada e sem graça nenhuma”. Muitos paroquianos partilhavam a mesma concepção e apoiaram a ideia do pároco. Havia pois que mudá-la, torná-la moderna e, sobretudo, mais bonita. Comprar uma nova não era fácil e o povo podia não gostar. Por isso a solução foi dar-lhe uma espécie de “banho” e reciclá-la ou seja mandar pintá-la com umas cores alegres, garridas que toda a gente gostasse, o azul celeste e o cor-de-rosa, o primeiro, simbolicamente, puro e o segundo, caracteristicamente, feminino. E lá seguiu Nossa Senhora da Saúde, muito bem embalada, dentro de um caixote, protegida com trapos velhos e papelões a bordo do Carvalho Araújo, com destino a Braga, para regressar uns meses depois, bonitinha, airosa, pintadinha de fresco, com as tais cores alegres, garridas, bonitas puras e femininas que ainda agora ostenta.

  A mim não me repugna imaginar que o pintor a quem foi destinado aquele trabalho de pintar a imagem com cores modernas, ou alguém por ele, tivesse a sensibilidade artística necessária e suficiente para entender o valor artístico daquela imagem e, em vez de a pintar ou melhor de destruir a pintura primitiva, a tivesse guardado nalgum museu de arte sacra ou vendido para algum coleccionador de arte antiga, limitando-se a fazer uma outra imagem “fac símile”, pintando-a com as cores desejadas e que remeteu para a Fajã Grande como se fosse, de facto, a verdadeira imagem da Senhora da Saúde.

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A ANTIGA PARÓQUIA DAS FAJÃS (ILHA DAS FLORES)

Quinta-feira, 21.11.13

A zona das Fajãs, ou seja o espaço encastoado entre a rocha e o mar que vai da Portal ao Risco e que constitui a costa mais ocidental das Flores terá começado a ser desbravada em meados do século XVI, com os primeiros núcleos populacionais estáveis a surgirem pouco depois Já estruturado como povoado, o lugar da Fajãzinha foi em Julho de 1676, por provisão do bispo de Angra D. Frei Lourenço de Castro, desanexado da paróquia das Lajes das Flores, à qual pertencia apesar da grande distância e dos maus ou inexistentes caminhos, e erecto na paróquia de Nossa Senhora dos Remédios das Fajãs, então com sede na igreja de Nossa Senhora dos Remédios da Fajãzinha, mas com jurisdição que abrangia toda a costa oeste da ilha, desde a Ponta da Fajã até ao Mosteiro, englobando assim os lugares de Ponta, Fajã Grande, Caldeira e Mosteiro e alguns outros desabitados desde o fim do século XIX. A freguesia da Fajãzinha é assim a quarta mais antiga da ilha, precedida em idade apenas pelas duas vilas e por Ponta Delgada.

Para constituir a nova freguesia, o lugar da Ponta da Fajã foi desanexado da paróquia de São Pedro de Ponta Delgada, à qual pertencia desde a criação daquela freguesia, e integrado com o lugar da Fajã Grande na nova paróquia, cuja delimitação teve lugar nos dias 12 e 13 de Julho de 1676, na presença do ouvidor eclesiástico, padre Domingos Nunes Pereira, e do primeiro pároco da freguesia, padre André Alves de Mendonça. A freguesia das Fajãs estendia-se por mais de duas léguas ao longo da costa oeste da ilha, desde a Ribeirinha do Miradoiro, na Rocha do Risco da Ponta da Fajã, até à Ribeira da Lapa, no Mosteiro. Para além das actuais povoações, incluía ainda alguns lugares então habitados, como sejam a Fajã dos Valadões, a Ribeira da Lapa, o Pico Redondo e os Pentes, todos hoje abandonados.

A escolha do lugar da Fajãzinha para sede da nova paróquia deveu-se ao facto de já lá existir, desde o ano anterior (1675), uma pequena igreja localizada no chamado Adro Velho, nas imediações da actual igreja. Esta igreja ou ermida era muito pequenina e incompleta, apenas vindo ter uma torre sineira no ano de 1747, conforme consta de uma lápide ainda existente e colocada no actual templo. A igreja hoje existente começou a edificar-se a 7 de Abril de 1776, embora em 1771 já se partisse pedra para a obra. A sacristia norte apenas foi construída em 1787. A torre ficou por acabar durante muitos anos, já que apenas no verão de 1896 se deu início à obra para a sua conclusão. O último enterramento no interior da igreja ocorreu a 23 de Maio de 1834, ficando o cemitério concluído antes de 1868.

Assim, desde muito cedo a Fajãzinha desempenhou um papel administrativo muito importante de relevo no conjunto da ilha das Flores, já que ela foi, desde o longínquo ano de 1676 e até meados do século XIX, sede paroquial das Fajãs, englobando na sua jurisdição quase toda a costa ocidental da ilha. O Mosteiro só em 1850 ascendeu a freguesia, a que se seguiu, em 1861, a criação da freguesia da Fajã Grande, estabilizando a actual divisão administrativa da zona.

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VINTE E DOIS DE JANEIRO DE MIL SETECENTOS E OITO

Domingo, 17.11.13

Francisco António Pimentel Gomes, natural da freguesia da Fazenda, ilha das Flores, publicou, entre outros, dois importantes livros sobre o passado histórico da ilha de onde é natural: “Casais das Flores e do Corvo” (2006) e “A Ilha das Flores” (1996). Estas obras, de grande qualidade e de acentuado rigor histórico, por um lado, contribuem para melhor se conhecer a história da maior ilha do grupo ocidental açoriano e, por outro, para quem estiver interessado em elaborar a sua árvore genealógica, fazer uma interessante pesquisa sobre os seus antepassados e conhecer alguns dos acontecimentos históricos mais importantes em que eles se envolveram e participaram.

O primeiro livro, no caso dos meus antepassados paternos, permitiu-me, circulando de registo em registo, através dos nomes de uns e de outros, identificar os meus avoengos até aos nomes dos pais dos meus penta-avós, os quais terão vivido em pleno século XVIII, sendo o registo mais antigo, o do casamento de um dos meus tetra avós, António de Freitas Fragueiro, natural das Lajes e Ana de Freitas, natural da Fajã. Casaram na igreja paroquial das Fajãs, no lugar da Fajãzinha, em seis de Novembro de 1763.

No entanto, do lado materno foi-me permitido ir mais longe e chegar aos nomes dos meus octoavós, alguns dos quais terão vivido nos finais do século XVII, ou seja por alturas da criação da paróquia das Fajãs, no longínquo ano de 1676. Neste caso o registo mais antigo, por mim encontrado, foi o dos meus heptaavós, Bartolomeu Lourenço e Isabel de Freitas que casaram na Fajazinha em vinte e cinco de Fevereiro de 1725. Segundo o registo deste casamento Bartolomeu era filho de António Lourenço e de Maria de Freitas. Por sua vez Isabel era filha do alferes André Fraga e de Bárbara de Freitas, naturais e residentes na Fajazinha. Estes são, por conseguinte, os meus octoavós. O alferes André Fraga nasceu em 1677, um ano depois da criação da paróquia das Fajãs e faleceu em 1750 e era sobrinho do padre André Álvares de Mendonça, primeiro vigário da paróquia das Fajãs.  

O segundo livro, para além de conter uma informação histórica muito diversificada e completa, é enriquecido, pelo autor, com um anexo que contém 167 documentos históricos, alguns dos quais muitíssimo interessantes. É o caso do documento 39, copiado do “Livro do Tombo da Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios” pelo padre António Joaquim Inácio de Freitas. Segundo esse documento, um grupo de “fregueses” acompanhados pelo vigário André Alves de Mendonça, em 1705, solicitaram ao bispo diocesano, D. António Vieira Leitão, autorização para colocar o sacrário para guardar o Santíssimo, na primitiva igreja da paróquia construída havia trinta anos. O bispo, que faleceu alguns anos depois nas Velas, durante uma visita pastoral à ilha de São Jorge, autorizou mas com a condição de haver um grupo de pelo menos vinte paroquianos que assegurassem o dote para o azeite da lâmpada, para as velas e outros acessórios indispensáveis à manutenção do Santíssimo Sacramento numa igreja. Para tal foi lavrada uma escritura de doação e obrigação, no dia 22 de Janeiro de 1708, na primitiva igreja paroquial das Fajãs, situada perto da actual igreja da Fajãzinha e na qual estiveram presentes 131 pessoas, pertencentes aos quatro mais importantes lugares povoados da paróquia: 67 da Fajãzinha, 37 do Mosteiro, 17 da Ponta e 10 da Fajã. Fizeram parte deste grupo de dez pessoas oriundas da Fajã Grande, juntamente com o capitão Domingos Rodrigues Ramos e do seu filho, o também capitão, Gaspar Henriques e a esposa deste, Francisca Rodrigues, os meus octoavós António Lourenço e Maria de Freitas, precisamente os pais de Bartolomeu Lourenço. Por sua vez também integraram a delegação da Fajazinha os meus octoavós, o alferes André de Fragas e Bárbara de Freitas, pais da esposa de Bartolomeu Lourenço, Isabel de Freitas. Acrescente-se que as restantes cinco pessoas que integraram a delegação da Fajã foram: Amaro Carneiro e sua mulher Maria de Freitas, António Jorge e sua mulher Maria de Freitas e Isabel Rodrigues, viúva.

 Não deixa de ser interessante o facto de a delegação da Ponta ser bem mais numerosa do que a da Fajã. Creio que isso se deveu ao facto de a Ponta até 1767 pertencer à freguesia de Ponta Delgada, instituída já há alguns anos e a Fajã, na mesma altura, ser ainda um pequeno lugarejo pertencente à paróquia das Lajes. Outro aspecto a realçar é o do facto de a paróquia das Fajãs, à altura, ter mais seis lugares povoados para além destes e nenhum deles se fazer representar, talvez por serem povoados bem mais pequenos do que os outros quatro representados. Esses lugares, nessa altura povoados e hoje sem população fixa, eram Cuada, Caldeira, Ribeira da Lapa, Fajã dos Valadões, Pico Redondo e Pentes.

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CASAMENTOS REALIZADOS NA PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DA FAJÃ GRANDE NO INÍCIO DO SÉCULO XX (NO ANO DE 1900)

Segunda-feira, 11.11.13

No início do século XX, mais concretamente no longínquo ano de 1900, realizaram-se, na paróquia de São José da Fajã Grande, os seguintes casamentos:

1900

 

A 20 de Janeiro – João Furtado Fagundes, de 35 anos, filho de Raulino José Furtado e de Ana Isabel do Coração de Jesus, casou com Maria Fagundes Furtado, de 18 anos, filha de José Joaquim Fagundes e de Ana Laureano de Freitas.

A 21 de Maio – Francisco Rodrigues do Nascimento, de 25 anos, filho de João Rodrigues Coelho e de Maria de Jesus, casou com Ana de Morais Rodrigues, de 21 anos, natural da ilha de Santa Maria, filha de José António Morais e de Ana Jacinta de Braga.

A 25 de Maio – José Francisco Serpa, de 22 anos, filho de Manuel Caetano Serpa e de Maria de Freitas Serpa, casou com Maria Inácia de Freitas, de 22 anos, filha de Manuel Inácio de Freitas e de Isabel Perpétua de Jesus.

A 21 de Junho – Francisco Alves Mendonça, de 39 anos, filho de Jacinto Alves de Mendonça e de Policena Georgina de Mendonça, casou com Maria Morais de Mendonça, de 23 anos, natural da ilha de Santa Maria, filha de José António de Morais e de Ana Jacinta de Braga.

A 28 de Junho – José Lourenço do Nascimento, de 28 anos, filho de Francisco Lourenço do Nascimento e de Ana Laureana da Silveira, casou com Maria da Glória de Freitas, filha de José Cardoso de Freitas e de Maria Leopoldina.

A 2 de Setembro – Manuel José Dowling, de 25 anos de idade, natural de São Vicente, ilha da Madeira, filho de Alexandre Pestana e de Maria Justina de Jesus, casou com Maria da Glória Dowling, de 18 anos, filha natural de Maria Júlia Amorim.

A 16 de Setembro – José Maria de Sousa de 50 anos, viúvo de Maria de Jesus Teodósio, filho natural de Maria de Jesus, casou com Ana Margarida de Sousa, de 29 anos, filha de Francisco de Freitas Branco e de Iria Margarida.

A 19 de Outubro – António José Pedro, de 18 anos, natural de Santa Cruz, filho de Pedro José da Câmara e de Rosália Maria de Andrade, casou com Maria Pereira da Silva, de 20 anos, natural dos Altares, ilha Terceira, filha de Manuel Pereira da Silva e Maria Gertrudes.

A 5 de Novembro – José Mateus Avelar, de 21 anos, filho de Manuel Dias Avelar e de Ana de Jesus da Assunção, casou com Maria José Avelar, de 18 anos, filha de Manuel Luís de Fraga e de Mariana Luisa da Assunção.

A 17 de Novembro – José Inácio Jorge, de 29 anos, filho de José Inácio Jorge e de Maria José da Glória, casou com Maria da Glória Fagundes Jorge, de 18 anos, filha de Francisco Lourenço Fagundes da Silveira e de Maria Luisa da Silveira. 

A 29 de Novembro – José Inácio Cardoso de 21 anos, filho de João Inácio Cardoso e de Maria de Jesus, casou com Leopoldina de Freitas Cardoso, de 17 anos, filha de José Fernandes de Freitas e de Maria José Fernandes.

Fonte: - Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, Casais das Flores e do Corvo, 2006.

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AUTO DA BENÇÃO DA ANTIGA ERMIDA DE SÃO JOSÉ DA FAJÃ GRANDE NO ANO DE 1757

Segunda-feira, 04.11.13

“Assento do dia mês e ano em que se benzeu a Ermida do Senhor São José sita no lugar da Fajan-Grande desta freguesia de Nossa Senhora dos Remédios do lugar da Fajãzinha.

Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e cinquenta e sete neste lugar da Fajan-Grande desta freguesia de Nossa Senhora dos Remédios em os vinte e quatro dias do mês de Maio do dito ano de manhã em presença do Reverendo Vice Vigário João Rodrigues Ramos e do Reverendo Padre Cura Alexandre Pimentel e dos Reverendos Padres Frei Francisco de Santa Maria e Frei Francisco de Santa Ana Religiosos Franciscanos e do Capitão António de Freitas Henriques, e de António Silveira, e de Bartolomeu Lourenço, e de Manuel Lourenço, e de Francisco Lourenço, e de todo o povo desta freguesia da Fajãzinha benzeu o Rev. P.e Agostinho Pereira de Lacerda Vigário em Matriz de Santa Cruz desta ilha das Flores e Ouvidor eclesiástico desta dita ilha e da do Corvo a Ermida do Senhor São José sita neste lugar da Fajã Grande onde se diz o serrado do Licate – com todas as solenidades do Direito e cerimónias do Ritual Romano por autoridade e licença in escripis do Ex.mo Senhor Bispo D. Frei Valério do Sacramento que lhe apresentou o Rev. P.e Francisco de Freitas Henriques administrador da dita Ermida como também apresentou Pedra de ara, Caliz, Patena, Colherinhas para água, Galhetas, Missal, quatro Mesas de Corporais, Castiçais de pau bem formados, Paramentos de todas as cores digo de todas as quatro cores de que usa a Igreja Romana, cada um com sua Alva, Amito, Estola, Manípolo, e Cordão de que fica a dita Ermida ornada além das toalhas do altar, e com duas imagens novas, uma do Senhor São José orago da dita Ermida e outra do senhor São Miguel; e adeante se hão-de transladar os títulos do Património em fé do que assinamos em o sobredito dia 24 de Maio de 1757 = Agostinho Pereira de Lacerda = O P.e Francisco de Freitas Henriques = Frei Francisco de Santa Maria = O Vice vigário João Rodrigues Ramos = Frei Francisco de Santa Ana = O Cura Alexandre Pimentel Rodrigues.”

Este importante e curioso documento acima transcrito está registado no “Livro do Tombo da Igreja Paroquial de Nossa senhora dos Remédios”. Dele, em boa hora, o padre António Joaquim Inácio de Freitas, pároco da Fajãzinha entre 1942 e 1991, fez uma cópia, a qual este registada, em anexo, no livro de Francisco António Nunes Pimentel Gomes, intitulado “Ilha das Flores, Da Descoberta à Actualidade (Subsídios para a sua História)”. Edição da Câmara Municipal das Lajes das Flores, 1977. (Cf. Op. Ct. pág. 467 e seg., doc. 53). 

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CASAMENTOS REALIZADOS NA PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DA FAJÃ GRANDE NO INÍCIO DO SÉCULO XX (NO ANO DE 1901)

Sábado, 02.11.13

No início do século XX, mais concretamente no longínquo ano de 1901, realizaram-se, na paróquia de São José da Fajã Grande, os seguintes casamentos:

1901

A 10 de Janeiro – João Furtado Gonçalves, de 34 anos, filho de Francisco Furtado Gonçalves e Ana Joaquina da Silveira, casou com Maria do Céu Gonçalves, de 24 anos, filha de Manuel Inácio Furtado e de Maria Joaquina da Silveira.

A 14 de Janeiro – Fernando Pimentel Brás, de 24 anos de idade, filho de António Pereira Brás e de Maria da Assunção, casou com Filomena Pimentel da Glória, de 14 anos de idade, filha natural de Maria Júlia de Amorim.

A 17 de Janeiro – Inácio José Jorge, de 45 anos de idade, filho de José Inácio Jorge e Maria Luísa, casou com Ana Inácia Furtado, de 28 anos de idade, filha de Manuel Inácio Furtado e Maria Joaquina.

A 21 de Janeiro – José Inácio Mateus, de 22 anos, filho de José Inácio Mateus e de Maria Lucinda, casou com Conceição Filipe Mateus, de 29 anos, filha de Manuel Rodrigues Filipe e de Maria Joaquina do Coração de Jesus.

A 24 de Janeiro – José Luís de Freitas, de 27 anos, filho de Manuel de Freitas Silveira e de Isabel Luísa, casou com Josefina Luísa de Freitas, de 19 anos, filha de José Fernandes de Freitas e de Maria José Policena.

A 9 de Fevereiro – José da Câmara de Sousa, de 27 anos, natural da Matriz de Ponta Delgada, S. Miguel e já viúvo de Ana Isabel, casou com Luísa Pereira de Sousa, de 20 anos de idade, filha de António Caetano Pereira e de Maria de Jesus.

A 16 de Fevereiro – José Jacinto Fraga, de 20 anos, filho de Manuel de Fraga e de Maria de Freitas do Coração de Jesus, casou com Ana Luísa de Fraga de 26 anos, filha de João de Freitas Botelho, natural de S. Miguel e de Isabel Luísa, natural da Fajã Grande.

A 9 de Maio – António Bernardo Fagundes, de 34 anos, filho de Bernardo José Caetano e de Maria Cabral, casou com Mariana Pimentel da Silveira, de 18 anos, filha de José Cardoso de Freitas e de Maria Leopoldina da Silveira.

A 18 de Maio – António Vitorino da Silveira, de 25 anos, filho de José António Lourenço da Silveira e de Mariana Claudina da Silveira, casou com Maria da Luz de Freitas da Silveira, de 19 anos, filha de João de Freitas Henriques e de Policena Luisa de Freitas.

A 29 de Julho – António José Jorge, de 36 anos de idade, filho de António José Jorge e de Ana de Jesus, casou com Maria José Jorge, de 17 anos de idade, filha de António Augusto da Silva, natural da freguesia da Conceição da cidade da Horta e de Mariana Pimentel da Silveira, natural da Fajã Grande.

A 29 de Setembro – José de Freitas Mateus, de 50 anos de idade, Manuel de Freitas Estevão e de Maria de Jesus Mateus, já viúvo de Ana Luísa do Coração de Jesus, casou com Maria da Conceição de Freitas, de 34 anos, filha de António Francisco Furtado e de Maria de Jesus da Assunção.

A 16 de Outubro – José António Laranjo, viúvo de Maria José Lourenço, de 62 anos de idade, filho de José António Laranjo e Rita Maria, casou com Ana José de 41 anos, filha de António José Inácio e de Maria de Jesus.

Fonte: - Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, Casais das Flores e do Corvo, 2006.

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CASAMENTOS REALIZADOS NA PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DA FAJÃ GRANDE NO INÍCIO DO SÉCULO XX (NO ANO DE 1902)

Sexta-feira, 01.11.13

No início do século XX, no ano de 1902, realizaram-se, na paróquia de São José da Fajã Grande os seguintes casamentos:

1902

A 7 de Janeiro – João Inácio Cardoso, de 28 anos, filho de António Inácio Mancebo e de Maria de Jesus da Silveira, casou com Maria José Cardoso, de 22 anos, filha de José Fernandes de Freitas e de Maria José Policena.

A 18 de Janeiro – José Amaral, de 23 anos, natural de Santa Cruz das Flores, filho natural de Ana Isabel, casou com Mariana Pereira de Amaral, de 32 anos, filha de António Caetano Pereira e de Maria de Jesus.

A 19 de Abril – Pedro Coelho de Freitas, de 19 anos, natural de Ponta Delgada, Flores, filho de Amaro Caetano e de Maria Leopoldina da Conceição, casou com Maria da Conceição de Freitas, de 23 anos, filha de António Francisco Furtado e de Maria Luisa da Silveira.

A 26 de Abril – José António Ramos, de 27 anos, filho de José António Ramos e de Ana de Jesus, casou com Maria do Céu Ramos, de 27 anos, natural de Santa Cruz das Flores, filha de José António Morais e de Ana Jacinta de Braga.

A 1 de Maio – José Fagundes da Silveira, de 30 anos de idade, filho de Francisco Lourenço da Silveira e de Maria Luisa da Silveira, casou com Mariana de Freitas da Silveira, de 15 anos de idade, filha de José Fernandes de Freitas e de Maria José Policena.

A 24 de Junho – Bartolomeu Joaquim da Silveira, de 57 anos, filho de José Joaquim da Silveira e de Libânia de Jesus, casou com Luciana Tomásia da Silveira, de 52 anos, filha de Manuel Furtado de Freitas e de Isabel Tomásia, sendo já viúva de Lisandro Luís Furtado.

A 31 de Julho – Inácio Gabriel, de 38 anos, natural da freguesia dos Cedros da ilha das Flores, filho de António José Garcia e de Maria de Mendonça, casou com Maria da Conceição de Freitas, de 23 anos, filha de António de Freitas Estevão e de Maria de Freitas.

A 15 de Setembro – Francisco Caetano de Fraga, de 21 anos, filho de José Caetano de Fraga e de Maria da Conceição da Silveira, casou com Maria Fagundes de Fraga, de 23 anos, natural de Santa Maria, filha de José António Morais e de Maria Jacinta de Braga

A 2 de Outubro – António Mancebo Fagundes, de 30 anos de idade, filho de António José de Freitas da Silveira e de Maria Fagundes da Silveira, casou com Maria da Encarnação Fagundes, de 21anos, natural da freguesia de São Pedro de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, filha de Manuel Joaquim e de Maria Úrsula.

Fonte: - Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, Casais das Flores e do Corvo, 2006.

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A IDADE COM QUE SE CASAVAM AS NOSSAS AVÓS E BISAVÓS

Quarta-feira, 30.10.13

No seu livro “Casais das Flores e do Corvo” publicado em 2006, Francisco António Pimentel Gomes dá-nos a conhecer os extractos dos assentos de casamento realizados nas doze paróquias das duas ilhas do Grupo Ocidental Açoriano, entre os anos de 1675 e 1911. No que à paróquia de São José da Fajã Grande diz respeito, os extractos referenciados no livro mencionam apenas os matrimónios realizados a partir da data da criação da paróquia, ou seja a partir de 1861 pelo que enumeram apenas os cerca de trezentos casamentos realizados entre os anos de 1861 e 1911, na paróquia de São José da Fajã Grande. Sendo assim os nubentes que figuram nestes registos foram os avós e os bisavós da geração nada e criada, na Fajã Grande ou a ela ligada, nas décadas de quarenta, cinquenta e sessenta. Há alguns aspectos interessantes que ressaltam de uma análise dos dados referidos, sendo um deles o da idade com que se casavam, nessa altura, as mulheres. Efectuadas as análises dos referidos registos, tanto quanto foi necessário, verifica-se que a idade mais frequente com que casavam as meninas nossas avós, era a de entre os vinte e vinte cinco anos. De registar, no entanto que muitas mulheres casavam bastante mais novas, pois oito casaram com quinze anos, quatro com catorze e uma apenas com treze. Algumas mulheres casavam, no entanto, já com idade avançada, verificando-se muitos casamentos depois dos cinquenta, alguns após os sessenta e até uma mulher casou com a bonita idade de setenta e um anos. Muitas destas mulheres não eram viúvas e algumas eram bem mais velhas do que os maridos.

Assim, com a tenra idade treze anos casou apenas uma menina, com catorze anos casaram quatro, com quinze, oito, com dezasseis, nove, com dezassete também nove, com dezoito, o maior número, ou seja vinte e cinco e com dezanove casaram dezasseis meninas. Por sua vez o número de mulheres que casaram com vinte anos de idade foi de dezanove, com vinte e um, vinte duas, com vinte e dois anos vinte, com vinte e três catorze, com vinte e quatro casaram dezasseis, com vinte e cinco dezoito, com vinte e seis catorze, com vinte e sete também casaram catorze, com vinte e oito igual número, ou seja catorze e com vinte e nove contraíram matrimónio cinco mulheres. Com a idade de trinta anos casaram quatro mulheres, com trinta e um casaram seis, com trinta e dois, quatro, com trinta e três, dez, com trinta e quatro, seis, com trinta e cinco também casaram seis, com trinta e seis casaram dez, com trinta e sete, com trinta e oito anos, nenhuma e com trinta e nove apenas duas. O número de quarentonas que casaram durante este período foi de vinte e oito: com quarenta, quatro, com quarenta e um, três, com quarenta e dois, duas, com quarenta e três, uma, com quarenta e quatro, duas, com quarenta e cinco, uma, com quarenta e seis, duas, com quarenta e sete, quatro, com quarenta e oito, três e com quarenta e nove, duas. Já na casa dos cinquenta, apenas casaram seis mulheres: uma com cinquenta anos de idade, uma outa com cinquenta e um, duas com cinquenta e dois, uma com cinquenta e três e uma outra com cinquenta e seis. Finalmente e com a provecta idade de sessenta anos casaram duas mulheres e com sessenta e um, uma. A mulher com mais idade que casou, nesta época, na Fajã Grande tinha, nada mais nada menos, do que com a bonita idade de setenta e um anos. Durante estes anos casou uma mulher considerada exposta e, portanto, sem pais identificados e sem idade certa.

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O SALÃO

Terça-feira, 29.10.13

A igreja da Fajã Grande tinha apenas uma sacristia, situada do lado do Evangelho, ou seja, a sul e que ficava anexa ao templo com o qual comunicava através do púlpito e de duas portas, uma que dava para a capela-mor e a outra para o cruzeiro. Era um edifício pequeno, de um piso e com duas divisões. Uma destas era a chamada “”sacristia de cima” e era o local onde o celebrante se paramentava e que, para além de duas ou três cadeiras e uma pequena mesa que servia de secretária ao pároco, tinha um enorme gavetão, com alguns santos velhos em cima e um cruxifixo ao meio, em cujas gavetas se guardavam os paramentos e todas as outras vestes e roupas litúrgicas e um armário, encastoado na parede, que servia de resguardo aos cálices, píxides, relicários e restantes objectos de culto. Por sua vez, a outra divisão, onde se localizava a única porta que dava acesso ao exterior, chamada sacristia de baixo, era mais pequena, sendo grande parte do seu espaço ocupado com as escadas do púlpito, por baixo das quais havia um armário de arrumos, reduzindo-se o restante espaço praticamente a um corredor de passagem, ladeado por alguns armários, onde se guardavam os objectos necessários à ornamentação, arranjo e limpeza do templo.

O padre Pimentel, no início da década de cinquenta, que paroquiava a Fajã Grande nessa altura, sentindo que a sacristia era exígua e, sobretudo, por pensar que lhe faltavam espaços para arrumos, para a catequese, para ensaios, para preparar os andores, para guardar a Senhora da Soledade, para apoio à quermesse da Senhora da Saúde e até para recolher o milho das almas, decidiu que se havia de construir um salão. O projecto era simples e, ele próprio, o arquitectou. Tirava-se o tecto à sacristia, subiam-se-lhe três paredes, porque a do lado da igreja estava construída por natureza, colocava-se-lhe um tecto novo e construía-se assim, por cima de toda a área da sacristia, um segundo andar, formando um salão com um espaço um pouco superior ao da referida sacristia. A concretização do projecto, no entanto, era substancialmente obstaculizada pela falta de dinheiro e de mão-de-obra. Mas quando o pároco, na missa de domingo, anunciou o projecto, todo o povo se ofereceu para ajudar. O dinheiro era apenas um pequeno problema: fazia-se uma derrama pela freguesia, escrevia-se para a América a pedir aos emigrantes e arranjava-se o necessário. Quanto ao trabalho?! Bem esse, nem problema era. Então não é que estavam ali todos para ajudar?

Fez-se a derrama, escreveu-se para a América a arranjou-se dinheiro para a madeira, para a cal, para a telha, para as fechaduras, para as janelas e para pagar a um ou outro carpinteiro. Aos domingos, porque o pároco esclarecera que trabalhar aos domingos e dias santos de guarda, para a igreja e em benefício de Nosso Senhor, não era pecado, formavam-se filas e filas de carros de bois, uns a acarretar areia do Canto do Areal ou madeira dos Paus Brancos, outros a transportar carradas de pedra do Calhau Miúdo, até atulhar por completo o adro que, na altura ainda não era cimentado. Homens, mulheres e crianças, todos trabalhavam e ajudavam, consoante a sua capacidade, uns a cortar árvores, outros a partir ou a ajuda-la a carregar e descarregar a pedra, outros a encher sacos de areia e, os mais experientes, a aplainar as traves e os tirantes, a fazer parede, a amassar o cimento com a areia e a chegar e aplicar a argamassa. O empenho da população foi tal que, passados alguns meses o salão foi inaugurado.

A construção do salão assim como a compra da Filarmónica (com a oferta do leite do primeiro domingo de cada mês) e tantos outros projectos, embora menores, que na freguesia ganharam forma e concretização ao longo dos anos, foram e são, inequivocamente, um exemplo da força, da raça, do querer, do dinamismo, da generosidade, do espírito de entreajuda e de cooperação do povo da Fajã Grande.

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CASAMENTOS REALIZADOS NA PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DA FAJÃ GRANDE NO INÍCIO DO SÉCULO XX (ANOS DE 1903 a 1904)

Domingo, 27.10.13

No início do século XX, nos anos de 1903 e 1904, realizaram-se, na paróquia de São José da Fajã Grande os seguintes casamentos:

 

1903

A 12 de Fevereiro – António Luís de Freitas, de 34 anos de idade, filho de José Caetano de Freitas e de Mariana Luisa de Freitas, casou com Maria Leopoldina Luisa de Freitas, de 21anos, filha de Manuel José de Freitas e de Maria Leopoldina de Freitas.

A 23 de Abril – António Joaquim Morais, de 28 anos, natural da Matriz de Vila do Porto, ilha de Santa Maria, filho de José António Morais de Ana Jacinta de Braga, casou com Maria Luisa de Freitas Morais, de 22 anos, filha de Manuel de Freitas da Silveira e de Isabel Luisa da Silveira. 

A 30 de Abril – Manuel Joaquim Morais, de 32 anos de idade, natural da Matriz de Vila do Porto, ilha de Santa Maria, filho de José António de Morais e de Ana Jacinta de Braga, casou com Maria Pureza Ramos, de 18 anos, filha de João Pureza Ramos e de Maria Jacinta pureza do Coração de Jesus.

A 21 de Junho – Mateus Lourenço de Fraga, de 33 anos, filho natural de José Joaquim de Fraga e de Maria Emília da Glória, casou com Isabel de Freitas Branco de Fraga, de 16 anos de idade, filha de Francisco da Rosa, natural da freguesia da Candelária, ilha do Pico e de Isabel de Freitas Branco, natural da Fajã Grande.

A 8 de Outubro – João Lourenço da Silveira Flores, de 27 anos, sargento do regimento 18, filho natural de Joaquina de Jesus Carneiro, casou com Margarida de Freitas Eduardo Flores, de 28 anos, filha de José Caetano de Freitas e de Mariana Luisa de Freitas.

1904:

A 11 de Abril – Francisco Joaquim Fagundes, de 35 anos, filho de António Joaquim Fagundes e de Policena de Jesus, casou com Maria Cardoso Fagundes, de 22 anos, filha de Francisco Inácio Cardoso e de Maria Lourenço Fagundes.

A 14 de Abril – Guilherme Vitorino da Silveira, de 28 anos, filho de José António Lourenço da Silveira e de Maria Claudina da Silveira, casou com Maria José Fagundes da Silveira, de 17 anos, filha de José Fagundes da Silveira e de Maria Fagundes da Conceição.

A 29 de Abril – José de Freitas Dias, de 48 anos, filho de José de Freitas Dias e de Eugénia Dias, casou com Maria Tomásia da Silva, de 17 anos, filha de Manuel Tomás da Silva, natural do Topo, ilha de São Jorge e de Maria Isabel do Coração de Jesus.

A 5 de Maio – José Luís Furtado, de 36 anos, filho de Manuel Furtado e de Maria de São João, casou com Virgínia Luisa Furtado, de 37 anos, filha de Manuel Inácio de Freitas e de Isabel Perpétua.

A 24 de Outubro – António José Belo, de 20 anos, natural da freguesia da Lomba, filho de António José Belo e Maria da Trindade Vieira, casou com Maria Inácia de Freitas, de 18 anos, filha natural de Maria José da Glória.

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CASAMENTOS REALIZADOS NA PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DA FAJÃ GRANDE NO INÍCIO DO SÉCULO XX (ANOS DE 1905 a 1907)

Quinta-feira, 24.10.13

No início do século XX, entre os anos de 1905 e 1907, realizaram-se, na paróquia de São José da Fajã Grande os seguintes casamentos:

1905:  

A 30 de Janeiro - José Luís da Silveira, de 44 anos, filho de José Luís da Silveira e Maria Claudina da Silveira, casou com Maria Amélia de Freitas da Silveira, de 21 anos, filha de Raulino Inácio da Silveira e Maria Amélia de Freitas da Silveira.

A 23 de Fevereiro - José de Freitas Dionísio Júnior, de 35 anos, filho João José de Freitas e Maria Emília do Coração de Jesus, casou com Maria Dionísia de Freitas Branco, de 23 anos, filha de João Jacinto Branco (natural da freguesia de São José de Ponta Delgada) e de Maria Catarina (natural da Fajã Grande).

A 16 de Setembro - Frederico José Henriques, de 78 anos, filho de Manuel Caetano Rodrigues e de Maria de Jesus e já viúvo de Mariana Apolónio Gonçalves, casou com Maria da Conceição Henriques, de 71 anos, filha de António de Freitas Pimentel e de Ana da Conceição, sendo viúva de António Pimentel Brás.

1906:  

A 7 de Janeiro - António de Bettencourt Vasconcelos, de 27 anos, natural da Praia de São Mateus da Graciosa, filho de Estanislau de Quadros Bettencourt e de Maria Isabel de Bettencourt, casou com Maria do Céu Fragueiro de Bettencourt, de 33 anos, filha de Manuel de Freitas Fragueiro e de Mariana Margarida do Coração de Jesus.

A 26 de Abril - João Francisco Furtado, de 27 anos, filho de Manuel Francisco Gervásio e de Isabel de Jesus, casou com Maria do Céu Furtado, de 16 anos, natural das Lajes das Flores, filha natural de Emília de Jesus Vieira.

A 21 de Julho - José Caetano Teodósio, de 20 anos, filho de António Caetano Teodósio e de Floripes Garcia de Mendonça, casou com Maria da Glória de Freitas Teodósio, de 17 anos, filha de José de Freitas Fragueiro e de Maria José da Silveira.

1907:  

A 15 de Abril - Francisco José de Almeida, de 26 anos, natural de Santa Cruz, filho de Manuel José de Almeida, natural de Santa Cruz e de Maria Cândida, natural da Feteira, Faial, casou com Maria do Céu da Silva, de 16 anos, filha de Manuel Pereira da Silva e de Maria Trindade, ambos naturais dos Altares, Terceira.

A 22 de Abril - António Rodrigues de Freitas, de 23 anos, filho de António Rodrigues e de Maria Inácia de Jesus, casou com Maria de Jesus de Freitas, de 26 nos, filha de Manuel José Valadão e de Maria Inácia de Jesus.

A 25 de Abril - Laureano Inácio Mateus, de 23 anos, filho de José Inácio Mateus e de Maria Lucinda, casou com Maria Luísa Mateus, de 22 anos, filha de João Inácio Mateus e Isabel Floripes da Silveira.

A 24 de Junho - Manuel Luís de Fraga, de 22 anos, filho de Manuel Luís de Fraga e de Maria Luísa da Assunção, casou com Maria Dias Avelar, de 21 anos, filha de Francisco Dias Avelar e de Maria de Jesus Dias, natural do Lajedo.

A 1 de Julho - José Caetano de Fraga, de 42 anos, filho de José Caetano de Fraga e de Rosa de Jesus, casou com Maria de Freitas Fraga, de 37 anos, filha de João de Freitas Silveira e de Mariana de Jesus.

A 6 de Julho - José Fagundes da Silveira, de 52 anos, filho de Bartolomeu Lourenço Fagundes e de Maria Laureana da Silveira e já viúvo da 1ª vez de Maria Fagundes da Conceição e da 2ª vez de Maria Rosa Fagundes, casou com Maria Luísa Fagundes, de 40 anos, filha de Manuel de Freitas Cardoso e de Maria Luísa.

Fonte: - Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, Casais das Flores e do Corvo, 2006.

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CASAMENTOS REALIZADOS NA PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DA FAJÃ GRANDE NO INÍCIO DO SÉCULO XX (ANOS DE 1908 a1910)

Segunda-feira, 21.10.13

No início do século XX, entre os anos de 1908 e 1910, realizaram-se, na Fajã Grande os seguintes casamentos:

1908:  

A 27 de Fevereiro - João de Sousa Bettencourt, de 33 anos, filho de Manuel de Sousa Bettencourt e de Filomena dos Prazeres, naturais de São Mateus da Praia, Graciosa, já viúvo de Senhorinha Vitória Bettencourt, casou com Ana de Freitas Bettencourt, de 20 anos, filha de José Fernandes de Freitas e de Maria José Policena.

A 7 de Novembro - José Valadão Furtado, de 21 anos, natural da Ponta, filho de João António Valadão e de Isabel da Conceição do Coração de Jesus, legitimado quando estes casaram, casou com Isabel Furtado da Silveira, de 20 anos, filha de João Inácio Mateus e de Isabel Floripes da Silveira.

1909:  

A 11 de Janeiro - José Fagundes da Silveira Júnior, de 25 anos, filho de José Fagundes da Silveira e de Maria Fagundes da Conceição, casou com Joaquina Fagundes de Sousa, de 18 anos, filha de José Maria de Sousa e de Maria José Teodósio.

A 18 de Fevereiro - António Cardoso de Freitas, de 27 anos, filho de José Cardoso de Freitas e de Maria Leopoldina de Freitas, casou com Maria Garcia Cardoso de Freitas, de 17 anos, filha de Laurindo de Freitas Lourenço e de Maria José Garcia de Lourenço.

 

A 22 de Fevereiro - António Lourenço do Nascimento, de 28 anos, filho de Francisco Lourenço do Nascimento e de Ana Laureana do Nascimento, casou com Ana Fagundes de Freitas do Nascimento, de 20 anos, filha de José Joaquim Fagundes e de Ana Laureana de Freitas.

A 21 de Outubro - Manuel Caetano Teodósio, de 28 anos, filho de António Caetano Teodósio e Floripes Inácia do Nascimento, casou com Ana Fagundes Teodósio, de 23 anos, filha de José Fagundes da Silveira e de Maria Fagundes da Conceição.

1910:  

A 9 de Junho - José Caetano de Fraga, de 45 anos, filho de José Caetano de Fraga e de Rosa Luísa de Jesus, viúvo de Maria de Freitas Fraga, casou com Maria do Carmo Fraga, de 18 anos, filha de José Inácio Mateus e de Maria Lucinda Mateus.

A 5 de Outubro - José Jacinto Rafael, de 50 anos, filho de pai incógnito e de Mariana de Jesus, viúvo de Maria Trindade do Coração de Jesus, casou com Maria do Céu Rafael, de 20 anos, filha de Manuel José Mancebo (natural de Santa Cruz) e de Ana de Freitas Dias.

A 18 de Novembro - José Joaquim André, de 23 anos, filho natural de João da Costa (natural de Santo António, Funchal) e de Maria Joaquina André, casou com Maria do Céu da Silveira, de 20 anos, filha de João Furtado Luís e de Ana Luísa de Mendonça.

A 22 de Novembro - José de Freitas Branco, de 53 anos, filho de Manuel de Freitas Branco e de Maria de Jesus, casou com Maria de Jesus de Freitas, de 40 anos, filha de José Caetano de Fraga e de Rosa Luísa.

Fonte: - Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, Casais das Flores e do Corvo, 2006.

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OS BOIS SEM RABO

Quinta-feira, 03.10.13

Um dos maiores, mais sórdidos e mais terríveis crimes cometidos na Fajã Grande, ao longo do seu historial, foi o do corte dos rabos de uma junta de bois que pertenciam precisamente ao meu avô materno. Era uma junta de bravos e valentes bois de trabalho, que passavam os dias a puxar o arado de ferro, a grade, o arado de pau, o corsão ou o carro e dormiam à noite, geralmente no palheiro, a fim de serem protegidos de eventuais doenças resultantes de esfriamentos subsequentes a um exaustivo cansaço,  a uma árdua e persistente labuta diária.

Certo dia em que não trabalharam e em que, por conseguinte, não estavam fatigados, foram deixados, durante a noite, no cerrado das Furnas, a alimentarem-se de uns restos de couves e milho. Era uma noite fresca, de verão. Os animais necessitavam, ao menos por um dia, de repouso, descanso e de serem protegidos do calor e do bafio do palheiro. De manhã, quando alguém os foi recolher, a fim de iniciarem mais um dia de trabalho, um e outro dos bois tinha o rabo cortado. O crime tornou-se ainda mais horrendo, repelente e hediondo, atingindo mesmo a fronteira do sacrílego, porque os rabos dos bois foram amarrados e içados no pau da bandeira da Casa de Espírito Santo de Baixo.

Nunca se soube se este mísero, repugnante e condenável acto foi praticado por vingança, se por inveja ou se pura e simplesmente por mero prazer sádico ou divertimento estúpido, como também nunca se soube quem foi ou quem foram os seus executantes, nem os seus mandantes, se é que os houve. Foram indigitados vários suspeitos e o caso arrastou-se pelo tribunal de Santa Cruz ao longo de meses e anos, mas, e dado que as investigações judiciais, à altura e na ilha das Flores, eram muito limitadas, nunca foram encontradas provas que indiciassem os criminosos e, por conseguinte, o caso nunca foi julgado e os prevaricadores nunca foram condenados. Talvez se tivesse havido maior empenhamento por parte das autoridades de então, se as investigações tivessem sido mais exigentes e profundas e se não houvesse aparente e simulada intenção de poupar alguém, ter-se-iam descoberto os responsáveis. A arma do crime terá sido uma tesoura de cortar lata e, na altura, existiam poucas na Fajã Grande.

Consta que o estado em que os animais se encontraram era simplesmente horroroso, arrepiante e consternador: mugiam em altos brados, soltavam aulidos angustiantes, berravam desalmadamente, saltavam abespinhadamente e rebolavam-se no chão como se estivessem loucos. Numa palavra o seu desespero era tal e tão grande que tiveram que ser abatidos, logo após serem encontrados naquele lastimável estado.

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publicado por picodavigia2 às 17:38

OS CAPITÃES FREITAS HENRIQUES

Quinta-feira, 03.10.13

António de Freitas Henriques foi um dos mais conhecidos e destacados capitães da ilha das Flores, no século XVIII. Tal como no arquipélago da Madeira, os Açores eram, á altura, administrados ou governados por um sistema de capitanias, lideradas por um capitão donatário. O capitão-donatário ou capitão do donatário era um cargo criado nas ilhas atlânticas e a quem cabia a representação dos interesses do donatário, ou seja da personalidade a quem o rei doava a ilha ou apenas uma sua parte, garantindo os seus proventos e a administrando os seus bens. Serviam ainda de interlocutor entre as populações e o donatário. Para os ajudar tinha nas diversas localidades da ilha um capitão através do qual se fazia representar.

António Freitas Henriques, nascido na Fajã Grande a 30 de Março de 1721 foi capitão na Fajã Grande entre 1751 e 1770, ano em que faleceu. Era filho do capitão Gaspar Henriques Coelho e de Francisca Rodrigues. Naturalmente por ser capitão teve o privilégio, apesar de na altura a paróquia das Fajãs ter a sua sede na Fajãzinha, de realizar o seu casamento na antiga e primitiva ermida de São José da Fajã Grande que estaria ligada à sua residência por uma ponte. O casamento com Maria de Freitas realizou-se no dia 5 de Maio de 1760 e o registo obrigatoriamente foi feito na antiga paróquia das Fajãs e, por isso, consta nos livros de registo da Fajãzinha. Esteve casado apenas dois anos, tendo a esposa falecido em 14 de Outubro de 1762. O próprio capitão Freitas Henriques faleceu oito anos depois, aos quarenta e nove anos de idade. Foi também vereador, juiz do ordinário e comandante, com patente real, da companhia de ordenanças das Lajes. Era irmão do padre Francisco de Freitas Henriques que prestou serviço religioso na antiga ermida de São José. Da sua residência e da de seus pais resta ainda o edifício que se situava ao lado da igreja paroquial e que, nos anos cinquenta, pertencia a dois moradores: ao José Natal e à viúva de José Luís.

Sucedeu-lhe, alguns anos após a sua morte, o seu filho, também capitão, José António de Freitas Henriques que casou com Maria Vitória Almeida, natural de Ponta Delgada e da qual teve três filhos, sendo também todos eles capitães, tendo-se destacado o mais novo Francisco de Borja Freitas Henriques, capitãoem Santa Cruze que foi considerado na altura o homem mais rico da ilha das Flores.

Na realidade a família dos capitães Freitas Henriques teve um papel relevante no povoamento e ordenação territorial da ilha das Flores, nomeadamente na zona das Fajãs.

 

 

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