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AEROPORTO

Domingo, 10.08.14

Os sinos, aqui, não tocam…

Não há o marulhar das ondas,

As flores não têm perfume

E o silêncio parece ser branco.

 

Apenas um pássaro destemido,

Talvez sem destino,

Perfura a segurança.

 

Os olhos que se enchem de lágrimas

São os mesmos que sorriram de alegria.

 

Um avião parte

Outro chegará, em brve.

 

 

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publicado por picodavigia2 às 13:22

MANHÃ DE CHUVA

Quinta-feira, 07.08.14

Chove!

Chove, torrencialmente.

A manhã é escura, pardacenta,

Evapora incertezas

E até se confunde  com a noite.

 

São Caetano,

De ruas desertas,

Transformadas em rios.

Janelas fechadas

Ferias cerceadas.

Procura-se um abrigo.

 

Apenas o pequeno “café”

- refúgio abençoado -

Alberga uma meia-dúzia:

- “turistas” revoltados,

- populares impedidos de trabalhar,

- “reformados à espera d’um copo.

Supostamente, a indignarem-se

Com este tremedal!

 

“Aqui,

Em Novembro,

O tempo costuma estar melhor

Do que em Agosto.”

Comentam…

 

E as lamentações continuam;

“Com este tempo

A uva apodrece…”

“Estraga-se toda”.

 

“Há-de ser o que Deus quiser…”

Dizem os mais conformados.

 

Manhã de bruma,

De chuva,

De escuridão e trevas…

E pior:

De uvas a apodrecer

E de mondas a crescer.

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publicado por picodavigia2 às 11:10

MINHA MÃE, CASAI-ME CEDO

Quarta-feira, 30.07.14

Não se nasce sobre a relva

E n’alcova não se almoça
Minha mãe, casai-me cedo

Já não sou menina moça.

 

A videira dá a uva,

A figueira dá o figo

Minha mãe, casai-me cedo

Estar solteira não consigo.

 

Fui ao monte, vim enxuto

Fui ao mar, voltei molhado,

Minha mãe, casai-me cedo

Qu’eu já tenho namorado.

 

Muito avança quem s’apressa

Muito perde quem s’atrasa.

Minha mãe, casai-me cedo

Vou-me embora desta casa.

 

Muito goza homem casado

Muito sofre quem tá solteiro.

Minha mãe, casai-me cedo

Muito m’arde o parrameiro.

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publicado por picodavigia2 às 10:40

TEIMOSIA LENTA

Segunda-feira, 02.06.14

Manhã sombria,

Porque a noite

Teimou em retirar-se.

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publicado por picodavigia2 às 00:20

METAMORFOSE

Quarta-feira, 16.04.14

Nobre

e dignificante

é o amor

que nasce do destino,

e se transforma

num poema.

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publicado por picodavigia2 às 17:34

PERFUME

Terça-feira, 15.04.14

Espalhou-se um doce perfume

Sobre os rastros inebriantes das memórias…

 

E, de repente,

Até o silêncio

Se tornou,

Mais arrebatador.

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publicado por picodavigia2 às 09:04

DESFILE DE MEMÓRIAS

Domingo, 13.04.14

O desalinho

(de fios e tomadas)

Trouxe o doce feitiço das memórias!

Um desfile sublime,

De vivências de outrora,

Que, desfeitas no tempo,

Se refizeram,

Reavivaram

E nos encharcaram,

Num perpétuo e suave encanto,

Numa amizade,

Mais profunda e sentida.

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publicado por picodavigia2 às 09:33

HINO

Domingo, 06.04.14

Cântico de loas

A unir gerações.

 

Glórias enaltecidas

Num respirar de alvoroços.

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publicado por picodavigia2 às 23:47

ABRAÇO INICIAL

Quinta-feira, 27.03.14

Doce é o anúncio,

Voluptuosa a espera,

Sublime o encontro,

Contagiante o convívio…

 

Mas o melhor de tudo

É a alegria

Do abraço inicial.

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publicado por picodavigia2 às 16:37

SORRISOS

Sábado, 22.03.14

A doçura dos sorrisos

Era tanta

E tão grande…

 

Havia apenas uma janela aberta

E nem sequer

Se via o mar

Ou se ouvia a sinfonia, abrupta, do silêncio.

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publicado por picodavigia2 às 21:06

ESCADA

Quarta-feira, 19.03.14

São outros os degraus,

Mas a escada é a mesma…

Era ali!

 

Descíamos

E subíamos,

Nas manhãs frias,

Sonolentos,

Acorrentados a uma crença,

Afoitos a um ideal.

 

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publicado por picodavigia2 às 01:05

QUADRAS SOLTAS III

Sábado, 15.03.14

Tu que cuidas já ser “rei”,

Por teres forno na Pedreira.

Cuidado, que pode o forno,

Assar-te p’rá vida inteira.

 

Nos Açores, um “magano”

Não bebe vinho do Pico.

Se prefere o alentejano,

Por certo que é muito rico.

 

Minha avó tinha razão:

Charro assado é bom petisco.

Mas em casa do João,

É melhor do que marisco.

 

Já precisas de balança

Pra pesar o teu valor,

Pois tua vista não alcança,

Dos teus versos, o “horror”.

 

E fácil cantar vitória

E entoar laudes em bica

Quem se contenta co’a glória,

De um tão mísero Benfica.

 

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publicado por picodavigia2 às 09:13

À MESA

Quinta-feira, 06.03.14

A mesma sala,

Quiçá a mesma mesa.

 

Talvez os pratos sejam outros,

Outros serão, de certeza, os talheres,

Assim como ass toalhas

E, quiçá, os bancos…

 

E os comensais?

 

Ah! Esses também são os mesmos.

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publicado por picodavigia2 às 16:38

OLHARES CRENTES

Segunda-feira, 03.03.14

O tempo pode

Apagar a fragrância angélica da infância,

E ofuscar a inebriante lenidade da juventude,

 

Mas nunca desfaz

A eterna persistência

Dos olhares crentes.

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publicado por picodavigia2 às 01:11

SENTIMENTO DE CRIANÇA

Quarta-feira, 26.02.14

cada palavra,

cada gesto

cada olhar

e, sobretudo, cada sentimento

de uma criança,

é um verso que

mesmo rasgado

ou nunca escrito,

se transforma

no mais belo poema de amor.

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publicado por picodavigia2 às 14:39

INOCÊNCIA

Domingo, 23.02.14

Dormíamos

Sobre rios de inocência,

 

Porque o Sol,

Em cada madrugada,

Nunca se esquecia de apagar o resfôlego dos temporais.

 

Por isso cantávamos…

E rezávamos…

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publicado por picodavigia2 às 09:08

À ESPERA DO ENCONTRO

Sábado, 22.02.14

No aconchego

da amizade,

aguardávamos,

ansiosamente,

o Encontro:

uma revoada de recordações e de memórias

- encantos entontecidos pelo tempo -

que haviam de cair sobre nós,

em catadupa,

e a unir-nos

ainda mais.

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publicado por picodavigia2 às 08:54

O CÂNTICO DAS GANHOAS

Domingo, 16.02.14

Anoitece,

Lentamente…

 

Na curva tenebrosa de uma onda

a esvair-se por entre o granito negro das marés

cantam ganhoas,

imaginando que no brilho prateado das estrelas,

há reflexos de sinfonias perdidas.

Mas quando a maré se esvazia por completo,

o cais fica deserto,

porque todas as ganhoas partiram.

Agora, apenas as rochas negras cintilam

com o restolho inebriante da espuma

que escorre ressequida para o mar.

E quando a noite desaba, por completo,

cansada, meditabunda, vazia de desejos

há plenitude de escuridão no firmamento,

porque as ganhoas já não erguem os seus cânticos solenes

como se estivessem em adoração verdadeira.

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publicado por picodavigia2 às 16:22

METAMORFOSE IMPERFEITA

Quarta-feira, 12.02.14

Sala de estudos!

Refeita, reestruturada,

substancialmente, metamorfoseada.

 

Mas ali estão ainda,

Inapagáveis no tempo,

- metamorfose imperfeita -

os lugares,

os traços,

os riscos,

os ninhos,

onde

plantámos

e cultivámos

sonhos infindáveis.

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publicado por picodavigia2 às 16:10

CHEIRO DE DESERTO

Segunda-feira, 10.02.14

O vácuo da solidão

Carrega o cheiro

De um deserto

Incendiado pelo silêncio.

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publicado por picodavigia2 às 21:07

ENSAIO

Sexta-feira, 29.11.13

No ensaio…

Há sempre

Alguém que desafina

Que se perde na pauta,

Ou não encontra um lá sustenido

Ou um fá bemol.

 

E o maestro,

Sábio,

Pachorrento

E dócil,

Corrige,

Repete,

Ensina

E afina.

 

E, por fim, chega a harmonia.

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publicado por picodavigia2 às 09:56

DEPOIS DO CÂNTICO

Domingo, 24.11.13

Quando as nuvens rasgavam os seus véus

E derramavam o seu cântico,

Dolente, mas sublime,

Sobre a aridez

De desertos estéreis,

 

Nem todos batiam palmas…

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publicado por picodavigia2 às 00:04

ENCONTRO

Sábado, 23.11.13

Vieram,

(A maioria, de longe)

Cavalgando sombras despedaçadas,

Atiçando labaredas incandescentes,

Na demanda, 

Dos ecos que nunca se perderam,

Dos fragmentos que nunca se estilhaçaram

Do perfume que nunca se evaporou

E da amizade que nunca feneceu.

 

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publicado por picodavigia2 às 20:11

QUADRAS SOLTAS II

Domingo, 17.11.13

Não tragas tristeza ou dor,

Nem também nenhuma prenda,

Traz apenas teu amor,

Vem comer nossa merenda.

 

Enquanto os ricos petiscam,

Os pobres nadam em fome.

Não há tormento no Mundo,

Que mais me dói e consome.

 

Não me calei por medo,

Nem tão pouco por azia.

Apenas fiz uma pausa,

P’ra ganhar nova energia

.

Olha lá! Gastas teus passos

Indo à Luz, ver o Benfica,

Pois são tantos os fracassos

Que até triste agente fica

 

A “moral” não pode ser

Mafiosa ou bolorenta.

Pois, só julga, não condena

E com pouco se contenta.

 

Não preciso lar ou forno,

P’ra  comer um bom assado.

Amarante… Dom Rodrigo…

Venho de lá consolado.

 

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publicado por picodavigia2 às 11:53

TIMONEIROS DO DESTINO

Sábado, 16.11.13

Navegaram na penumbra,

Entre os solavancos de um vento abrupto,

Timoneiros do destino.

 

Os remos estavam ressequidos

E as velas eram de tule frágil.

 

Mas chegaram a portos,

Diferentes,

Porque o mar,

Em cada madrugada,

Lhes sibilava canções de embevecer.

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publicado por picodavigia2 às 21:54

DESFILE DE MEMÓRIAS

Quinta-feira, 14.11.13

O desalinho

Trouxe o doce feitiço das memórias!

Um desfile sublime,

De vivências de outrora,

Que, desfeitas no tempo,

Se refizeram,

Reavivaram

E nos encharcaram,

Num perpétuo e suave encanto,

Numa amizade,

Mais profunda e sentida.

 

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publicado por picodavigia2 às 19:10

QUADRAS SOLTAS

Sexta-feira, 23.08.13

Aeroporto da Terceira:

Espera longa, dorida…

Aviões? Só de cerneira,

Em touradas, sem partida

 

Ui! Se minha avó soubesse,

Desse forno da Pedreira,

Deixava de cozer bolo,

Sobre a tisna da lareira

 

Belos poemas do mestre,

Que tivemos em comum

Em sonhos, pudera eu,

Como estes, fazer um.

 

Com o toque da viola,

De tão belos tocadores,

Até o mar que me isola,

Sacode mágoas e dores

 

 

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publicado por picodavigia2 às 14:06





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