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NO MEIO DA LAVA

Segunda-feira, 11.08.14

O Maciel é natural de Santa Luzia do Pico, uma das freguesias mais “martirizadas” da ilha montanha, dado que a sua história é profundamente marcada por duas grandes e desastrosas erupções vulcânicas, uma ocorrida no século XVI e uma outra nos princípios do século XVII, mais precisamente em 1718. Esta última foi de enorme violência, tendo procedido à expulsão de grandes quantidades de lava, a correr sob a forma de rios que, em alguns casos, chegaram a percorrer distâncias de nove quilómetros até atingirem o mar, entre o Porto do Cachorro e o Lajido. Embora poupando pessoas, esta imensa torrente de lava matou animais, destruiu casas e campos, desfazendo tudo o que até aí havia sido construído e edificado pelo homem. Os sobreviventes, que ali permaneceram foram obrigados a reconstruir de novo e sobre a própria lava, tudo aquilo que o infortúnio lhes havia retirado e, por isso, mesmo tornaram-se homens, fortes, decididos, corajosos, trabalhadores, honestos, cozendo o bolo com o suor do seu rosto, espremendo o vinho com as lágrimas dos seus olhos, cavando o chão com as mãos calejadas, percorrendo veredas com os pés descalços.

Assim, o Maciel chegou ao Seminário de Angra, no ano lectivo de 1953/54, trazendo consigo todo este património de uma dignidade ressequida pela lava, de um humanismo basáltico, de uma integridade sulfúrica, duma garbosidade espelhada na montanha, num chão construído entre maroiços de cascalho, embalado em vinhedos plantados entre pedregulhos, alimentando-se de bolo cozido sobre lajes. Ali fez a sua formação académica, durante onze anos, revelando-se um jovem, para além de elegante, esbelto e garboso, simpático, alegre, jovial e meigo.

Como muitos outros foi para a guerra colonial, na Guiné. Regressou, fixando-se no Continente, trabalhando sempre nos Serviços Sociais, área em que se especializou. Primeiro em Beja, na Junta de Acção Social e nalgumas Casas do Povo do Alentejo, mais tarde em Setúbal, no Instituto de Família e Acção Social e no Centro Nacional de Segurança Social.

Agora reformado, vive em Angra, onde estava espera dos que longe vieram ao Encontro, recebendo-nos com aquele sorriso meigo, aquela alegria inebriante e aquele abraço fraterno que sempre o caracterizou. Acompanhou-nos com dedicação, envolveu-nos com ternura, fez de cicerone no passeio pela ilha, deslumbrou-nos com as suas narrações e, mais do que tudo, deliciou-nos com a sua amizade e com o seu carinho.

Agora encontro este “Senhor” do Encontro, aqui ao lado, na sua Santa Luzia, a labutar naquele património de lava basáltica, entrelaçado entre os vinhedos sulfúricos, na senda de um delicioso “caldo de peixe” ou de um prato de lapas, no reboliço de um tinto basáltico, ainda a ferver o mosto adocicado.

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publicado por picodavigia2 às 17:23

DE OLHOS NEGROS

Sexta-feira, 01.08.14

Apesar de ter pesquisado junto de alguns colegas, não consegui nenhum dado sobre este “Senhor” presente no Encontro. Não lhe querendo deixar-lhe a página em branco, transcrevo um poema de Miguel Ramos Carrión, dedicado a todos os “estorninhos” que, mesmo sem “ojos negros” passearam pelas ruas de Angra, nas década de 50/60: El Seminarista de Olhos Negros:

“Desde la ventana de un casucho viejo

 abierta en verano, cerrada en invierno

 por vidrios verdosos y plomos espesos,

 una salmantina de rubio cabello

 y ojos que parecen pedazos de cielo,

 mientas la costura mezcla con el rezo,

 ve todas las tardes pasar en silencio

 los seminaristas que van de paseo.

 

Baja la cabeza, sin erguir el cuerpo,

 marchan en dos filas pausados y austeros,

 sin más nota alegre sobre el traje negro

 que la beca roja que ciñe su cuello,

 y que por la espalda casi roza el suelo.

                                                                                        

Un seminarista, entre todos ellos,

 marcha siempre erguido, con aire resuelto.

 La negra sotana dibuja su cuerpo

 gallardo y airoso, flexible y esbelto.

 Él, solo a hurtadillas y con el recelo

 de que sus miradas observen los clérigos,

 desde que en la calle vislumbra a lo lejos

 a la salmantina de rubio cabello

 la mira muy fijo, con mirar intenso.

 Y siempre que pasa le deja el recuerdo

 de aquella mirada de sus ojos negros.

 Monótono y tardo va pasando el tiempo

 y muere el estío y el otoño luego,

 y vienen las tardes plomizas de invierno.

 

Desde la ventana del casucho viejo

 siempre sola y triste; rezando y cosiendo

 una salmantina de rubio cabello

 ve todas las tardes pasar en silencio

 los seminaristas que van de paseo.

 

Pero no ve a todos: ve solo a uno de ellos,

 su seminarista de los ojos negros;

 cada vez que pasa gallardo y esbelto,

 observa la niña que pide aquel cuerpo

 marciales arreos.

 

Cuando en ella fija sus ojos abiertos

 con vivas y audaces miradas de fuego,

 parece decirla: —¡Te quiero!, ¡te quiero!,

 ¡Yo no he de ser cura, yo no puedo serlo!

 ¡Si yo no soy tuyo, me muero, me muero!

 A la niña entonces se le oprime el pecho,

 la labor suspende y olvida los rezos,

 y ya vive sólo en su pensamiento

 el seminarista de los ojos negros.

 

En una lluviosa mañana de inverno

 la niña que alegre saltaba del lecho,

 oyó tristes cánticos y fúnebres rezos;

 por la angosta calle pasaba un entierro.

 

Un seminarista sin duda era el muerto;

 pues, cuatro, llevaban en hombros el féretro,

 con la beca roja por cima cubierto,

 y sobre la beca, el bonete negro.

 Con sus voces roncas cantaban los clérigos

 los seminaristas iban en silencio

 siempre en dos filas hacia el cementerio

 como por las tardes al ir de paseo.

 

La niña angustiada miraba el cortejo

 los conoce a todos a fuerza de verlos...

 tan sólo, tan sólo faltaba entre ellos...

 el seminarista de los ojos negros.

 

Corriendo los años, pasó mucho tiempo...

 y allá en la ventana del casucho viejo,

 una pobre anciana de blancos cabellos,

 con la tez rugosa y encorvado el cuerpo,

 mientras la costura mezcla con el rezo,

 ve todas las tardes pasar en silencio

 los seminaristas que van de paseo.

 

La labor suspende, los mira, y al verlos

 sus ojos azules ya tristes y muertos

 vierten silenciosas lágrimas de hielo.

 

Sola, vieja y triste, aún guarda el recuerdo

 del seminarista de los ojos negros...”

 

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publicado por picodavigia2 às 07:11

MEMÓRIAS DE AMARANTE

Quarta-feira, 30.07.14

Entrou para o Seminário de Santo Cristo no ano lectivo de 1960/61, pelo que nos encontrámos, como alunos no SEA, apenas dois anos mais tarde e partilhámos, conjuntamente, a prefeitura dos Médios. O Cordeiro, hoje mais conhecido, em termos de “facebook” por António M. Arruda, natural do Ginetes, fez apenas uma parte da sua formação académica no Seminário de Angra. Enraizou-se, desde há muitos anos, nos Estados Unidos, residindo actualmente em East Providence, trabalhando na empresa Murphy's Liquors Inc, da qual é Manager.

No recente Encontro dos antigos alunos do SEA, a sua presença como que se tornou quase inesperada, por quanto, quinze dias antes se tinha deslocado a Portugal, incluindo Continente e Açores. Assim tornava-se quase impossível, voltar e participar no referido evento. Porém uma vontade “férrea” trouxe-o, de novo aos Açores e a Angra. A sua presença caracterizou-se por um grande empenhamento em todas as actividades e eventos, participando com uma alegria desmesurada, com um espírito de camaradagem gigantesco e com uma animação excedível e constante. Possui uma boa colecção de fotos do Encontro na sua página do FB.

Naturalmente que o meu encontro com ele não foi tão emotivo como com os outros porquanto o recebera, quinze dias antes, aqui em Paredes. Uma vez sediado no Norte, através do FB, pudemos combinar um encontro. Na realidade passamos uma tarde maravilhosa, em amena cavaqueira e ainda tivemos tempo para dar um salto à belíssima cidade de Amarante, a fim de apreciar as suas belezas e saborear um bom naco de presunto, regado com o verde da região. Do melhor que há em Portugal. E os “docinhos” de ovos e o “Pão-de-ló” de Amarante também não faltaram!

Nessa altura, ele próprio e eu, cuidamos que, decididamente, não nos encontraríamos em Angra. Ainda bem que, surpreendentemente, mudou os seus planos, regressando aos Açores, tornando-se, assim, mais um dos vários “Senhores” presentes naquele inesquecível Encontro. A sua presença ainda contribuiu para que a freguesia dos Ginetes, ex-aequo com a das Capelas, fossem as que tivessem mais elementos presentes no Encontro, mas em números absolutos, porque em percentagem relativamente ao número de habitantes, a freguesia pioneira foi, indiscutivelmente, a Fajã Grande das Flores

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publicado por picodavigia2 às 09:39

CLASSE E SIMPATIA

Segunda-feira, 28.07.14

Desde o início do século XX que soavam, por toda a ilha das Flores, ecos da obra de um dos mais destacados sacerdotes florenses que, para além de arrotear os púlpitos com uma oratória eloquente e sábia e encher as igrejas com o perfume do seu canto, se posicionava ao lado do povo, na luta e defesa dos seus direitos, orientando-o e ajudando-o no cumprimento dos seus deveres – o padre José Furtado Mota. O epicentro da sua obra, havia de concretizar-se e na criação das cooperativas de lacticínios das Flores. No dia 25 de Julho de 1949, a lendária “Velha do Corvo”, decidiu-se por, atravessar o tormentoso canal e vir, mais uma vez, às Flores, trazer um menino, entregando-o a uns sobrinhos daquele sacerdote, residentes no lugar dos Vales, freguesia e concelho de Santa Cruz.

O José Mota cresceu, influenciado pelo ambiente religioso da família, ingressou no Seminário Menor de Ponta Delgada, em 1962, transitando, dois anos depois, para o de Angra. Em 1969, decidiu abandonar o Seminário e inscreveu-se na Força Aérea Portuguesa, fazendo a sua formação inicial na Base Aérea da Ota. Terminada a recruta e a formação específica, foi colocado no GDACI, unidade de defesa aérea nacional, passando à disponibilidade em 1975, altura em que ingressou na Banca, trabalhando no ex-Crédito Predial Português, onde desenvolveu uma vida profissional marcada pela dignidade, competência, profissionalismo e honestidade. Actualmente está reformado, mas desenvolve uma intensa e profícua actividade, colaborando, em regime de voluntariado, em Instituições de Solidariedade Social e na paróquia da Matriz de Santa Cruz da Praia da Vitória, como membro permanente do Conselho Pastoral, integrando a presidência da Assembleia Pastoral Social. José Mota confessa-se eternamente grato pela excelente formação humana, moral e religiosa que recebeu no Seminário e porquanto ela foi importante ao longo da sua vida de profissional, familiar e cívica.

Desde cedo o José Mota se envolveu na dinamização e preparação do Encontro, prestando-se a colaborar com a “Troika”, sediada em São Miguel. Com uma humildade impressionante, uma simplicidade deslumbrativa, uma dedicação gigantesca e um empenho desmesurado, sem acicatar nenhum tipo de protagonismo, o José Mota trabalhou, colaborou, ajudou, motivou, cooperou em tudo e com todos para que de facto o Encontro corresse da melhor forma, como de facto correu. Para além do trabalho desenvolvido no arranjo e preparação dos espaços, o José Mota disponibilizou, a toda a hora e a cada o momento, a sua ajuda, disponibilizando o seu automóvel, para o transporte de muitos dos participantes no Encontro, entre o aeroporto ou o cais da Praia e o Seminário. Foi ele também o responsável pela elaboração do “prato” como recordação a perpetuar o Encontro. Para além de realizar toda esta ajuda com uma alegria e satisfação permanentes, regozijou-se exuberantemente com o reencontrar de amigos, com o recordar de memórias, com o regresso virtual à excelência de uma passado glorioso que o espaço não destruiu nem o tempo desfez. Por tudo isto o Mota tornou-se mais um dos “Senhores” do Encontro, a quem, de forna muito especial, manifesto o meu sincero agradecimento.

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publicado por picodavigia2 às 00:27

EM PROL DA CULTURA POPULAR

Terça-feira, 22.07.14

O João de Brito pertenceu ao curso que entrou para o Seminário Menor de Santo Cristo, em Ponta Delgada, no ano lectivo de 1957/58, integrando o segundo grupo de alunos que frequentou aquela instituição de ensino, sediada no antigo Colégio dos Jesuítas. Dois anos depois, passou a frequentar o SEA, completando e terminando a sua formação académica em 1969, ano em que se ordenou. Exerceu o cargo de secretário particular do Bispo de Angra, D. Manuel Afonso de Carvalho e paroquiou, ao longo da sua vida, em várias freguesias da ilha Terceira. Actualmente exerce a sua actividade sacerdotal nas paróquias de Santa Bárbara e Cinco Ribeiras da mesma ilha.

Aluno responsável, estudioso, disciplinado, íntegro, verdadeiro, empenhado e autêntico ao longo do seu percurso no Seminário, o João de Brito tem exercido o seu múnus sacerdotal com muita sobriedade, grande eficiência, acentuada dignidade e nobre discrição, ao mesmo tempo que se assumiu, paralelamente, como professor de Religião e Moral. Também exerceu, durante alguns anos os cargos de Ouvidor Eclesiástico da ilha Terceira e tem dedicado grande parte da sua actividade em prol da cultura popular, nomeadamente ao apoio, incremento e desenvolvimento dos grupos de música regional açoriana, especialmente no que aos ranchos folclóricos diz respeito, tendo estado mesmo na criação de alguns.

O João de Brito foi dos vários sacerdotes terceirenses ou em exercício na ilha Terceira que frequentou o SEA, que se dignou participar no Encontro do passado mês de Julho. Embora não podendo estar presente em todas as actividades, devido ao exercício do seu múnus apostólico, mais acentuado aos fins-de-semana, participou na maioria das reuniões, passeios e encontros, tornando-se um elemento importante, porquanto, tendo vivido permanentemente na ilha Terceira, nos ia dando um notável apoio e oportunos esclarecimentos, sobre as mudanças e evoluções mais acentuadas ao longo destes anos, sobretudo no SEA. Por tudo isso e muito mais a sua presença foi muito importante, quer na visita inicial ao Seminário, quer nos passeios pela velhinha Angra, incluindo os mais curtos, entre o hotel e o Seminário. Um excelente guia e um notável cicerone. Jantou e almoçou connosco, ensaiou e cantou connosco, acompanhou-nos e apoiou-nos, tornando-se, por tudo isso também um notável “Senhor” do Encontro.

Recorde-se ainda que foi junto “sua” à igreja paroquial de Santa Bárbara que o grupo de alunos da década de cinquenta sessenta, cantou o “Juravit Dominus” em homenagem a um neo-sacerdote que ali celebrava a sua “Missa Nova”.

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publicado por picodavigia2 às 10:13

ESCRITOR E POETA

Sexta-feira, 18.07.14

Não será surpresa para ninguém referir-se a alegria que todos e cada um dos participantes no recente “Encontro” ou os “Senhores” do mesmo sentiram ao depararem-se, cara a cara, com antigos colegas, amigos e companheiros de jornada, muitos dos quais não se viam, nem se haviam encontrado desde os tempos de alunos no SEA. Também não será surpresa para ninguém, salientar-se, que essa alegria ainda se tornou maior, diria mesmo agigantou-se de uma forma emocionante e emocionada, quando os “reencontrados” eram colegas de curso ou até de anos mais próximos, que haviam partilhado prefeituras, nalguns casos até aulas e, por tudo isso, muito mais carregados de vivências mais íntimas, de percursos mais paralelos, de camaradagens mais identificadas ou amizades mais sentidas e densamente vividas. Aconteceu, precisamente tudo isso, ao reencontrar, entre muitos outros participantes e grandes amigos, o Zé Costa, meu colega de curso, embora, posteriormente, os nossos percursos de vida se tenham distanciado em demasia no espaço e se tenham perdido em mais de quarenta e dois anos, no tempo. Daí que nosso reencontro tenha sido um momento único, inolvidável e de grande emoção, de enorme alegria e deslumbrante contentamento. Na realidade o Zé Costa foi sempre um excelente camarada, um manancial de compreensão e estima, um amigo sincero e verdadeiro.

 Mas a mais bela imagem que eu tinha do Zé Costa, para além de colega compreensivo, companheiro solidário, era a de que ele, enigmaticamente possuía e, naturalmente, ainda possui o dom de ser um conselheiro que não “dá conselhos” mas confronta, abana e ajuda a identificar os problemas e dificuldades alheias, assemelhando-as, aceitando-as, comparando-as e, sobretudo, sublimando-as, diria mesmo inserindo-se nelas como se fossem suas. Não é muito vulgar esta forma de ajudar os outros! 

E o Zé Costa veio para o encontro, assim, coma sua simplicidade, com o seu espírito jovial, sempres disponível para tudo e para todos, carregado de alegria, a abarrotar contentamento e ainda por cima trazendo dois livrinhos de poesia, de que é autor e que, gentilmente, me ofereceu, sendo que um deles, “Ficou-me na Alma este Gosto” havia sido apresentado, quinze dias antes, na Livraria Culsete, por Leonor Simas-Almeida, Senior Lecturer na Brown University, em Providence e com a leitura de alguns poemas por Olegário Paz.

Para além de poeta, José Francisco Costa, também é contista, escritor doutras áreas e professor. Fixou-se nos Estados Unidos, desde de 1978, onde tem feito uma brilhante carreira como professor de Língua Portuguesa.

Foi este Zé Costa, sempre alegre e folgazão, dos poucos a equiparem-se a rigor, para o jogo de futebol, ou melhor de “arrastar de barrigas”, que surgiu em Angra como mais um dos “Senhores” do Encontro. Participando em todas as actividades com uma envolvência sempre sublime, activa, vivificante e ternurenta, distinguiu-se sobretudo no sarau músico-literário, porquanto para além de serem recitados poemas seus, ele próprio recitou poemas de outros autores, também eles, antigos alunos do SEA.

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publicado por picodavigia2 às 17:04

DE MORGAN HILL A ANGRA

Terça-feira, 15.07.14

O José Maria Ávila nasceu nos Rosais, ilha de São Jorge e estudou nas Velas. Entrou para Seminário de Ponta Delgada em 1958, continuando no de Angra, durante mais três anos, até à altura em que abandonou os estudos naquela instituição de ensino. Pouco tempo depois, em 1965, emigrou para a Califórnia, residindo actualmente na cidade de Morgan Hill, embora visite os Açores e, mais concretamente São Jorge, com frequência.

Profissionalmente, trabalhou, durante os primeiros vinte e dois anos da sua estadia na Califórnia, numa das maiores companhias de Supermercados daquele estado norte-americano, com mais de 1500 sucursais espalhadas por todo o estado, ocupando nos últimos doze, desses anos, o cargo de gerente geral. Devido à sua capacidade de trabalho, competência e vocação para o empreendedorismo, a partir de 1987, decidiu estabelecer-se por conta própria, montando uma empresa “Store & Sign Shop” que actualmente mantém e dirige. Trata-se de uma agência que trabalha para uma companhia de transporte de cartas e encomendas para todo o mundo. Paralelamente está relacionado com a produção e venda de artigos de artes gráficas.

O José Maria Ávila encheu-se de contentamento com a sua participação no “Encontro” de Angra”, espalhando aos quatro ventos a sua fascinação: “Gostei muito de me encontrar com todos, em Angra, 49 anos depois”. Apesar desta tão longa separação, no espaço e no tempo, nada nem coisa nenhuma fez diminuir ou sequer amarfanhar a enorme amizade, carinho, respeito e camaradagem e consideração entre o José Maria Ávila e os outros “Senhores” do Encontro. Participou em tudo com entusiasmo, imiscuiu-se em cada pormenor, reacendeu-se-lhe o peito de jubilação em cada actividade, extravasou-se numa enorme vontade de todos abraçar, de dialogar com cada um, numa partilha de memórias e recordações. A sua presença foi notória no celebérrimo jogo de futebol em que, assumindo a guarda de uma das balizas, executou um bom punhado de defesas. Por tudo isto foi mais um dos “Senhores” do Encontro.

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publicado por picodavigia2 às 10:36

OS DE 1958/59 - LISTA CORRIGIDA

Sexta-feira, 11.07.14

O Onésimo com a sua prodigiosa memória, os seus riquíssimos apontamentos e o seu sempre disponível espírito de ajuda, ao ler a relação que há dias divulguei, de imediato corrigiu alguns falas que a mesma continha. A esposa do Gualter, também corrigiu a residência dele, naqueles tempos e o Carlos Sousa lembrou que o Octávio e o Gastão também se ordenaram, mas na diocese de Carmona, em Angola, não tendo, no entanto, completado o Curso de Teologia, no Seminário de Angra. De facto, é com a colaboração e ajuda de todos, que se consegue com maior rigor e verdade, reconstruir a memória de um passado que, parecendo perto, já está bastante distante – mais de cinquenta anos.

Eis a relação, devidamente rectificada:

No ano lectivo de 1958/59, matricularam-se no Seminário Menor de Santo Cristo, em Ponta Delgada, os seguintes alunos: António Adelino Moules Rocha, de S. Bartolomeu, Terceira, António Andrade Varão do Rosário, Lagoa, S. Miguel, António Filomeno Maia Gouveia, de S. José, Ponta Delgada, S. Miguel, António Francisco Ferreira, Povoação, S. Miguel, António Manuel Botelho Pimentel, Lomba Santa Barbara, S. Miguel, que não chegou a completar o 1.ºano, Carlos Alberto, de Ponta Delgada, S. Miguel que também saiu no 1.ºano, Carlos Joaquim Fagundes, da Fajã Grande, ilha das Flores, Carlos Medeiros Sousa das Capelas, S. Miguel, Eugénio Silva Melo, de Santo Amaro, ilha do Pico que adoeceu, não transitando de ano, Eugénio Ribeiro Carvalho, da Casa da Ribeira, Terceira, Fernando Sousa Mota, das Capelas, S. Miguel, Gualter Cordeiro Dâmaso da Ribeira Grande, S. Miguel, mas com residência em Santa Maria, Humberto Sousa Clementino, Lomba da Maia, S. Miguel, que reprovara no ano anterior, João Carlos Resendes Carreiro, da Fajã de Baixo, S. Miguel, João Manuel Vieira Dowling, natural da Fajã Grande, ilha das Flores mas residente no Corvo, que abandonou o Seminário logo no 1.º trimestre, João Manuel Rego Ferreira, das Furnas, S. Miguel, João Vasco dos Reis Cunha, de Santo António-Capelas, S. Miguel que também saiu ao longo do 1.ºano, Jorge Manuel Nascimento Cabral, de S. Pedro, Ponta Delgada, S. Miguel, Jorge Manuel Raposo da Povoação, S. Miguel que saiu no 1.ºano, José Adriano Borges Carvalho da Casa da Ribeira, Terceira, José Adriano Cota de S. Bartolomeu, Terceira e que também saiu no 1.ºano, José Augusto Melo Borges, de S. Pedro Nordestinho, Nordeste, S. Miguel, José Avelino da Silva Cunha, da freguesia da Luz, Graciosa e que também abandonou o Seminário no 1.ºano, José Fernandes de Andrade Rodrigues, da Ribeira das Tainhas, S. Miguel, também abandonando o curso no 1.ºano, José Francisco Rodrigues Costa, das Capelas, S. Miguel, José Francisco Lima Oliveira, de S. José, Ponta Delgada, S. Miguel, José Gabriel Lopes Machado Ávila, das Lajes do Pico, José Manuel Medeiros Franco, de S. Pedro Nordestinho, Nordeste, S. Miguel, José Maria Bettencourt Ávila, dos Rosais, ilha de S. Jorge, José Maria Furtado Couto, da Algarvia, S. Miguel, Luís Gonçalo Brum Galvão, de Rabo de Peixe, S. Miguel, que saiu no 1.ºano, Manuel Faria de Castro do Capelo, ilha do Faial, mas residente na Praia do Norte, da mesma ilha, Francisco Manuel Pavão Moniz dos Mosteiros, S. Miguel, que também saiu no 1.ºano, Manuel Jacinto Vasconcelos, de Vila do Porto, Santa Maria que apenas se matriculou, não chegando a entrar no Seminário, Noé Borges Carvalho da Casa da Ribeira, Terceira, Octávio Henrique Ribeiro de Medeiros, de Povoação, S. Miguel  e Onésimo Teotónio. Pereira de Almeida, do Pico da Pedra, S. Miguel.

No segundo ano matricularam-se e passaram a integrar o curso; António Victor Serpa, natural do Lajedo, ilha das Flores, mas residente na Horta, ilha do Faial, Gastão Altino Furtado de Oliveira, natural de S. José de Ponta Delgada, Jacinto Manuel da Costa Correia, natural da Ribeirinha, S. Miguel, que reprovara o 2º ano, no ano lectivo anterior e Luís Francisco Sampaio Melo, da Povoação, S. Miguel e que abandonou o seminário menor, mais tarde.

Destes alunos, matricularam-se no Seminário de Angra, no ano lectivo de 1960/61, os seguintes: António Adelino Moules da Rocha, António de Andrade Varão, António Filomeno de Maia Gouveia, António Victor de Serpa, Carlos Joaquim Fagundes, Carlos de Medeiros Sousa, Eugénio Ribeiro Carvalho, Fernando de Sousa Mota, Gualter Cordeiro Dâmaso, Humberto de Jesus Clementino, Jacinto Manuel da Costa Correia, João Carlos Resendes Carreiro, Jorge Manuel do Nascimento Cabral, José Adriano Borges de Carvalho, José Augusto de Melo Borges, José Francisco de Lima Oliveira, José Francisco Rodrigues Costa, José Gabriel Lopes Machado Ávila, José Manuel de Medeiros Franco, José Maria Bettencourt de Sousa e Ávila, José Maria Furtado do Couto, José Victor Menezes de Sousa, natural da freguesia da Conceição, Horta ilha do Faial e residente em Santa Luzia do Pico, que não frequentou o Seminário Menor de Ponta Delgada, Manuel Faria de Castro, Noé Borges Machado Carvalho, Octávio Henrique Ribeiro de Medeiros, Onésimo Teotónio Pereira de Almeida e Gastão Altino Furtado de Oliveira. No ano lectivo seguinte, ou seja 1961/62, matriculou-se João Elias Maurício de Mendonça, natural da freguesia da Ribeira das Tainhas, Lagoa, ilha de S. Miguel.

Completaram o curso de Teologia, no ano lectivo de 1969/70, tendo-se ordenado os seguintes alunos: António Andrade Varão, Carlos Joaquim Fagundes e Humberto de Sousa Clementino.

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publicado por picodavigia2 às 17:27

INTELIGÊNCIA E DIGNIDADE

Sexta-feira, 11.07.14

O Abel Nóia nasceu nas Lajes das Flores, ingressando no Seminário de Angra, em 1961/62, onde completou o Curso de Teologia. Ordenado presbítero em 1973, iniciou a sua actividade pastoral na paróquia de Posto Santo da ilha Terceira, nesse ano, sendo transferido, dois anos depois, para São Mateus, na mesma ilha, onde permaneceu durante quatro anos, considerando-se, nessa altura, “mal preparado para a riqueza sociológica do meio”. Em 1979 foi colocado na Calheta, Biscoitos e Norte Pequeno, na ilha de São Jorge. De seguida fez um «ano sabático» na Diocese de Setúbal, integrando o trabalho paroquial normal da Cova da Piedade. Finalmente foi colocado nas Flores, assistindo espiritualmente várias paróquias, acabando por regressar à Terceira, mais concretamente a São Bartolomeu dos Regatos, ultima paróquia em que trabalhou, antes da colocação em Santa Cruz da Praia da Vitória, onde reside e trabalha actualmente. A partir de 2001 tem também a seu cuidado a simpática paróquia da Casa da Ribeira. Pessoalmente pensa que, assim como as caixas do «Gauarita» «já está «fora de prazo» para ambas, mas tem uma “«folha de A 4» em casa que aponta o fim para 1 de Agosto de 2016, se ainda tiver vida e saúde”. Durante largos anos, acumula o cargo de Ouvidor da ilha Terceira. Homem duma fina sensibilidade, de um humanismo profundo, duma dignidade gigantesca e de uma atenção extrema para os mais fracos e necessitados, Abel Nóia possui uma inteligência invulgar, uma capacidade inaudita de ler, apreciar e analisar os problemas da igreja e do mundo que, normalmente extravasa, através de uma escrita graciosamente audaciosa, sabiamente atrevida e delicadamente mordaz. Possui uma ampla cultura, sobretudo a nível da Teologia e da Bíblia. Os seus escritos, ultimamente colocados nas páginas do Facebook são atractivos, oportunos, sensatos, acutilantes e, como se isso não bastasse, de uma riqueza literária de excelente qualidade.

O Abel, devido às suas actividades pastorais, não pode participar em todos os eventos do Encontro, mas naqueles em que para isso teve disponibilidade, fê-lo com alma e coração, extravasando uma docilidade invulgar, uma camaradagem inaudita e um companheirismo sincero e verdadeiro. Descendo dos pedestais em que muitos clérigos ainda hoje se arrogam de permanecer, despojando-se de vestes medievais que outros ainda se ufanam de trajar, partilhando vivenças e costumes, o Abel partilhou o Encontro com uma alegria desmedida e uma vontade inaudita. Para além de ser o representante da “Troika” na ilha Terceira, o Abel cantou connosco, passeou pelas ruas de Angra, visitou o Seminário, sentou-se à mesa connosco e, sobretudo, ajudou-nos a recordar “estórias” passadas, memórias vivas, ditos, palavras, expressões, tornando ainda mais vivo aquele passado de que todos nos orgulhamos de ter pertencido e até nos envaidecemos de ser nosso. Por tudo isto o Abel tornou-se mais um dos “Senhores” do Encontro.

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publicado por picodavigia2 às 10:29

EXAME DE FILOSOFIA II

Segunda-feira, 07.07.14

No exame escrito de Filosofia II, realizado aos alunos do 7º ano, no Seminário Episcopal de Angra, no dia 28 de Maio de 1965, apresentavam os seguintes 4 temas para desenvolver, sendo todos de tratamento obrigatório:

1.  Demonstre que a vida consiste num movimento imanente.

2.  Explique o conceito e divisões de liberdade.

3.  Demonstre que a quantidade é real.

4.  Descreva o sistema filosófico denominado “Hylemorfismo”.

Este tipo de exame aproximava-se bastante, sobretudo em termos de exigência e profundidade de conhecimentos, de alguns elaborados, numa ou outra disciplina, na Secção de Filosofia da FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), na década de setenta.

 

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publicado por picodavigia2 às 11:25

OS DE 1958/59

Sábado, 05.07.14

No ano lectivo de 1958/59, matricularam-se no Seminário Menor de Santo Cristo, em Ponta Delgada, os seguintes alunos: António Adelino Rocha, de S. Bartolomeu, Terceira, António Andrade Varão do Rosário, Lago, S. Miguel, António Filomeno Maia Gouveia, de S. José, Ponta Delgada, S. Miguel, António Francisco Ferreira, Povoação, S. Miguel, António Pimentel, Lomba Santa Barbara, S. Miguel, que não chegou a completar o 1.ºano, Carlos Alberto, de Ponta Delgada, S. Miguel que também saiu no 1.ºano, Carlos Joaquim Fagundes, da Fajã Grande, ilha das Flores, Carlos Medeiros Sousa das Capelas, S. Miguel, Eugénio Melo, de Santo Amaro, ilha do Pico que adoeceu, não transitando de ano, Eugénio Ribeiro Carvalho, da Casa da Ribeira, Terceira, Fernando Sousa Mota, das Capelas, S. Miguel, Gualter Cordeiro Dâmaso da Ribeira Grande, S. Miguel, mas com residência em Ponta Delgada, Humberto Sousa Clementino, Lomba da Maia, S. Miguel, que reprovara no ano anterior, João Carlos Resendes Carreiro, da            Fajã de Baixo, S. Miguel, João Manuel Vieira Dowling, natural da Fajã Grande, ilha das Flores mas residente no Corvo, que abandonou o Seminário logo no 1.º trimestre, João Manuel Ferreira, das Furnas, S. Miguel, João Vasco, de Santo António-Capelas, S. Miguel que também saiu ao longo do 1.ºano, Jorge Manuel Nascimento Cabral, de S. Pedro, Ponta Delgada, S. Miguel, Jorge Manuel Raposo da Povoação, S. Miguel que saiu no 1.ºano, José Adriano Borges Carvalho da Casa da Ribeira, Terceira, José Adriano Costa de S. Bartolomeu, Terceira e que também saiu no 1.ºano, José Augusto Melo Borges, de S. Pedro Nordestinho, Nordeste, S. Miguel, José Avelino Borges, da freguesia da Luz, Graciosa e que também abandonou o Seminário no 1.ºano, José Fernandes, da Ribeira das Tainhas, S. Miguel, também abandonando o curso no 1.ºano, José Francisco Rodrigues Costa, das Capelas, S. Miguel, José Francisco Lima Oliveira, de S. José, Ponta Delgada, S. Miguel, José Gabriel Machado Ávila, das Lages do Pico, José Manuel Medeiros Franco, de S. Pedro Nordestinho, Nordeste, S. Miguel, José Maria Bettencourt Ávila, dos Rosais, ilha de S. Jorge, José Maria Furtado Couto, da Algarvia, S. Miguel, Luís Brum Galvão, de Rabo de Peixe, S. Miguel, que saiu no 1.ºano, Manuel Faria de Castro do Capelo, ilha do Faial, mas residente na Praia do Norte, da mesma ilha, Manuel Francisco Pavão Moniz dos Mosteiros, S. Miguel, que também saiu no 1.ºano, Manuel Jacinto Vasconcelos, de Vila do Porto, Santa Maria que apenas se matriculou, não chegando a entrar no Seminário, Noé Borges Carvalho da Casa da Ribeira, Terceira, Octávio Henrique Ribeiro de Medeiros, de Povoação, S. Miguel            e Onésimo Teotónio. Pereira de Almeida, do Pico da Pedra, S. Miguel.

No segundo ano matricularam-se e passaram a integrar o curso; António Victor Serpa, natural do Lajedo, ilha das Flores, mas residente na Horta, ilha do Faial, Gastão Altino Furtado de Oliveira, natural de S. José de Ponta Delgada,         Jacinto Manuel da Costa Almeida, natural da Ribeirinha, S. Miguel, que reprovara o 2º ano, no ano lectivo anterior e Luís Francisco, também de S. José de Ponta Delgada, S. Miguel que saiu nesse mesmo ano.

Destes alunos, matricularam-se no Seminário de Angra, no ano lectivo de 1960/61, os seguintes: António Adelino Moules da Rocha, António de Andrade Varão, António Filomeno de Maia Gouveia, António Victor de Serpa, Carlos Joaquim Fagundes, Carlos de Medeiros Sousa, Eugénio Ribeiro Carvalho, Fernando de Sousa Mota, Gualter Cordeiro Dâmaso, Humberto de Jesus Clementino, Jacinto Manuel da Costa Correia, João Carlos Resendes Carreiro, Jorge Manuel do Nascimento Cabral, José Adriano Borges de Carvalho, José Augusto de Melo Borges, José Francisco de Lima Oliveira, José Francisco Rodrigues Costa, José Gabriel Lopes Machado Ávila, José Manuel de Medeiros Franco, José Maria Bettencourt de Sousa e Ávila            , José Maria Furtado do Couto, José Victor Menezes de Sousa, natural da freguesia da Conceição, Horta ilha do Faial e residente em Santa Luzia do Pico, que não frequentou o Seminário Menor de Ponta Delgada, Manuel Faria de Castro, Noé Borges Machado Carvalho, Octávio Henrique Ribeiro de Medeiros, Onésimo Teotónio Pereira de Almeida e Gastão Altino Furtado de Oliveira. No ano lectivo seguinte, ou seja 1961/62, matriculou-se João Elias Maurício de Mendonça, natural da freguesia da Ribeira das Tainhas, Lagoa, ilha de S. Miguel.

Completaram o curso de Teologia, no ano lectivo de 1969/70, tendo-se ordenado os seguintes alunos: António Andrade Varão, Carlos Joaquim Fagundes e Humberto de Sousa Clementino.

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publicado por picodavigia2 às 20:05

EM PROL DO ARTESANATO

Sábado, 05.07.14

O Manuel Alves nasceu a 7 de Outubro de 1947, na freguesia de São João do Pico. Frequentou o Seminário de Ponta Delgada e o de Angra, onde fez grande parte da sua formação. Actualmente reside nas Lajes do Pico dedicando-se ao artesanato, tendo participado e exposto em variadíssimos certames nacionais e internacionais. É também o responsável pela edição e publicação do jornal semanário “O Dever” e colabora no serviço religioso e nas actividades pastorais da paróquia da Matriz daquela vila picoense

O Manuel participou no Encontro com grande interesse e emotividade. Senhor de uma bonomia intransigente, de uma bondade tranquila, duma simplicidade irreverente, sempre disposto a ajudar, a servir, a estar ao lado e a ouvir os outros. Chegou ao Encontro, sem deslumbramento para mim, por quanto, nos últimos tempos, nos encontráramos, com alguma frequência, no Pico. Mas vinha carregando o eloquente e comunicativo silêncio de quem observa, vê e sente. Espicaçado por abraços de saudade aos que há muito não via, sacudido por fulvos de júbilo por reencontrar aqueles com quem, nos nos últimos tempos, se relacionara, foi partilhando com todos a sua calma, tranquilidade, bondade e desvelos de uma dignidade de vida, de competência no trabalho e de honestidade de costumes. Participou no Encontro com enlevo, envolvendo-se em todas actividades, espicaçando sentimentos e vivenças, solidificando a amizade e o carinho que a todos uniu no passado e continua a unir no presente. E o Manuel, assim como todos os outros que se deslocaram de propósito a Angra para o “Encontro”, participou, envolveu-se e imiscuiu-se em tudo os eventos, jogou, passeou, recordou, cantou e ajudou a homenagear os vivos e a recordar a memória dos que já pariram. Por tudo isso, foi mais um dos “Senhores” do Encontro.

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publicado por picodavigia2 às 09:29

ENTREGA E DEDICAÇÃO

Domingo, 29.06.14

O José Manuel Carvalho nasceu a 8 de Julho de 1948, na freguesia de Ginetes, concelho de Ponta Delgada, residindo, actualmente, nesta cidade. Após completar o Curso de Teologia no Seminário de Angra, em 1972, começou a trabalhar na Secção de Despachantes na Alfândega de Ponta Delgada, no âmbito de uma iniciativa, que na altura ficou conhecida como “ estágio vocacional” e que, fundamentalmente, consistia em proporcionar ao jovem finalista de Teologia um tirocínio que, simultaneamente, lhe facultasse o amadurecimento vocacional e uma aproximação ao mundo do trabalho e das realidades quotidianas. Pertenceu ao primeiro grupo de jovens que levou a efeito essa experiência, mantendo-se ligado ao Seminário por cerca de ano e meio, com acompanhamento, em Ponta Delgada, pelo Olegário e pelo Cassiano, sendo o coordenador, no Seminário de Angra o Dr. Manuel António Pimentel.

Anos mais tarde, licenciou-se em Ciências Religiosas pela Universidade Católica, fazendo também um curso de Conselheiros de Orientação Profissional, resultante de uma parceria entre a Universidade de Évora e o Instituto de Emprego e Formação Profissional. Iniciou a sua carreira profissional como professor no Liceu Roberto Ivens e na Escola Secundária da Ribeira Grande, sendo mais tarde conselheiro de Orientação Profissional do Centro de Emprego de Ponta Delgada e responsável pelos programas de estágio Profissional no Estrangeiro EURODISSEIA da Assembleia das Regiões da Europa e LEONARDO DA VINCI da Comunidade Europeia. Trabalhou também nos Serviços de Emigração da Secretaria Regional do Assuntos Sociais e foi co-fundador da Delegação de Emigração de Ponta Delgada - actual Direcção Regional das Comunidades. Foi também co-fundador do Grupo Recreativo Juvenil dos Ginetes, do Orfeão Edmundo Machado de Oliveira e da Associação Alzheimer-Açores. Fez parte da Comissão Diocesana Justiça e Paz no biénio 2010-2012.

O José Manuel chegou ao Encontro ávido de recordar memórias, esbanjando uma singela simplicidade misturada com uma nobreza de carácter e uma autenticidade sincera e verdadeira. Como muitos outros, excedia uns quilitos a mais do que o José Manuel dos anos sessenta, mas a todos cativou quer com a sua simpatia quer com as suas sábias e oportunas palavras, por vezes aureoladas de um fino humor. Um homem sensato, a revelar uma ternura e uma bondade extremosas, pautando a sua presença por um por sóbrio testemunho de simplicidade, de carinho e de amizade para com todos. Presente em todas as actividades, participou em todos os eventos com interesse desmedido, com uma sobriedade exemplar e com uma presença enriquecedora. Como se isso não bastasse ainda se deu ao luxo de celebrar o seu aniversário natalício no último dia do encontro, tendo jus a que, no jantar de despedida, lhe cantássemos os “Parabéns a Você”. Por tudo isto foi mais um dos “Senhores” do Encontro.

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publicado por picodavigia2 às 22:56

COELHODE SOUSA

Quarta-feira, 25.06.14

Manuel Coelho de Sousa nasceu a 30 de Setembro 1924 na Vila de São Sebastião, ilha Terceira, ali falecendo a 2 de Setembro de 1995. Filho de João de Sousa Pacheco e de Maria de Melo Toste, entrou para o Seminário de Angra, em Outubro 1937 onde cursou Filosofia e Teologia, ordenando-se de presbítero em 20 de Junho 1948, precisamente no dia, em que a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima visitava os Açores.

Foi professor no Seminário de Angra e no Liceu da mesma cidade, jornalista e chefe de redacção de “A União.” Já em plena década de sessenta frequentou o Curso de Filologia Hispânica na Universidade de Salamanca, Espanha, após o que regressou aos Açores, sendo nomeado pároco de São Sebastião, onde permaneceu até à data do seu falecimento. Durante esse período de tempo foi director-adjunto do jornal “A União”, e mais tarde seu director.

Além de pároco, professor e jornalista, Coelho de Sousa notabilizou-se, também, como orador sacro, como poeta, dramaturgo, pintor, encenador e ensaiador, escritor e animador cultural. Da sua vasta obra literária destacam-se, na poesia Poemas de Aquém e Além (1955) e Três de Espadas (1979), e na prosa Na Rota da Emigração Amiga (1983), Migalhas (1987) e Boa Nova (1994).

 

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EXCELÊNCIA E COMPETÊNCIA

Terça-feira, 24.06.14

O José Luís Rodrigues nasceu em 26 de Junho de 1941, na freguesia da Maia, ilha de São Miguel e tem repartido a sua residência, após a saída dos Açores, pela Suíça e pela França. Fez a sua formação no Seminário de Angra, completando o curso de Teologia em 1964. Vocacionado desde muito novo para a Música, para a qual revelava uma enorme apetência, ainda aluno, foi regente da Capela do Seminário e de grupos musicais que, no Seminário, actuavam em academias, festas e outras celebrações. Após terminar a sua formação em Angra, rumou a Roma, onde obteve o Bacharelado em Canto Gregoriano e aprofundou os Estudos de Solfejo, Harmonia e Piano, no Instituto Pontifical de Musica Sacra, iniciando assim, a nível superior, uma formação musical que havia de enriquecer e completar nos anos seguintes. Em Paris, frequentou o Institut de Musicologie de l'Université de Paris-Sorbonne e a Schola Cantorum, fez o Curso de Flauta de Bisel no Institut de Musique Liturgique, daquela cidade, iniciando, nessa altura, a licenciatura em Educação Musical, a qual terminou em 1974 e a que se seguiu o Doutoramento em Pesquisas sobre «Le Pentatonisme dans la Monodie Liturgique Latine». Leccionou  Educaçâo Musical na Ecole Meassillone, nos Liceus Collège Rousseau e Collège Sismondi e História da Musica no «Conservatoire Populaire de Musique de Genève». Desde 2008 que é professor de Francês, como lingua estrangeira, na UOG (Université Ouvrière de Genève). Foi o fundador do Côro do « Collège Rousseau » e do quarteto TJQ (Teachers Jazz Quartet, orientando-os como maestro. A excelência da sua competência musical, fez com que dirigisse  também o Coro da Igreja de St Jacques em Paris, para além de muitos outros coros e orquestras, tendo-se notabilizado também como cantor em festas e concertos dos  Conservatoires des V et VII arrodissements de Paris, no «Choeur National de Paris» e «Choeur de l'Orchetre de Paris ». Foi Tesoureiro da Société des Maîtres de Musique de l'Enseignement Secondaire Suisse), tendo sido galardoado, pela competência da sua prática musical, com vários prémios e agraciações.

O José Luís para além da sua simplicidade, alegria, exuberância e simpatia permanentes, trouxe consigo todo este enorme acervo de excelência orfeica, para nos acompanhar nas nossas permanentes, espontâneas e naturais explosões musicais. Como no Seminário, outrora, o canto era uma das actividades em que mais nos embrenhávamos, o Encontro aprimorou-se e encheu-se de música, que o José Luís, coadjuvado por outro excelente maestro, o José Carlos, acompanhou e orientou em cada hora e em cada momento. O epicentro desta nossa intrínseca e quase viciosa dinâmica musical teve lugar na noite do segundo dia, em que o grupo recreou, musical e poeticamente, o orfeão das décadas de 50/60, sob a experiente batuta do José Luís, a deixar descortinar mais do que uma nesga da deslumbrante e inesquecível maestria do saudoso dr Edmundo Oliveira. Nas inúmeras e variadas réplicas musicais, antes e depois do sarau, o José Luís ajudou, orientou, ensaiou e acompanhou-nos com uma paciência infinita e com uma competência deslumbrante, exacerbando-se, na missa do domingo, com um sublime e divinal “Ite missa est”. Por tudo isto foi mais um dos “Senhores” do Encontro. Acresce dizer-se que, tendo como referente os crachás que ostentávamos ao peito com fotografias do tempo de estudantes, as “senhoras” participantes no Encontro, consideraram o José Luís o
“mais bonito”.

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ILUSTRE DESCONHECIDO

Sexta-feira, 20.06.14

Chegou ao Encontro e muitos não o conheciam ou dele mal se lembravam, pois terá frequentado apenas o Seminário Colégio de Ponta Delgada, em finais da década de sessenta e início da seguinte. No entanto e logo no início procurou inteirar-se de tudo e aproximar-se de todos, com uma delicadeza de modos e uma simplicidade de maneiras, imiscuindo-se, com interesse e dedicação no desenrolar de todos os acontecimentos, actividades, conversas e brincadeiras. Lembrava-se de mim nos tempos em que eu vivera no Pico, porquanto é natural da vila da Madalena, ilha do Pico, onde cresceu e estudou, até entrar para o Seminário Colégio e por isso, procurou-me, mantendo, ao longo de todo o Encontro, um agradável convívio. Assim o fez com outros participantes que ele conhecia e até com os que desconhecia. E em breve, o Faria estava tão imerso, tão embrenhado, tão activo e tão participante no Encontro, como se fosse um dos “clássicos”.

Após a quebra da barreira do gelo inicial, empenhou-se em tudo, acompanhando-nos nos passeios, sentando-se ao nosso lado durante as refeições, vivendo as emoções dos reencontros, acompanhando os momentos de reflexão, cantando na recreação do sarau-músico literário, homenageando a memória de professores e alunos, participando na Eucaristia em memória dos falecidos.

Embora residindo na Terceira, lá ao longe a memória do Pico e da Madalena, permanece bem viva e as visitas, à ilha montanha, onde tem raízes, são frequentes.

Afinal não estávamos tão distantes, nem tão separados como eu cuidara inicialmente. Um irmão, ainda a residir na Madalena, fora meu aluno, no Externato daquela vila picoense, no início da década de setenta. Por isso mesmo, à Madalena, em breve, haviam de chegar, pela voz e pelo testemunho do Alberto Faria, os mais belos e sublimes elogios ao nosso Encontro, do qual ele, afinal, também foi um dos “Senhores”. 

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publicado por picodavigia2 às 17:44

O ENSINO DA FILOSOFIA NO SEMINÁRIO DE ANGRA,

Terça-feira, 17.06.14

Hoje é incondicionalmente aceite que o Seminário Episcopal de Angra, única instituição de ensino pós-secundário, nos Açores até 1976, ano em que foi criada a Universidade, foi um notável e inexaurível alforge de ciência e de cultura, onde se formaram, para além do clero açoriano, de onde emergiram muitas eminentes figuras da igreja católica, grande parte da classe dirigente, da intelectualidade e da cultura açorianas.

Foi sobretudo nas décadas de cinquenta e sessenta que esta instituição atingiu o apogeu da sua notabilidade e da sua génese formadora. Por um lado, o Seminário de Angra possuía, naquelas épocas, um notável lote de professores, homens de letras, de ciência, de grande sabedoria, de profundos conhecimentos e defensores dos mais nobres princípios de humanismo, formados na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, aos quais se juntavam alguns padres que mais se distinguiam na diocese pelo seu conhecimento específico, numa ou noutra disciplina. Por outro lado demandaram o Seminário, nessa altura, muitos jovens dotados de elevada capacidade intelectual, na maioria dos casos oriundos de famílias pobres e, por conseguinte, impedidos de frequentar as universidades do Continente, mas referenciados pelos seus professores primários, como possuidores de excelentes capacidades de aprendizagem e que, após o exame da quarta classe, “seria uma pena não continuarem os estudos”. Uns fizeram-no com enorme sacrifício dos pais, outros com algum mecenas protector que lhes surgiu no caminho e alguns, agregando-se a outras dioceses, como era o caso de Timor, que lhes custeavam os estudos. Eram uma espécie de “banco de inteligências”, nadas e criadas no arquipélago, sedentas de aprendizagens e conhecimentos, que urgia aproveitar. O Seminário de Angra era o seu destino natural e único.

Assim, durante doze anos, o Seminário de Angra disponibilizava, aos que o demandavam, um plano curricular exigente, completo, abrangente e rigoroso, complementado com actividades de índole intelectual e cultural, desde a música ao teatro, passando pelo jornalismo, através de academias, sabatinas, jornais, palestras, reuniões, semanas culturais, etc. Através dessas actividades, os seminaristas iam desenvolvendo e aperfeiçoando as suas capacidades, fortalecendo os conhecimentos adquiridos, enriquecendo e completando as suas aprendizagens, tornando-as mais profundas, mais seguras e sobretudo, mais diversificadas. Além disso era-lhes possibilitado assistir e participar em diversas iniciativas de índole cultural e de formação fora do Seminário. Todas estas actividades, internas e externas, porque privilegiavam a ciência, a cultura, a arte e a literatura, constituíram para muitos como que o dealbar de uma futura formação que mais tarde os tornaria baluartes das próprias letras, da ciência, das artes, da música e da cultura açorianas.

O plano de estudos no Seminário, nas décadas de cinquenta e sessenta estava dividido em três etapas: o ensino preparatório, o curso de Filosofia e o de Teologia. No âmbito desta “memória”, referir-me-ei, apenas, ao curso de Filosofia.

O curso de Filosofia que tinha a duração de três anos, sofreu a sua primeira “reforma curricular”, na década de cinquenta, altura em que a Ética e a História da Filosofia se constituíram como disciplinas autónomas. Nessa altura também se verificaram notáveis alterações, nos programas das várias disciplinas, na própria metodologia do ensino da Filosofia, numa melhor explicitação dos seus conteúdos, privilegiando-se não apenas as capacidades cognitivas dos alunos mas também a pesquisa, a investigação pessoal e o raciocínio. Na origem destas mudanças, como seu estratega e mentor, esteve o Dr. José Enes, com a colaboração do Dr Cunha de Oliveira. Na génese duma segunda reforma, realizada já em plena década de sessenta, que tinha como objectivos principais aproximar os currículos do Seminário aos do ensino oficial, enriquecer cultural e cientificamente a formação dos futuros sacerdotes e proporcionar aos que saíam, uma maior facilidade em obter equivalências, esteve, novamente, o Dr José Enes, na altura “Prefeito de Estudos”, uma espécie de “Director Pedagógico” do Seminário. No âmbito desta reforma, o plano curricular do curso de Filosofia foi enriquecido com as disciplinas de Português Medieval, Matemática, Química, Latim e Psicologia que assim também se separava, como disciplina curricular, da Filosofia.

A partir de então, o plano curricular do curso de Filosofia do Seminário de Angra abrangia as seguintes disciplinas: Filosofia (incluindo Lógica Menor, Lógica Maior ou Teoria do Conhecimento, Metafísica, Cosmologia, Teodiceia ou Teologia Natural); História da Filosofia; Ética; Psicologia (também designada por Filosofia II); Arte/História da Arte; Apologética; Português Medieval; Literatura/História da Literatura; Latim; Latinidade, Grego; História da Civilização Universal; Matemática; Química e Música. (1)

A Filosofia era a disciplina base deste curso, com maior carga horária e leccionada ao longo dos três anos. O compêndio utilizado era o “Cursus Philosophiae” (ad usum seminariorum) de Carolo Boyer, S.I, Desclée de Brouwer, em dois volumes, em latim. No entanto este facto trazia-nos algumas vantagens, pois para além de se aperfeiçoar o latim, obrigava a um estudo mais demorado e cuidadoso, o que, obviamente, facilitava as aprendizagens.

Na globalidade, os professores, dotados de uma competência capaz de mobilizar os parcos recursos pedagógicos disponíveis, na altura, e que quase se limitavam aos manuais, ao quadro e a alguma bibliografia complementar, dominavam com sabedoria os conteúdos programáticos, orientavam as aulas com uma linguagem erudita e motivavam os alunos na defesa não apenas dos valores religiosos e cristãos mas também dos culturais, humanos e morais.

Desde os anos vinte que o ensino da Filosofia foi da responsabilidade do Dr Manuel Cardoso do Couto, detentor de um notável percurso intelectual, filosófico e teológico, marcado pelo aristotelismo de inspiração tomista, sendo substituído, no início dos anos cinquenta pelo Dr Simão Betencourt e pelo Dr José Enes, que embora mantendo o compêndio de Boyer, como estrutura do programa, alterou a metodologia, alargou o debate filosófico a temas mais vastos e actuais, centrando o ensino nos alunos, incentivando-os à investigação, à reflexão e à pesquisa.

Nos anos sessenta o ensino da Filosofia e da História da Filosofia coube ao Dr Caetano Tomás. Em Filosofia, seguia Boyer, com rigor metódico, incentivando o raciocínio e desenvolvendo a memória dos alunos, “obrigando-os” a decorar as mais diversas definições, em latim, muitas das quais ainda hoje perpassam, como em eco, na nossa memória. Em História da Filosofia, através do “Précis d’Histoire de la Philosophie”, de François-Joseph Thonnard, explicava, pausadamente e os alunos tiravam apontamentos. Embora se tratasse duma síntese abreviada, era dada uma visão global da evolução do pensamento filosófico ocidental, desde a passagem do conhecimento mítico ao racional, com os filósofos da chamada escola milésia, até Fitche, Shelling e Hegel, com uma breve abordagem à Filosofia dos Valores de Max Scheller. Lugar de destaque tinha o autor-base da Escolástica, São Tomás de Aquino, o “Doutor Angélico”, sobretudo porque fora ele que fizera da Filosofia, a “ancilla theologiae”. De acordo com as directrizes existentes, na altura, o objectivo primordial desta disciplina, nos seminários, era “preparar os alunos para um posterior estudo da Teologia”. Esta insistência intensiva na Filosofia Escolástica, espelhada aliás em toda a orientação temática e argumentativa do livro de Boyer, dava-nos, no entanto, uma profunda e sólida formação nesta área. Pessoalmente, senti-a, dez anos mais tarde, ao frequentar a cadeira de Filosofia Medieval, no curso de Filosofia da FLUP. Apercebendo-se o professor das minhas persistentes intervenções nas aulas, quer sobre a Patrística quer sobre a Escolástica, perguntou-me, certo dia, se eu havia feito o curso de Filosofia nalgum seminário. Perante a minha afirmativa, convocou-me a dar algumas aulas sobre a Escolástica, tendo eu, então, preparado e apresentado um estudo sobre a Summa Contra Gentiles de São Tomás de Aquino. Na apresentação do mesmo, estavam presentes estudantes que haviam frequentado seminários do norte do país e pude aperceber-me de que, nesta área, a formação deles era, aparentemente, mais limitada.

A Ética, assim como a Literatura, eram leccionadas pelo Dr Francisco Carmo, possuidor duma cultura elevadíssima e duma eloquência exuberante, utilizando uma linguagem rigorosa e erudita. Na disciplina de Ética, sobre cujos temas dissertava com um à vontade e uma segurança científica impressionantes, pese embora seguisse, parcialmente, o compêndio de Boyer, recomendava várias leituras complementares, enquanto em Literatura, para além de leccionar os conteúdos, incentivava os alunos â criação literária - poesia e prosa.

O Dr José Enes, também professor de Filosofia durante uma boa parte das décadas de cinquenta e sessenta, era um estudioso da língua e da cultura portuguesa, tendo posteriormente leccionado em diversas universidades, nomeadamente na dos Açores, da qual foi Reitor, sendo também um dos elementos responsáveis pela sua criação. As suas aulas eram cativantes, atractivas e motivadoras. Com recurso aos Textos Portugueses Medievais  de Correa de Oliveira e Saavedra Machado transportava-nos ao maravilhoso mundo dos primórdios da língua portuguesa escrita, aos remotos tempos da poesia trovadoresca, aos textos do Cancioneiro Geral de Garcia de Rezende, aos primeiros documentos escritos em português nos séculos XII e XIII, aos Cronicões das ordenações afonsinas e da criação dos mosteiros medievais, aos clássicos dos Príncipes de Avis, a Fernão Lopes, e tantos outros. Além disso, dotado de uma escrita de elevada sensibilidade e excelente qualidade, paralelamente a Francisco Carmo, incentivava-nos na arte de bem escrever, dando complementaridade aos alicerces construídos pelo padre Coelho de Sousa, nos anos anteriores. O Dr José Enes foi ainda o responsável pela reabertura da biblioteca do Seminário e pelo início da sua reorganização, actividade em que se envolveram e colaboraram vários alunos.

O Dr Artur Goulart, substituindo o Dr Garcia da Rosa, em História da Arte, e o Dr Edmundo Oliveira. Substituindo o Dr Antonino Tavares, em Música, exímios conhecedores, quer na teoria quer na prática, dos conteúdos programáticos da Arte e da Música, encantavam com aulas aliciantes, motivadoras, por vezes acompanhadas de audiovisuais, no primeiro caso slides de obras de arte dos vários museus de Roma e de outras cidades europeias e, no segundo, com discos de música diversa, nomeadamente clássica. O Dr Edmundo de Oliveira, por sua própria iniciativa e manifesta vontade, alterou o programa da disciplina de Música, enriquecendo-o com a “História da Música”.

Pela sua humildade e sabedoria primava o Dr José Nunes, o único deste vasto elenco, que ainda exerce a docência no Seminário de Angra. Não resisto a recordar um pormenor das suas aulas de grego, nas quais traduzíamos textos variadíssimos, nomeadamente as fábulas de Esopo. Perante um e outro erro que cometíamos nas traduções, por mais exagerados que fossem, nunca o Dr José Numes nos recriminava com frases condenatórias ou humilhantes. Apenas esboçando um sorriso dizia: “Eu acho que se pode traduzir doutra maneira”. Pessoalmente, confesso que esta atitude me marcou bastante, tendo procurado fazer dela uma espécie de lema do meu percurso pedagógico, como professor. A completar o estudo das línguas clássicas, o Dr Cunha de Oliveira, numa abordagem ao Grego Bíblico e ao Hebraico, realizada já no nono ano, com métodos pedagógicos modernos, profundamente centrados no aluno e com os seus amplos e profundos conhecimentos das Línguas e Ciências Bíblicas, permitia-nos já descortinar o que seriam as aulas de Sagrada Escritura dos anos seguintes. 

O Dr Weber Machado, dotado de grande sabedoria, sempre atento aos problemas dos alunos, trouxe de Lisboa e Coimbra um lufada de ar fresco para a Matemática que até então se ensinava no Seminário, mas com a qual naturalmente terá colidido, tornando difícil as exigentes aprendizagens que a caracterizavam, bem como a assimilação dos conteúdos programáticos que continha.

Acresce dizer-se que em Latim e Latinidade, o padre Jacinto Almeida, com o rigor e a exigência de que não abdicava nas suas aulas, forçava-nos a prepará-las meticulosamente e a estudar com rigor e frequência. Utilizando um método bastante ancestral de “chamar à sorte”, obrigava-nos a nunca ir “em branco” para as aulas, o que geralmente também acontecia em todas as outras disciplinas e que redundava em nosso benefício.

A Psicologia, leccionada pelo Dr José Enes e pelo dr Artur Custódio, permitia-nos entrar no reino do experimental, do empírico e estudar o comportamento dos processos mentais do indivíduo, enquanto a Apologética mais não era do que uma síntese daquilo que, na disciplina de Religião, em anos anteriores, se havia aprendido sobre o Cristianismo, a que o Dr Américo Vieira acrescentava uma interessante síntese da história e dos princípios gerais das grandes religiões da humanidade.

Estas disciplinas, com carga horária diversificada, distribuíam-se ao longo dos dias da semana, excepto às quintas-feiras e domingos, com quatro horas lectivas durante a manhã e uma à tarde. Para prepará-las dispúnhamos de quatro horas diárias de estudo obrigatório, durante o qual reinava um silêncio profundo e absoluto em todo o Seminário. Uma hora de manhã, entre a missa e o pequeno-almoço, duas, intercaladas com um intervalo de quinze minutos, após a aula da tarde e antes do jantar e uma à noite. Assim como as aulas, o seu início e o seu termo eram anunciados por uma sineta ou “cabra” colocada em frente à sala dez e tocada, à vez semanalmente, por cada um dos alunos mais velhos da prefeitura dos “médios”. Era também durante algumas dessas horas e às quintas-feiras que se realizavam as actividades de complemento curricular, nomeadamente ensaios de música, teatro, as sessões académicas e outras reuniões. Às quintas-feiras, também tinham lugar as visitas de estudo, na altura designadas “por passeios grandes”, a formação espiritual, os retiros mensais e outras actividades.

Acresce dizer-se que eram os alunos do 1º ano de Filosofia que dinamizavam e organizavam a festa de São Tomás de Aquino, padroeiro dos filósofos, a maior festa realizada no Seminário.

Foi a competência, a sabedoria, o humanismo e a dignidade destes e de muitos outros mestres que constituíam o corpo docente do Seminário de Angra nas décadas de 50/60, os planos curriculares que eles próprios construíram, os conteúdos programáticos das disciplinas que leccionavam e as diversíssimas actividades culturais, artísticas e até de lazer em que connosco se envolviam e nas quais nos acompanhavam com dedicação, amizade e esmero, que fizeram, daquele punhado enorme de jovens açorianos que naquelas décadas procuraram o Seminário de Angra, e que nele encontravam uma segunda casa e uma segunda família, aquilo que de facto hoje são. É verdade que alguns saíram ao longo do duro e sinuoso percurso de doze anos de estudo. Mas muitos outros chegaram ao fim e ordenaram-se, atingindo o objectivo primordial pelo qual haviam lutado e que constituía o sonho de qualquer simples e humilde família açoriana, na altura – ter um filho sacerdote. Muitos destes, no entanto, alguns anos mais tarde, por isto e por aquilo ou simplesmente porque quiseram, resolveram alterar o destino da sua vida. E, porque haviam armazenado, ao longo do seu percurso no Seminário, uma sólida formação, fizeram-no com dignidade, com convicção, com nobreza de carácter e de acordo com os valores humanos e morais que ao longo dos anos haviam adquirido e que lhes permitiu através da formação académica ali obtida, singrar com êxitos assinaláveis nos mais diversos âmbitos das letras, das artes, da ciência, da cultura, da sociedade e da religião.

Nota:

Também existia Educação Física, vulgarmente designada por Ginástica, mas era mais considerada uma prática do que propriamente uma disciplina, uma vez que não tinha qualquer componente teórica, nem avaliação.

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publicado por picodavigia2 às 10:38

COMO UM DE NÓS

Domingo, 15.06.14

Artur da Cunha Oliveira nasceu em 1924, em Lawrence - Massachusetts - USA. Filho de mãe graciosense e de pai micaelense, Cunha de Oliveira veio para a Graciosa, com 7 anos de idade, fixando-se na freguesia de Guadalupe, ficando órfão de pai, ainda muito jovem. Frequentou o Seminário de Angra, concluindo o Curso de Teologia.

O currículo profissional de Cunha de Oliveira é demasiado rico e por demais conhecido para necessitar de qualquer apresentação, além disso está estampado na contracapa de alguns dos seus livros: “Artur da Cunha Oliveira, sacerdote católico dispensado do ministério e casado, licenciado em Teologia Dogmática e Ciências Bíblicas, foi professor no seminário Episcopal de Angra, cónego da Sé, assistente diocesano de vários movimentos, organismos e associações de apostolado e, na sociedade civil, director do diário A União, co-fundador do Instituto Açoriano de Cultura, de cujas Semanas de Estudo dos Açores foi secretário permanente durante vários anos, conselheiro de orientação profissional e director do Centro de Emprego de Angra do Heroísmo, vogal da Comissão Regional de Planeamento e, depois do ’25 de Abril’, presidente da Comissão Administrativa da Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo, Director do Departamento Regional de Estudos e Planeamento dos Açores (DREPA), que fundou, deputado do Parlamento Europeu, presidente da Comissão Diocesana de Justiça e Paz e da Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo.” Falta acrescentar que foi agraciado com as Insígnias Autonómicas de Valor e Reconhecimento pelo Governo e Assembleia regionais. Cunha de Oliveira que, segundo afirma com muita emoção, aprendeu com a mãe “a mastigar antes de engolir” considera-se um crente que mantêm um espírito crítico e que olha preocupado para o “divórcio profundíssimo” entre a comunidade cristã e a sociedade científica “ como se houvesse uma oposição tremenda entre a Razão e a Fé”.

Apesar de ser o único participante no Encontro de Antigos Alunos do SEA com o percurso de professor do SEA nas décadas de 50/60, Cunha de Oliveira parecia um de nós. Chegou carregado de sorrisos, alegria, ternura e felicidade por ver e abraçar muitos dos que haviam sido seus alunos. Amparado na sua bengalinha e sempre ao lado da esposa, acompanhou-nos em tudo, viveu connosco todas as emoções e embrenhou-se em todas as actividades (com excepção do jogo de futebol). Cantou connosco, almoçou e jantou na nossa companhia, esteve na visita ao Seminário e ouvia-nos com tamanha atenção como se fosse ele o aluno e nós os mestres. A sua presença transcendeu-se por completo com o testemunho que nos deixou, na tarde de sábado, trazendo-nos à memória do que foram as vicissitudes propagadas na diocese e mais ainda no Seminário, após o Concílio Vaticano II. Cunha de Oliveira mesmo que não estivesse presente no encontro seria um marco do mesmo, porquanto na memória de todos os presentes, permaneciam ecos vivos daquele professor sábio, eloquente, comunicativo e inteligente, que juntamente come Francisco Carmo, Rogério Gomes, José Nunes, Manuel António, Artur Goulart, Caetano Valadão e outros trouxeram lufadas sucessivas de ar fresco à Teologia Dogmática dos velhos compêndios profundamente enraizados nos princípios e axiomas da Escolástica Medieval e acicataram a libertação da Teologia Moral dos meandros da Casuística, fechada e obsoleta.

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publicado por picodavigia2 às 10:17

DESCONFUNDINDO

Terça-feira, 27.05.14

O nome Bretão tem originado alguma confusão, relativamente a alunos que com este nome frequentaram o SEA, na década de cinquenta. Recordo que na realidade participou muito activamente no nosso Encontro, o José Agostinho Bretão, referido nesta lista, no passado dia 1 de Outubro e de que todos nos lembramos muito bem. Este Bretão agora referido, é o José António da Silva Bretão, que me foi apresentado pelo Dr José Nunes e que apareceu no Encontro, apenas um dia, pelos vistos nem estava inscrito. Segundo diz o João Carlos, aina havia, sim, inscrito um Carlos António da Silva Bretão, de que ninguém se lembra. Tudo isto provocou uma enorme confusão, que agora se pretende desconfundir, mas a justiça já foi feita à excelente participação do José Agostinho Bretão, embora a minha dúvida subsista quanto aos dois últimos, porquanto julgo que o Carlos António e o José António possam ser a mesma pessoa, tendo havido uma confusão de nomes.

O José Agostinho Bretão é natural da freguesia de Santa Bárbara, ilha Terceira e fez parte do curso de um grupo ainda a exercer o sacerdócio na diocese açoriana, o Norberto Cunha, o Cassiano e o Vasco Parreira e que terminaram o curso de Teologia e foram ordenados em 1966. Ao mesmo curso pertenceu o Nuno Vieira, um dos participantes no Encontro de Julho. Assim o José Agostinho Bretão ingressou no Seminário de Angra, no ano lectivo de 1953/54, onde fez grande parte da sua formação académica.

Após a saída do Seminário completou a sua formação académica no Liceu de Angra, cursando, mais tarde, Psicologia. Trabalhou em Angra na Inspecção do Trabalho, de que foi inspector, estando actualmente reformado. Em 1992, fez parte integrante do Grupo de Violas da Casa de Povo de Santa Bárbara, cuja criação tinha como objectivo colaborar na manutenção e defesa das tradições da freguesia. Reside, actualmente, na ilha Terceira.

O Bretão surgiu no encontro com uma serenidade invejável, com uma humildade resplandecente e com uma simpatia que a todos cativou. Senhor de uma ternura dignificante, o Bretão, com as suas conversas, diálogos, ditos e palavras, tanto em ocasiões de maior solenidade como em simples momentos de folguedos, transmitia a todos uma amizade verdadeira, sincera e deslumbrantemente comunicativa. Sem protagonismos, sem estravagâncias, sem excentricidade e sem exageros supérfluos e com as suas palavras sensatas, o seu diálogo cativante, as suas lembranças engrandecedoras e a sua presença persistente e condigna, o Bretão fez com que o Encontro se tornasse num desfilar de memórias vivas, num turbilhão de momentos gloriosos e experiências marcantes, num rosário de recordações genuínas e de sentimentos vividos num passado que o tempo e a distância nunca hão-de ofuscar. Por tudo isto e por muito mais que não foi possível captar, o José Agostinho Bretão, com a sua presença no Encontro, tornou-se mais um dos “Senhores” do mesmo

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publicado por picodavigia2 às 21:10

POR SÃO JORGE

Quinta-feira, 22.05.14

O Frederico Maciel nasceu nas Velas, São Jorge, em 1949 e frequentou os seminários Ponta Delgada e Angra do Heroísmo, onde fez a sua formação académica. Trabalhou na Tesouraria da Fazenda Pública das Velas e prestou serviço militar em Moçambique. Possui um currículo riquíssimo. Urge, no entanto, recordar os aspectos em que mais se notabilizou ao longo da sua vida, da qual fez um verdadeiro hino de dedicação e amor à ilha de São Jorge, como atestam os louvores, condecorações e insígnias que já lhe foram atribuídas.

O Frederico foi deputado à Assembleia Legislativa Regional e Presidente da Câmara Municipal das Velas. Na Assembleia Regional exerceu os cargos Secretário do Grupo Parlamentar e presidente de diversas comissões parlamentares. Fundou a Associação de Bombeiros. Como autarca participou com estudos em diferentes congressos sendo alguns dos seus trabalhos publicados em revistas da especialidade. Foi o principal impulsionador da criação da Associação de Municípios do Triângulo, Foi o impulsionador da Semana Cultural das Velas, organizou o IV Encontro de Escritores Açorianos, o I Encontro da Imprensa não diária dos Açores e fundou o jornal “Correio de S. Jorge” e da revista “O Jorgense”, dos quais foi director. É autor de vários livros e actualmente exerce o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia da Vila das Velas. Em 1994 foi agraciado com a Medalha de Ouro do Município das Velas, em 2008, recebeu a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico e, em 2011, a Medalha de Mérito e Dedicação da União das Misericórdias Portuguesas. Actualmente é o Presidente da Assembleia Municipal das Velas.

O Frederico chegou ao Encontro dos Antigos alunos do SEA esbanjando uma humildade sincera, sombreando uma nobreza de carácter autêntica, emanando uma dignidade sincera e verdadeira. Com uns quilitos a mais do que o Frederico dos anos sessenta, a todos encantou quer com o seu eloquente silêncio, quer com as suas sábias e comedidas palavras ou até com a sua irreverente participação no jogo de futebol. Um homem de uma ternura excedente, de uma bondade extremosa, duma dignidade edificante, a pautar a sua presença por um testemunho de verdade, de carinho e de amizade para com todos. Presente em todas as actividades, participou em todos os eventos com interesse desmedido, com uma sobriedade exemplar e com uma presença enriquecedora. Como se isso não bastasse ainda nos obsequiou com um dos seus livros, sobre a sua ilha – São Jorge. Por tudo isto foi mais um dos “Senhores” do Encontro.

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publicado por picodavigia2 às 20:10

AJUDAR À MISSA

Terça-feira, 20.05.14

No início da década de sessenta, o Seminário de Angra teria cerca de vinte professores, todos eles sacerdotes, com excepção do médico, o Dr Mário Lima. Todos estes sacerdotes celebravam missa, diariamente, pese embora, nestes tempos ainda não fosse hábito concelebrar. Apesar de alguns, por vezes, celebrarem em igrejas ou capelanias da cidade, a maioria celebrava no Seminário e de manhã, o que exigia várias estruturas e alguma organização. Para o efeito, a capela de “cima” ou da Natividade, apesar de pequena e ocupada, habitualmente, pela prefeitura dos “Miúdos” para a missa e outras celebrações religiosas, possuía, embora de forma rudimentar, os altares, os paramentos e as alfaias litúrgicas necessárias para que cinco sacerdotes pudessem celebrar ao mesmo tempo, mas em altares separados: o altar-mor, dois laterais no corpo da igreja e dois no coro, sendo um deles, uma simples mesa.

Normalmente, a primeira missa era celebrada pelo prefeito e destinada aos seminaristas, que a ela assistiam em conjunto. Durante a mesma, no entanto, já chegava um ou outro professor, mais madrugador, que celebrava nos altares laterais ou no coro. Nestas primeiras celebrações, era habitual a presença do prefeito dos Médios, na altura o padre Horácio, ou o dos Teólogos, o Dr Valentim, uma vez que cada um, em alternativa, celebrava, para as duas prefeituras, semana sim, semana não, na capela de baixo. Entre os professores mais madrugadores pontificavam o cónego Jeremias e o padre Vitorino.

Após a missa da prefeitura, seguia-se uma hora de estudo e era durante a mesma que demandava a capela para celebrar missa, uma enorme avalanche de professores: Dr José Enes, Dr Pereira, Dr Edmundo, Pe Coelho, Dr Carmo, Pe Jaime e o Dr Caetano Tomás. Também, embora com menos frequência, ali celebravam o dr Américo que, confessando durante a missa dos Médios e Teólogos, geralmente, celebrava na capela de baixo, o Dr Custódio que celebrava nas Mónicas, Monsenhor Lourenço que celebrava na sua freguesia, o Dr Alfredo que celebrava no Post-Seminário e o Dr Cunha em São Carlos.

Ora todos estes celebrantes, pese embora a missa fosse em latim e celebrada em voz baixa, necessitavam de ajudantes, tarefa, muito bem organizada, atribuída aos alunos dos 3º e 4º anos, que integravam a prefeitura de São Luís Gonzaga. Cada professor, ao chegar à sacristia, premia o botão de uma espécie de campainha de porta que se fazia ouvir no salão de estudo, onde os alunos estudavam, em silêncio, durante a hora que mediava a missa do pequeno-almoço. Ordenadamente, a começar pelo primeiro da fila da esquerda, os alunos, à medida que a campainha tocava, iam-se levantando, abandonavam a sala sem ser necessário pedir ao prefeito e iam ajudar à missa do professor que tocara a campainha. No dia seguinte, o primeiro aluno a ser chamado, seria o que tinha a carteira imediatamente a seguir ao último do dia anterior. Normalmente o ser chamado para ajudar à missa era uma tarefa gratificante para os alunos. Por um lado era uma oportunidade de conhecer e conviver com os professores, nomeadamente com os que nos davam aulas e por outro uma ocasião única de sair da sala, onde se impunha um silêncio rigoroso e um emarfanhar.se, muitas vezes forçado, entre livros, cadernos e sebentas.

Semanalmente e também por ordem, dois alunos do 4º ano eram responsáveis por logo de manhã preparar os cálices e os paramentos necessários aos cinco altares. Por sua vez os “sanguíneos” e os “amitos” que eram pessoais, eram guardados, muito bem embrulhadinhos, numa prateleira afixada na parede e com várias divisões, cada qual com o nome de um professor e que eram renovados, semanalmente.

Interessante organização!

 

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publicado por picodavigia2 às 14:56

CÓNEGO PEREIRA

Sexta-feira, 16.05.14

José Augusto Pereira nasceu em São Vicente Ferreira, ilha de São Miguel, em 8 de Julho de 1885 e faleceu em Ponta Delgada, a 3 de Maio de 1969. Conhecido por Cónego Pereira, era assim que assinava as suas obras. Iniciou a sua actividade sacerdotal na sua terra natal, vindo mais tarde a fixa-se em Angra, onde foi cónego da Sé, professor do Seminário Diocesano, vigário-geral da diocese e historiador eclesiástico, embora não tendo nenhuma formação universitária. Foi uma das figuras mais iminentes da hierarquia da Igreja católica nos Açores na primeira metade do século XX.

Veio com 13 anos de idade para Angra do Heroísmo, matriculou-se no Seminário de Angra no ano lectivo de 1898-1899, fazendo aí, toda a sua formação académica e teológica. Foi ordenado sacerdote em 1907 na Sé de Angra. Excelente aluno, foi nomeado prefeito em 1906 e professor do Seminário no ano seguinte, cargos que exerceu até 1910. Em 1907 foi para a ilha de São Miguel nomeado cura da freguesia de São Vicente Ferreira e depois pároco na Fajã de Baixo, cargo que manteve até 1912. Nesse ano voltou para a ilha Terceira, sendo nomeado director do Orfanato Beato João Baptista Machado, de Angra do Heroísmo, cargo que exerceu nos anos de 1912 e 1913. Foi então colocado como cura das Capelas, na ilha de São Miguel, onde se manteve até 1917.

Em 1917 foi convidado para o cargo de secretário particular do bispo de Angra, D. Manuel Damasceno da Costa. Mantendo-se naquelas funções, foi elevado a cónego da Sé de Angra, a 24 de Maio de 1919, função que manteria até se aposentar

Em 1920 foi nomeado professor de Pastoral do Seminário de Angra, cargo que exerceu até 1927. Depois de uma breve interrupção, voltou a ser nomeado professor de Pastoral em 1933, que acumulou com aulas de Eloquência, cargo que manteve até se aposentar em 1958. Em 1936 publicou um compêndio com as suas lições de Pastoral. Foi também professor de Religião e Moral no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo.

Para além de apreciado como orador sacro de grande qualidade e elevada proficiência, tendo ficado conhecido pelos seus sermões nas cerimónias da catedral, distinguiu-se como jornalista, colaborando assiduamente em periódicos católicos, como A Crença, o Correio da Horta, A Verdade, O Dever e A União, o órgão oficial da diocese, que dirigiu de 1924 a 1932.

Para além de publicista, foi um historiador de mérito, dedicando-se à historia eclesiástica dos Açores, da qual foi um exímio investigador. É autor de algumas das obras seminais sobre a história da Diocese de Angra e sobre a Igreja Católica Romana nos Açores.

Em 1942 foi um dos sócios fundadores do Instituto Histórico da Ilha Terceira, tendo sido colaborador assíduo do respectivo Boletim. Em 1958 aposentou-se e retirou-se para a cidade de Ponta Delgada, onde faleceu.

 Principais obras: In memoriam D. Manuel Damasceno da Costa, Um dos nossos mestres, MGR Cónego António Maria Ferreira. Angra do Heroísmo, Padres açorianos, S. Tomás de Aquino. Mestre e patrono das escolas católicas, D. Frei Estevam o bispo de Angra no período das lutas liberais, O Bispo Dom Frei Nicolau de Almeida preso por hereje ou político, Um mártir terceirense - padre Norberto de Oliveira Barros, A igreja e a paróquia de Santa Luzia, Subsídios para a história da diocese de Angra, As missas pro-infantado nas ilhas, Indumentária dos clérigos, A imagem do Menino Deus da Real Protecção, Sobre as festas do Espírito Santo: censuras e leis de autoridade diocesano desde 1560, A Diocese de Angra na História dos seus Prelados, Costumes já tradicionais da Sé de Angra, O padre António Cordeiro: mais filósofo do que historiador, As confrarias erectas na igreja do colégio dos jesuítas de Ponta Delgada, Açorianos que foram membros da Companhia de Jesus, As missões do Padre Rademaker na ilha de S. Miguel, Foi pena, O Seminário de Angra. Esboço Histórico, Os priores na ilha de S. Miguel, As lutas pela província de S. João Evangelista das ilhas dos Açores e Campo da Mourisca.

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publicado por picodavigia2 às 00:32

O CURRICULO E OS PROFESSORES DO SEMINÁRIO DE ANGRA NAS DÉCADAS DE CINQUENTA E SESSENTA (ENSINO PREPARATÓRIO)

Segunda-feira, 12.05.14

O Ensino Preparatório, no currículo do Seminário, tinha a durabilidade de cinco anos, dos quais os dois primeiros, a partir do ano lectivo de 1956/57, eram leccionados no Seminário Menor de Ponta Delgada. A partir do ano lectivo de1958/59 o plano curricular destes cinco anos de ensino no Seminário era, praticamente, igual ao do ensino oficial, sendo, no entanto, acrescido de Latim, com uma carga horária bastante ampla e com o desenvolvimento dos conteúdos programáticos de Música e de Religião. As restantes disciplinas eram rigorosamente as mesmas dos currículos oficiais do Liceu e da Escola Industrial, com excepção da Educação Física, vulgarmente designada por Ginástica, mas que era mais considerada uma prática do que propriamente uma disciplina, uma vez que não tinha qualquer componente teórica, nem avaliação. Durante muitos anos foi leccionada pelo Dr Tavares da Silva, (Flete Oscila) professor de Educação Física na Escola Comercial e Industrial de Angra, ficando, posteriormente, à responsabilidade do prefeito. Era leccionada uma ou duas vezes por semana, durante a hora de estudo da manhã.

Na génese destas mudanças curriculares e como seu estratega e mentor, esteve o Dr. José Enes, com a colaboração do Dr Cunha de Oliveira. Os seus objectivos principais eram os de, por um lado, aproximar os currículos do Seminário aos do ensino oficial e, por outro, enriquecer cultural e cientificamente a formação dos futuros sacerdotes e ainda proporcionar aos que saíam, uma maior facilidade em obter equivalências junto das instituições do ensino oficial

O corpo docente que detinha o Seminário de Angra, à altura era bastante numeroso e constituído por um lote de professores, homens de letras, de ciência, de grande sabedoria, de profundos conhecimentos e defensores dos mais nobres princípios de humanismo, formados na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, aos quais se juntavam alguns padres que mais se distinguiam na diocese pelo seu conhecimento específico, numa ou noutra disciplina. Na globalidade, os professores do Seminário revelavam uma competência capaz de mobilizar os parcos recursos pedagógicos disponíveis, na altura, e que quase se limitavam aos manuais. É gratificante recordar estes mestres que, apesar de na maioria dos cassos se amarrarem em demasia a práticas pedagógicas tradicionais, sabiam criar uma grande empatia e laços de amizade com os alunos e motivá-los para o estudo, para o qual dispúnhamos de mais de quatro horas diárias: Português e Desenho – P.e Coelho de Sousa, Latim – Dr Alfredo Tavares, Francês – Dr Valentim, Inglês – Monsenhor Lourenço, Matemática e Geografia – Cónego Jeremias, Físico-Química e Ciências Naturais – P.e Vitorino, História Universal e Religião – P.e Augusto Cabral, Música – Dr Edmundo Oliveira. Outros professores: P.e Horácio Noronha, Dr Valentim Borges, Dr Artur Goulart, P.e Afonso Quental, P-e Jaime Silveira e no Seminário Menor: P.e Jacinto Almeida, Dr Hermínio Pontes, Dr Simão Leite Bettencourt, P.e José Franco, P.e Agostinho Tavares e P.e José Baptista.

Um reconhecimento muito grande e uma gratidão imensa a todos estes homens que colaboraram, significativamente, na formação humana e académica de dezenas de jovens que na década de sessenta frequentaram o Seminário de Angra.

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publicado por picodavigia2 às 11:10

MANUEL ANTÓNIO PIMENTEL

Domingo, 11.05.14

“No dia 10 de Setembro de 2004 faleceu, em Ponta Delgada, o Padre Manuel António de Melo Pimentel, cuja vida é bem o exemplo de um percurso em prol das classes sociais mais desfavorecidas. Nascido na freguesia das Furnas, em 1939, Manuel António Pimentel descobriu a sua vocação desde muito cedo, tendo frequentado o Seminário de Angra a partir dos onze anos de idade. Depois da sua ordenação, a 3 de Junho de 1962, foi para Roma onde estudou Direito Canónico e Teologia Moral, tendo acompanhado de perto a realização do Concílio Ecuménico, Vaticano II entre 1962 e 1965. Regressa depois à ilha Terceira para ser professor do Seminário Maior de Angra durante dois anos. Passado esse tempo, assume o lugar de Director Espiritual no então Seminário de Ponta Delgada durante três anos, regressando de novo ao Seminário Maior de Angra do Heroísmo como professor, até 1975. 1975 marca uma viragem na vida deste sacerdote. Na sequência da revolução de Abril e por iniciativa de alguns lavradores terceirenses, o Pde. Manuel António é expulso da ilha, juntamente com outros três colegas, por ser um sacerdote activo da Associação dos Padres do Prado, cujos objectivos visavam a inserção dos padres e a evangelização no meio operário. A conselho do então bispo dos Açores, D. Aurélio Granada Escudeiro, viaja até França, onde frequenta o Curso de Formação dos Padres do Prado. Durante esse período da sua vida, o episcopado português encarrega-o, juntamente com outros sacerdotes, de trabalhar junto dos emigrantes. Nos anos oitenta, é designado assistente para o diálogo no Movimento dos Trabalhadores Cristãos, do qual é membro, desenvolvendo o seu trabalho durante seis anos em Bruxelas, sede deste movimento. Volta a Portugal, para a diocese de Setúbal e é pároco, entre outras comunidades, no Barreiro. Em 2000 e por iniciativa do actual Bispo dos Açores, D. António de Sousa Braga, é convidado a regressar à sua terra natal, onde começa por ser Vigário Episcopal para a Formação e, por último,fica encarregue pela coordenação do Tribunal Eclesiástico na delegação de Ponta Delgada. Vítima de uma doença incurável, o Pde. Manuel António Pimentel encarou o desfecho da sua vida de forma serena, num sentido cristão de quem considera ter valido a pena viver. Durante os últimos dez meses da sua vida, escreve um testamento espiritual, em jeito de acção de graças, onde se pode ler: “começo por manifestar a minha profunda gratidão e o meu elevado espanto pelo dom da vida”. O texto, que deixa escrito para os vindouros acaba, “pedindo perdão a todos quantos ofendi, confiante no perdão do Senhor, nas suas mãos entrego toda a minha vida em Acção de Graças e pelo anúncio do Reino de Deus no Mundo”.”

 

Voto de Pesar, apresentado pelo Partido Socialista na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores no dia 26 de Janeiro de 2005.

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publicado por picodavigia2 às 10:48

RESPIGANDO – SOBRE O SEMINÁRIO DE ANGRA

Sexta-feira, 09.05.14

O Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo foi, durante a sua existência de 150 anos, uma escola que “desempenhou, muitas vezes, um papel de nível universitário no que diz respeito ao pensamento”, para além da cultura e da sua vocação religiosa. A afirmação é do Secretário Regional da Educação, Cultura e Ciência, à margem de um ato comemorativo do tricinquentenário daquela instituição, em que participou na noite desta sexta-feira, no salão nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. Luiz Fagundes Duarte reforçou essa ideia acrescentando que esse papel de “ensinar a pensar” foi muito importante para a sociedade açoriana, sobretudo durante o Estado Novo, proporcionando “um espaço de discussão, de liberdade, que não existia noutros contextos da sociedade”. O governante recordou, nesse âmbito, que passaram pelo Seminário de Angra “pessoas importantes da intelectualidade portuguesa e, sobretudo, pessoas progressistas que contribuíram para que Portugal não morresse abafado na censura”. Por isso e por todo o seu historial, concluiu, “vale a pena felicitar a instituição” que “continua pronta para actuar no contexto da cultura e da formação aqui na Região”.

O Seminário de Angra foi a “nossa casa” durante décadas e décadas.

O Seminário de Angra, fundado em 1862, é a única instituição de ensino eclesiástico da Igreja Católica no arquipélago dos Açores. Durante anos foi também a única instituição de formação pós-secundária nos Açores, tendo, dadas as dificuldades de acesso à rede liceal, assumido até à década de 1970, um papel de relevo na formação da intelectualidade e da classe dirigente açoriana. O Seminário de Angra conheceu o seu apogeu nas décadas de 1950 e 1960, funcionando hoje com uma população estudantil muito reduzida.

 Apesar do Concílio de Trento (1545-1563), na sua Sessão XXV, ter determinado que, a bem da qualidade e da ortodoxia, a formação dos sacerdotes se faria em seminários, durante os primeiros três séculos de história da diocese angrense, os clérigos açorianos preparavam-se maioritariamente nos conventos de religiosos existentes nas ilhas e nos Colégios dos Jesuítas de Angra, Ponta Delgada e Horta (até à sua expulsão). Alguns frequentavam seminário portugueses, com um pequeno número a frequentarem a Universidade de Coimbra, a Universidade de Salamanca e seminários e colégios em Roma.Com o andar do tempo, a função de formar o clero foi sendo progressivamente assumida pelos Colégios dos Jesuítas, cuja qualidade de teológica e pastoral era considerada melhor. Mesmo assim surgem amiúde referências que provam que a formação do clero era deveras deficientes. Face à importância que tinham assumido, a ideia de criar um seminário nos Açores ganhou novo impulso quando a expulsão dos Jesuítas fechou os três colégios existentes, deixando a formação essencialmente nas mãos dos conventos Franciscanos, manifestamente impreparados para tal.Foi neste contexto que logo em 1788, o bispo D. Frei José da Avé-Maria Leite da Costa e Silva, à semelhança de outros prelados em dioceses que enfrentavam o mesmo problema, propôs criar um seminário no Colégio de Angra dos expulsos Jesuítas, mas nada se fez porque tal proposta foi rejeitada pelo governo.A ideia de criar um seminário nos Açores manteve-se uma preocupação central dos prelados, de tal forma que o bispo D. José Pegado de Azevedo (1802-1812), pois deixou em testamento a sua biblioteca ao seu sucessor, até que houvesse em Angra um seminário.Nas Bulas de Confirmação de D. Frei Estêvão de Jesus Maria para bispo de Angra, o papa Leão XII manifestava o desejo de que ele fundasse um seminário, conforme prescrevera o Concílio Tridentino. Foi assim que aproveitando este mandato explícito e as condições favoráveis criadas pela Regeneração que em 1862, passados 328 anos da fundação da Diocese, e quase 300 após aquele Concílio, começou a funcionar um seminário nos Açores. Foi aproveitado para tal fim o extinto Convento de São Francisco de Angra, cujas obras de adaptação levaram dois anos a realizar. A sua inauguração solene realizou-se a 9 de Novembro de 1862. Nesse dia teve lugar uma grande festa em honra de Nossa Senhora da Guia, titular do antigo convento, à qual assistiu o bispo diocesano e muito clero da Ilha. Apesar dessa abertura solene e das avultadas obras que se realizaram, só em 1864 é que o Seminário Episcopal de Angra recebeu os seus primeiros alunos internos.

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publicado por picodavigia2 às 10:12

O ENCONTRO DA INCLITA GERAÇÃO

Terça-feira, 06.05.14

O Seminário Episcopal de Angra, até 1976, ano em que foi criada a Universidade dos Açores, era única instituição de ensino post-secundário existente nas ilhas, assumindo-se, desde dos primórdios da sua criação, no longínquo ano de 1862, como um notável e inexaurível alforge de ciência e de cultura onde se formou, para além do clero açoriano de onde emergiram muitas eminentes figuras da igreja católica, grande parte da classe dirigente, da intelectualidade e da cultura açorianas.

No entanto, foi sobretudo na década de sessenta que esta instituição atingiu o apogeu da sua notabilidade e da sua génese formadora. Por um lado o Seminário de Angra possuía, nessa época, um notável lote de professores, homens de letras, de ciência, de grande sabedoria, de profundos conhecimentos, de alta craveira intelectual e defensores dos mais nobres princípios de humanismo. Por outro lado demandaram o Seminário, nessa altura, muitos jovens dotados de elevada capacidade intelectual, na maioria dos casos oriundos de famílias pobres e, por conseguinte, impedidos de frequentar as Universidades do Continente, mas referenciados pelos respectivos professores primários como de excelentes capacidades de aprendizagem e que “seria uma pena não continuarem os estudos”. Uns fizeram-no com enorme sacrifício dos pais, outros com algum mecenas protector que lhe surgiu miraculosamente no caminho e alguns, até, agregando-se a outras dioceses, nomeadamente à de Timor, que lhes custeava os estudos, mas quase todos faziam parte duma como que notável espécie de banco de inteligências armazenadas no arquipélago e que urgia aproveitar.

Assim e durante doze anos, com um currículo exigente, completo, abrangente e rigoroso, complementado com actividades intelectuais e culturais diversíssimas, desde a música ao teatro passando pelo jornalismo, através de academias, congregações, sabatinas, jornais, palestras, reuniões, semanas culturais, os seminaristas foram adquirindo não só uma aprendizagem profunda, segura e diversificada mas também uma sólida formação humana, tornando-se assim como que uma espécie de “ínclita geração” das letras, da ciência e da cultura açorianas.

Uns saíram ao longo do sinuoso percurso de doze anos de estudo, outros porém chegaram ao fim e ordenaram-se atingindo o objectivo primordial pelo qual haviam lutado e que constituía o sonho de qualquer simples e humilde família açoriana. Muitos destes, no entanto, alguns anos mais tarde, por isto e por aquilo ou simplesmente porque quiseram, resolveram alterar o destino da sua vida. E fizeram-no com dignidade, com convicção, com nobreza de carácter e de acordo com os valores humanos e morais que ao longo dos anos da sua formação haviam adquirido. Mas dispersaram-se, uns pela América e pelo Canada, outros pela França, pelo Luxemburgo, alguns por Setúbal, muitos por Lisboa e um ou outro por Aveiro, pelo Porto e até pela Madeira, enquanto a maior parte permanecia nos Açores.

Emanados de nobres sentimentos de convívio, camaradagem e saudade, muitos deles, sentiram que era bom e salutar reunirem-se. Se bem o sentiram, melhor o programaram, preparando, nos dias que seguem, uma espécie de congresso, denominado “ENCONTRO DE ANTIGOS ALUNOS DAS DECADAS DE 50/60 DO SEMINÁRIO EPISCOPAL DE ANGRA” que terá lugar nos próximos dias 6,7 e 8, na mui nobre leal e sempre constante cidade de Angra.

Neste encontro haverá tempo para rever espaços outrora inerentes à sua vinda quotidiana, ao mesmo tempo que serão reavivadas tradições antigas e recriadas actividades diversas, nomeadamente a nível musical, com destaque para a realização de um sarau músico literário, onde serão executadas muitas das músicas cantadas pelo Orfeão do Seminário naquelas duas décadas do século passado. Haverá também um momento de evocação da memória dos professores e alunos já falecidos.

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publicado por picodavigia2 às 09:52

HOMENAGEM A JOSÉ ENES

Sábado, 03.05.14

“Natural das Lajes do Pico, o Dr. José Enes nasceu a 18 de Agosto de 1924, tendo ingressado no Seminário de Angra em 1936 e na Universidade Gregoriana em Roma, em 1945, voltando depois em 1964. Fez um Doutoramento em Filosofia em 1968, com distinção máxima (Summa Cum Laude e Medalha de Ouro). É licenciado em Teologia. Recebeu um Doutoramento “Honoris Causa” em 1978 da Universidade de Rhode Island e fez a Agregação em Ontologia na Universidade dos Açores em 1983. Para além de Professor do Seminário de Angra, foi Professor, Presidente do Conselho Directivo e Vice-Reitor da Universidade Católica; Professor da Universidade de Luanda; Professor do Instituto Politécnico da Covilhã; Reitor da Universidade dos Açores; Presidente do Conselho Municipal da Câmara de Ponta Delgada; Professor Catedrático da Universidade Aberta, tendo sido seu Vice-Reitor. Exerceu ainda muitos outros cargos. Fundou a página cultural do diário A União intitulada “O Pensamento”, o Instituto Açoriano de Cultura, o Movimento Regional “Semanas de Estudos nos Açores.” Foi designado em 1964 para presidir à primeira Comissão Promotora do Desenvolvimento Regional dos Açores. É muito vasta a lista das suas publicações, incluindo um livro de poemas.

Membro de várias associações açorianas: membro-fundador da Sociedade Científica da Universidade Católica Português, membro do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Sócio Honorário da Sociedade Brasileira de Filósofos Católicos. Membro honorário da Aula Castelão de Filosofia da Galiza. Membro do Prince Henry Society da Nova Inglaterra e membro do Clube Micaelense.

José Enes foi condecorado pelo Corpo Nacional de Escuteiros, com a Medalha de Ouro e Gratidão. Foi agraciado em 1964, pelo Chefe de Estado Português, com o “Oficialato da Ordem do Infante,” por serviços prestados a Bem da Nação no Arquipélago dos Açores. Em 1983 foi agraciado pelo Presidente da República com o Grau de “Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública.” Em 1992 o Município de Ponta Delgada concedeu-lhe o Diploma de Cidadão Honorário de Ponta Delgada. Em 1999 a Câmara Municipal das Lajes do Pico atribuiu-lhe o Título de Cidadão Honorário. Recebeu ainda a Medalha de Honra da Universidade Aberta, em 1994.

Foi um grande homem, um grande açoriano e um grande espírito da actualidade.

João Carlos Tavares, o Presidente da Casa dos Açores, abriu a sessão (…) O orador principal foi o Dr. Onésimo Almeida, antigo aluno do homenageado e seu amigo pessoal, que preferiu não fazer discurso, uma vez que a biografia do “Mestre” se encontrava à disposição dos presentes no Boletim da Casa dos Açores, mas chamou-o de “educador,” de “cérebro” das Semanas de Estudo de onde saiu o conceito da açorianidade, afirmando que entre os presentes e em muitos ausentes, estavam pessoas que foram tocadas pelo Dr. Enes.

Algumas mensagens foram lidas: Do Presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico, na qual referia que o nome de José Enes estava entre os maiores e os melhores no mundo das letras. A Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, também enviou uma mensagem, na qual dá a conhecer uma outra homenagem a prestar ao Dr. José Enes — uma Praça numa nova urbanização em Ponta Delgada, com o seu nome. O Presidente da Câmara Municipal do Nordeste, enviou um abraço do concelho, chamando ao Dr. Enes “um dos açorianos de maior relevo de sempre.”  Pedro Bicudo, jornalista da RTPi, que esteve presente, disse que cresceu com o nome do Dr. Enes (colega do pai) como referência. Que, como membro da Comissão de Estudantes da Universidade dos Açores, criticou o reitor, mas que sempre admirou o homem e o professor, tendo mais tarde modificado a sua opinião acerca do reitor, terminando dizendo que “Os Açores muito devem a este Mestre.” Manuel Estrela, antigo aluno do Dr. Enes, recordou factos passados entre os dois e leu uma mensagem de Heitor Sousa, outro antigo aluno, na qual afirmava: “Não posso esquecer a sua influência na minha vida...” Noutro passo, Sousa escreveu: “Alto (como a sua ilha) na estatura, mas essencialmente no espírito, o Dr. José Enes merece esta homenagem.”

Na sua apresentação, o Dr. José Enes recordou aspectos da sua vida, nomeadamente o esforço que foi preciso fazer para se conseguir um diálogo com a intelectualidade açoriana, necessário para uma organização que tentasse resolver o problema dos Açores, nomeadamente no campo da formação profissional. Daí surgiram as Semanas de Estudos e mais tarde, depois do 25 de Abril, a Universidade. “Tive a ideia, atendendo ao ambiente em Portugal e à nova situação de escrever ao General Altino Magalhães, no sentido de se criar uma universidade nos Açores, o que antes tinha sido impossível, pois julguei ser aquela a hora da universidade, e recebi com surpresa um telegrama em resposta, a dizer: ‘Siga e tudo o mais se resolverá.’ Cheguei a Ponta Delgada a 29 de Setembro de 1975, e aproveitamos o que havia sido feito anteriormente. Formaram-se comissões. Tudo correu com firmeza e ritmo, e em Janeiro de 1976 foi criada a Universidade dos Açores,” disse o Professor.

Recordando, o Dr. Enes continuou: “O que fiz nunca foi sozinho...” Mas volto hoje a estar preocupado com os Açores... O arquipélago perde população. Neste momento por mais que façam não há forma de avançar... Vejo na ‘Lusolândia’ uma comunidade activa, inteligente e poderosa...”

Talvez seja esta a solução para o problema açoriano...

E o “Mestre” finalizou: “Já nada posso fazer...”

Homenagem da Casa dos Açores da Nova Inglaterra.”

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publicado por picodavigia2 às 16:13

A PREFEITURA DE SÃO LUÍS GONZGA

Sábado, 03.05.14

A prefeitura de São Luís Gonzaga, no Seminário de Angra. nas décadas de sessenta, cinquenta e anteriores, vulgarmente designada por “Prefeitura dos Miúdos” ocupava toda a aula transversal do edifício, paredes meias com a Rua do Rego e dividia-se em dois andares. No piso superior tinham lugar duas camaratas, uma enorme e outra minúscula e os lavatórios. A separar as camaratas, uma porta sempre aberta, a seguir à qual, uma escadaria interior, que ligava a camarata pequena a um pequeno átrio, no piso inferior, ao lado do qual ficava o quarto do prefeito. Esse átrio comunicava com uma terceira e última camarata, destinada a uma parte dos alunos do quarto ano, à qual se seguia um enorme salão – o Salão de Estudo. Era também através daquele átrio que se tinha acesso à capela da Natividade, através do coro, que era de uso exclusivo dos “Miúdos” e dos Superiores que, de manhã, vinham ali celebrar missas umas atrás das outras, nos cinco altares que a capela disponibilizava, às quais os alunos, à vez e através da chamada por um toque de campainha, iam ajudar. Todas as janelas, quer as das camaratas quer as do salão de estudo, voltadas para Rua do Rego, estavam pintadas com tinta branca e trancadas de tal maneira que nunca se abriam nem deixavam ver para o exterior. As janelas das camaratas eram tapadas com reposteiros de veludo encarnado e os vãos daí resultantes eram utilizados como guarda-fatos. Como não havia porão e as camaratas eram muito largas os baús e as malas ficavam aos pés da cama de cada um.

No primeiro ano que demandei o Seminário de Angra, o prefeito era o padre Augusto Cabral que havia terminado o Curso de Teologia no ano anterior e o monitor, uma espécie de ajunto do prefeito, o José Alvernaz, que na altura frequentava o oitavo ano.

Afastados do resto do Seminário, não sendo permitido comunicar com os alunos das outras prefeituras, passávamos todo o tempo isolados no nosso espaço, apenas nos deslocando, para o refeitório, para o campo de futebol durante o recreio grande e para as aulas, a maioria localizada no piso inferior da ala oposta, embora geralmente, no terceiro ano, o meu curso frequentasse sala dez, entrincheirada entre a pequena sala de convívio dos Médios (antiga sala nove) e o palco, mesmo ali ao lado da cabra.

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publicado por picodavigia2 às 10:56

A FESTA DE SÃO TOMÁS DE AQUINO NO SEMINÁRIO DE ANGRA

Quinta-feira, 01.05.14

A maior festa realizada no Seminário de Angra era a de São Tomás de Aquino. Padroeiro dos filósofos e que era dinamizada e organizada pelos alunos do 1º ano do Curso de Filosofia, correspondente, na altura, ao 6º ano. Eram os debutantes da Filosofia que tinham a seu cuidado os preparativos no que à parte religiosa dizia respeito – um tríduo preparatório e a missa no dia da festa, sendo nesses dias a pregação feita pelos alunos do último ano de Teologia, já ordenados diáconos – mas também eram eles que organizavam uma sessão solene da academia Dr Manuel Cardoso do Couto, onde alguns alunos apresentavam os seus trabalhos, assim como as sabatinas que na década de cinquenta tiveram o seu apogeu. Nessa altura eram constituídas por duas partes, uma sobre Filosofia e outra sobre Teologia e abertas ao público. Para além dos corpos docente e discente do Seminário, participavam também os alunos de filosofia do Liceu de Angra, para tal convidados, presidindo à mesa da sessão, para além do reitor e do professor de Filosofia do Seminário, o reitor do Liceu e o director da Escola Industrial. Nestas sessões, os “melhores” alunos, uns sustentando a defesa duma tese outros negando-a como arguentes, debatiam, intensivamente, os meandros mais subtis da Escolástica e os enigmáticos mistérios da Teologia. Era também um dos alunos do 1º ano de Filosofia que tinha o privilégio de escrever um artigo publicado no jornal A União, nesse dia, enquanto outro, alternadamente com um aluno de Teologia, era o orador principal, no sarau solene, em honra de São Tomás e em que actuava o orfeão do Seminário. Por tudo isso era-lhes concedida uma semana de descanso, durante a qual, embora frequentando as aulas, estavam dispensados quer de chamadas orais quer de testes escritos, uma espécie de “semana da queima”.

Outra festa importante, embora não com a grandiosidade da de São Tomás de Aquino, era a de São José, padroeiro da “prefeitura” dos “Médios que tinha lugar no dia 17 de Março, também ela precedida de um tríduo preparatório, com pregação pelos diáconos que aguardavam a ordenação.

Quer a prefeitura dos Teólogos, quer a dos “Miúdos” também festejavam os seus padroeiros, o Coração de Jesus e São Luís Gonzaga, embora não o fizessem com a pompa e a grandiosidade quer da festa de São José quer, sobretudo, da de São Tomás de Aquino.

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publicado por picodavigia2 às 00:41

O REGRESSO DOS ESTORNINHOS

Terça-feira, 18.03.14

Angra hoje resplandeceu alegremente. De manhã cobriu-se e ornou-se com um Sol primaveril, transformando-a numa espécie de aguarela de sonho, de cor, de sabores e de perfumes, anos e anos, como que hibernados nas encostas do Monte Brasil, no Relvão, na Marginal, Pátio da Alfândega, à espera de que os “estorninhos” regressassem. E regressaram, alegres, felizes, menos atrevidotes, mais descarados, com o seu canto, com a sua poesia, devolvendo “à mui nobre, leal e sempre constante”, a glória e o esplendor de que se ufanava, nas décadas 50 e 60.

O segundo dia do “Congresso de Todas as Recordações” iniciou-se com um passeio ao Relvão, pelas ruas e vielas, outrora percorridas. Era dali perto das muralhas do Castelo de São João Batista que se gritava “Vá Lusitiania! Éverdade que os jogadores de tão longe que estavam não ouviam, as açulavam-se os adeptos do Angrense. Há quem se lembre ainda dos nomes de todos os jogadores de ambas as equipas. Depois o Relvão… Onde nos sentávamos a ver o Funchal. Também ao navio era vítima do incentivo “Entra Funchal, por essa doca dentro”. O Pátio da Alfândega já não é o que era. O regresso ao Seminário. De duas, uma: ou somos uns rapazes cheios de força e “ginica”, em melhor forma do que há 50 anos, ou alguém nos quis castigar. Então admite-se fazer um jogo de futebol depois de uma caminhada daquelas, E alguns em grande forma, sobretudo o José Costa, o único equipado a rigor. Alegando que era o melhor lugar para fotos, bem me pirei para varanda dos superiores, onde eles se postavam a ver-nos e onde eu nunca tinha estado. Que aquilo era embuste! Que o que eu queria era fugir do futebol!

De tarde um fórum de excelente qualidade” Um momento de reflexão profunda e de análise contagiante, com o Dr Álvaro Monjardim, numa belíssima comunicação lida pelo João Carlos que o autor estava ausente e uma reflexão feita pelo Dr Cunha de Oliveira. Excelente.

 Depois o epicentro do nosso devaneio! A recriação dos saraus músico-literários. Música, é verdade que ensaiada à pressa, mas executada com mestria. Por entre os números musicais, poemas de José Enes, Coelho de Sousa, Artur Goulart, Álamo Oliveira, Onésimo, José Costa e Urbano Bettencourt. Tudo gente da casa! No fim o momento mais sublime: o hino do Seminário cantado pelos de ontem e de hoje. O senhor Reitor, a irradiar uma simpatia contagiante. As suas palavras foram de grande carinho e gratidão. Para além das palavras, um pequeno gesto ainda mais eloquente: uma medalha comemorativa da nossa visita. É que este Seminário de agora, hoje mais do nunca parece andar à procura das suas origens e da sua génese formadora. Talvez tenha encontrado em nós um pouquinho dela.

 

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publicado por picodavigia2 às 23:54





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