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A APANHA O MILHO EM SÃO CAETANO

Segunda-feira, 07.04.14

Na freguesia de São Caetano, a economia baseou-se sempre numa agricultura de subsistência, em que um dos principais e mais importantes produtos cultivados era o milho, do qual dependia, em grande parte, a sobrevivência da população. O ciclo do milho, cultivado nos terrenos mais férteis e mais próximos das habitações, prolongava-se por etapas diversas e diferentes e abarcava tarefas múltiplas e diversificadas, ao longo de quase todo o ano. O que de mais importante se extraía do milho era a farinha, com a qual se fazia o pão e o bolo, elementos básicos na alimentação diária e, por isso mesmo, o milho era a base de sustento da maioria dos habitantes de São Caetano. Durante o mês de abril fazia-se a sementeira do milho à estaca ou em regos feitos com arado puxado por animais. Durante o seu crescimento tinham lugar, sucessivamente, outras tarefas, tais como sachar, desbastar, abarbar e quebrar a espiga, sendo esta guardada nos palheiros para alimento dos animais no inverno. Por sua vez o pasto que era cortado logo a seguir, servia para fazer a cama aos animais, transformando-se em estrume para ser utilizado nas sementeiras. Finalmente a apanha do milho, nos campos a abarrotar de maçarocas, após a qual eram transportadas em cestos, às costas ou em carros de bois para a loja da atafona, a fim de serem descascadas. Ao serão juntavam-se as famílias para descascar e amarrar as maçarocas que depois eram colocadas, umas vezes nas burras, feitas com paus de faia, outras nos tirantes das própria habitações. Era durante o desfolhar que os homens retiravam as folhas mais finas do interior da maçaroca, as quais guardavam para, mais tarde, nelas embrulhar o tabaco e “fazer” os cigarros. O dia de “apanhar o milho” era, pois, um dia de muito trabalho e de grande azáfama e canseira. Mas como geralmente aos trabalhos duros e pesados o povo dava sempre um certo sentido de alegria, este dia também se tornava, de alguma forma, numa espécie de dia de festa. Homens e mulheres muniam-se de cestos que eram colocados, estrategicamente, em pontos diversos, ao longo do terreno. Enquanto iam arrancando as maçarocas dos pés do milho com perícia e destreza, atiravam-nas para dentro dos cestos, até os encher por completo. Muitas terras ficavam longe do caminho e a elas tinha-se acesso apenas por canadas ou veredas muito estreitas e sinuosas, onde os carros de bois não passavam. Era aos mais jovens, mais robustos e mais fortes que competia a tarefa de acarretar os enormes e pesados cestos a abarrotar de maçarocas, até à atafona, onde eram despejadas e onde ficavam aguardando que ao serão se juntasse a família, os parentes, os amigos e os vizinhos para, num ambiente de alegria e folguedo, as descascar e amarrar.

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publicado por picodavigia2 às 10:24





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