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A CAIXINHA MÁGICA DA SENHORA MADALENA

Sexta-feira, 14.08.15

A Senhora Madalena vivia na Ponta e era filha do Senhor Afonso, o mais abastado comerciante daquela pequena localidade pertencente à freguesia da Fajã Grande. Depois da morte do pai, o negócio na Ponta como que entrou em decadência e a Senhora Madalena, algum tempo depois de casar decidiu mudar a sua residência para a Fajã, embora ela e o marido continuassem a trabalhar as propriedades que tinham na Ponta, para onde se deslocavam quase todos os dias. Mas a dona Madalena tinha o gene do negócio que lhe havia sido transmitido pelo pai e, ao fixar residência na Rua Nova, alugando uma casa apalaçada que existia naquela artéria, mais pequena rua da Fajã Grande, decidiu montar negócio ali por perto, fazendo frente aos quatro comerciantes existentes na freguesia: a Senhora Dias, Martins & Rebelo sob a orientação do Senhor Roberto, a Firma sob a orientação do Senhor António Augusto e a Senhora Bernadete. Para tal adquiriu um terreno nas traseiras da Casa do Espírito Santo de Baixo no qual construiu, junto à empena sul e atrás do fontanário ali existente, um pequeno edifício exclusivamente dedicado ao comércio. O negócio da Dona Madalena floresceu, fazendo frente aos dois gigantes, a Senhora Dias e Martins & Rebelo, enquanto a Senhora Bernadete e a Firma enfraqueciam a olhos vistos.

Na sua loja a Senhora Madalena vendia de tudo e até da Ponta vinha gente ali fazer as suas compras. Aliás, a dona Madalena não se poupava em simpatia, disponibilizando a todos muita atenção e muito carinho, transformando tudo isso numa profícua bandeira publicitária, condição inequívoca para o notório crescimento do seu negócio.

Mas o que de mais interessante e apelativo, para a ganapada e não só, a Dona Madalena tinha no seu, na altura, moderno estabelecimento comercial era uma curiosa e quase mágica maquineta, sempre disponível a todos os clientes e visitantes. Quem pagasse meio escudo tinha direito a dar um furo com um pauzinho numa espécie de ecrã de uma caixa cheio de números. Ao escolher um número, o interessado que pudesse esbanjar cinquenta centavos, dava um furo e saía, por baixo, uma bolinha de uma determinada cor. Era esta cor que decidia o chocolate a que o cliente tinha direito. Uns chocolates eram muito pequeninos, mas iam crescendo, crescendo até um único, muito grande, embrulhado em papel dourado e que toda a gente almejava que lhe saísse. Não se sabia como, mas ou a dona Madalena ou a própria caixa possuía um truque que retardava a saída do chocolate grande, pois só assim se mantinha o interesse em ir dando os furos sucessivos, na mira do saboroso chocolate gigante. Como a escola primária ficava ali ao lado, na Casa do Espírito Santo, nos recreios a dona Madalena bem incentivava a ganapada:

- “Meninos, venham dar um furinho.”.

O problema, no entanto, é que a maioria da criançada nunca tinha os cinquenta centavos para dar o furinho na caixinha mágica da Dona Madalena.

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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