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A CANADA DA CABACEIRA DE BAIXO

Sábado, 10.05.14

Poucos se lembrarão dela. Decerto que se perdeu no tempo e nas memórias. Para além de exígua, esconsa e pedregulhenta, dava acesso apenas a terrenos de dois ou três proprietários, um dos quais era a velhinha Tia Maria Inácia, que a percorria quase todos os dias, na demanda de uns garranchos de lenha para acender o lume. Ali, na Cabaceira de Baixo, pelo menos nas terras mais afastadas do caminho e a que se tinha acesso, exclusivamente, pela canada com o mesmo nome, pouco mais existia do que incensos, faeiras, loureiros e um ou outro pau branco.

A Canada da Cabaceira de Baixo iniciava-se no caminho que ligava Santo António aos Lavadouros, logo a seguir à recta do Delgada e após uma pequena curva, precisamente na fronteira entre o Delgado e a Cabaceira. Era constituída por duas pequenas rectas. Uma primeira, como que a ligar o Caminho a uma terra que meu pai ali possuía e uma segunda, mais pequena e obliqua à primeira e que dava acesso a mais duas ou três pequenas propriedades.

Ladeada por árvores frondosas, centenárias, que a cobriam com uma sombra permanente e excelsa, delineada por baixas paredes recobertas de musgos e eras, atapetada com coicéis, fetos e erva-santa, a ocultarem a rudez do piso e as agruras dos pedregulhos aguçados e toscos, a Canada da Cabaceira de Baixo possuía uma sublimidade inexaurível, uma frescura inebriante, proporcionando, a quem por ali transitava, um caminhar envolvente, misterioso e sonhador.

Hoje, perdida, esquecida, inacessível, talvez mesmo inexistente, nem aspira a ser um mito.

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publicado por picodavigia2 às 10:24





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