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A FAEIRA DO REGEDOR

Quinta-feira, 16.06.16

Depois de ser apurado nas sortes, o Luís da Aninhas, filho de um abastado comerciante das Lajes, no Carvalho de setembro, partiu para Angra e assentou praça no Quartel da cidade. Mulherengo, boémio e gastador, o jovem recruta, sempre que lhe era dada folga, passava as tardes e as noites, bebendo, divertindo-se e frequentando casas de prostitutas.

Não demorou muito esta loucura estouvada e em janeiro seguinte deu entrada no hospital de Santo Espírito, sendo-lhe diagnosticada uma pneumonia. Aconselhado pelo médico que o assistiu pediu baixa da tropa, sendo dispensado de completar o serviço militar a que estava obrigado. De regresso às Flores, com a denoda intenção de se curar, decidiu passar uma temporada na Fajã Grande, em casa de um primo, em busca de ar puro, sossego, descanso e tranquilidade a fim de evitar que a doença evoluísse para uma tuberculose que, por certo, lhe seria fatal.

Quando o Luís chegou à Fajã, aquartelou-se na casa do primo, o regedor da freguesia, encantou-se e perdeu-se de amores pela filha de um vizinho do regedor, um pobretanas, sem eira nem beira, que morava numa pobre e pequena casa em frente. Em breve o emérito recruta se apaixonou loucamente pela moça, sendo correspondido por ela.

Decididos a viver o seu grande e louco amor, Luís e Isabelinha tiveram que enfrentar muita resistência, não só por parte do primo regedor mas também e sobretudo pelos pais que se deslocaram à Fajã para demover o rapaz de tão grande loucura. Além disso, desde há muito que Isabelinha fora prometida em casamento pelos pais. Era noiva do Leonardo, um brutamontes de má catadura que para além de teimoso era desajeitado e coxo.

Ameaçados de morte por Leonardo, deserdados pelo pai do rapaz, postos na rua, ele pelo regedor e ela pelos progenitores, Luís e Isabelinha abandonaram a ilha e partiram para a América. Poucos dias depois o corpo de Leonardo foi encontrado suspenso numa enorme faeira, numa terra de mato que o regedor possuía no Pocestinho.

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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