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A FAJÃ DOS FANAIS

Domingo, 17.08.14

Os Fanais era o lugar da Fajã Grande situado mais a norte da freguesia, paredes meias com Ponta Delgada. Era ali, entre o mar e a falésia, que se situava uma pequena fajã com o mesmo nome e que, apesar de ser muito pequena e bastante isolada, era uma das mais bonitas e mais interessantes fajãs da ilha das Flores, sendo, também, uma das de mais difícil acesso. Situava-se na costa oeste da ilha, entre o ilhéu de Maria Vaz e uma encosta rochosa e abrupta que conduzia aos matos da Ponta e de Ponta Delgada. A Fajã dos Fanais era também um local histórico, lendário e mítico porquanto era ali que a maioria das baleeiras americanas que nos finais do século XIX, demandavam a ilha na procura de água, de víveres e de homens, se escondiam. Muitos aventureiros oriundos da Fajã, da Ponta e de Ponta Delgada, desciam por aquelas encostas, com caniços e aparelhos de pesca às costas, enganando a guarda costeira que, assim, cuidava que iam para ali pescar. Eles, porém, misturando-se e confundindo-se com os marinheiros das baleeiras que vinham a terra encher água nas ribeiras e grotas que ali corriam, depressa saltavam para as embarcações, escondidas por fora do ilhéu, conseguindo assim partir, iniciando a maior aventura das suas vidas – a fuga para a América.

Para chegar a esta fajã devia partir-se da Ponta, subir a rocha e, após uma caminhada através das pastagens dos matos, paralelas          às relvas da Caldeirinha, descer por entre grotões e valados até chegar à beira da rocha, de onde se avistava não apenas o ilhéu, mas também a enorme baía que o ladeava, assim como, a norte, o promontório do Albarnaz. Lá ao longe o Monchique e ainda mais longe e mais a norte, o Corvo.

Ao chegar à beira da rocha os que demandavam aquelas paragens, iniciavam uma descida, difícil, íngreme e perigosa que os conduzia até à pequena fajã, ora ladeando uma queda de água denominada Ribeira da Francela, com a sua nascente bem lá no alto e no interior da ilha ora entricheirando.se entre fetos, cana rocas e pequenos arbustos, ao mesmo tempo que desfrutavam de autênticos e variados miradouros, debruçados sobre uma falésia.

Não consta que está fajã tenha sido, em tempos idos, uma localidade com vida própria como a Fajã de Lopo Vaz ou a dos Valadões, onde durante muitos séculos, viveram muitas famílias, muitas permanentemente outras, apenas, durante alguns meses no ano.

A fajã dos Fanais, um lugar idílico e de rara beleza, era atravessada pela ribeira da Francela que, atravessando-a de leste para oeste, desaguava no oceano. A seu lado, muitos deles seus afluentes, corriam na direcção do mar, uma infinidade de pequenas ribeiras e grotas, tornando-a muito abundante em água, criando assim para florescerem ali belos inhames de água e excelentes agriões. Era também considerado um excelente lugar para a pesca, sobretudo de vejas e para a apanha de lapas, que se diziam serem muito abundantes e grandes como a palma da mão.

Muitos homens desciam à fajã dos Fanais para ir pescar, sendo que alguns para ali se deslocavam em pequenos barcos a remos, quer oriundos da Fajã Grande quer de Ponta Delgada. É que a fajã da Francela tinha excelentes pesqueiros, onde, para além das vejas se pescavam sargos, a moreias, moreões preto, etc. Mas o que mais se apanhava naqueles descampados e sobretudo no ilhéu eram lapas e caranguejos.

Muitas aves também viviam por ali, sendo as mais frequentes cagarras, gaivotas, ganhoas, pombas e um ou outro milhafre.

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publicado por picodavigia2 às 09:35





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