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A FILHA DO LAVRADOR

Domingo, 01.02.15

(CONTO POPULAR)

Num país muito distante havia um príncipe que todas as manhãs se vinha sentar à varanda do seu quarto. Ali ficava, durante algum tempo, pois dali via a filha de um lavrador que morava perto. A rapariga, apesar de pobre e humilde, era senhora de uma beleza rara.

De longe,  o príncipe saudava-a:

– Bons dias vos dê Deus.

A menina, embora um pouco tímida e vergonhada por receber aquela saudação de um príncipe, retorquia, meigamente:

– E a vós, real senhor.

Certo dia o principe desceu as escadas do seu palácio, aproximou-se da jovem e convidou-a para ir com ele a uma grande feira anual, que se realizava numa cidade vizinha da capital do reino.

A menina, para grande tristeza do príncipe, recusou o convite. Porém, sem que ele soubesse, pediu licença ao pai  a fim de que a deixasse ir, sozinha, aquela feira. Havia de se encontrar lá com umas amigas. O pai, embora renitente ao início, perante a insistência da rapariga, acabou por anuiuir e ela lá foi, partindo de véspera. Como sabia qual a estalagem onde o príncipe havia de hospedar-se resolveu esconder-se no quarto onde o príncipe havia de pernoitar. Os donos da estalagem, no entanto, deram conta e, quando avisaram o príncipe de que estava ali uma mulher à espera dele, ele nem respondeu. Entrando no quarto, viu uma moça muito linda, mas não a conheceu. Apagou a luz e ficaram toda a noite juntos. Pela manhã muito cedo ela arranjou-se para partir, e o príncipe perguntou-lhe o que é que ela queria como lembrança e recompensa daquela maravilhosa noite, que tinham passados juntos. A rapariga pediu que lhe desse a sua espada. O príncipe não teve remédio senão dar-lha.

Passados dias, o príncipe, da janela do seu quarto, ao ver, de novo, a filha do lavrador, saudou-a como habitualmente:

– Bons dias vos dê Deus.

– E a vós também, real senhor. – Retorquiu a menina.

Passado um ano, na véspera da romaria, o príncipe voltou a perguntar-lhe:

– Então a menina não vai amanhã à romaria, para se encontrar lá comigo?

Ela disse-lhe que não, mas repetiu o que fizera no ano anterior. Partiu adiante dele, entrou na estalagem e ficou no quarto onde o príncipe iria dormir aquela noite. No entanto, a rapariga tivera às escondidas um menino, que estava a criar sem que ninguém soubesse e era muito parecido com o príncipe. Voltaram a passar uma maravilhosa noite juntos, sem que o príncipe a conhecesse. Pela manhã, o príncipe disse-lhe que pedisse o que quisesse. Ela pediu que lhe desse o cinto que usava.

A rapariga voltou a ter mais um menino que, como o primeiro, criou às escondidas.

Por fim, foi ainda uma terceira vez convidada pelo príncipe para ir à feira, voltando a passar mais uma noite com o príncipe sem que ele se apercebesse de que era a filha do lavrador, a sua vizinha. Desta vez também ele também lhe perguntou o que é que ela queria, e a moça pediu-lhe o relógio. Voltou a engravidar mas desta vez teve uma menina, que criou, às escondidas, junto com os outros dois filhos.

Passado algum tempo o príncipe encontrou-a e disse-lhe:

– Vou-me casar e gostava que viesses à minha boda.

Ela disse que não, mas no dia do casamento entrou pelo palácio dentro com os três meninos, um com a espada, outro com o cinto e a menina com o relógio. Deixaram-na entrar, e ela sentou-se à mesa com as crianças. O príncipe conheceu aquelas três prendas que dera, sem saber a quem, e apercebeu-se, então, de que os meninos eram parecidos consigo e que eram seus filhos. No fim do jantar levantou-se para fazer um discurso. Admirados todos se calaram O príncipe, muito comovido disse:

– Um dia um homem perdeu uma chave de ouro e arranjou uma de prata para servir-se, mas aconteceu que, passado algum tempo, encontrou outra vez a chave de ouro que tinha perdido. Agora quero que os senhores me digam com qual delas se deve servir, daqui em diante, aquele homem, se da chave de ouro ou se da de prata?

Disseram todos, unanimente:

– Da chave de ouro! Da primeira.

O príncipe levantou-se e foi buscar a filha do lavrador, que estava a um canto da mesa, juntamente com as crianças e disse:

– A esta é que eu tomo por esposa e estas crianças são meus filhos. Tudo isto eu tinha perdido mas encontrei agora.

A festa continuou muito alegre. O príncipe e a filha do lavrador, juntamente com os seus filhos, viveram muito felizes.

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publicado por picodavigia2 às 00:34





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