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A FORÇA DO VENTO

Quinta-feira, 27.08.15

A noite passada, apesar de estarmos ainda em pleno verão, o vento soprou forte, na ilha do Pico. Choveu torrencialmente e o mar, muito tranquilo nos dias anteriores, enfureceu-se e embraveceu, de forma enigmática. Esta inesperada alteração atmosférica, que em termos de chuva foi muito benéfica para os campos, trouxe-me à memória uma estória que se contava antigamente. Contava o povo na sua pura, genuína e inefável sabedoria, tentando explicar com lendas e mitos o que a ciência não lhe permitia entender que, quando Deus criou o mundo, o mar consciente de que era o maior, o mais forte, o mais poderoso e com anseios de tudo querer domar, pretendia que fosse ele a governar não apenas a terra mas também o universo, incluindo o Sol, a Lua, as estrelas, a chuva e até o vento. Todos aceitaram e se submeteram à força e grandeza do oceano. Todos, exceto um, o vento. Este na verdade, ao aperceber-se de tão estranhos e presumidos anseios, opôs-se, servindo-se para tal da enorme força com que Deus o dotara. Assim para contrariar a estúpida vontade do mar ou soprava com tanta violência que destruía tudo e transformava o mar num temível gigante de terror que devastava tudo o que nele navegava ou então parava-o de todo, retirando-lhe a força e a vontade de fazer o que quer que fosse. O mar, sentindo uma enorme aflição, por quanto de mal o vento lhe fazia, foi pedir à Lua que impedisse de ter que se sujeitar aos caprichos do vento e de ser governado por ele. A Lua respondeu que nada poderia fazer, porque o vento, na verdade, era muito forte, colérico e intratável, mas que iria pedir ao Sol que atendesse aos seus lamentos e pedidos. Assim o fez. Mas o Sol também se escusou, reconhecendo que nada poderia fazer contra tamanha força como era a do vento. E assim ficou tudo como Deus criara no início. Por isso o vento manteve o seu estatuto de ser mais forte e mais violento da criação, que sopra quando quer e com a força que quer, assustando não apenas a terra mas também o próprio mar e tudo quanto numa e noutro existe.

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publicado por picodavigia2 às 00:57





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