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A GALINHA ESTOUVADA

Terça-feira, 20.01.15

Era ma vez uma galinha que, apesar de parva como são todas as galinhas, diferenciava-se de todas as outras por ser muito estouvada. Saltava da cerca com facilidade, pulava para os currais dos vizinhos, depenicava as sementeiras e punha os ovos onde bem queria e entendia. Numa palavra, nunca parava em ramo verde. Pior do que isso, para além de comer os seus ovos ainda depenicava e dava cabo dos das companheiras.

Certo dia, a dona farta de tanta leviandade e tanta estroinice que punha, permanentemente, o galinheiro em alvoroço que até parecia contagiar as outras galinhas, até então sempre mansas e submissas, resolveu enterrar, no meio do curral, uma estaca a que prendeu uma corrente com um suevo a meio, à qual amarrou a galinha por um dos pés. Assim o mundo da galinha, outrora tão grande e amplo ficou reduzido a um pequeno círculo onde ela, mesmo esticando o pé, podia chegar Ali, permaneceu dia e noite, meses a fio, cacarejando, ciscando, comendo, dormindo e pondo os ovos. De tanto andar, de tanto ciscar, de tanto depenicar formou-se, ao redor da estaca um círculo perfeito e muito bem delineado.

Passado algum tempo, a dona, cuidando que a galinha já se tinha emendado das suas estroinices e estravagâncias resolveu soltá-la, deixando-a livre. Reparou, então, que ela, apesar de solta, não saía do círculo que ela própria havia desenhado durante o seu cativeiro. Só circulava dentro do seu limite imaginário. Olhava para o lado de fora mas não tinha coragem suficiente para se aventurar a ir até lá. E assim foi até ao fim dos seus dias.

 

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publicado por picodavigia2 às 14:37





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