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A IGREJA DA SENHORA DO CARMO DA PONTA

Terça-feira, 11.02.14

Situada bem lá no alto de uma pequena colina, sobranceira ao povoado, quase entre as últimas casas da Ponta e muito próxima da rocha, ficava a igreja da Senhora do Carmo, como diz G. Monterrey “esbelta na sua própria singeleza”. Altiva e imponente, embora simples e modesta, era ela que servia de local de culto ao povo da Ponta. Todas as celebrações litúrgicas ali tinham lugar, excepto as do Baptismo, do Crisma e a Comunhão Solene das Crianças. A administração destes Sacramentos era feita na Igreja Paroquial, juntando todas as crianças da freguesia, excepto o Baptismo que na altura era celebrado individualmente, embora em tempos idos, ali tivessem sido realizados.

A igreja, que tem como padroeira a senhora do Carmo, ficava implantada num adro nivelado, com acesso apenas por uma escada de degraus de pedra, voltados a Noroeste. O edifício é composto pelo corpo da nave, pelo corpo mais estreito da capela-mor, pela torre sineira que encosta, do lado esquerdo, à face da fachada e pelo corpo da sacristia que encosta à fachada lateral esquerda da capela-mor.

A fachada principal, a que se liga a torre sineira, é enquadrada pelo soco, pela própria torre sineira, pelo cunhal direito e por uma cornija que acompanha a inclinação das águas da cobertura, terminando a parte superior em forma triangular, encimada por uma cruz. Tem uma porta principal, em duas metades, encimada por um arco de volta inteira assente em impostas e duas janelas, em posição simétrica, situadas ao nível do coro que se sobrepõem logo na entrada do templo e delimitado por uma grade rectilínea. No eixo, acima das janelas, há um óculo circular, divido em pequenos vidros. Igualmente, por cima da porta de entrada, há uma pequena moldura rectangular que enquadra a inscrição "A. EGREIJA / D.N.S.D.C. / D.P.F.IDF. / N. ANNO. D. / 1898" , cuja leitura deverá ser a seguinte: A igreja de Nossa Senhora do Carmo da Ponta foi edificada no ano de 1898. Nesta altura era pároco da Fajã Grande o padre Alfredo Mariano de Sousa.

A torre sineira é composta por duas secções. A inferior é rematada pelo prolongamento horizontal da cornija de remate da fachada e tem um óculo em losango ao nível do baptistério. A secção superior assenta na cornija e tem dois vãos de sino rematados em arco de volta inteira assente em impostas: um na fachada principal e outro na fachada lateral esquerda. É rematada por uma cornija com um pináculo em cada vértice e encimada por um coruchéu hexagonal. Todos os vãos exteriores e interiores restantes são rematados em arco de volta inteira. Na parte inferior da fachada principal, a torre tem uma janela em forma de losango. A parte superior, a que se tem acesso por uma escadaria de pedra, tem janelas em cada uma das faces, mas apenas duas têm sinos.

A entrada principal da nave está protegida por um guarda-vento sobre o qual se situa o coro alto, em madeira, cujo acesso se faz do lado da epístola por uma escada em "L" também de madeira. Do lado do evangelho há uma porta de acesso ao piso térreo da torre sineira onde fica um pequeno baptistério, raramente utilizado. O acesso aos restantes pisos da torre sineira faz-se por uma porta no coro alto do lado do evangelho. Ao centro, em cada uma das paredes laterais da nave, há uma porta de comunicação com o exterior, ladeada por janelas ao nível superior. Do lado do evangelho, entre a porta lateral e o arco triunfal situa-se um púlpito com guarda em madeira pintada, sendo a consola (em forma de mísula gigante) e a escada de acesso em madeira envernizada. O corpo da capela-mor é acessível por um degrau de pedra onde assenta o arco triunfal. O acesso interno à sacristia faz-se por uma porta na capela-mor do lado do evangelho. A capela-mor tem um retábulo em talha pintada de sabor revivalista. Tanto o tecto da nave como o da capela-mor são em madeira a imitar abóbadas de berço. Por trás do altar mor existe um camarim que funciona como local de armazenamento de algumas alfaias e utensílio litúrgicos e objectos relacionados com a ornamentação e limpeza do templo.

O edifício é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco, excepto o soco, os cunhais, as cornijas, as molduras dos vãos e os pináculos que são em cantaria à vista. As coberturas são de duas águas em telha de aba e canudo com beiral simples, excepto no corpo da sacristia que é de uma só água. 

Na capela mor para além da imagem da padroeira estavam colocadas outras imagens, entre as quais a de São José, e no corpo da igreja, que não possui altares laterais, as da Senhora de Fátima e a do Coração de Jesus.

A igreja da Ponta foi construída em 1898. Contava-se que a sua construção se havia devido ao empenho e vontade do padre Henrique Augusto Ribeiro, padre natural dos Cedros e que deixou o seu nome ligado à construção de outras igrejas na ilha das Flores. A construção do templo ter-se-á iniciado cerca de três anos antes. Até 1922 a igreja da Ponta esteve provida de um sacerdote residente, pois ali existia um passal. O primeiro cura da Ponta foi o padre José Leal Furtado que ali permaneceu desde a edificação do templo até 1906, altura em que foi substituído pelo padre Alfredo Augusto Meneses e Santos, que ali permaneceu apenas durante dois anos. Nos dois seguintes o curato esteve a cargo do padre José Furtado Mota. O último cura da Ponta foi o padre Francisco José Gomes que ali permaneceu desde 1909 até 1922.

A igreja da Ponta teve obras de beneficiação em 1971, altura em que foi construída o novo adro e a actual escadaria.

 

NB – Parte destes dados foram retirados do Inventário do Património Imóvel dos Açores

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publicado por picodavigia2 às 12:04





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