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A LENDA DA ANTIGA PONTE DA RIBEIRA GRANDE

Quarta-feira, 22.01.14

Contava-se, noutros tempos, uma lenda que, de tão antiga, na década de cinquenta, quer na Fajã Grande quer na Fajazinha, já quase ninguém se lembrava dela. Dizia-se que uma ponte que terá existido, antigamente, sobre a Ribeira Grande, foi construída pelo diabo e, apenas, durante uma noite.

Segundo a lenda um rapaz da Fajã, chamado Inácio, ao atravessara Ribeira Grande, numa noite de grande tempestade, quase se afogou, quando levado pelo forte caudal da ribeira teve que se atirar à água e tentar passar a nado para a outra margem. Pretendia ele ir visitar a sua namorada que vivia na Fajãzinha, mas como não havia nenhuma ponte que unisse as duas margens e permitisse que os transeuntes atravessassem a ribeira em segurança, sobretudo em dias de forte caudal, teve que a atravessar a pé e a nado. A rapariga chamava-se Marília e era filha do capitão Gervásio de Fraga e de sua mulher Jesuína de Jesus e era muito bonita e inteligente. Como a casa do capitão ficava do lado norte da Fajãzinha, perto da Ribeira Grande e como a moça já estava à janela de vigia, à espera de Inácio, assustada com aquele temporal, ao ouvir gritos de agonia, percebeu logo que eram do seu bem-amado e, dando-se conta de que havia acontecido alguma desgraça, instintivamente, prometeu a sua alma ao diabo em troca dele construir, de imediato, uma ponte para ela poder atravessar a ribeira, salvar o seu namorado ou, pelo menos, ver o seu corpo, mesmo que estivesse já morto.

E eis senão, quando Lúcifer lhe apareceu e confirmou, conforme o pedido, que o faria a ponte, mas em troca da sua alma. Marília, agora já arrependida do que prometera e muito apavorada com o que lhe poderia acontecer, enchendo-se de coragem, enfrentou-o e pôs-lhe uma condição, que o diabo, temendo perder aquela alma, aceitou de bom grado: que a ponte teria que estar concluída antes do cantar o galo no curral do vizinho, pois não queria que as pessoas conhecessem a verdade e soubessem que fizera um pacto com Satanás. O diabo começou, de imediato, a construção da ponte mas quando o galo cantou ainda faltava construir um pequeno pedaço, do lado da Fajã, mas isso não impediu que Marília pudesse atravessar para a outra margem da ribeira e salvar o seu amado. Mas porque não cumpriu exactamente o combinado, o demónio não pode possuir a alma dela, e assim a rapariga não só fugiu às garras de Satanás, como também salvou o seu namorado, com quem casou, algum tempo depois e, como reza a lenda, viveram muito felizes para sempre.

Quanto à ponte, consta que uma enorme enxurrada, pouco dias depois, a derrubou, desfazendo-a para sempre, pois era “obra do diabo”.

 

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publicado por picodavigia2 às 09:14





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