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A LENDA DA CRUZ DA CALDEIRA

Quarta-feira, 04.07.18

Muitas eram as “estórias” misteriosas, enigmáticas e assustadoras, supostamente verídicas e acontecidas aqui ou além, em tempos idos, por toda a ilha das Flores que se contavam aos serões em que as pessoas se juntavam nas casas umas das outras para conversar e jogar às cartas mas também e sobretudo para se ajudarem reciprocamente nas tarefas agrícolas e domésticas, como era o caso do “encambulhar” e descascar o milho, ou cardar e fiar a lã. Uma das mais repetidas e frequente era da “Cruz da Caldeira”

Rezava mais ou menos assim a dita cuja: Certa noite na Caldeira um grupo de pessoas, uns da Caldeira outros Fajazinha, faziam serão numa casa da Caldeira, descascando milho. Conversa daqui, conversa dacolá e o assunto à balha foi o do medo de andar pelos caminhos à meia-noite e sobretudo o de assobiar a essa hora, coisa que ninguém era capaz de fazer. Era crença comum entre o povo de que a meia-noite era a hora do diabo e quem assobiasse àquela hora corria sérios riscos de ser levado pelo “Cão Preto” para as profundezas do abismo.

Foi então que um homem, com ar de valentão e muito “anamudo” apostou com os outros que, à meia-noite em ponto, ia à Quebrada da Muda, junto à Ribeira de António Luís, dar três assobiadelas, precisamente quando batesse a meia-noite. Os outros que ele não ia, ele que ia. Aposta combinada e lá foi. Ficaram todos calados, cheios de medo e à espera dos assobios. À meia-noite em ponto ouviram o primeiro muito forte. Logo a seguir, ouviram o segundo muito fraco e já nem ouviram o terceiro. Ficaram todos apavorados. Alguns ainda pensaram em ir à ribeira mas não tiveram coragem. Ninguém dormiu naquela casa, durante o resto da noite, à espera do homem que nunca regressou. De madrugada foram à ribeira procurá-lo mas viram apenas restos de sangue, percebendo então que teria sido arrastado pelo Diabo para um enorme buraco que havia na ribeira. Procuraram-no por todo o lado, mas o homem nunca mais apareceu. Esse terá sido o motivo pelo qual foi construída uma cruz, a Cruz da Caldeira, que ainda hoje existe, precisamente no sítio onde foi encontrado o primeiro sangue, e que se situa no antigo caminho entre a Caldeira e a Fajãzinha, antes da descida da Rocha dos Bredos, sobre o vale da Fajãzinha.

 

Um outro conto do mesmo livro e que desperta a atenção é o último com o título de “Nota Única”, onde narra a “estória da Asiladinha da Assomada” e que dedica ao seu “amigo e irmão (no sacerdócio) Francisco Vieira Bizarra”, nessa altura pároco na Fajã Grande. Atendendo que Nunes da Rosa dedica cada um dos seus contos a uma personagem, como ao Visconde Borges da Silva, a Marcelino de Lima, a Cónego Amaral, etc, apenas ao Padre Bizarra o faz nestes termos, o que significa que terão convivido bastante e que Nunes da Rosa terá visitado a Fajã Grande com muita frequência.

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publicado por picodavigia2 às 00:24





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