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A LENDA DA MULHER DE BRANCO

Quinta-feira, 07.05.15

Contava-se que antigamente, assim como aparecia uma mulher com pés de cabra na Ladeira das Covas, também, para os lados da Pedra Vermelha, no caminho que dava da Cancelinha para o Tufo da Cuada, de vez em quando, aparecia uma mulher, esta com pés normais mas vestida de branco. Pelos vistos, assim como a da Ladeira das Covas, ninguém conseguia falar com ela, pois a mulher de branco, logo que via alguém aproximar-se, fugia a sete pés, como se fosse um relâmpago, desaparecendo, de imediato, por entre matas e silvados. Segundo uma antiga lenda que se contava na Fajã Grande (se não se contava devia contar-se), esta mulher, quando era nova apaixonou-se, loucamente, por um pescador. Certo dia, o pescador saiu para o mar, na sua faina diária, a fim de pescar, prometendo-lhe, no entanto, que ao voltar, haviam de se casar, na ermida que existia no povoado. A mulher ficou tão feliz e tão entusiasmada que logo se vestiu com as roupas de noiva. Depois correu para o Porto e sentou-se sobre uma pedra, junto ao mar, esperando por aquele com quem havia de casas naquele dia e que havia de ser o seu marido. Esperou dias e noites mas o seu apaixonado nunca regressou da faina da pesca. Nem naqueles dias, nem nos dias seguintes, nem nunca mais. Como durante aqueles dias não acontecera nenhuma tempestade que lhe virasse o barco e ele morresse e como também não poderia fugir para outra ilha num barco tão pequeno, nem passasse por ali nenhum navio que o levasse, cuidou-se que o mais certo seria uma sereia o ter enfeitiçado e levado consigo para o fundo do mar. A mulher, percebendo que o futuro marido, nunca mais havia de regressar, ficou tão desesperada e furiosa que enlouqueceu, indo refugiar-se para as bandas da Cancelinha, nunca mais despindo as suas roupas brancas, de noiva. Desde então, passou a ser vista por aqueles caminhos e canadas, caminhando por aqui e além, na procura de frutos e de raízes silvestres com que se alimentava, transformando-se, ao que o povo dizia e, pelos vistos, acreditava, numa feiticeira.

 

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publicado por picodavigia2 às 09:24





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