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A LENDA DAS BANDEIRAS DO SENHOR ESPÍRITO SANTO – UMA BRANCA OUTRA VERMELHA

Quinta-feira, 13.02.14

Contava-se antigamente, na Fajã Grande, uma lenda, segundo a qual, há muitos, muitos anos a população da maioria dos povoados da ilha das Flores tinha caído numa grande falta de respeito para com o seu semelhante: havia desavenças contínuas, zaragatas permanentes, guerrilhas diárias e todo o tipo de abusos, assaltos, roubos e faltas de respeito. Nas igrejas, nos púlpitos e ambões os padres pregavam contra tais depravações e maus costumes, pedindo, aos fiéis, penitência e arrependimento, ao mesmo tempo que anunciavam castigos e punições divinas, eminentes. Mas o povo não se ralava e muito menos se emendava. Pelo contrário, continuava com os seus abusos e desavenças, maltratando-se e insultando-se todos, uns aos outros.

Certo dia levantou-se uma grande tempestade, que aos poucos foi aumentando até se transformar num terrível e gigantesco ciclone. Começaram a soprar ventos fortíssimos, acompanhados de trovoadas medonhas e de chuvas intensas e diluvianas. Toda a ilha era completamente fustigada por aquele terrível temporal, temendo-se que havia de destruir tudo o que de construção humana existia na ilha. Uma tragédia como nunca se vira. Parecia o fim do mundo! As pessoas assustadíssimas e sem saber como se protegerem, cuidavam que aquilo era o castigo anunciado pelos padres, para os punir pelos pecados que tinham cometido anteriormente.

Como a intempérie não cessasse e a segurança do povo e dos seus haveres cada vez mais periclitasse, muitas pessoas começavam a chorar, a rezar e a pedir perdão a Deus. Impotentes, perante a força temível daquele flagelo, uns cuidavam que era o fim dos seus dias, enquanto outros desorientados, corriam de um lado para o outro numa tentativa vã de encontrarem abrigo e de se salvarem. Foi então que um frade eremita, que vivia isolado dos povoados, numa pequena e pobre choupana, muito religioso e temente a Deus, pegando na coroa do Divino Espírito Santo que se encontrava no altar duma pequenina igreja, saiu com ela em procissão, rezando e fazendo preces a Deus para que parasse a tempestade.

 Diz a lenda que era tanta a fé do povo que o acompanhava e tanta era esperança de que o Senhor Espírito Santo os havia de os aliviar daquela tormenta e de os salvar de tão grande borrasca, que pouco depois, o Sol surgiu no céu, iluminando toda a ilha com uma luz ténue e suave, enquanto cessava o vento, paravam os trovões e os relâmpagos e a chuva estiava por completo. A população, ainda chorosa, atónita, estarrecida de medo e admiração, começou a agradecer ao Divino Espírito Santo o milagre que acabava de fazer, salvando-a de tão horrorosa tormenta. O povo começou, então, a dar muitas esmolas de pão e carne aos mais pobres, por ocasião do dia de Pentecostes, não só para agradecer o milagre, mas também para se redimir, prometendo ainda que o havia de fazer todos os anos, pela festa do Pentecostes, enquanto o mundo fosse mundo. Foi então que, para que nunca mais olvidassem aquela promessa, mandaram fazer duas bandeiras, uma branca para não se esquecerem do pão e outra vermelha para se lembrarem da carne. Essa a razão porque em todos os impérios do Espírito Santo da ilha das Flores, existem duas bandeiras, uma branca simbolizando o pão e outra vermelha a simbolizar a carne.

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publicado por picodavigia2 às 13:53





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