Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A LENDA DO SANTO ROSÁRIO

Domingo, 18.01.15

Em casa dos meus avós, todos os dias, ao serão, se rezava o terço. Depois da morte do meu avô, foi a minha avó que passou a presidir à reza. No fim do terço seguia-se a Salve Rainha que ela rezava em latim de forma interessantíssima, após a qual enumerava uma série de padre-nossos, uns por alma dos familiares falecidos, outros por intercessão de um ou outro santo da sua devoção. Um dos santos que nunca era esquecido nestas invocações, para além de Santa Rita, a sua santa predileta, era São Domingos que ela anunciava como “instituidor e pregador” do Santo Rosário. Certo dia, já mais crescidote, perguntei-lhe se ela sabia como é que o São Domingos tinha inventado ou instituído o Santo Rosário. Afinal ela sabia e muito bem. Foi então que me contou a seguinte lenda a qual ela considerava ser uma história verdadeira: Segundo ela me contou, havia, há muitos, muitos anos, num convento, um fradinho que não sabia ler nem escrever, e por isso não podia ler os Salmos nos Livros Sagrados, como era costume nos Mosteiros de antigamente. Ora, o bom fradinho, quer quando se levantava, de manhã, quer quando terminava o seu trabalho, à noite, pois ele era o jardineiro do convento, ia para a igreja que havia no convento, ajoelhava diante da imagem de Nossa, e recitava 150 Ave Marias atrás umas das outras, pois ele sabia que 150 era o número de Salmos que Deus nos deixou na Bíblia Sagrada mas que ele não conseguia ler como os outros frades. Depois retirava-se para a sua cela, afim de dormir. Certa manhã, como de costume, o fradinho levantou-se cedo, e foi para a capela rezar as 150 Avé Marias a Nossa Senhora. O Superior do convento que desde há muito o observava aquela devota atitude, nesse dia, ao chegar à igreja para celebrar a missa da manhã com todos os outros frades, sentiu que havia no ar um cheiro maravilhoso de rosas muito frescas. Mas ele sabia que no dia anterior não haviam sido colocadas nenhumas rosas frescas a enfeitar os altares. Perguntou a todos os frades se algum deles ou alguém tinha colocado rosas frescas nos altares. Mas as respostas foram todas negativas. Ninguém, naquela manhã, nem no dia anterior trouxera flores para enfeitar o altar da Virgem. Isto repetiu-se por vários dias, durante os quais ninguém colocava rosas na capela. Mas de manhã e à noite a capela estava sempre cheia de um perfume tão agradável como se estivesse cheia de rosas. Certo dia o tal fradinho adoeceu gravemente e o perfume a rosas deixou de se fazer sentir na igreja. Os outros frades cuidaram, então que deveria ser ele a colocar as rosas escondidas em lugar que eles não as vissem. Mas onde e como? Ninguém jamais o havia visto deixar o convento e tampouco sair para comprar as belas rosas. Numa manhã, porém, quando já estava melhor, todos os frades do convento viram o tal fradinho dirigir-se para a igreja e, ajoelhado diante da imagem da Virgem, recitar as 150 Ave-Marias. Para espanto de todos, cada vez que ele rezava uma Avé Maria a Nossa Senhora, aparecia, milagrosamente, uma rosa num vaso do altar. Nesse dia, como estava muito fraco, depois de rezar as 150 Avé-Marias e do altar se encher de rosas e a igreja de perfume, o fradinho caiu morto aos pés da Virgem. Comovido, o superior do concento que era São Domingos, ordenou que, a partir de então, os frades daquele convento, seguindo o exemplo do fradinho, rezassem à Virgem Maria as 150 Avé-Marias, que passaram a chamar Rosário. Dizia a minha avó que quando era criança ouvira um fradinho que viera pregar as Endoenças à Fajãzinha, contar esta estória.

Autoria e outros dados (tags, etc)

tags:

publicado por picodavigia2 às 22:23





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Janeiro 2015

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031