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A LOMBEGA

Domingo, 11.01.15

Para além de deslumbrante, exótico e muito fértil, o lugar da Lombega era excelente para o cultivo de inhames. Inhames secos, diga-se em abono de verdade, porquanto os de água floresciam sobretudo nas belgas e enclaves das encostas, junto à Rocha, a beneficiarem de terremos enlamaçados ou alagados pelo precioso líquido que corria, abundantemente e durante todo o ano, das ribeiras, grotas, veios e nascentes que proliferavam por todo aquele alcantil, escarpado e abrupto, desde o Curralinho até à Rocha do Vime, já quase na Ponta. A Lombega porém, apesar de não beneficiar de tais privilégios, pois a única água que a regava era a da chuva, produzia inhames, em qualidade e em quantidade, capazes de ombrearem e até, aparentemente, ultrapassarem os inhames dos terrenos alagadiços das fronteiras inferiores da Rocha. Para além dos inhames, a Lombega ainda era fértil em árvores de fruto, especialmente laranjeiras e macieiras. Mais do que isso, apenas uma outra terra de mato.

O acesso à Lombega, um pequeno espaço espalhado pelos contrafortes de um planalto,  fazia-se por um dos principais, melhor e mais importante caminho da freguesia, aquele que ligava o Cimo da Assomada aos Lavadouros, pelo que, muitos dos produtos dos seus terrenos podiam ser acarretados em carros ou corsões, com exceção dos inhames, geralmente, carregados em cestos, transportados à cabeça pelas mulheres ou às costas, no caso dos homens. O objetivo deste transporte da responsabilidade dos humanos prendia-se com a necessidade de os inhames não se machucarem uns contra os outros, com os baloiços de corsões a arrastarem-se sobre calhaus e pedregulhos, e, assim apodrecerem mais facilmente. O transporte à cabeça ou às costas, cuidadoso e cauto, valorizava a qualidade do produto. A fruta, por sua vez, era trazida em cestas ou cabazes de mão, tarefa, geralmente, atribuída às crianças que aproveitavam o longo trajeto até aos seus cardenhos, não apenas para, às escondidas dos progenitores, saciar a fome mas também aliviar o carrego.

Situada para além da Cabaceira e da Cancelinha, a Lombega tinha uma superfície pequena e uma forma arredondada, tendo a norte o Espigão, a leste o Moledo Grosso e o Lameiro, a sul também o Lameiro e a leste a Pedra Vermelha. Para o seu interior, uma vez que o caminho de acesso apenas se limitava a ladear, o acesso aos vários terrenos do interior, aos do sul e aos de leste era feito por duas canadas. Uma mais pequena e estreita, a leste, situada no início da ladeira que recebera o nome do lugar e uma outra, a principal, chamada canada da Lombega, cuja entrada se situava no cimo da mesma ladeira e que também servia de fronteira entre a própria Lombega e o vizinho Moledo Grosso e que também dava acesso a este e ao Lameiro.

A origem deste topónimo prende-se com o significado do nome comum lomba, ou seja, um terreno situado num monte ou num lugar mais alto, mas sem ter a forma de morro. Neste caso tratar-se-ia duma pequena lomba, uma vez que o sufixo ega, na linguagem popular, parece ter um sentido diminutivo. Assim e porque este lugar teria ou pareceria ter a forma ou o aspeto de uma pequena lomba, ter-lhe-á sido atribuído, o nome de Lombega.

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publicado por picodavigia2 às 00:32





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