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A MENINA E A ÁGUIA

Sexta-feira, 21.02.14

Era uma vez menina que fora abandonada pelos pais, no meio duma floresta. Algum tempo depois, passou por ali uma águia que, vendo-a sozinha, apiedou-se dela e, poupando-a à sua famélica atrocidade, pegou-lhe com cuidado e trouxe-a consigo para a rocha, alta e abrupta, onde tinha o seu ninho, cuidando dela, alimentando-a e, sobretudo, amando-a, como se fosse uma filhinha. A menina cresceu e, embora com uma aparência rude e um aspecto selvagem, tinha um temperamento dócil e um feitio meigo, tornando-se numa linda, bela e atraente jovem.

Certo dia passou por ali um Príncipe que andava a caçar, naquela zona. Ao ver tão linda e atraente donzela, de imediato, se apaixonou por ela, decidindo trazê-la consigo para o palácio real, a fim de a apresentar aos pais, para a tomar por esposa. Mas algum tempo antes, os pais haviam celebrado um contrato de casamento entre o príncipe, seu filho, e uma ilustre princesa, filha do monarca de um reino vizinho. Apesar disso, percebendo o encantamento do filho pela jovem, aceitaram que ele lha apresentasse e que ela se hospedasse no palácio, por algum tempo. Cedo, porém, se aperceberam os zelosos monarcas de que a jovem, na verdade, era muito bonita, de boas maneiras e de brandos costumes, mas apresentava um aspecto rude e um temperamento esquisito e estranho, em nada abonatório da esposa do futuro monarca. Pelo contrário, a princesa que havia sido prometida em casamento ao filho, não sendo bonita era dotada de um exemplar educação, sendo exímia na arte de costurar, de tratar da casa e de se arranjar.

Convencidos de que lhes seria muito fácil resolver o problema, afastando a rapariga do palácio e obrigando o príncipe a abdicar dos seus intentos, os reis propuseram que o príncipe havia de aceitar como esposa e casar com aquela das duas noivas que costurasse o vestido mais bonito. Sabiam eles muito bem que seria a princesa prometida a cumprir a tarefa com excelência e qualidade e, assim, haviam de afastar a intrusa para as rochas de onde viera e onde fora criada. Fecharam cada uma no seu quarto e deixaram-nas sozinhas, disponibilizando-lhes os recursos necessários e impondo-lhes a tarefa, conforme haviam planeado. A rapariga muito preocupada e aflita pois nunca tinha costurado, nem sabia o que era uma máquina de costura ou uma agulha, chamou pela sua mãe águia. Esta apareceu-lhe, trazendo consigo o mais experiente costureiro que havia no reino, que, em pouco tempo, lhe fez um belo vestido. Quando foram apresentar os vestidos, os reis ficaram espantados com aquele que a rapariga da rocha costurara, porque ganhava, de longe, em qualidade, arte e beleza, ao da princesa. Ainda não convencidos e muito embasbacados, os reis decretaram, de novo:

- Agora será a que preparar o melhor banquete para o rei servir aos seus ministros é que casará com o príncipe.

Decidiram assim porque cuidavam eles que a rapariga criada na rocha não saberia cozinhar. Ela, porém, muito aflita, voltou a chamar pela sua mãe águia que, de imediato, se lhe apresentou, trazendo-lhe o melhor cozinheiro do reino. Este, vendo o quarto repleto dos mais diversos produtos, não teve dificuldade em preparar uma excelente refeição que superou em muito a que a princesa cozinhara.

Quando viram e, sobretudo, quando provaram o manjar apresentado pela rapariga, os reis ainda mais admirados ficaram com a rapariga da rocha, porque ganhava, em tudo, a princesa que, no entanto, tivera uma esmerada e cuidadosa educação.

Apesar de tudo e ainda não satisfeitos, nem muito menos convencidos, os reis decidiram dar um grande baile, para o qual convidaram príncipes, princesas, os nobres e todas as ilustres donzelas do reino. Estariam presentes, também, a princesa prometida ao príncipe em casamento e a rapariga da rocha. A que dançasse melhor, seria considerada a verdadeira princesa e, por conseguinte, seria a eleita para esposa do príncipe, vindo a ser a futura rainha. De novo a rapariga se entristeceu e afligiu, cuidando que agora sim, não poderia ser melhor do que a sua rival. Apesar de tudo voltou a chamar pela mãe águia.

Iniciou-se o baile e, mal a rapariga começou a ensaiar os primeiros passos de dança, começaram a entrar na sala, trazidas pela águia, um bando de pombas brancas que rodeando a jovem donzela, a elevavam e erguiam, fazendo com que dançasse com arte, sabedoria e elegância, como jamais se vira no reino. Então os reis, nada mais puderam fazer do que aceitá-la como a futura esposa do filho.

Agendou-se a boda, fez-se uma grande festa e celebrou-se o casamento com tão grande pompa e solenidade como já mais se vira no reino.

E passados nove meses, entrou, mais uma vez, por uma das janelas do palácio, a águia, desta feita acompanhada por uma cegonha branca que trazia, numa cestinha, uma bela menina.

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publicado por picodavigia2 às 19:26





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