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A PADEIRINHA

Quinta-feira, 25.12.14

Era uma vez um rapazinho chamado Carlos que vivia sozinho e trabalhava como guardador de sonhos, trabalho difícil, cansativo e extenuante o de manter bem vivos os sonhos dos outros e, sobretudo, os seus. Mas Carlos não se importava com a dificuldade do trabalho, dado que, em contra partida, todas as pessoas que conhecia e de quem guardava os sonhos, eram muito simpáticas para ele, pois enquanto passeava pelas ruas, as pessoas aproximavam-se dele e contavam-lhe os seus sonhos para que os guardasse. Assim, Carlos estava sempre tão ocupado com os sonhos dos outros que tina muito pouco tempo para se ocupar e guardar os seus.

Certo dia aproximou-se dele uma bela padeirinha muito simpática, com um sorriso no rosto, sempre disposta a partilhar os seus sonhos e fantasias. Ao vê-lo, exclamou, de imediato:

- Gostava tanto de poder ficar aqui um bocadinho e partilhar contigo os meus sonhos, talvez te os entregar para que me os guardes.

Ela nem por sombras sabia que o trabalho dele era o de guardador de sonhos e por isso ficou muito admirado quando Carlos lhe pediu dinheiro como forma de pagamento por lhe guardar os sonhos. Mas ela não tinha dinheiro para lhe pagar e, por isso, como o Natal estava próximo, propôs-lhe:

- Não tenho dinheiro para te pagar. Mas vou pagar-te doutra forma. Convido-te para vires passar a Noite de Natal comigo…

Carlos aceitou e aguardou, ansiosamente, que a noite mágica chegasse.

Finalmente chegou e Carlos dirigiu-se para a morada que a padeirinha lhe indicara. Foi ela que o recebeu, juntamente com o pai:

- Pai, este é o meu amigo Carlos. Ele é guardador de sonhos! Como recompensa por guardar os meus sonhos, convivei-o para vir passar o Natal connosco. Assim ele vai ter a oportunidade de guardar o mais belo sonho da minha vida e da dele, o sonho de um Natal muito feliz, do qual ele nunca mais se esquecerá…? Sabes, ele não tem família e não pode celebrar o Natal com ninguém porque vive sozinho…

O pai sorriu e disse:

- Claro que podes vir consoar connosco, Carlos, és muito bem-vindo. Mas agora vamos depressa, senão o peru ainda arrefece

Enquanto a padeirinha corria para o quarto para vestir o vestido mais bonito que tinha, o pai levou Carlos para a cozinha onde estava a mãe muito atarefada a preparar uma deliciosa consoada e que ao vê-lo logo o abraçou com muito carinho.

Pouco depois, sentaram-se todos à mesa repleta de louças e talheres a brilhar. No meio uma enorme travessa com um peru recheado e a fumegar. Ao redor, filoses, rabanadas, formigos, aletria e muitas outras gulodices.

Antes de começar o repasto, a mãe da padeirinha levantou-se aproximou-se de Carlos e, debruçando-se sobre ele, apertou contra o peito e, com os olhos rasos de lágrimas, exclamou:

- Bem-vindo à nossa casa, Carlos! Feliz Natal… Nenhuma criança deveria passar um Natal sozinha.

Depois, pegou-lhe na mão e seguidos pela padeirinha e pelo pai, entraram todos numa sala – a sala mais bonita que Carlos alguma vez tinha visto. Num dos cantos estava uma maravilhosa árvore de Natal enfeitada e junto à qual havia muitos presentes, que todos muito animados desembrulharam.

Foi o mais belo sonho que Carlos guardou.

 

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publicado por picodavigia2 às 21:03





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