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A RIBANCEIRA DAS COVAS

Quinta-feira, 20.03.14

O lugar chamado “Ribanceira das Covas”, na Fajã Grande, situa-se na margem direita da Ribeira das Casas, junto à rocha com o mesmo nome. Aliás o próprio lugar conhecido por esse nome situa-se dentro do próprio lugar das Covas, no caminho da Ponta, encastoado entre este lugar e a própria Rocha.

Diz a lenda ou talvez a história, embora esta não esteja escrita, que os primitivos habitantes da Fajã Grande, se terão, muito provavelmente, estabelecido, inicialmente, num outro local que não terá sido aquele onde hoje se encontra o povoado. Assim e segundo uma crença muito antiga, os primeiros habitantes do lugar da Fajã Grande terão procurado como local para se fixarem e construir as suas habitações, o sítio hoje chamado “Covas”, junto à rocha, na margem direita ou talvez em ambas as margens da Ribeira das Casas.

O maior argumento desta tese é precisamente o nome daquele curso de água – Ribeira das Casas. Porquê das casas se nunca ali houve casas? A este argumento, porém, juntam-se vários outros, embora todos eles hipotéticos. Por um lado, para os povos que demandaram aquelas inóspitas paragens fixar-se nas margens duma ribeira tornava muito acessível o acesso ao bem mais primordial de qualquer povoado: a água. Por outro lado naquela zona os terrenos são muito férteis e as próprias habitações ficavam sob a protecção da rocha, pois como o próprio nome do local indica, ali situar-se-iam algumas covas, ou seja lugares mais abrigados e protegidos dos ventos, sobretudo dos que vinham do norte e leste. Hoje, essas covas não existem, nem sequer há vestígios de alguma casa ali existente outrora. Apenas as ruínas de alguns moinhos, mas construídos dezenas de anos depois do povoamento primitivo. Ao colocar os nomes às outras ribeiras, geralmente nomes de pessoas (Ribeira de João Fraga), árvores (Ribeira dos Paus Brancos, animais (Ribeira do Cão), etc., a que ali corre teve e tem um nome diferente: Ribeira das Casas. Daqui se depreende que o topónimo adviria das casas que ali haviam sido construídas.

Hoje porém, delas não sobra nenhum vestígio, como também nada resta das tais “covas” que, eventualmente, ali teriam existido e dado nome ao lugar. Pelo contrário, mantem-se junto à rocha um gigantesco amontoado de terra e pedregulhos, totalmente coberto de árvores e arbustos, mas que é um claro indício de uma enorme ribanceira que há centenas de anos ali terá caído e que ainda hoje é conhecida pela “Ribanceira das Covas”.

Na realidade, ainda hoje se pode bem observar, sob o ponto de vista morfológico, ladeando o leite da ribeira, incluindo o local onde se situa o por demais conhecido “Poço do Bacalhau, dois cabeços ou montículos encostados à rocha: um do lado das Águas, ou seja na margem esquerda, mais pequeno e, aparentemente, mais antigo e um outro o do lado das Covas, ou seja na margem direita. Nos anos cinquenta, ainda era voz corrente na Fajã Grande, de que debaixo daquele monte de terra e de entulho caído outrora da rocha, estariam soterradas as primitivas casas do lugar da Fajã Grande.

Lenda ou história, nunca se saberá, pois é de todo improvável que algum dia se verifiquem ali as escavações adequadas com o objectivo de esclarecer a verdade. No ar fica no entanto e para sempre a pergunta: porquê o nome Ribeira das Casas?

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publicado por picodavigia2 às 17:04





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