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A SELHA DE LAVAR OS PÉS E AFINS

Segunda-feira, 12.05.14

Na Fajã Grande, na década de cinquenta, a maioria das habitações não tinha casas de banho. Contavam-se pelos dedos de uma mão as que as teriam. Assim, a maioria das pessoas tinha grande dificuldade em realizar uma higiene corporal necessária e exigida, pelo tipo de vida agrícola, rural e laboriosa. Todas as operações de lavagem e limpeza do corpo, eram feitas por partes, geralmente em bacias ou selhas ou na rua, ao ar livre, na pia de lavar a roupa.

Mas o que era necessário lavar todos os dias, para além da cara pela manhã, eram os pés à noite. A quase totalidade das pessoas andava descalça e os qua andavam calçados, geralmente, usavam botas de borracha ou sapatos de pele de cabra, umas e outros a cheirarem muito mal. Assim, todas as noites, era obrigatório o lava-pés, antes de ir para a caminha.

Esta operação, para além da água e do pedaço de sabão azul, exigia, fundamentalmente, três outros utensílios: a selha, o banco e a pedra.

A selha de lavar-os-pés, assim chamada, era uma selha de madeira, geralmente, quando nova usada em outras funções e que servia simplesmente para isto. Era feita com pedaços de madeira, encastoados num fundo redondo, apertados e segurados com aros de ferro e a borda superior bem aplainada. Era guardada na cozinha, onde a função que desempenhava era realizada. A ela se associava um pequenino banco, também ele de madeira, mas que, ao longo do dia e ao contrário da selha, servia para as pessoas se sentarem, nomeadamente, as idosas e as crianças. A pedra que acompanhava a selha e que servia para esfregar os pés depois de ensaboados, era uma espécie de pedra-pomes ou tufo, bastante áspera e capaz de retirar toda a sujidade, sobretudo dos calcanhares.

À luz de um candeeiro ou de uma candeia, aguardava-se vez para lavar os pés. É verdade que a selha era grande, mas geralmente só havia, um banco, uma pedra e um pedaço de sabão, onde cada um ia lavando os pés à vez e, geralmente, na mesma água que ficava na selha até de manhã, pois ninguém queria sair rua, depois de lavar os pés para fazer o que quer que fosse, muito menos para despejar a água. Nas famílias com mais filhos, por vezes, geravam-se verdadeiras disputas para ver quem lavava os ditos cujos primeiro, pois ninguém o queria fazer na água dos outros, sobretudo dos que vinham de limpar o palheiro com os pés a tresandar a cheiro de bosta de vaca.

 

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publicado por picodavigia2 às 00:32





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