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A SENHORA DOS MILAGRES DO CORVO

Sábado, 26.04.14

A padroeira de Vila Nova do Corvo é a Senhora dos Milagres, cuja festa se celebra a 15 de Agosto. A padroeira da vila e da ilha está representada, na igreja paroquial, por uma pequenina imagem de Nossa Senhora, que se diz dos Milagres e que, segundo a tradição, terá chefado à ilha juntamente com os primeiros povoadores. Felizmente, por vontade explícita do povo, até hoje, nunca foi substituída por outra maior e, sobretudo, mais bonita, como, infelizmente, aconteceu, ao longo dos séculos, em muitas igrejas e ermidas das restantes ilhas e do próprio continente. Trata-se, na realidade, da conservação secular, de uma obra de arte da escultura religiosa do século XV, trazida pelos primeiros povoadores da mais pequenina ilha açoriana.

Dizem os estudiosos da arte sacra que esta imagem, muito possivelmente, será de origem flamenga, tendo, nos primeiros anos do povoamento, sido invocada como Nossa Senhora do Rosário, primeiro nome da única paróquia existente no Corvo.

Uma lenda, ainda hoje muito divulgada e presente na crença popular, explica a mudança da invocação de Nossa Senhora do Rosário para Nossa Senhora dos Milagres. Segundo essa lenda, quando a ilha foi invadida por piratas que tentavam saquear a população, retirando-lhe os seus bens, levando os jovens como escravos, violando donzelas, roubando e destruindo tudo, os corvinos, bravos e destemidos, invocando a Virgem sua padroeira, conseguiram afastá-los e assustá-los de tal maneira que os facínoras regressaram a bordo dos seus navios e fugiram. Alguns pereceram à defesa dos corvinos, tendo um deles sobrevivido. Ao ser recolhido pela população, contou que em cima da rocha, junto ao mar, havia uma mulher na qual as balas das suas armas faziam ricochete e voltavam para eles, atingindo-os. Esta mulher, segundo o povo cuidou, era a Virgem, sua padroeira, que assim, miraculosamente, os protegeu e defendeu, pelo que o povo passou a invocá-la como Senhora dos Milagres.

Consta que a partir de então, como agradecimento e prece, invocando a protecção de Nossa Senhora dos Milagres, no Corvo, todos os dias, antes da missa, se reza o Rosário, em honra de Nossa Senhora.

Ao longo dos anos, muitas têm sido as promessas feitas à Virgem, Senhora dos Milagres, sobretudo pelos inúmeros emigrantes que se fixaram na América e no Canadá. A Padroeira do Corvo possui um rico tesouro em ouro, composto por duas coroas, uma para a Senhora e outra para o Menino, e ainda um preciosíssimo rosário também em ouro. Segundo uma outra lenda, este rosário terá sido oferecido à Virgem, pelo célebre pirata Almeidinha, que era amigo do pároco do Corvo e através dele das suas gentes e como sinal da sua amizade ofertou esta relíquia a Nossa Senhora.

Este pirata era tão amigo do padre que na altura paroquiava a ilha e que seria natural de São Jorge, conhecido como o padre Queixudo, devido a exagerado formado do seu queixo que lhe dava um aspecto feio. Segundo alguns historiadores, o padre Queixudo " paroquiava a ilha do Corvo na data 1819-20” altura em que terá decorrido o episódio com o pirata Almeidinha que, numa das suas escalas na ilha, não encontrando o padre Queixudo, soube que este tinha sido preso por ordens de El-rei, devido às suas relações de amizade com os piratas. O pirata Almeidinha, então, deixou dinheiro a fim de  com ele se pagar o resgate e, assim, conseguir o regresso à ilha do bondoso sacerdote.

À festa da Senhora dos Milagres, deslocava-se, antigamente, muita gente das Flores, inclusivamente da Fajã Grande, de onde, quase todos os anos, se o tempo estivesse bom, partia uma lancha a abarrotar de pessoas, tendo-se verificado, em 1942. Um grave desastre onde perderam a vida dezassete pessoas.

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publicado por picodavigia2 às 22:05





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