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A VISITA DO SENHOR BISPO

Sexta-feira, 21.03.14

Em Novembro professores e alunos do Seminário Menor de Ponta Delgada tiveram a visita do Senhor Bispo, que, habitualmente, residia em Angra. Com a chegada do Sucessor dos Apóstolos, o Seminário, de repente, como que se tornou mais silencioso, mais recôndito, mais sombrio e mais enigmático. Algum tempo antes, o Senhor Reitor chamara-me, novamente, ao seu quarto. Como já estava habituado, nem me preocupei, cuidando que seria uma nova carta da minha tia. Mas não era. Com um pequeno dossier aberto à sua frente, que eu cuidei conter a minha documentação, disse-me que eu não possuía nenhuma certidão do crisma e que no registo do meu baptismo não tinha averbado a data de ter recebido o sacramento da Confirmação. Consequentemente, concluía ele, eu ainda não tinha crismado. Confirmei a sua conclusão e ele de imediato indagou:

- Então porque não crismaste se o Senhor Dom Manuel, depois de chegar à Diocese já visitou todas as ilhas, incluindo as Flores e o Corvo, onde administrou o Santo Crisma?

Expliquei-lhe que não o podia ter feito porque a minha mãe falecera precisamente no dia em que o Senhor Bispo visitara a minha freguesia. Nem eu, nem meus irmãos, nem meus tios, tínhamos tido a possibilidade de crismar.

O Senhor Reitor informou-me, então, de que eu não devia continuar no Seminário sem receber o Santo Crisma, até porque podia muito bem eu não estar nas Flores quando o Senhor Bispo lá voltasse. Que em breve o Senhor Dom Manuel viria visitar o Seminário e que me havia de crismar. Que arranjasse um padrinho. Ora eu tinha um vizinho, o senhor padre Jaime que era professor no Seminário de Angra. Uma das suas irmãs já era madrinha de meu irmão e outra da minha irmã, pelo que decidi que havia de convidá-lo para meu padrinho. Ele aceitou e nomeou seu procurador o padre Agostinho Tavares.

Assim, enquanto esteve de visita no Seminário, uma das tarefas que Sua Excelência Reverendíssima desempenhou foi a de me crismar, juntamente com mais um ou dois alunos, pois a quase totalidade já crismara nas suas paróquias. A cerimónia realizou-se na igreja de Todos os Santos, na presença de todos os professores, do seu secretário José Nunes e de todos os alunos. No momento de receber a cruzinha na testa, traçada com o polegar direito do Bispo, encharcado em óleo santo, foi o padre Agostinho Tavares que, aproximando-se, me colocou a mão sobre o ombro, como se fosse meu padrinho. Talvez por isso e talvez por tudo tratou-me sempre com um enorme carinho e com uma admirável consideração e grande amizade.

Apenas nesse dia e durante algumas refeições ou enquanto passeava nos corredores com o Senhor Reitor víamos o Senhor Bispo. Geralmente estava fechado no quarto, recebia o clero e visitava algumas paróquias da ilha. Quem nos recreios nos procurava, conversava e convivia connosco era o seu secretário José Nunes, um jovem simpático e meigo, hospedado na barbearia, transformada em quarto de hóspedes, que havia terminado o curso no Seminário de Angra e que aguardava a idade canónica para ser ordenado sacerdote.

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publicado por picodavigia2 às 09:07





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