Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



ANOS CINQUENTA – 3ª PARTE

Sábado, 08.02.14

(Continuação)

 

Outra actividade a que se associava mais uma espécie de festa familiar já referida, era o apanhar do milho. Também se iniciava de madrugada com a apanha das maçarocas dos milheiros, a qual, por vezes, até se fazia de noite, sobretudo, quando havia luar. O milho depois de apanhado e colocado em cestos, era acarretado em carros de bois ou nos corsões para as casas e colocado em lugar de honra: na cozinha ou na sala, no caso desta ser muito pequena. Depois todos se sentavam à volta do monte de milho para encambulhar, ou seja, fazer pequenos conjuntos em que as maçarocas eram presas por uma folha, juntando-se umas às outras e amarrando-as nas pontas. Os mais pequenos acarretavam os “cambulhões” para junto do estaleiro, onde os homens mais experientes os iam pendurando de modo a que resistissem à chuva e ao vento, ao longo do ano. O milho que não servia para encambulhar era descascado, o melhor era encambulhado sem casca e pendurado na parte interior do estaleiro ou nas traves da cozinha ou duma casa velha, O restante era debulhado, às vezes posto a secar, e guardado para ser usado em primeiro lugar. O milho das maçarocas mais verdes, ainda a “verterem leite”, era moído em pequenos moinhos manuais ou “pedras de moer” e, com ele faziam-se as tradicionais e típicas papas grossas,. À noite depois de realizado todo o trabalho havia serão, com estórias e jogo de cartas.

Importante acrescentar que decerto não estava alheio a este espírito festivo a importância, quer do porco, quer do milho na alimentação desta população. Era imperioso venerar e festejar aquilo que, quase de forma divinal e misteriosa, era fundamental para a própria existência. Esta dependência das pessoas do porco e do milho, como que se prolongava para além da morte. Dois pequenos factos o comprovam. Primeiro o que acima referi, ou seja o de ninguém na freguesia comer a língua do seu próprio porco, uma vez que a oferecia para as almas. Estas tinham um mordomo que as leiloava e com o dinheiro mandava celebrar missas pelas almas dos defuntos de toda a freguesia. Algo de semelhante acontecia com o milho. Depois da época das colheitas, no dia um de Novembro, mês das almas, o referido mordomo chefiava um grupo de homens que andavam pelas portas de todas as casas da freguesia a pedir o milho para as almas. Cada qual dava uma parte do que havia colhido, consoante quisesse e entendesse. O milho que se recolhia era vendido, tendo o produto de tal venda destino igual ao da língua dos porcos.

Festa familiar também era a do dia em que se ceifava o Bracéu, embora nem todas as famílias a realizassem, simplesmente porque, na década de cinquenta, muitas famílias já não tinham bracéu. Bracéu era uma espécie vegetal, do tipo junco, mas muito mais fino, chamado cientificamente de “Fetusca jubata”, que crescia nas terras do mato, acima da rocha. As famílias que iam para a apanha do bracéu também marcavam o dia, com alguma antecedência e para lá se deslocavam, alta madrugada, com o respectivo e devidamente preparado jantar. Lá passavam o dia, uns ceifando, outros acarretando aos ombros os molhos de bracéu para cima da rocha. Aqui verificava-se um fenómeno muito curioso Estes molhos eram colocados e presos com ganchos num arame grosso, propriedade de todos, que em poucos segundos os fazia deslizar pela rocha até cá abaixo, junto do povoado, onde alguém os ia tirando da verga e arrumando, acarretando-os depois em carro ou corsão para o palheiro ou casa velha, onde devia ser guardado. O bracéu depois de seco destinava-se a fazer cama ao gado no Inverno, substituindo os fetos, que, por vezes, rareavam. Era também com este bracéu que se faziam os pincéis para caiar as casas, mas, neste caso a quantidade necessária era muitíssimo pouca, mas era sempre ir busca-lo ao mato ou pedir a alguém que o trouxesse.

Em relação às festas comunitárias, realizadas na freguesia, pode dizer-se que tinham duas variantes: uma religiosa e outra profana.

As festas religiosas estavam, obviamente, marcadas por padrões religiosos e costumes cristãos comuns a outras regiões do país e eram orientadas por normas canónicas ou litúrgicas e por orientações e decisões do pároco, obedecendo a cânones preestabelecidos. Apenas as festas do Espírito Santo, realizadas nos seis impérios existentes na freguesia, tinham um carácter mais laico, uma vez que o pároco não intervinha na sua orientação e, além disso, adquiriam aqui e em toda a ilha das Flores, matizes próprias e características, diferentes das outras ilhas açorianas, tendo, no entanto, mais de profano do que de religioso. Estas festividades traduziam, fundamentalmente, a pobreza e as carências alimentares da população, para as quais procuravam ser uma resposta. Isto porque na sua génese estavam os jantares de Espírito Santo, que implicavam a distribuição de pão de trigo e de carne pelos pobres, manjares raros nos cardápios diários da maioria da população. Estas festas também adquiriam um cunho notavelmente clubista. A freguesia tinha quatro impérios de adultos e dois de crianças, os quais representavam uma espécie de agremiações ou clubes, destacando-se dois, mais fortes, mais poderosos e maiores e que eram: a Casa de Baixo e a Casa de Cima. Quase toda a população ou pertencia a um ou a outro império, o que implicava uma acentuada rivalidade, fazendo cada um deles a sua festa em dias diferentes, devendo ser sempre maior e melhor do que a do outro, em autêntico espírito competitivo. As festas de cada um dos seis impérios eram precedidas de oito dias de alvoradas e folia, reunindo-se toda a população na sede de um ou outro Império. Os foliões acompanhados por tambor e pratos dançavam diante da coroa, cantando loas e imprecações ao Divino Espírito Santo. A cantoria das alvoradas iniciava-se fora da porta da casa e terminava em frente ao altar onde estavam os símbolos do Senhor Espírito Santo: a coroa e a as bandeiras, uma vermelha símbolo da carne e outra branca a simbolizar o pão. Depois da folia e das Alvoradas iniciavam-se jogos populares variadíssimos, sendo alguns de canto e dança. No dia da festa realizava-se um majestoso cortejo com destino à igreja, precedido pelas coroas e bandeiras de todos os impérios que assim se associavam nas festas, uns aos outros. Depois da missa o cortejo voltava para a sede. De seguida o povo recolhia às suas casas para o jantar. Este jantar fora, porém, cuidadosamente preparado e era parte integrante da festa. Incluía dois alimentos que a população habitualmente não comia: o pão de trigo e a carne de vaca. O pão era mandado cozer pelos “cabeças” da festa e oferecido aos mais pobres. Quanto à carne todos os irmãos de cada império se inscreviam antecipadamente, indicando a quantidade que pretendiam para a festa. Os “cabeças” calculavam, então, a carne necessária e compravam os animais. Estes, na sexta-feira antes da festa, eram conduzidos para o local apropriado, que por isso mesmo recebera o nome de Matadouro, em cortejo e devidamente ornamentados e acompanhados, pelo repicar dos sinos, pelos foliões, pela coroa e bandeiras por muito povo, onde eram abatidos. Na noite seguinte a carne era partida e eram feitos os quinhões de cada irmão ou mordomo. No sábado organizava-se novo cortejo, com coroa, bandeira e foliões e sinos sempre a repicar. Percorriam as casas de todos os mordomos, enquanto meninos e meninas iam distribuindo, em cestinhas e açafates, a carne e o pão. De tarde, depois do jantar, continuava a festa com jogos, arraial, quermesse, bailes, terminando tudo ao anoitecer com as sortes. Para a realização das sortes, ou seja, da escolha dos “cabeças” do ano seguinte, punham-se na coroa bilhetes enrolados, com o nome de cada um dos irmãos que tinham capacidade para serem cabeças. Eram então tirados dois nomes à sorte. Mas podia acontecer algo de insólito: eram os “cabeças” que efectuavam a operação das sortes e se o povo tivesse gostado deles se tivessem feito uma boa e bonita festa, enquanto estavam a tirar as sortes, os presentes tentavam cobri-los com a bandeira. Se o conseguissem antes de saírem as sortes, estas já não se efectuavam, eles seriam os novos “cabeças” para a festa do ano seguinte. A festa terminava com o levar as sortes, isto é, com uma visita a casa dos novos “cabeças” com coroa, bandeia e foliões. Esta festa podia repetir-se várias vezes durante o ano no mesmo império, embora com matizes diferentes. Isto acontecia quando alguém, geralmente um “calafona”, prometia e dava um jantar. A festa repetia-se quase nos mesmos moldes, só que, neste caso, não eram os irmãos a pagar a carne, mas sim aquele que tinha prometido o jantar.

Outras festas religiosas importantes eram a da Senhora da Saúde, uma das maiores da ilha das Flores, a do padroeiro, São José e ainda outras menores como a de Santo Amaro, da Senhora do Rosário, a do Senhor dos Passos e a de Nossa Senhora do Carmo, na ermida do lugar da Ponta.

 Das festas estritamente profanas e ligadas ao trabalho, era digna de menção o Fio, ou seja, a tosquia colectiva dos ovinos. Estes eram criados em conjunto na zona do “concelho”, grande espaço comunitário de pastagens no mato, onde se juntavam indistintamente todas as ovelhas do povoado. A festa também tinha à sua frente dois “cabeças”. Estes antecipadamente faziam anunciar o dia do Fio, duas vezes por ano, uma em Abril e outra em Setembro, geralmente através de um edital colocado à porta da igreja. Na véspera preparava-se o jantar ou a merenda e amolavam-se as tesouras para a tosquia. No dia de manhã, bastante cedo, os primeiros a partir para o mato eram os homens. As mulheres e as crianças seguiam mais tarde, subindo a rocha em autênticos bandos. No povoado ficavam apenas os velhos, os doentes, as crianças de berço e quem não possuía ovelhas. As mulheres levavam à cabeça os cestos com os alimentos para todo o dia. Os homens, ajudados pelos cães e orientados pelos “cabeças”, distribuíam-se em grupos, por uma ampla zona, fazendo cerco às ovelhas, conduzindo-as e juntando-as todas num curral apropriado - o Curral das Ovelhas, que dera nome ao local onde se situava. Quando aí chegavam com o enorme rebanho, já os esperavam as mulheres e as crianças. Todos se sentavam sobre a erva, em lugares previamente escolhidos e nos quais haviam de permanecer até ao fim do dia. Terminada a primeira refeição, os homens saltavam para o curral a fim de que cada um procurasse as suas ovelhas que eram identificadas através de sinais convencionais que lhes tinham sido marcados nas orelhas. Cada chefe de família tinha o seu sinal, diferente dos outros todos, distribuído pelos “cabeças” e guardado por estes, a fim de não haver confusão e, assim, cada um identificar apenas e tão só os seus animais. Exemplifiquemos um destes sinais: orelha direita – forcada e troncha; orelha esquerda – troncha fendida com três moças.

Uma vez escolhidas e retiradas as ovelhas do curral, seguia-se a tosquia, finda a qual os animais eram soltos e enviados para o “concelho”, de novo. No curral apenas ficavam os que não tinham sinal, ou seja, as crias pequeninas e algum animal adulto, nunca assinalado e que não era de ninguém. Estes eram arrematados, ficando o dinheiro para a organização. Os cordeirinhos eram identificados pelas próprias mães. Era a petizada que de tal se encarregava. Se uma ovelha desse leite, tinha cria. O dono assinalava-a com uma peça de roupa e colocava-a de novo no curral, sob a vigilância, geralmente, de um filho mais novo. Dentro em pouco a cria procurava a mãe para mamar e logo eram apanhadas: mãe e cria. Esta, então, era assinalada nas orelhas com o sinal do dono, ficando apta a ser identificada nos próximos Fios. Terminada a tosquia todos regressavam a casa, desta feita em conjunto. A freguesia povoava-se de novo e em quase todas as casas berrava um carneirinho que seria refeição nos dias seguintes.

Outra festa, ou melhor outro trabalho festejado era o sargaço, cuja efectuação, no entanto, dependia do mar. Algumas vezes, durante o ano, certas marés traziam para a costa enormes quantidades de algas marinhas que tinham grande utilidade para estrumar e adubar os campos. A sua recolha era feita quase como se fosse uma festa. O Rolo, onde saía o sargaço, era dividido aos pedaços e assinalado pelos que primeiro iam chegando. Mas tinha que dar para todos. Cada qual, munido de um garfo de tirar esterco dos palheiros, tirava o sargaço no seu sítio, conforme podia, por vezes esquivando-se às ondas bravias, para um monte onde o mar não chegasse e donde mais tarde seria acarretado para os “lagos”, às costas e em cestos, num contínuo vai e vem do qual resulta um extraordinário espectáculo de movimento e cor. Aí se passava o dia, aí se jantava e aí se ceava, prolongando-se a azáfama pela noite dentro, transformando o espectáculo numa movimentação sublime de luzes e luzinhas que se reflectiam na tranquilidade das águas do Atlântico.

Outra festa estritamente profana, mas não ligada ao trabalho, era o “Intrude”, que durava três dias. Eram célebres as danças realizadas nesses dias.

Eram estas festas de trabalho ou às quais o trabalho se associava ou talvez ainda mais correctamente, este dar-se ao trabalho um sentido de festa que, juntamente com as restantes festividades religiosas que, de alguma forma destruíam e destronavam o isolamento e a monotonia do quotidiano desta população. Começando a trabalhar, geralmente, antes do amanhecer e até muito depois do pôr do Sol, estes homens e estas mulheres eram limitados por natureza e sentiam que algo lhes faltava. Daí a necessidade de criarem ainda outros meios de lazer e outras formas estruturais de sociabilidade que ultrapassassem, sobretudo em frequência, as próprias festas. Era aqui que tinham grande significado os serões, sobretudo os das longas noites de Inverno, nas casas uns dos outros. Fazer serão, em casa de um amigo ou de um parente ou familiar era um hábito corrente. As mulheres, numa quase perfeita cadeia de moderna montagem industrial, trabalhavam a lã em série: umas depenicavam-na retirando-lhe a sujidade, outras cardavam, outras fiavam e outras dobavam-na em novelos. Os homens geralmente deitavam-se cedo e quando o não faziam, jogavam às cartas. Também se contavam estórias maravilhosas e fantásticas, rimances antigos em forma de poesia ou então narravam-se as antigas viagens por terras da América. Às vezes, até se cantava.

Sair à noite sozinho, porém, era perigoso, sob o ponto de vista de “medos” e pouco aconselhável. Só os mais “anamudos” o podiam fazer, isto porque “as almas do outro mundo” proliferavam por toda a parte e apareciam, a torto e a direito, por tudo o que era sítio escuro. Já muitos as haviam visto e contavam-se coisas terríveis e tenebrosas que a todos assustavam. Nos serões muitas destas histórias eram repetidas vezes sem conta. A meia-noite era a hora pior e a mais perigosa, pois era a hora do diabo. Este era mesmo designado pelo epíteto de “o que anda â meia-noite”. O seu nome nunca devia ser pronunciado, por isso também era designado pelo “não dei que diga”, o “coiso mau”, o “cão da noite”. Invocava-se Lúcifer, sem no entanto pronunciar o seu nome. “Entregar”, isto é, dizer o nome do diabo ou chamar diabo a alguém era uma palavra feia, proibida de ser pronunciada por uma criança, um pecado muito grave. Na origem das estórias contadas, estava geralmente a aparição do próprio diabo.

Que sofrida que era a vida desta gente. Sacrifícios e mortificações faziam parte do seu quotidiano e consubstanciavam-se de forma permanente e contínua com o viver deste povo. Esta vida sofrida talvez também tivesse alguma relação com os medos e com as crenças do além que povoavam o seu imaginário. Uma das manifestações desse sentimento de sacrifício, perdão, ou até de expiação, de que a igreja e o clero tinham a sua cota parte de responsabilidade, estava exemplificada no “cantar no Outeiro”. Tratava-se duma cerimónia de cariz religioso, muito curiosa e interessante, em que directa ou indirectamente se envolvia toda a população, realizada todas as segundas, quartas e sextas-feiras da Quaresma. Nesses dias, por volta das nove horas da noite, um grupo de homens, alguns já de avançada idade, dotados de boa voz e ainda melhores pulmões, quer chovesse ou fizesse vento, subiam o Outeiro sobranceiro à freguesia e de joelhos, junto a uma cruz que ali ainda existe, cantavam em altas vozes, orações apropriadas e antigas. Pediam a Deus clemência para os infelizes e abandonados, perdão para os pecadores, porto de salvação para os perdidos no mar, auxílio para os desamparados, saúde para os doentes e salvação para os agonizantes. As suas fortes vozes faziam-se ouvir ressonantes sobre as casas da freguesia e, por isso, ao mesmo tempo, todas as pessoas ajoelhavam nos seus lares e em silêncio iam acompanhando as preces dos cantores, intercalando-as com orações de acordo com as suas ordens. Só terminado o canto se voltava à conversa.

Muitas expressões, provérbios e adágios deste povo, permitem ajudar a compreender esta específica e muito especial a maneira de ser bem como as agruras, as atrocidades, o sofrimento e o trabalho árduo do seu dia-a-dia.

Eram estas, em linhas gerais, as características duma população situada quase no meio do mar, apesar de pouco influenciada por ele, que até ao início dos anos cinquenta mantinha uma idiossincrasia, própria e específica de um povo cujo quotidiano era dominado pela insularidade e, dentro desta, por um isolamento que quase a fazia única no contexto insular açoriano.

Tudo isto, porém, a partir de meados da década de cinquenta, aproximar-se-ia do início do seu fim. Grandes e importantes transformações se verificaram, a todos os níveis, no viver, no sentir, nos costumes e, sobretudo, nos anseios e aspirações desta gente, perdendo-se assim, no entanto, uma originalidade de vida, uma pureza de costumes e uma singularidade vivencial que, não sendo única, pelo menos era rara. Vários foram os factores que contribuíram para tal mudança, sendo de destacar como mais importantes os seguintes:

1) O grande surto emigratório para os Estados Unidos e para Canadá, verificado a partir da década cinquenta, uns por que encontraram no fundo dos baús e de velhas gavetas os tão almejados “papeles” que os seus antepassados, outrora, haviam obtido naqueles países e lhes garantiam a entrada no novo “el-dorado, outros por carta de chamada que os parentes lhes faziam.

2) A chegada da Telefonia e Rádio, que a partir dos finais dos anos cinquenta começa a ser uma presença continua em todas as casas.

3) A construção duma estrada, aparentemente e outrora quase impossível, ao longo da rocha e que passou a ligar este povoado ao resto da ilha, também nos finais da década de cinquenta.

4) A implantação de uma fábrica de Agar-Agar nos Açores, cuja matéria-prima, as algas, passaram a ser compradas a preços muitíssimo altos. Muitos dos habitantes da freguesia abandonam por completo a agricultura, alguns vendendo as próprias terras para se dedicarem à apanha e recolha das algas, das quais outros se tornam intermediários, arrecadando sofríveis fortunas.

Em menos de cinco anos, o progresso, a técnica, o desenvolvimento industrial e a emigração transformaram totalmente esta micro sociedade, fazendo-a abandonar e até esquecer alguns dos seus usos e costumes, uma boa parte da sua própria cultura, impondo-lhe um ritmo, uma maneira de ser e de viver quase totalmente diferente da antiga e primitiva

Era uma sociedade agrícola que sentia aproximar-se o princípio do seu fim e o início da sua passagem a uma quase sociedade industrial. Essa mudança, porém, será longa e morosa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 14:26





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter

calendário

Fevereiro 2014

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
232425262728