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AS CASAS COBERTAS DE PALHA (DIÁRIO DE TI’ANTONHO)

Sábado, 19.04.14

Muita gente hoje nunca ouviu contar isto, nem muito menos se lembra de ouvir falar de semelhante coisa. É que, antigamente, aqui na Fajã as casas eram quase todas, sobretudo as das pessoas mais pobres, cobertas com palha. Havia pouca telha e mesmo que houvesse alguma, ela tinha que ser comprada e a maioria das pessoas não tinha dinheiro. Contava meu avô que quando era criança, aqui na Fajã Grande, que nem sequer freguesia era, mas sim um lugar pertencente à Fajãzinha, nessa altura chamada Fajãs, a pobreza era muita. O povo passava muita miséria, vivia só do que produzia e não vendia nada, pelo que não tinha dinheiro para comprar telhas, pelo que cobria as casas com palha de trigo, pois nesses tempos não se cultivava milho como agora, mas sim trigo, que dava bem mais trabalho e canseiras. Além disso as casas eram muito pobres, muitas tinham apenas uma ou duas divisões, uma porta sem vidros e o chão era de terra batida, como se diz ou de solo. Por fora eram de pedra como os palheiros de agora. Muitos desses palheiros de hoje, há uns anos atrás, eram casas. O avô daquele rapaz que é padre, o José Luís, que é muito mais novo do que eu, vivia na casa que hoje é o palheiro do Raulino Fragueiro e foi aí que o rapaz nasceu. Alguns anos depois é que o filho, o Antonho fez aquela casa no Alagoeiro e o outro filho, o Manuel, que tem os dois moinhos da Ribeira das casas, construi a sua ali perto. Mas ambos foram para a América, a fim de ganhar dinheiro para as construir. Muitos outros fizeram omesmo. Até eu o fiz, também.

Na construção das casas as pessoas utilizavam apenas os recursos naturais que possuíam, alguns muito abundantes como a pedra para as paredes e a madeira, esta menos abundante, para as portas e divisões interiores. Por isso as paredes de habitações eram robustas, pois muitas ainda hoje aí estão, construídas em alvenaria de pedra seca, eram dobradas e com quase meio metro de espessura.

As pedras eram acarretadas de perto e arestadas com o malho de ferro, ficando com a face exterior direita, um pouco à bruta como ainda se pode ver. Apenas as pedras de cantaria, as ombreiras e as vergas eram bem trabalhadas e picadas, primeiro com o picão e depois com a picareta.

Meu avô também contava que vieram, noutros tempos, muitos pedreiros de São Miguel, sobretudo de Vila Franca do Campo, ajudar a fazer as paredes das casas e que nos tectos de palha de trigo esta era fixa numa armação de madeira, a que era muito bem amarrada e em boas quantidades, para que não entrasse água da chuva e o vento a não levasse.

Naquele tempo, para se poder segurar bem a palha e proteger a casa dos temporais a estrutura do tecto era formada por varais, espaçados e assentes nos frechais. Nos varais pregavam-se ripas de tamujo ou de outra madeira, ou até canas, às quais se amarrava a palha com vimes.

Tempos de muita miséria e pobreza!

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publicado por picodavigia2 às 15:33





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