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AS FOLGAS DO PICO

Quarta-feira, 11.03.15

As Folgas eram ajuntamento de pessoas, onde se realizavam balhos em casas especiais, geralmente, de arrumos, onde não vivia ninguém ou numa loja que tivesse alguma dimensão, muitas vezes casas de milho, com as maçarocas de milho dependuradas nos tirantes. Eram, pois momentos de descanso ou de folga em que o povo se juntava, em algumas casas ao serão ou aos domingos de tarde, depois de um dia de trabalho ou de uma semana de canseiras. Tocavam e bailavam bailes. Num ambiente quase familiar, as pessoas juntavam-se, simplesmente, para bailar. Geralmente eram organizadas pelo dono da casa que convidava amigos e conhecidos. Mas no decorrer da noite chegavam muitas pessoas de fora e eram sempre bem-vindas. Quem nunca podia faltar numa folga eram os tocadores, geralmente convidados por quem dava a folga. Deviam ser bons tocadores. O ir a uma folga exigia sempre uma roupinha melhor, sobretudo para as donzelas. É que, normalmente, ou já tinam namorado e tinha que se apresentar jeitosas, ou ainda não o tinha e, nesse caso, ainda se aperaltava melhor, para impressionar. Os participantes nas folgas, por vezes, tinham que percorrer grandes distâncias, de noite, a pé, iluminados por uma simples e tosca lanterna. A viola era fundamental. Dizem alguns historiadores que no século passado, na ilha do Pico, sempre que se juntavam alguns casais e uma viola era certo um bailarico ou uma folga. Sabe-se que a viola fazia parte da vida das famílias. Era uma herança de pai para filho, quando o pai tocador morria, havia sempre um filho que lhe herdava a viola e o substituía.

Antigamente, no Pico, o balho predominante era a Chamarrita, considerada como que a rainha das folgas.

As noites de inverno eram longas. Por vezes era difícil arranjar espaços disponíveis e capazes, pois as casas onde se realizavam as folgas eram emprestadas pelo dono. Eram muito frequentes as folgas guerreadas quando alguém se zangava e, depois, se debatia para ver qual a folga que tivera maior número de participantes. Para além da viola da terra, usava-se o violão, o violino e o bandolim. Havia também cantadores e um  mandador.

A Chamarrita era um dos mais antigos bailes tradicionais mais bailado no Pico, antigamente. Ainda hoje reúne espontaneamente a população, em festas populares e encontros ocasionais, matanças e nas próprias folgas actuais. É acompanhada por vezes por cantadores, e sempre por tocadores, com violão, violino, viola da terra, bandolim e eventualmente uma rebeca. A chamarrita é o bailo mais emblemático do folclore picoense. Era bailada tanto nas casas de folgas, terreiro ou em qualquer outro espaço destinado a ajuntamento popular, como sejam, vindimas, desfolhadas, matanças de porco ou romarias. É um balho mandado que requer mandador experiente e animado e muita arte e perícia por parte dos participantes. A chamarrita acaba sempre com a expressão “Olha o Pico”, dita por um tocador ou cantador.

 

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publicado por picodavigia2 às 14:31





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