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BARTOLOMEU DE QUENTAL

Sábado, 01.11.14

O Padre Bartolomeu de Quental nasceu nos Fenais da Luz, ilha de S. Miguel, a 22 de Agosto de 1626, tendo falecido em Lisboa, em 20 de Dezembro de 1698. Em 1643, partiu para Lisboa, seguindo depois para Évora, onde frequentou a Universidade local, o Real Colégio das Artes, tendo-se licenciado em Filosofia em 1647 e obtido o grau de Doutor. Matriculou-se no curso de Teologia, ainda em Évora, mas passou para Coimbra em 1650, sendo já diácono dois anos mais tarde e pregando aos universitários. Em Dezembro de 1652, foi ordenado presbítero. Em 1654, estando vaga a vigararia da igreja matriz da Ribeira Grande, Bartolomeu do Quental concorreu e ganhou o lugar, por unanimidade de votos. No entanto, quando parecia que ia regressar à terra natal e rever a família, renunciou à nomeação, optando por pregar na região de Lisboa. A intensidade e qualidade do seu esforço eram publicamente reconhecidas e a 22 de Outubro de 1654 foi nomeado capelão-confessor da capela real e pregador extra-numerário. Apesar das tarefas que, desde essa data, desempenhou na corte, Bartolomeu do Quental não descurou a pregação itinerante, que continuou a manter. Após a morte de D. João IV, ocorrida em 1656, em plena Guerra da Restauração, Bartolomeu do Quental manteve o seu fervor missionário no território subordinado à arquidiocese de Lisboa, procurando, em simultâneo, reformar os capelães e clérigos da Capela Real. Em 1659, instituiu uma congregação de sacerdotes, com estatutos próprios, que organizavam a vida individual e colectiva e, de certa forma, já prenunciavam o que viria a ser a Congregação do Oratório. Entre 1664 e 1667, um período marcado por lutas internas na corte, prosseguiu as pregações no arcebispado de Lisboa, as visitas a hospitais e os exercícios espirituais, afastando-se progressivamente do partido régio e apostando na aproximação ao Infante D. Pedro. Em 1667, com a deposição de D. Afonso VI, Bartolomeu do Quental, beneficiando das suas boas relações com o Infante, preparou a fundação do Oratório como «associação de padres seculares, sem quaisquer votos». Inicialmente, o cabido – a Sé de Lisboa estava então vaga – recusou as propostas do sacerdote micaelense, mas, a 30 de Dezembro de 1667, antes da reunião decisiva, um dos cónegos que mais se opunha ao projecto morreu de um ataque e o cabido, impressionado, votou unanimemente a favor da obra idealizada pelo padre Bartolomeu do Quental. A provisão foi passada a 8 de Janeiro de 1668 e, a 16 de Julho desse ano, em Lisboa, nas Fangas da Farinha, na Rua Nova do Almada, nasceu a Congregação do Oratório, cujos estatutos seriam aprovados pelos papas Clemente X e Inocêncio XI. Em 1674, os Oratorianos mudaram-se para a Igreja do Espírito Santo, na mesma rua. A partir de Lisboa, o Oratório espalhou-se pelo país, com grande incidência nas províncias nortenhas. A multiplicação das casas levou o padre Bartolomeu do Quental a pensar na sua unificação legal, procurando seguir o modelo do Oratório francês, mas recusando a ostentação e a música. A partir do reino português, os Oratorianos implantaram-se no Brasil e na Índia mas, apesar do seu fundador ser natural de S. Miguel, nenhuma casa oratoriana foi instalada nos Açores. Desde a fundação do Oratório português até à data da sua morte, em 1698, o padre Bartolomeu do Quental escreveu diversos livros de meditações e dois volumes de sermões. Quando morreu, vítima de uma pleurisia, tinha fama de santo e vários milagres lhe foram atribuídos após o falecimento. A sua obra deixou profundas e bem sucedidas marcas.

Obras principais: Sermam funebre nas exequias da Excellentissima Senhora D. Leonor Maria de Menezes, condeça de Atouguia, Meditaçoens da infancia de Christo Senhor Nosso da Encarnaçam ate os trinta annos de sua idade, Meditaçoens da sacratissima payxão, e morte de Christo Senhor nosso, Meditaçoens da gloriosa resurreyçam de Christo Senhor Nosso: sua admiravel ascenção, amorosa descida do Espirito Santo, e finissimos excessos do Divinissimo Sacramento: com a direcção para a oração mental e mais exercicios espirituae, Sermoens do Padre Bartholameu do Quental., Meditaçoens das Domingas do anno.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

 

 

 

 

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publicado por picodavigia2 às 22:08





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