PICO DA VIGIA 2
Pessoas, costumes, estórias e tradições da Fajã Grande das Flores e outros temas.
CAÇADOR DE MOSCAS
“O diabo quando não tem que fazer caça moscas.”
Este é mais um interessante adágio utilizado, antigamente, na Fajã Grande. Com ele pretendia-se, muito especialmente, recriminar as crianças que estando desocupadas se entregavam a toda a espécie de diabruras, que incomodavam os adultos e punham os cabelos em pé aos progenitores.
No entanto, na Fajã Grande, terra de muito trabalho e canseiras como que se acreditava que não fazer nada é a coisa mais difícil do mundo, tão difícil que se tornava impossível, por isso ninguém que não fazia nada, nesse caso fazia o pior, dispartes ou asneiras, por isso o provérbio também se aplicava aos adultos.
A preguiça, na verdade, na mais ocidental freguesia açoriana, era assumida como um dos maiores de todos os vícios e para além de ser um obstáculo ao trabalho era a origem de outros vícios e de muitos disparates. Além disso era considerada como uma atitude reveladora de aversão ao trabalho, de negligência, de indolência, ou lentidão em praticar realizar qualquer tarefa. Por isso, através deste adágio, era invocado o diabo, o causador de todos os males, como sendo uma espécie de padroeiro ou patrono dos preguiçosos, uma vez que estes são avessos a atividades que mobilizem quer o esforço físico quer mental, de modo a, por conveniência, direcionarem as suas atividades para o disparate, para a asneira. Cuidava-se que era quase impossível estar sem fazer nada por isso quem não trabalhava, necessariamente, fazia asneiras. Por tudo isto este adágio também se aplicava muitas vezes aos adultos a fim de lhes lembrar estes postulados. Servia assim como uma espécie de motivação psicológica para combater a preguiça. Paralelamente também era muito frequente um outro adágio: A preguiça morreu à sede à beira de um poço com preguiça de se baixar para beber água”.

