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CASAS DE PALHA (DIÁRIO DE TI’ANTONHO)

Sábado, 21.06.14

Meu avô nasceu na era de 1800. Meu Deus! Aos anos que isto foi! Ele contava que ouvia o avô dele contar que no tempo em que era pequeno o povo vivia, nesta terra, numa grande pobreza e miséria. Para comer, só tinham o que as terras davam e algum peixe e lapas. Não tinham que comer, nem que vestir, nem cama pra dormir, A pobreza era tanta que a maioria das casas, eram feitas de pedras, com o chão de terra e cobertas de palha de trigo, sem janelas e com apenas uma porta. Havia alguns mais desgraçados que até viviam em furnas, à beira do mar, pois naquele lugar que hoje se chama Furnas, onde há boas terras de milho, antigamente havia muitas furnas encravadas nos rochedos do baixio.

Mas não era só a casa que era uma pobreza desgraçada. Não havia fornos, ou melhor só uma ou duas casas ricas é que os tinham, nem sequer havia tijolos, como os de hoje, para cozer o bolo. Coziam-no em cima de pedras que aqueciam com lume. Havia pessoas que só tinham esse bolo para comer com o leite das cabras ou de uma ou outra vaca.

Meu avó contava, também, que havia um homem a quem chamavam o Tio Palha. Chamava-se assim por era muito hábil em por a palha nos telhados das casas. Mas ele não tinha casa sua, nem mulher, nem filhos. Para dizer a verdade, só tinha a roupa do corpo e esta era rota pois não tinha quem lha remendasse. Era tão pobre que nada tinha para comer e era magrinho e, como não tinha casa, dormia numa furna junto ao mar. Certa noite, enquanto dormia, levantou-se grande temporal e o mar embraveceu, galgando a terra e, entrando na furna, levou o tio Palha. Nunca mais se soube dele. 

 

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publicado por picodavigia2 às 16:07





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