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CONTROLE

Quinta-feira, 13.03.14

Aeroporto. Pequeno aeroporto, sem grande movimento, diga-se. Hora de embarque. Um reduzido grupo aguarda a sua vez, a fim de se despojar, por momentos e provisoriamente, de tudo o que carregue consigo e seja um metal qualquer, não vá o alarme denunciar.

Um casal aguarda a sua vez. Ele bonacheirão, alienado de pormenores, com pouco de que se despojasse. Ela toda aperaltada, brunida, pintada, a simular elegâncias inexistentes, a aspergir aromas de importância e bem carregada de pulseiras, colares, brincos, prisões, fivelas e um brutal relógio de pulso. Aproximou-se e lá foi retirando um pouco de tudo, que ia colocando, cuidadosamente, dentro da caixinha.

O segurança incentivava. Se tinha mais isto e mais aquilo e aquele outro. Ela que nada. Não tinha mais nada. Tentou, então passar o arco fatídico. Qual o quê! O alarme, sem escrúpulos, soou, zuniu, alertou e impediu-a de passar. Esquecera uma pulseira que retirou de imediato e colocou na caixa. Nova tentativa e o raio do alarme parecia que estava louco. Detectou mais um colar, uma fivela e um broche de cabelo. Por fim mais nada tinha. Agora sim, podia passar limpinha. O alarme é que não foi na cantiga. E voltou a impedi-la de passar. Mas porquê, se não tinha mais nada, se já se tinha despojado de tudo o qu era ouro ou outro metal…

“De tudo não” – concluiu o guarda. Deve ser dos sapatos ou melhor dos botins. Tem que os tirar. O quê? Tirar os botins, por causa daquele maldito alarme. Era o que faltava… Já tinha tirado o casaco, o cinto, o cachecol e agora os botins… Mas sem tirar os botins é que não passava…

Sentou-se e descalçou-se. Só que, por baixo daquele ouro, daquele aparente bem vestir, daquele aparato de elegância, daquela grandeza camuflada, daquele trejeito de “gran-fina”, tinha – imagine-se – as meias rotas. Num dos pés um dos dedos estava quase todo ao léu!...

Risotas escondidas, murmúrios silenciosos, comentários abafados dos circundantes já fartos de tanto esperar.

E entre as glosas, lá saiu uma mais afoita:

- Se o segurança lhe manda tirar as calças, aposto que tem selote nas cuecas…

Mas não foi necessário pois retirados os botins, o raio do alarme calou-se e ela pode, finalmente, passar no controle.

 

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publicado por picodavigia2 às 16:54





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