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ENTRE A FAJÃ E PONTA DELGADA

Terça-feira, 29.07.14

Um dos mais emblemáticos caminhos da ilha das Flores, nos anos cinquenta era o que ligava a Fajã Grande a Ponta Delgada. Trilhei-o na totalidade, apenas uma vez, em criança, mas em sentido contrário, isto é de Ponta Delgada, mas de noite. Consequentemente com muitos sustos e atribulações.

Actualmente este trilho, de cuja uma boa parte da sua extensão se situa em terreno pertencente à freguesia da Fajã Grande, foi, actualmente, transfomado num dos mais interessantes trilhos turísticos não apenas das Flores, mas talvez dos Açores. Este trilho, antigamente começava no Calhau Miúdo e seguia o antigo caminho que dava para a Ponta. Até aquela localidade era um caminho empedrado, com calçada romana e nele transitavam pessoas, animais, caros de bois e corsões. Do lado de Ponta Delgada, iniciava-se no sítio onde hoje se construiu uma estrada agrícola de betão, que tem como objectivo principal ligar o casario da freguesia de Ponta Delgada ao Farol da Ponta de Albarnaz. Ontem como hoje, demora-se cerca de duas e meia a três horas a percorrer este trilho tem a duração total de cerca de 2h30m.

Para quem como eu, o inicia em Ponta Delgada e pretende chegar à Fajã Grande, deve seguir pela estrada do Albarnaz até encontrar um caminho, hoje devidamente sinalizado, virando à direita. Esta parte do trilho, ladeada de hortênsias, desce e atravessa várias ribeiras, relvas, grotões e valados até chegar a uma cancela que corresponde a cerca de metade do percurso percorrido. Nesse local pode desfrutar-se de uma maravilhosa e deslumbrante vista sobre a parte Noroeste da ilha, nomeadamente o mítico Ilhéu de Maria Vaz, a Ponta de Albarnaz com o seu Farol, grande parte de Ponta Delgada e, mais além, a vizinha ilha do Corvo, que dali assume a forma de um gigantesco e fumegante biscoito. O caminho segue na direcção do Cimo da Rocha da Ponta, entre os Fanais e a Caldeirinha. Era por ali que seguiam, outrora, muitos jovens que, pretendendo demandar a ilha na procura das Américas. Desciam a rocha até à Baía dos Fanais, onde as baleeiras, ali escondidas e a abastecer-se de água e viveres, os esperavam e nas quais embarcavam clandestinamente. Consta que geralmente iam munidos de caniços e apetrechos de pesca para enganar os guardas, que os vigiavam dos fortes que abundavam na orla costeira. Finalmente assoma-se ao Cimo da Rocha, ao local chamado Risco, donde se vislumbra uma outra assombrosa vista. Agora sobre a Fajã, a Ponta e oceano com o Monchique plantado ali bem perto. O trilho continua até à Ponta, por uma vereda de terra batida alternada com pedra de calçada escaleiras. Depois de atravessar o casario da Ponta, o caminho, hoje, é em piso alcatroado que terminar na Fajã Grande.

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publicado por picodavigia2 às 20:16





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