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ESTRUME DE MAIO

Sábado, 24.05.14

“Em Maio até a unha do gado faz estrume.”

Interessante este adágio, outrora utilizado na Fajã Grande, revelado da necessidade que as sociedades agrícolas tinham de aproveitar todos os detritos orgânicos para adubar os campos, a fim de que produzissem boas colheitas. E o gado contribuía muito para isso. Na verdade, os bovinos, na mais ocidental freguesia açoriana, tinham um papel primordial na produção de estrume quer quando amarrados no palheiro, quer quando eram “amarradas à estaca” no “oitono”, nos meses de Março e Abril. Nas terras onde habitualmente se verificava o ciclo agrícola do milho, havia um tempo em que os campos ficavam livres daquele cereal. Antes e por entre os milheirais de folhas amareladas e secas, a abarrotar de espigas loirinhas, semeava-se o trevo ou a erva da casta que iam crescendo, crescendo até se tornarem forragens apetitosas, que depois da apanha do milho formavam, com as folhas verdes e as flores vermelhas, azuladas, amarelas e esbranquiçadas, uma variadíssima gama de tapetes multicolores, ondulados pelo vento, ornamentando a freguesia de lés-a-lés. Era por essa altura que as vacas eram para lá levadas para estas terras, onde ficavam alimentando-se não apenas das forragens verdejantes, mas também de erva e de incensos que para ali eram acarretados a fim de que a permanência dos animais durasse o tempo necessário e suficiente para “trilhar” bem o terreno, isto é, produzindo muito estrume. Na verdade, o objectivo fundamental era estrumar bem o terreno, aproveitando tudo. Em Maio lavravam-se os campos que haviam de produzir adubado pelo estrume dos bovinos. Este era fundamental, isto é, tão importante que até a sujidade contida numa unha de uma vaca deveria ser aproveitado.

Maio mês da lavoura dos campos estrumados… E todo o estrume era pouco…

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publicado por picodavigia2 às 16:28





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