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FESTA DO PADROEIRO SÃO JOSÉ

Quarta-feira, 19.03.14

A Fajã Grande, ainda antes de ser paróquia escolheu São José como seu padroeiro. Não se vislumbram facilmente as razões desta opção. No entanto, não será de estranhar, que tendo a sede da freguesia das Fajãs, ou seja a Fajãzinha, a que o lugar da Fajã Grande pertenceu até 1861, como padroeira a Virgem Maria, Mãe de Jesus, sob a invocação de Senhora dos Remédios, aquele lugar escolhesse o Pai Putativo de Jesus, São José, como seu padroeiro, mantendo-se o orago, aquando o da criação da paróquia. Assim ficaram as duas localidades vizinhas sob a protecção de Maria e José, os pais de Jesus. Além disso, São José foi sempre considerado um dos Santos mais populares da Igreja Católica e padroeiro dos trabalhadores, portanto um Santo a cuja devoção não podia ser alheio o povo de uma terra onde o trabalho era condição fundamental de vida.

A mais antiga imagem de São José de que há memória na Fajã Grande, ainda existe na sacristia da igreja paroquial. Trata-se uma bela e valiosa obra artística, do século XVII, pintada a ouro, de pequenas dimensões, representando o Santo, com aspecto de caminhante, calçado com umas botas, com o Menino ao colo e uma açucena a servir de bordão. Dado o seu valor histórico, esta imagem foi sempre muito cobiçada por coleccionadores de arte e directores de museus. Nos anos cinquenta foi substituída por uma nova, moderna, em que o Santo se apresentava como carpinteiro, conduzindo o Menino por uma das mãos e segurando uma serra com a outra.

Colocada no altar-mor, em lugar de destaque, a imagem de São José, quer a nova quer a velha, foi sempre muito venerada na Fajã Grande, sendo, na década de cinquenta, celebrada uma festa no seu dia litúrgico, 19 de Março.

A festa de São José era uma das maiores da Fajã Grande, depois do Espírito Santo e da Senhora da Saúde e a ela vinham, a pé ou de barco, muitos romeiros de toda a ilha, sobretudo das freguesias vizinhas, nomeadamente da Fajazinha, Mosteiro, Ponta Delgada, Lajedo, Lomba e Cedros. Muitos deles vinham de véspera, hospedando-se em casa dos seus “conhecidos”. Era também o dia em que as crianças, geralmente, faziam a primeira comunhão e a comunhão solene.

A festa iniciava-se com um tríduo preparatório, constituído, por missa, sermão e devoção a São José. Na véspera e dia tocavam-se Trindades dobradas. Para a freguesia deslocavam-se sempre, no mínimo três padres, sendo que um deles vinha mais cedo para pregar o tríduo. Na véspera todos os padres se disponibilizavam para as confissões, dois nos confessionários laterais e outros dois nos ralos da grade, aproveitando o padre Pimentel para fazer, nessa altura, a desobriga pascal. No dia da festa, durante a manhã havia três ou quatro missas. A da manhã destinada às donas de casa e a quem não pudesse assistir às seguintes. A segunda era a missa da Comunhão, onde toda a gente comungava, pois sendo obrigatório o jejum desde da meia-noite, era quase impossível comungar na missa da festa. Esta era sempre de três padres, celebrada e cantada por um, geralmente o pároco, com outros dois a acolitá-lo e com um quarto a pregar o sermão, assumindo assim o epíteto de o “pregador da festa”. A quarta missa, se a houvesse, era celebrada no altar da Senhora do Rosário e contrariamente às outras esta não tinha sermão. De tarde realizava-se uma grande procissão. Para além da imagem de São José saíam também a da Senhora da Saúde e a de Santa Teresinha e nela se incorporavam as crianças da cruzada, os homens com as opas vermelhas, uns a transportar os andores e o pálio, outros as lanternas e a cruz, muitas pessoas e o clero, sendo que três padres seguiam debaixo do pálio, um de capa de asperges, transportando o Santo Lenho e os outros dois acolitando-o, revestidos com dalmáticas. Se a Páscoa fosse baixa, e o dia de São José coincidisse com algum dia da semana da Paixão, os Santos estavam todos retirados ou cobertos com véus. Nesse caso só saía na procissão São José.

Durante a restante parte da tarde havia arraial, com quermesse, vendas de bebidas e chocolates, arrematações e jogos, nomeadamente o do boneco de atirar bolas e o da pesca às cervejas, sob a orientação e coordenação do Albino. Antes de ser criada a Filarmónica Senhora da Saúde geralmente a procissão e o arraial não eram acompanhados por filarmónica.

No dia do padroeiro as refeições, em quase todas as casas, eram melhoradas: comia-se pão de trigo com manteiga de manhã e ao meio dia e à noite carne de vaca ou de ovelha. Caso uma e outra faltassem recorria-se a uma galinha da capoeira ou a torresmos e linguiça, tudo, é claro, acompanhado com inhames e pão de trigo

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publicado por picodavigia2 às 13:06





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