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HERA E OS FESTIVAIS DE MASTRONÁLIA

Domingo, 02.03.14

Hera, filha de Cronos e Réia, era a deusa da serenidade no casamento, da frescura dos pastos e da perseverança das vacas. Era irmã e esposa de Zeus, o poderoso senhor absoluto e deus dos deuses, sendo, habitualmente, retratada como doce, majestosa e solene, coroada como uma rainha, com uma coroa de ouro. Hera, também, ostentava na sua mão uma romã, símbolo da fertilidade, do sangue, da frieza e da morte.

Sendo responsável e defensora da fidelidade conjugal, Hera tinha, por vezes e sobretudo quando ofendida na sua dignidade, um temperamento ciumento e agressivo contra qualquer relação extra conjugal e, além disso, odiava e perseguia as amantes de Zeus e os filhos de tais relacionamentos. O único filho de Zeus que ela não odiava, antes gostava, era Hermes e sua mãe Maia, pois ficara surpreendida com a inteligência e beleza que o jovem revelava,

A deusa Hera tinha, edificados em sua honra, sete templos, em toda a Grécia. Nas suas representações aos humanos, mostrava, apenas, os seus olhos e usava uma pena de pavão, a sua ave predilecta, para marcar os locais que estavam sob a sua protecção.

Hera era muito vaidosa e sempre quis ser mais bonita que Afrodite, a sua maior e principal inimiga. Irmã e esposa de Zeus, a mais excelsa das deusas do Olimpo, foi descrita e retratada na Ilíada como orgulhosa, obstinada, ciumenta e rixosa. Com Zeus teve todos os seus filhos: Hebe, Hefesto, Ares, Éris e Ilitia. Odiava sobretudo Héracles, o qual procurou, por diversas vezes, matar e, na guerra de Tróia, por ódio aos troianos, devido ao julgamento de Páris, ajudou e apoiou os gregos.

Hera, para além de deusa, era rainha do Olimpo, conhecida também como protectora e defensora da vida e da mulher. Reinava no Olimpo ao lado de Zeus, seu marido, por quem chegou a ser muito humilhada, sobretudo pelas suas traições e atitudes, nomeadamente, quando ele, sozinho, gerou Atena, mostrando, assim, que não precisava de Hera nem para conceber um filho. Triste e desolada, Hera procurava consolo e amparo junto de Hiógenes, que a amava apaixonadamente. Ela, porém, nunca correspondeu a tão grande paixão, tentando sempre ignorá-la.

Um dos graves episódios de ciúmes de Hera foi o que aconteceu com a deusa Calisto que por ser muita bela lhe conquistou o marido. Hera para os separar transformou Calisto numa ursa que, assim, passou a viver numa floresta, muito isolada de todos e muito assustada com medo de ser morta pelos caçadores. Até que um dia, a ursa ao reconhecer o seu filho Arcas, correu para abraçá-lo, mas Arcas não a reconheceu e preparou o arco para lhe atirar. Hera, porém, prevendo o que iria acontecer lançou um feitiço e enviou os dois para os céus, transformando-os em constelações, nascendo assim a Ursa Maior e a Ursa Menor. Mas mesmo assim, Hera ainda tinha muita raiva de sua rival e, por isso, pediu a Tétis e a Oceano, divindades do mar, que nunca deixassem as duas ursas descansar nas suas águas. Essa a razão por que aquelas duas constelações ficam sempre em círculos e nunca desaparecem no céu, nem descem para trás das águas como as outras constelações e as suas estrelas.

Outro episódio de ciúme de Hera foi quando encontrou Zeus com outra amante. Era a deusa Io, mas Hera ao perceber que ela se aproximava de Zeus, transformou-a numa vaca. Hera pediu a Zeus que lhe desse a vaca como presente, o que Zeus não lhe pode negar, fazendo-lhe a vontade. Então ela entregou a vaca aos cuidados de Argos, um monstro de muitos olhos, que ao dormir nunca os fechava todos e, assim, a vaca estava sempre vigiada. Mas Zeus ao ver o sofrimento da amante pediu a Hermes que matasse Argos. Então Hermes tocou uma música, fazendo com que Argos adormecesse por completo, fechando, assim, todos os olhos, após o que lhe arrancou a cabeça.

Então Hera muito triste pelo sucedido, pegou nos olhos de Argos e colocou-os na cauda de sua ave predilecta, o pavão, onde ainda hoje permanecem. A deusa continuou perseguindo Io, mas Zeus prometeu que não a teria mais com a amante. Hera aceitou a promessa e devolveu a aparência humana a Io.

Hera era homenageada, com pompa, nos celebérrimos festivais da Matronália, realizados no dia 1 de Março de cada ano. Tratava-se de grandes e solenes festejos dedicados às mulheres em geral, que, nesse dia, recebiam presentes e orações de seus maridos. Nos templos da deusa, celebravam-se rituais sagrados onde as mulheres deviam usar os cabelos soltos e não podiam usar cintos ou nenhum nó nas roupas. Os seus fiéis e devotos mortais ofereciam-lhe um vaso com um ramalhete de flores, que deviam estar amarradas com uma fita amarela.

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publicado por picodavigia2 às 00:51





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