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IDA AO MOINHO EM SÃO CAETANO

Sexta-feira, 11.04.14

A agricultura, juntamente com a pecuária, foram, desde longa data, os pilares fundamentais da economia de São Caetano. Antigamente, nesta freguesia, a actividade agrícola, como nas demais freguesias dos Açores, consistia, fundamentalmente, no cultivo do milho. A importância deste cereal na economia da freguesia foi tal que, por vezes, ate terá sido, muito provavelmente, utilizado como moeda de troca ou como meio de pagamento de serviços.

Desta forte implementação do cultivo do milho e da necessidade de o transformar em farinha, surgiu, na freguesia, a construção dos moinhos. Dada a raridade de cursos de água com caudal permanente, recorreu-se, naturalmente, à força eólica, surgindo assim os moinhos de vento que passaram a assumir um papel fundamental na definição da paisagem local e na memória cultural dos habitantes desta freguesia. Estes moinhos recorriam ao uso de hélices como elemento de captação e conversão da força do vento, transformando-a em energia capaz de movimentar os mecanismos necessários e adequados à moagem do milho.

Ir ao moinho, outrora, era fundamental na freguesia de São Caetano e fazia parte do quotidiano dos seus habitantes. A atestá-lo está a quantidade de moinhos que nela existiam e de alguns dos quais ainda restam alguns vestígios.

Estes moinhos, para aproveitar melhor a força do vento eram construídos nos lugares mais altos, os quais, embora sendo de rara beleza, tinham o inconveniente não só de serem um pouco distantes das habitações, mas, sobretudo, o de o seu acesso ser feito por veredas e canadas íngremes e sinuosas. Ao moleiro competia apenas moer o milho, pagando-se ele próprio do seu trabalho através de uma pequena quantidade de farinha que retirava de cada uma das moendas. Geralmente eram as mulheres que iam ao moinho, transportando o milho, em sacas de pano, vindas da América e carregadas à cabeça. Outras vezes, eram os homens que levavam as sacas num burrinho. Uns e outros esperavam que o milho fosse moído de imediato, ou então, regressavam a casa e aos seus trabalhos, voltando ao moinho no dia seguinte.

A freguesia de São Caetano foi a que melhor explorou a troca de mercadorias, sobretudo devido ao facto da emigração para o estrangeiro, ter sido feita através deste lugar, dado que oferecia condições ideais para navegação. Muitos dos seus habitantes ao emigrarem, obtinham melhores condições económica e ao regressarem à sua terra ou mesmo antes de o fazerem, compravam terrenos destinados ao cultivo do milho, no sítio do arrodeio e, sobretudo, no Faial. Nesta ilha recorriam aos rendeiros para trabalharem os campos e cultivar milho, pagando a renda com parte do mesmo. Este facto fez com que aumentasse substancialmente o recurso ao moinho.

 

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publicado por picodavigia2 às 09:30





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