Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



IGREJA E MOSTEIRO DE VILAR DE FRADES

Quinta-feira, 30.01.14

Dedicada a São Salvador, a igreja de Vilar de Frades e o mosteiro dos Lóios, que lhe é anexo, localizam-se no sopé do monte Airó, junto à margem esquerda do rio Cávado, na freguesia de Areias de Vilar, concelho de Barcelos, distrito de Braga. O conjunto arquitectónico ainda hoje existente faz parte do complexo do antigo convento da Congregação dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista que aí estabeleceu a sua primeira casa-mãe, tendo sido, antes, um mosteiro beneditino e hoje é Monumento Nacional. A sua arquitectura é notável, imponente e bela, com destaque para a abóboda da igreja e para o portal manuelino da fachada principal, do lado contrário à torre sineira, que se cuida ter pertencido ao templo primitivo.

As origens deste mosteiro beneditino remontam ao séc. VI e aos tempos em que São Martinho de Dume, apostado em estender o movimento monacal e a cristianização, entre Douro e Minho, era bispo de Braga. O convento, ocupado nessa altura pelos monges beneditinos, terá sido quase totalmente destruído em 714, a quando de uma investida muçulmana. A reconstrução da obra, por nobres locais empenhados em ajudar os reis na Reconquista Cristã, verificou-se apenas em 1070, mantendo-se sob a alçada da Ordem Beneditina, até ao início do séc. XV, altura em que passou a ser uma abadia secular, sob o padroado da arquidiocese de Braga, realizando-se, então, mais algumas obras de restauro. É por essa altura que a Congregação dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista ou frades Lóios, ali estabeleceu a sua primeira casa-mãe. Os seus reitores e abades, no entanto, vão adquirindo, aos poucos, alguma autonomia em relação ao arcebispado bracarense, ao mesmo tempo que vão anexando ao convento várias igrejas da região, dando um poderio crescente à Ordem, no Norte do País. Além disso, a Congregação ainda foi, paralelamente, conquistando muitos favores, indultos, graças, isenções e privilégios por parte de reis e papas.

Após o abandono por parte dos frades Lóios a igreja degradou-se e as instalações do mosteiro foram votadas ao abandono, passando a servir de cavalariça e celeiros de particulares.

A igreja voltou a sofrer obras de consolidação e restauro, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e do Instituto Português do Património Arquitectónico, a partir de 1990, nomeadamente alterações nas coberturas, limpezas e drenagens, estabilização de estruturas, limpeza e isolamento de alfaias litúrgicas e cantarias, sondagens arqueológicas, bem como obras de reabilitação das fachadas e caixilharias do edifício da igreja e restauro das salas do mosteiro, actualmente ocupado pelos frades da Ordem Hospitaleira de São João de Deus.

Segundo reza a história, neste mosteiro situava-se, outrora, o túmulo de um "Santo Abade" junto do qual acorriam muitos crentes em busca de curas milagrosas. A prova da sacralidade deste túmulo, dizia-se, estava num extraordinário fenómeno de que, sempre que um animal profanava o túmulo, ao passar-lhe por cima, acontecia ficar imediatamente com uma perna partida.

Sob o ponto de vista arquitectónico, exteriormente e para além do portal manuelino da fachada principal, há também, na torre sineira, um portal e uma janela de características românicas, vestígios do mosteiro original. Esta torre, rectangular e com sabor defensivo, é encimada por ameias e por uma águia, símbolo da Congregação dos frades Lóios. Por sua vez, o dorso do templo é coroado por três pares de pináculos, um dos quais (o da frontaria) foi transplantado para o cimo do escadório, à entrada do pátio. Faz parte também deste conjunto arquitectónico, um chafariz, de grande interesse histórico e artístico, existente no pátio conventual e que é composto “por um tanque circular, com uma coluna ornada com elementos vegetalistas e rematada por uma coroa real sustentada por quatro águias, sob as quais correm quatro bicas” e que data do século XVII. No adro da capela há ainda um pelourinho seiscentista. Consta, também, que era pertença deste mosteiro, um outro chafariz, outrora localizado no pátio do convento e que foi transferido para a cidade de Barcelos e colocado no Largo da Praça Nova, em frente à Igreja do Bom Jesus da Cruz.

Quanto ao interior, o templo é constituído por uma nave, uma peça única, pavimentada de granito e dela se separa a capela-mor por um arco de volta perfeita, com capitéis de ordem toscana. O tecto, um dos traços de maior beleza arquitectónica do templo, é constituído por uma abóbada de madeira pintada de azul, com nervuras cruzadas. O frontão apresenta um óculo que, presumivelmente, terá sido “tapado” por um alpendre, durante as obras de restauro do início do século passado. Existem também vários revestimentos nas capelas com azulejos seiscentistas. O altar-mor é constituído por uma peça de talha imponente, datado de 1697. Destacam-se ainda, na sacristia, duas telas do século XVIII, de Pedro Alexandrino e algumas valiosas esculturas. A capela também incluía um púlpito e um retábulo em talha dourada. O retábulo original foi, posteriormente, substituído por um de estilo barroco. Um inventário datado de 1834, menciona a existência de um retábulo neoclássico de mármore de várias cores, frisos e relevos dourados e, segundo documentos da Torre do Tombo, a capela incluía duas esculturas de Nossa Senhora do Socorro, “uma pequena de um palmo de altura, e outra maior de cinco palmos, ambas com uma coroa de folha-de-flandres e a maior com o menino Jesus ao colo”. Do conjunto arquitectónico da igreja e mosteiro de Vilar de Frades ainda faz parte, à entrada, um alpendre de arco abatido apoiado em duas colunas e um muro exterior com um portão de entrada, encimado por um nicho com a imagem de São Lourenço Justiniano que se cuidam ser reminiscências do templo medieval.

Autoria e outros dados (tags, etc)

tags:

publicado por picodavigia2 às 10:11





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter

calendário

Janeiro 2014

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031