Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



IMPOSIÇÃO DO ESCAPULÁRIO DA SENHORA DO CARMO

Quarta-feira, 16.07.14

Nossa Senhora do Carmo é um título ou invocação da Igreja Católica consagrado à Virgem Maria. Este título apareceu com o propósito de relembrar o convento construído em honra da Santíssima Virgem Maria nos primeiros séculos do Cristianismo, no Monte Carmelo, em Israel. A principal característica desta invocação mariana é apresentar o Escapulário do Carmo, símbolo que representa o acto de se estar, permanentemente, ao serviço de Deus e que, em contrapartida, acarreta muitas indulgências, graças e outros benefícios espirituais a quem o traz ao peito ou vestido, no caso da Ordem Maior.

Na Fajã Grande, sobretudo no lugar da Ponta, havia grande devoção à Senhora do Carmo e era costume muitas pessoas usarem o escapulário, sobretudo mulheres e crianças, pois acreditava-se que Nossa Senhora acompanharia e livraria de males e perigos quem o utilizasse. Na igreja paroquial, num nicho lateral do altar do Coração de Jesus ou do lado da Epístola, havia uma pequena imagem da Senhora do Carmo. Mas a grande e mais conhecida e venerada imagem da Virgem sob essa invocação, não só na freguesia mas em toda a ilha das Flores, encontrava-se na igreja da Ponta da qual era a Padroeira. A sua festa litúrgica era celebrada no dia dezasseis de Julho, mesmo que este não coincidisse com um domingo, transformando, assim, esse dia num verdadeiro dia Santo na freguesia. Mais tarde a festa passou a realizar-se no domingo de Julho mais próximo daquele dia.

Era no dia da festa, antes da missa do dia que, em cerimónia solene, presidida pelo pároco, com mandato canónico para tal, que se procedia à imposição do escapulário, constituído por duas pequenas tiras de pano castanho, uns com a imagem em plástico da Senhora do Carmo, presas uma à outra com dois elásticos que devíamos colocar ao pescoço de forma visível apenas no dia da festa e nos restantes dias por debaixo da roupa. Uma tira devia ser colocada sobre o peito e a outra nas costas. Isto no caso de se aderir apenas à Ordem Menor, porque mulheres havia que, aderindo à Ordem Maior, teriam que andar vestidas com um vestido castanho sobre o qual usavam o escapulário, também imposto numa cerimónia ainda mais solene. Neste caso, as tiras, também de cor castanha, eram muito maiores cobrindo-lhes o corpo quase por completo como se fosse um avental ou uma bata aberta nos lados. Na Ponta havia muitas mulheres que se vestiam assim, permanentemente, fruto de promessas que haviam feito.

O Escapulário, como era explicado pelo pároco durante a cerimónia de imposição, era um sinal de aliança com a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa mãe e exprimia a consagração a Ela dos que aceitavam usá-lo em Seu louvor.

Afirmava o pároco nas prédicas dos dias de tríduo preparatório, que, poucos anos antes, em 1951, por ocasião da celebração do 700º aniversário da entrega do Escapulário, o Papa Pio XII escrevera aos Superiores Gerais das duas Ordens carmelitas, afirmando que: "… o Santo Escapulário, que pode ser chamado de Hábito ou Traje de Maria, é um sinal e penhor de protecção da Mãe de Deus". Depois concluía que o uso do Escapulário do Carmo, havia sido recomendado por vários Papas e que muitos Santos o haviam utilizado durante toda a sua vida.

E nós inocentes e crédulas criancinhas, logo após a idade da\razão, lá íamos, à festa da Senhora do Carmo da Ponta, em romaria, receber o escapulário ou usá-lo, com maior solenidade naquele sai, colocando-o, ostensivamente, sobre a roupa.   

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 15:38





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter