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MARGARIDA JÁCOME CORREIA

Domingo, 06.04.14

Margarida Vitória Borges de Sousa Jácome Correia nasceu em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, em 31 de Março de 1919, tendo falecido em Lisboa, em 21 de Julho de 1996. Era filha do marquês de Jácome Correia, e de Dona Joana Chaves Cymbron Borges de Sousa. Senhora de grande beleza, de enorme vitalidade, e de uma considerável fortuna familiar, relacionou-se com personalidades importantes do meio cultural português, designadamente com os escritores Armando Côrtes-Rodrigues, com quem foi casada, com Domingos Monteiro, Hernâni Cidade, Natália Correia e Vitorino Nemésio, tendo desempenhado um papel de relevo na sociedade cultural portuguesa da sua época. Como empresária, foi fundadora de uma empresa de agro-pecuária pioneira na ilha de S. Miguel, a “Viçor”, que se dedicava ao arroteio de terras, à criação de vitelos e à produção de rações e de forragens para gado, e que acabaria, mais tarde, por falir. A sua vida afectiva, de uma grande riqueza humana, foi recheada de acidentes por vezes dramáticos, por vezes pitorescos, frequentemente escandalosos para os padrões portugueses e sobretudo insulares da época, mas sempre fulgurantes: casou ainda muito jovem, contra a vontade paterna, com Albano de Oliveira Azevedo, filho de banqueiro e gerente de uma loja de ferragens em Ponta Delgada, ainda seu parente pelo lado materno, de quem se divorciou ao fim de dez anos. Após o divórcio, a família forçou o seu internamento na clínica psiquiátrica de Prangins, perto de Génève, onde Margarida Vitória conheceu um galã egípcio, Aly Abdel Fatha El Lozy, de Damieth, com quem viria a casar e de quem teve dois filhos, acabando este casamento igualmente em divórcio. Mais tarde, casou-se com Armando Côrtes-Rodrigues, poeta do Orpheu e como ela natural de S. Miguel, de quem também se divorciaria. Durante o período em que viveu no Cairo, Margarida Vitória relacionou-se com o pintor libanês Edmond Soussa, então retratista oficial das princesas do Egipto, com o qual esteve para casar, mais tarde, em Paris. Foi através de Côrtes-Rodrigues, logo após o casamento com ele, que Margarida Vitória conheceu Vitorino Nemésio, que por ela se apaixonou, vivendo os dois uma relação amorosa de enorme intensidade que durou até à morte de Nemésio em 20 de Fevereiro de 1978, e que este foi registando nos poemas que viria a reunir no livro Caderno de Caligraphia, escritos entre Março de 1973 e Maio de 1977. Encontram-se ecos da relação com Nemésio na obra em que Margarida Vitória registou as suas memórias de vida – o polémico Amores da Cadela Pura: confissões, cujo primeiro volume foi escrito com o apoio de Vitorino Nemésio –, sobretudo no segundo volume, concluído pouco antes da morte da autora e que ainda se mantém inédito. Neste último livro encontram-se dados importantes sobre as relações afectivas de Margarida Vitória num período de decadência física e económica, tendo por fundo o conturbado ambiente político que se viveu em Portugal na sequência do 25 de Abril de 1974, sobretudo na ilha de S. Miguel com o movimento independentista a que de certo modo – e romanticamente, tal como Nemésio ou Natália – ela esteve ligada. Faleceu em 1996, arruinada mas sempre bela e sedutora.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

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publicado por picodavigia2 às 16:19





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