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MEDEIA

Sábado, 22.03.14

Medeia, filha de Eetes, rei da Cólquida, sobrinha de Circe foi uma esperta e subtil feiticeira que se apaixonou por Jasão, ajudando-o a obter o famoso “Velocino de Ouro”, que era posse de seu pai. O “Velocino de Ouro”, também conhecido por “Tesão de Ouro” era uma espécie de véu, mítico, doirado, e preciosíssimo que pertencera, originalmente, a um carneiro que tinha salvado duas crianças, Frixo e Hele, filhas de Atamante. Para as livrar de serem imoladas em sacrifício a Zeus, sob as ordens da sua malvada e cruel madrasta, Ino, o carneiro fugiu com as crianças, levando-as às cavalitas, para as montanhas. No entanto, durante a viagem, ao cruzarem o estreito canal que separava a Europa da Ásia, Hele caiu das costas do carneiro, estampando-se no mar que ali existia e que, por isso, passou a chamar-se - o Helesponto. Mas Frixo continuou o voo, bem agarrado ao dorso do carneiro, até o Mar Negro. Aí, o carneiro parou, desceu até à Cólquida e dirigiu-se para palácio do rei Eetes. Eetes recebeu Frixo de maneira gentil e simpática. Para lhe agradecer, o menino sacrificou o carneiro a Zeus, mas antes tirou-lhe o véu da lã, que se transformou num belo - “Velocino de Ouro” que ofereceu-o ao rei Eetes. Eetes, por sua vez, pediu a Ares, deus da guerra selvagem, da sede de sangue e da matança personificada, que o guardasse e Ares depositou-o num bosque sagrado, colocando um temível dragão a vigiá-lo, a fim de não ser roubado. Quando Jasão surgiu à procura do “Velocino de Ouro”, Ares jurou que apenas lho daria se ele conseguisse lavrar um campo com um arado puxado por dois monstruosos e indomáveis touros, com cascos de bronze nas patas e que expeliam fogo pelas narinas, os quais lhe haviam sido oferecidos por Hefesto.

Ora, Jasão queria o “Velocino de Ouro” para satisfazer as exigências imperiosas de Pélias, usurpador do trono do reino de Iolco. Jasão era filho de Éson, o legítimo rei de Iolco mas velho e incapaz de governar, e Pélias, meio-irmão de Éson, deveria governar Iolco, apenas até que Jasão, o verdadeiro herdeiro do trono, atingisse a idade adulta. Quando Jasão alcançou a maioridade, exigiu a sua herança, ou seja, o trono de Iolco, mas Pélias, não quis abdicar e obrigou-o a uma missão impossível: só lhe daria o trono de Iolco se ele lhe trouxesse o “Velocino de Ouro”, tarefa, obviamente, considerada inexequível, dada a permanente vigilância do temível dragão. Mas Jasão teve sorte, porque cerca de cinquenta heróis gregos comprometeram-se a ajudá-lo, não apenas a construir um navio, que o havia de levar à Cólquida mas também acompanhando-o na viagem, a fim de ele conseguir aquele infactível objectivo. Entre estes heróis, os mais importantes foram: Tífis, timoneiro do navio, o músico Orfeu, Zeto e Cálais, filhos do Vento Norte, os irmãos de Helena, Castor e Pólux, Peleu, pai de Aquiles, Meléagro da Caledônia, famoso caçador de javalis, Laerte e Autólico, pai e avô de Ulisses respectivamente, Admeto, o profeta Anfiarau, o próprio Hércules e muitos outros que, em função do navio onde navegavam, ficaram conhecidos como os “argonautas”. É que o navio chamava-se Argo, nome que significava "Rápido", pois era o mais veloz navio até então existente, em toda a Grécia. Foi construído no porto de Pagasse, na Tessália, com madeira do Monte Pélion, sendo a proa feita com parte da madeira de um carvalho sagrado, trazido do santuário de Zeus, em Dodona, por Atena. Esta peça feita com madeira do carvalho sagrado era profética e poderia falar, em ocasiões especiais, a fim de proteger os argonautas ou orientar a rota do navio.

Para além da tarefa de lavrar o campo, Jasão ainda teria de nele semear os dentes de um terrível dragão que fora morto por Cadmo, em tempos idos. Uma e outra destas tarefas eram praticamente impossíveis para Jasão. Foi Medeia, que, conhecendo os segredos do pai e apaixonada perdidamente por Jasão, se dispôs a ajudá-lo em tão difícil tarefa. Movida pela sua enorme paixão, Medeia traiu o seu pai, o rei Eetes e usou os seus poderes mágicos para salvar a vida do amado e lhe dar o “Velocino de Ouro”. Foi Hera, deusa protectora de Jasão, que pediu a Afrodite que convencesse Eros a fazer com que Medeia se apaixonasse por Jasão, a fim de o ajudar. Em troca, Jasão casar-se-ia com ela, e levá-la-ia consigo, para Iolco. Para o ajudar Jasão, Medeia ofereceu-lhe um unguento com que deveria ungir o seu corpo, enquanto lavrasse o campo, tornando-se, assim, invulnerável ao fogo e ao ferro e, desta forma, conseguisse enfrentar os touros e lavrar o campo. Além disso, Medeia também o avisou de que dos dentes do dragão, depois de semeados, nasceria uma seara de soldados que se revoltariam contra ele e que matá-lo-iam. Para evitar que tal acontecesse, Medeia revelou-lhe o segredo de Cadmo: se ele, de longe, atirasse uma pedra para o meio desse exército nascido da terra, os soldados ficariam confusos e destruir-se-iam uns aos outros. Com tais conselhos, Jasão executou as duas tarefas com facilidade e perfeição, exigindo, no fim, a Eetes, a recompensa a que tinha direito: - o “Velocino de Ouro”. Eetes ficou furioso e tentou incendiar o navio Argo. Foi, novamente, Medeia que tal impediu, dando-lhe narcóticos e conseguindo adormecer o terrível dragão que guardava o “Velino de Ouro”, avisando-o, também, dos planos do pai, de lhe incendiar o navio. Jasão conseguiu, assim, fugir da Cólquida, com a posse do tesouro desejado – o “Velocino de Ouro”.

Medeia decidiu partir com Jasão levando consigo o seu irmão Apsirto. Sabendo que o pai lhes iria no encalço e para o confundir e atrasar, Medeia matou Apsirto e cortou-o aos pedaços, espalhando-os pelo caminho, pois sabia que o pai tentaria recolher cada pedaço do filho para lhe dar a sepultura devida e assim conseguiria que ele se atrasasse, impedindo-o de os apanhar. Mas tão hediondo crime fê-los incorrer na ira de Zeus que, para os castigar, decidiu afastar o navio da rota traçada. Mas nessa altura, a nau, Argo, utilizando o poder falante da sua proa, informou Jasão e Medeia de que teriam de ser ritualmente purificados do crime cometido contra Apsirto. Quem o faria, seria Circe, tia de Medeia, por isso, encaminhou-os para a ilha de Circe, onde a feiticeira os purificou, não aceitando, no entanto, que Jasão permanecesse na sua ilha.

Por isso, depois de purificados, continuaram a navegar, com destino à Tessália, mas chegados a Creta, Medeia voltou a ter um papel importante na luta de Jasão contra Talo, o homem de bronze, que, quase invulnerável, rondava a ilha, lançando pedras contra as naus que ali chegavam, impedindo-as de acostar à ilha. Medeia sabia que o seu ponto fraco consistia numa veia que ele tinha, protegida por uma cavilha, no fundo de uma perna. Graças às suas artes mágicas, o gigante foi enfeitiçado, levado à loucura e morto, após o que a tripulação pode, realmente, desembarcar em terra firme, na ilha de Creta.

Daí, Medeia, Jasão e o grupo dos argonautas seguiram para Iolco, na Tessália, onde foram recebidos com muito entusiasmo e grandes festejos. Com a sua arte mágica Medeia rejuvenesceu Éson, rei de Iolco e pai de Jasão, ajudando-o, mais uma vez, a matar Pélias, o usurpador da coroa de Iolco, fazendo com que as próprias filhas lhe dessem uma receita trocada e que estava envenenada. Esse crime, porém, fez com que a população de Iolco se revoltasse contra ela e contra Jasão, obrigando-os a fugir para Corinto, onde passaram a viver exilados.

Alguns anos depois, Jasão apaixonou-se e casou com Gláucia, a jovem filha de Creonte, rei de Corinto, desta feita, abandonando Medeia e os filhos e subestimando o seu poder de enfurecimento. Instigado pelo novo genro, o monarca decretou a expulsão de Medeia e de seus filhos de Coríntio, mas esta, inconformada, sentindo-se traída e humilhada, encheu-se de um ódio sobre-humano e arquitectou uma terrível vingança para aniquilar e destruir o seu ex-marido. Utilizando os seus poderes mágicos, matou os filhos que tivera com Jasão e presenteou a sua rival, Gláucia com um manto mágico que se incendiou ao ser vestido, matando-a a ela e ao pai, rei de Coríntio. Jasão enlouqueceu e suicidou-se. Depois da morte de Jasão, Medeia fugiu para Atenas e casou-se com o rei Egeu, pai de Teseu, com quem teve um filho, Medos. Mas, passado algum tempo, decidiu, conspirar contra a vida do enteado. Teseu, filho do primeiro matrimónio do rei Egeu, tentando envenená-lo. Descoberta foi obrigada a retirar-se de Atenas

Acompanhada do filho Medo, Medeia voltou para a Cólquida. Nessa altura o rei Eetes, seu pai, já tinha sido deposto por seu irmão Perses. Medeia e Medo mataram-no e Medo usurpou o trono da Colquídia. Apoiado pela mãe, tornou-se um rei forte e poderoso, conquistando um grande território, que passou chamar-se Média.

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publicado por picodavigia2 às 13:53





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