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MENINOS DE TODAS AS CORES

Quarta-feira, 16.07.14

(UM CONTO DE LUÍSA DUCLA SOARES)

 

Era uma vez um menino branco, chamado Miguel, que vivia numa terra onde todos os meninos eram brancos e, por isso, ele pensava que todos os meninos do mundo eram brancos. Brincavam todos juntos, faziam desenhos de meninos brancos, e, juntamente com os todos os meninos brancos, o Miguel dizia:

 

É bom ser branco

Porque branco é o açúcar, que é tão doce

Porque branco é o leite, que é tão saboroso

Porque branca é a neve, que é tão linda e fofinha. 

 

Mas certo dia, os pais do Miguel resolveram viajar e o Miguel partiu, com eles, num grande num barco. A viagem demorou muitos dias, porque os barcos andam devagar, mas o Miguel, finalmente, chegou a uma terra onde, ficou muito admirado porque todos os meninos eram todos pretos.

Passado pouco tempo, fez-se amigo de um menino que era caçador e tinha um nome muito estranho, chamava-se Lumumba. Ele e o Miguel juntaram-se a todos os outros meninos pretos, brincavam todos juntos,  faziam desenhos de meninos pretos,  e, juntamente com todos aqueles meninos pretos o Miguel dizia:

 

Afinal, é bom ser preto

Porque preta é a noite, durante a qual nós dormimos tranquilamente,

Porque pretas são as azeitonas que são tão saborosas,

E pretas são as estradas onde andam os carros.

 

O Miguel, passado algum tempo fez uma outra viagem de camioneta e chegou uma outra terra  onde todos os meninos eram castanhos. Tornou-se amigo de um menino que fazia corridas de camelos e se chamava Ali-Babá. Ele e o Miguel juntaram-se a todos os outros meninos castanhos, brincavam todos juntos, faziam desenhos de meninos castanhos, e, juntamente com todos o Miguel dizia:

 

É bom ser castanho

Porque é castanha a terra do chão que nos dá as ervas e as plantas,

Porque castanhos são os troncos das árvores que nos dão a madeira,

Porque castanho é o chocolate que é tão doce…

 

O menino branco ainda fez uma outra viagem de avião, e só parou numa terra onde todos os meninos eram vermelhos e estavam a brincar aos índios. Tornou-se amigo de um menino chamado Pena de Águia e com ele também aprendeu a brincar aos índios. Então o Pena de Águia e o Miguel juntaram-se a todos os outros meninos vermelhos, brincavam todos juntos, faziam desenhos de meninos vermelhos,  e, juntamente com eles, o Miguel dizia:

 

É bom ser vermelho

Porque vermelhas são as fogueiras que são tão quentinhas

Porque vermelhas são as cerejas que são tão apetitosas

E vermelho é o sangue que dá vida ao nosso corpo.

 

Finalmente o Miguel fez uma viagem de barco, de camioneta e depois de avião para uma terra muito, muito distante onde todos os meninos eram amarelos. Tornou-se amigo de um menina chamada Flor de Lotus. Ela e o Miguel juntaram-se a todos os outros meninos amarelos, brincavam todos juntos,  faziam desenhos de meninos amarelos,  e, juntamente com todos o Miguel dizia:

 

É bom ser amarelo

porque é amarelo o Sol que nos dá a luz e o calor,

porque é amarelo o girassol que é uma linda flor

e porque é amarela a areia da praia, para onde vamos tomar banho nas férias.

 

Depois, quando o Miguel voltou à sua terra, a terra onde todos os meninos eram brancos, brincava com todos os seus amigos que eram brancos e todos juntos, faziam desenhos de meninos brancos, pretos, castanhos, vermelhos e amarelos e, juntamente com os todos os meninos brancos, o Miguel dizia:

 

É bom ser branco como o açúcar

É bom ser preto como as azeitonas

É bom ser castanho como o chocolate,

É bom ser vermelho como as cerejas

É bom ser amarelo como o Sol.

 

E, a partir desse dia, na escolinha do Miguel, todos os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, pretos, castanhos, vermelhos e amarelos, todos muito felizes e sorridentes.

 

Luísa Ducla Soares (adaptado)

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publicado por picodavigia2 às 08:55





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