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MORFOLOGIA DO CORVO

Sábado, 21.06.14

O Corvo é uma montanha, que se eleva do mar e cujo ponto mais alto é o Morro dos Homens, com mais de setecentos metros de altitude. No seu interior, a norte, existe uma caldeira com 5,5 quilómetros de circunferência e 250 metros de profundidade conhecida por “o Caldeirão”. Lá dentro pontilham alguns pequenos ilhéus, nos quais muitos acreditam ver pequenas representações ou símbolos das restantes ilhas açorianas. Além desta elevação destacam-se ainda: a Lomba Redonda, a Coroa do Pico, o Morro da Fonte, o Espigãozinho e o Serrão Alto.

Frei Diogo Chagas descreve assim a ilha do Corvo: “É muito alta, e toda descoberta, e redonda como uma bola; pode ter uma légua de grandeza em quadra; é toda um castelo cercado de rochas muito altas, não íngremes a pique mas lançantes, e em poias que vai fazendo, subindo sempre para terra, de modo que faz maior pé do que em coroa; e assim que andando-se em roda por terra em menos de meio dia, por mar há-de se gastar mais de um dia. Não é nestas terras altas toda chã, e plana mas de lombas, ladeiras, e varges. Não tem pico desigual porque toda ela é um pico”.

Na parte sul da ilha ficam umas terras baixas limitadas por duas pontas, uma a nordeste e outra a noroeste. Nestas terras baixas, segundo Diogo Chagas, se estabeleceram os primeiros colonizadores. O acesso a terra é relativamente difícil e praticamente limitado a três pontos: Porto da Casa, Pesqueiro Alto e Boqueirão – e mesmo assim só em dias de mar calmo. Tal como nas Flores, também à volta do Corvo há alguns ilhéus, pontas e baixios. Porém esta ilha é mais pobre em água do que a sua vizinha porque tem poucas ribeiras e fontes. Os seus povoadores tiveram de a conduzir desde a serra até ao povoado cavando um canal para o efeito. No ano de 1645 já o Porto das Casas estava servido dessa água e com ela, segundo os relatos de Diogo Chagas, se abasteciam as naus que ali aportavam para aguada. Em alternativa os navios e as naus também se podiam abastecer da água que brotava de uma rocha para o mar, a norte do Pesqueiro Alto.

A ilha tem de superfície cerca de 17 km², com 6,5 km de comprimento por 4 km de largura e dista cerca de 10 milhas da ilha das Flores. Além desta elevação destacam-se ainda: a Lomba Redonda, a Coroa do Pico, o Morro da Fonte, o Espigãozinho e o Serrão Alto.

Por sua vez, o litoral é alto e escarpado, constituindo o cone central do vulcão, com excepção da parte Sul, onde numa fajã lávica se estabeleceu a Vila do Corvo, a única povoação da ilha. A escarpa oeste, com uma falésia quase vertical com cerca de 700 m de altura sobre o oceano, é uma das maiores elevações costeiras existentes no Atlântico. As terras imediatamente em redor da única povoação da ilha e uma pequena zona abrigadas na costa leste (as Quintas e Fojo) são as únicas em que é possível praticar a agricultura e manter algumas árvores de fruto. As melhores pastagens para o gado ficam mais para norte, nas chamadas Terras Altas, onde se construíram os tradicionais palheiros.

A ilha localiza-se sobre a placa tectónica norte americana, a oeste do rifte da Crista Média Atlântica, edificada sobre fundo oceânico com cerca de 10 milhões anos e dizemos especialistas que corresponde a um vulcão do tipo central, que começou a emergir há cerca de 730 mil anos. O colapso da cratera terá ocorrido há 430 mil anos. Antes da formação da cratera, estima-se que o cone central teria cerca de 1 000 metros de altitude.

O Corvo enfrenta uma erosão contínua provocada pelos ventos dominantes de nordeste e oeste. As vertentes do vulcão encontram-se parcialmente preservadas nos flancos Sul e Leste, muito reduzidas pelo recuo das arribas litorais a norte e completamente ausentes a oeste. O recuo das arribas já alcançou o bordo oeste da caldeira. Na vertente sul, sobressaem cones secundários – Coroínha, Morro da Fonte, Grotão da Castelhana e Coroa do Pico – que se encontram bem preservados da acção erosiva, responsáveis pelo derrames basálticos que formaram a fajã lávica.

A extremidade noroeste da ilha constitui a Ponta Torrais, saliente e notável, em espinhaço aguçado e com cristas pontiagudas, tendo na sua face norte um pequeno ilhéu cónico, o ilhéu dos Torrais. Na costa norte e noroeste existe outro pequeno ilhéu, o Ilhéu do Torrão, e alguns recifes submersos perigosos para a navegação.

 

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publicado por picodavigia2 às 18:34





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