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MUSICA NO SEMINÁRIO DE ANGRA – ANOS 50/60

Domingo, 06.07.14

(TEXTO DE EMÍLIO PORTO)

Fui aluno do Seminário de Angra desde Outubro de 1950 até Junho de 1962 e fiz parte de um grupo constituído por vinte e oito jovens, oriundos de todas as ilhas. Era o mais velho. Nem todos chegaram ao fim do curso. Apenas onze se ordenaram a 3 de Junho de 1962. Fui um deles.

Este é o testemunho das memórias que guardo, confirmadas por informações pessoais de antigos alunos do Seminário. Seria mais completo, se alguns meus companheiros de curso ainda fizessem parte do mundo dos vivos. Ou se vivesse mais próximo dos que ainda, felizmente, vivem, espalhados por muitas partes do mundo. Que me desculpem uns e outros, das omissões ou imprecisões. Fica o meu testemunho. Da força, do saber e da cultura que senti no Seminário de Angra, nos anos 50-60 do seculo XX.

Depressa me apercebi duma tradição forte, nesta área, já que eram frequentes as referências a sacerdotes de grande saber, que foram preponderantes na criação de coros paroquiais e ou filarmónicas em muitas ilhas açorianas. No caso de filarmónicas, recordo, apenas, o Padre Alfredo Augusto de Menezes e Santos, natural da Madalena do Pico, que fundou em 1915, nas Flores, a Filarmónica União Musical Operária de Santa Cruz. Ainda nas Flores, o Padre Francisco Vieira Soares, natural das Lajes do Pico, que fundou a Filarmónica Lombense Manuel Martins, e mais tarde, quando foi transferido para a Piedade do Pico, fundou a Filarmónica União Musical da Piedade. Finalmente, na Graciosa, o Padre José Simões Borges, que ainda encontrei no Seminário, pela vida e dinamização que imprimiu às quatro bandas filarmónicas daquela ilha.

No campo dos coros paroquiais, ou capelas, foram notórios, o de São Mateus, criado pelo Padre Joaquim Vieira da Rosa, e o coro de São João da responsabilidade do Padre João Pereira da Terra, que acabou por ser o primeiro professor e mestre dos irmãos Padres Manuel Silveira d'Ávila e José Silveira d'Ávila. Este último, o mais conceituado de todos, pela acção que desempenhou, como professor de música e maestro do Orfeão do Seminário, antes de 1950. Ainda no aspecto dos coros paroquiais recorde-se a acção do Cónego Dr. Francisco Garcia da Rosa, na paroquial da Conceição de Angra do Heroísmo, e também na acção complementar que desempenhou em apoio ao Seminário.

Importante é também não esquecer, nesta análise, a acção que teve no mundo da música insular o Padre José Luís Fraga, natural das Flores, pelo trabalho de recolha que fez da música popular, e que foi publicado da revista Atlântida. Os trabalhos, cópias manuscritas, lá publicados foram feitos pelo Padre Dr. Antonino Tavares e pelos, então alunos do Seminário, Manuel Emílio Porto e José António Piques Garcia a pedido da direcção do IAC.

Finalmente, o mais conhecido e conceituado de todos e em todo o país, o Padre Tomás Borba pela obra imensa que deixou e, sobretudo, pelo contributo que deu ao ensino da música em todo o país.

Com efeito, tudo nos falava de um passado brilhante no presbitério açoriano e, por isso, pelas conversas frequentes com alunos mais velhos e professores, compreendia-se o vazio provocado pela falta do Padre José Silveira d'Ávila, lídimo continuador desse passado, e último director do Orfeão do Seminário. Parecia uma casa triste, o Seminário, adormecido e entristecido pela saudade do grande músico e mestre que havia sido o Padre José Silveira d'Ávila.

O ambiente musical que se vivia no Seminário em 1950 era, pois, o reflexo de uma tradição forte nas ilhas açorianas. Consequências, talvez, dos apelos do Motu Próprio do Papa Pio X, e também da necessidade de ir ao encontro das pessoas que viviam em quase isolamento total. Os padres deveriam saber música para poderem ensinar e exercer condignamente as funções litúrgicas da Igreja Católica e, ao mesmo tempo, contribuir para o seu desenvolvimento cultural. E continuou a ser assim. Na verdade, encontrei muitos alunos, já adiantados no curso, que revelavam grande saber e competência nas actividades que desenvolviam na Capela do Seminário, nos Saraus Musicais e nas Academias. Entre eles estava o teólogo Edmundo Machado Oliveira, exercendo o cargo de mestre de Capela.

No meu primeiro ano lectivo - 1950-1951 - assisti na minha cadeira, ao fundo do salão, ao concerto do Orfeão do Seminário, na festa de São Tomás de Aquino. Aí ouvi, pela primeira vez, as primeiras palavras do hino do Seminário: Se há grandeza, no mundo, é aquela... O Seminário respirava música por todo o lado. Que me contagiou. A partir do primeiro ano esteve sempre presente. Nessa mística me integrei. Desde as primeiras noções do solfejo entoado, à teoria musical e História da Música, e às práticas musicais curriculares e ocasionais. E depois, pela vida fora, até hoje.

As aulas tinham sempre três componentes - a teoria, a leitura e a prática. Esta última mais focada para os desempenhos da Capela e do Orfeão. A composição musical, pouco abordada, foi sempre experimental, tarefa para alguns mais atrevidos. Os que assim optaram conseguiram razoáveis resultados, e impuseram-se mais tarde na vida. Foi o caso do Edmundo Machado Oliveira e do Armindo da Luz Borges, que fizeram o seu doutoramento musical em escolas especializadas, bem como o José Luís Rodrigues e muitos outros, enquanto alguns não passaram da formação básica da entoação musical, o que aliás constituía o foco principal dos estudos musicológicos, ou seja, uma razoável competência para as actividades litúrgicas dos futuros padres, não só para o canto no altar, como para os grupos corais paroquiais.

O meu professor de Música, para os primeiros cinco anos do curso do Seminário, foi o Padre Jaime Luís da Silveira. Possuidor de uma excelente formação musical, trazia para as aulas discos de música clássica, profana, religiosa e sacra. A sua apresentação era motivadora para o gosto musical. Sabia como incentivar e sabia como comunicar. A audição era sempre precedida de explicações fundamentadas. Recordo essas aulas como das mais importantes para o que hoje sinto e penso sobre o mundo da música. Não era um pianista, no verdadeiro sentido da palavra, mas dedilhava o piano com alguma facilidade. Tocava também para os alunos algumas canções populares. Toda a turma acabava por cantar ao som do acompanhamento do piano. A primeira canção foi Santa Luccia, melodia napolitana, mundialmente conhecida. Foi sempre recordada durante o curso, e mais tarde pela vida fora. Segundo Santos Narciso foi uma canção que marcou uma geração. Foi a canção escolhida pelo professor para o estudo experimental dos primeiros acordes. O exemplo ainda hoje é válido.

Nos anos seguintes, o professor de música e canto gregoriano foi o Dr Antonino Tavares que era também o maestro da Capela e do Orfeão. Foi sobretudo nestes dois cargos que mais se fez sentir a sua competência e gosto. Na Capela do Seminário marcava presença nas cerimónias mais importantes que envolviam o próprio Seminário, como as cerimónias do Natal, do Te Deum do fim de ano e da Semana Santa na Sé; também na comemoração dos fiéis defuntos e na festa de Nossa Senhora da Conceição. Eram marcantes as Matinas do Natal que exigiam a participação dos alunos mais novos, dos que ainda conservavam a voz de contralto. Importantes eram os cantos de toda a Semana Santa, quer em gregoriano quer em polifonia.

Na Capela interna do Seminário destacavam-se as novenas do Natal, o mês de S. José - o mês de Março; e o mês de Maria - o mês de Maio. Eram devoções diárias, à noite, antes do jantar, que exigiam um Cântico de entrada, o Veni Sancte Spiritus, a Ladainha, o Tantum Ergo e um Cântico Final. As partituras eram variadas, e de vários autores. Aliás, a Capela do Seminário possuía um excelente acervo de partituras para todo o ano litúrgico.

O Dr. Edmundo Machado Oliveira, logo ao regressar de Roma, passou a ser o responsável pela formação musical de todos os alunos do Seminário, desde o 3º ano até ao 12º ano. No Orfeão e na Capela do Seminário estabeleceu uma perfeita ligação com o seu antecessor, continuando e aperfeiçoando as partituras já estudadas e habitualmente executadas, e também introduzindo outras da sua escolha e afeição pessoal. A sua preocupação derradeira era o estudo criterioso dos textos próprios das celebrações litúrgicas ao longo do ano, sobretudo do Natal, da Páscoa, do Pentecostes, dos Fiéis Defuntos e das festas de Nossa Senhora, além de outras celebrações internas da vida do Seminário. Cultivava com esmero o desempenho da Capela e do Orfeão, tendo em vista os seus objectivos imediatos - servir a liturgia, agradar o público atento, formar futuros dirigentes de grupos corais. Ainda hoje recordo as palavras de estímulo, quando, chegando atrasado a uma festa cantada na Capela do Seminário, e, não querendo entrar no decorrer da execução, escutou fora da porta o canto do Glória da missa d'Uomo de Perosi. Entrou, aproximou-se, e em voz baixa, segredou-me: Perfeito, rapaz, estava perfeito!

Para ele, tanto no canto gregoriano, como no canto polifónico de autores seleccionados, era importante perceber o texto e a sua ligação com a música. O resultado teria de ser sempre uma ligação/fusão perfeita entre o humano e o sacro. A música sacra, numa expressão afectiva que costumava usar, era a música de ir ver a Deus. Deus é o objectivo do canto - dizia ele. – O homem é o instrumento. O canto tem de ser o mais perfeito possível. Deus é belo, a música tem de ser o mais bela possível.

Por isso, Edmundo Oliveira deixou marcas no tratamento musical que deu e prestou a quem de perto o conheceu. A frase lapidar que o caracterizava era: Vamos repetir, ainda não está bom para ir ver a Deus. E acrescentava: Nada de ruídos. Gracejando apontava: Xô moscas! Como se os nossos desafinos fossem zumbidos a manchar a beleza do canto. E o trabalho recomeçava, até ele sentir, e todos sentirem a máxima precisão e perfeição do texto musical.

Antes dos anos 50, já o Seminário havia adquirido projecção social importante através do seu Orfeão. Nesses anos conheceu um dos seus mais conceituados mestres - o Padre José d'Ávila, que durante largos anos foi seu director artístico. A partir de 1950 a responsabilidade passou para o Dr. Antonino Tavares, cargo que ocupou até 1959. Pertenciam ao Orfeão os que eram capazes de ter audição, de cantar afinado e, sobretudo, de cantar com capacidade de saber fundir a sua voz com a voz do companheiro do lado. A fusão de vozes era fundamental. Cada voz tem o seu timbre, e por isso, era importante a sua mistura tendo em vista uma uniformidade enriquecida. Os cantores participavam a partir do quarto ano. Comigo houve excepção. Comecei a integrar o grupo no meu terceiro ano, pois já a voz dava sinais de primeiro tenor.

Com a entrada do Dr. Edmundo Oliveira, algo mudou. Por razões pedagógicas - todos têm sempre alguma capacidade, por muito diminuta que seja - deixou de haver escolhas para participar no Orfeão e na Capela. Nenhum se poderia sentir excluído. Todos eram elementos. Ele sabia como tirar partido das compensações, ocultando-as sabiamente.

Os grandes momentos do Orfeão do Seminário eram as festas de São Tomás de Aquino - todos os anos promovidas pelos alunos do primeiro ano de Filosofia, o 6º ano - e que incluíam partituras, não só polifónicas, como também polifónicas com orquestra. Esta, geralmente, composta por músicos que faziam parte da Orquestra Filarmónica de Angra. Integrados nesta, recordo, pelo menos uma vez, de ver o Dr. Cunha de Oliveira no violoncelo e o Dr. Caetano Tomás na flauta transversal, sob a direcção do Dr. Antonino Tavares. Já depois de 1962, andava eu por outras terras, o Orfeão fez uma deslocação a São Miguel e outra à Praia da Vitória. Ambas as saídas de excelentes desempenhos, como hoje o atestam elementos desse tempo.

A Capela do Seminário era composta só por alunos teólogos. Era escolhido sempre um aluno para dirigente, de acordo com o professor de música e director do Orfeão. Coube-me essa tarefa no ano lectivo de 1960-1961. Apesar da insistência para continuar no ano seguinte, recusei, por ser o último ano do Seminário. Substituiu-me o Avelino Soares. Em anos anteriores recordo o Armindo da Luz Borges, e o José Gomes Pereira. Sempre testemunhei, durante todo o curso do Seminário, o maior empenho e cuidado na preparação da Capela para todas as solicitações a que foi chamada, tanto interna como externamente. Era uma instituição. Com direcção eleita. Os organistas que conheci foram o Padre Luís Medeiros Diogo, o Padre Jaime da Silveira e o Artur Goulart, que muita informação disponibilizou para este trabalho, fruto de notas pessoais que fez ao longo do seu tempo no Seminário.

Em 1961 - decorrendo a primeira Semana de Estudos em Ponta Delgada, de 3 a 8 de Abril, nas férias da Páscoa - foram os teólogos a São Miguel a fim de poderem participar, na referida semana. Embarcaram no Terra Alta, numa viagem nocturna de onze horas, de mar agitado, de grande sofrimento. Uma viagem de triste memória. A chegada foi pela manhã seguinte, indo todos de imediato para o descanso retemperador no Seminário Menor, antigo Convento dos Jesuítas, onde ficaram alojados durante os dias que permaneceram em Ponta Delgada. Como eram apenas os teólogos, e só eles constituíam a Capela do Seminário, todos se agruparam e deram um concerto de música coral no Teatro Micaelense sob a direcção do Dr. Edmundo Oliveira, com partituras do Orfeão. No segundo domingo de Páscoa, foi todo o grupo até às Furnas, participar na procissão dos enfermos. Na varanda do hotel Terra Nostra, à passagem do Senhor debaixo do Pálio, foi cantado o Tantum Ergo, de Enique Buondonno sob a minha direcção.

A formação do Seminário também passava pelas associações culturais - as Academias. Na prefeitura dos teólogos havia a Academia Bernardo Vasconcelos e na prefeitura dos médios a Academia Dr. Manuel Cardoso do Couto. Estas Academias promoviam serões culturais com trabalhos de superiores e alunos. Eram frequentes os "Jogos Florais" sobre música, teatro, poesia, conto e literatura. As Academias foram palco de apresentações cantadas a solo, em duo e em trio de vozes. Ficaram na memória as apresentações cantadas pelos alunos Manuel Raimundo Correia, Agostinho da Ponte Quental, Avelino Soares e Fernando Cabral Teixeira.

Os serões académicos podiam ter lugar ao longo de todo o ano lectivo. Todavia, eram tradicionais, os promovidos pelo Natal, pela festa de São Tomás de Aquino e pela festa de São José. Para sempre, até hoje, é lembrado o coro final "Desperta a Aurora" da opereta Ochio di Falco, levada à cena pelo Natal, antes de 1950, que não cheguei a presenciar. Mas outras houve, na década de 50/60, levadas sempre à cena pelos alunos teólogos. Foi também dessas ocasiões natalícias o trio constituído pelo António Cordeiro, José da Conceição Leite Raposo e Silvino Amaral com a canção basca “De colores se visten los campos”, com acompanhamento de Artur Goulart ao piano.

Foi preocupação do corpo docente do Seminário, durante as décadas de 50/60, dar a melhor e mais sólida formação possível aos alunos. O agrupamento criado tomou o nome de Clan 25 Bento de Gois, e as três equipas, os nomes de Coronel Afonso Chaves, Tenente-Coronel José Agostinho e Padre Ernesto Ferreira. Ficaram, na memória, os acampamentos organizados em algumas ilhas, sempre no período das férias de verão. Ainda recordo um deles nas imediações do porto da Prainha do Galião, em São Caetano do Pico, quando já, na década de 60, andava por ali em missão sacerdotal. Os "Fogos do Conselho" constituíam sempre autênticos serões de arte e cultura. Também aqui, a música foi rainha. Em coro e a solo. As capacidades foram brotando, aos poucos. A música, na sua prática, já sem a supervisão do professor, foi, assim, um complemento importante. Uma forma de colocar o aluno sobre a sua própria identidade, de consciência formada, responsável.

Este é o testemunho possível dos tempos já recuados dos anos 1950-1960, passados no Seminário de Angra. Muitos, como eu, sentiram e confirmaram, na vida, essa década brilhante de saber e de cultura.

Finalmente, estamos hoje, em 2012, mais conscientes do valor que foi o Seminário de Angra. Com efeito, no panorama musical açoriano são visíveis os efeitos daqueles tempos recuados. São prova do que dizemos, o aparecimento de vários grupos orfeónicos e de cantares: Grupo Coral de São José - em Ponta Delgada, fundado por José da Conceição Leite Raposo, que de forma excelente tem dado ao público momentos de grande beleza e arte; Orfeão Edmundo Machado Oliveira - em Ponta Delgada, fundado por um dos seus alunos, José Carlos Rodrigues; Coro Tibério Franco - na Terra Chã de Angra, fundado por Tibério Franco; Grupo Coral das Lajes do Pico - , fundado por Manuel Emílio Porto; Grupo Coral da Horta -, fundado por Manuel da Silva Azevedo; Grupo Coral de Santa Cruz - na Graciosa, continuado e alargado à música profana pelo Padre António Machado Alves; Grupo de Cantares Belaurora - nas Capelas, São Miguel, fundado por Carlos Sousa; Grupo Folclórico Graciosense - na Graciosa, fundado e impulsionado pelo Padre José Simões Borges, cuja acção na Graciosa foi de tal forma relevante no campo cultural, que o Governo Regional lhe prestou merecida homenagem classificando-o de "cidadão honorário dos Açores" e descerrando-lhe um busto na igreja paroquial de Guadalupe.

Em todas as ilhas foram sempre relevantes as acções de homens que se formaram no Seminário de Angra, alunos ou padres, em coros paroquiais, filarmónicas e outros agrupamentos. Todavia, ultrapassam sobremaneira, as acções levadas a efeito por muitos que tiveram o privilégio de estudar no Seminário, na década de 50-60 do século XX, um período, por muitos, classificado de “áureo” do Seminário. Pelo seu corpo docente e pelos valores que os que ali se formaram espalharam pelas ilhas e pelo mundo.

Com efeito, a sociedade açoriana, muito deve ao Seminário, que formou e ajudou a formar centenas de jovens de todas as ilhas. Uma grande parte da cultura musical açoriana que chegou até aos nossos dias teve a sua origem no Seminário de Angra.

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publicado por picodavigia2 às 15:30





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