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O CAMINHO DO CIMO DA FONTINHA AO ALAGOEIRO

Segunda-feira, 20.01.14

Em plena década de cinquenta, podia dizer-se, em boa verdade, que a rua da Fontinha, inserida no lugar com o mesmo nome, terminava junto à casa de Tio José de Teodósio. A partir daí iniciavam-se outros lugares. Em primeiro o Tanque, embora encafuado um pouco mais para os lados do Outeiro e da Bandeja, depois o Cruzeiro e, finalmente o Alagoeiro. Todos estes lugares eram despovoados, excepto o Alagoeiro, mas neste, os habitantes eram poucos, uma vez que ali morava apenas uma família. No entanto, no que a edifícios dizia respeito, já não era bem assim. É verdade que o Tanque não possuía nenhum tipo de construção, mas no Cruzeiro existiam três e o Alagoeiro, para além da casa de habitação referida, dispunha de mais três edifícios, um dos quais era a Casa da Água, esta já na fronteira com a Fontecima.

Este caminho que ligava o Cimo da Fontinha ao Alagoeiro, era curto mas largo, perfeitamente acessível a carro de bois e era como que uma continuidade do arruamento da Fontinha. O piso era de pedra fixa, do tipo calçada romana, com uma pedra maior no centro, designada por “pedra-mestra”, fixando-se as outras, mais pequenas, ao seu redor. As paredes que o ladeavam, sobretudo as do lado sul, eram bastante altas, circundando e separando os terrenos agrícolas que por ali proliferavam. Logo a seguir à casa de Tio José Teodósio, o caminho fazia uma enorme e suave curva, que só terminava no fim do do Tanque, precisamente no local, onde o caminho se bifurcava, porque aí e na direcção sul, havia uma vereda que dava acesso, precisamente às terras do Tanque e que depois seguia para a Bandeja. Quase no mesmo local, mas na direcção oposta, iniciava-se uma outra pequena vereda que ligava este caminho à canada do Mimoio Tratava-se, neste caso, de um atalho muito curto e de difícil circulação, construído quase todo ele sobre maroiços e inacessível a animais, servindo apenas de cesso a uma ou outra propriedade e, no caso do Mimoio, sendo utilizado apenas como forma de “encurtar” o caminho para aquele sítio.

Voltando ao caminho entre a Fontinha e o Alagoeiro, após este cruzamento, o dito caminho formava uma pequena recta, finda a qual estávamos no lugar do Cruzeiro. Era aí, bem no centro, num pequeno largo, onde se iniciava, a sul, a subida para a Bandeja e Queimadas que existia uma espécie de “zona industrial” da Fajã Grande. Na verdade ali haviam sido construídos três edifícios de tamanhos e com funções diferentes. Era no primeiro e o maior que se fabricava a manteiga da Cooperativa, enquanto o segundo, um pouco mais pequeno e de feito de pedra solta, era destinado ao fabrico das caixas de madeira, onde as latas eram encaixotadas para exportação e o terceiro, um minúsculo cubículo, servia de arrecadação.

De seguida e após mais uma pequena recta estávamos no Alagoeiro, onde existia um grande largo e, onde para além de uma casa de habitação onde morava o Luís Fraga, havia um palheiro, uma casa velha e a Casa da Água. O Alagoeiro constituía o maior, o mais importante e o mais emblemático Descansadouro de quantos existiam na Fajã Grande.

Este caminho era um dos mais movimentados da Fajã Grande, uma vez que por ele transitavam, não só as pessoas que pretendiam deslocar-se àqueles três lugares e aos circundantes mas também as que demandavam a Ribeira, as Águas, a Figueira, os Matos e todos os lugares que iam do Batel ao Curralinho, situados nas abas da Rocha e que não eram poucos. Da mesma forma, muito gado por ali transitava, uma vez que para todas aquelas zonas havia muitas pastagens.

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publicado por picodavigia2 às 11:14





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