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O CAMINHO DA BANDEJA-QUEIMADAS

Sexta-feira, 17.01.14

Um dos mais irregulares e sinuosos mas também um dos mais belos e espectaculares caminhos da Fajã Grande, na década de cinquenta, era o que ligava o Caminho da Fontinha/Alagoeiro à Bandeja e às Queimadas e que era geralmente conhecido apenas pelo “Caminho da Bandeja”.

Tratava-se de um dos últimos caminhos da freguesia a ser construído e que, muito provavelmente, teria sido precedido por uma sinuosa canada ou vereda que, com muitas limitações e insuficiências, havia servido as terras de cultivo e as relvas localizadas num e noutro daqueles lugares. Embora construído com a largura suficiente para nele transitar um carro de bois, estes, praticamente não passavam da Bandeja e mesmo os que ali chegavam, faziam-no com alguma dificuldade, devido à anfractuosidade do piso. É que, ficando aqueles dois lugares situados por uma das encostas do Outeiro – a Bandeja a meio e as Queimadas lá no alto – era tal a inclinação do piso, a partir da Bandeja, que se tornava quase impossível transitar por ali um carro puxado por bois. O próprio gado, desencangado e solto, tinha alguma dificuldade em circular por ali. Essa a razão por que os donos dos campos das Queimadas e que neles produziam milho, optavam por acarretá-lo em cestos, às costas, para a Silveirinha, trazendo-o depois em carros que desciam o Batel até à Fontinha.

O caminho da Bandeja/Queimadas iniciava-se no Cruzeiro, junto à fábrica da Manteiga. O troço inicial era constituído por uma enorme recta, sendo que aí atravessava ainda terras pertencentes ao Alagoeiro, à esquerda e ao Tanque, à direita. Após esta recta inicial, entrava-se no lugar da Bandeja, atravessado de norte para sul por este caminho. Aí o caminho, embora ainda de forma relativamente suave, iniciava-se uma ladeira, em forma de curva alongada, para de seguida se prolongar através de uma recta, cada vez mais íngreme, mais inclinada e de mais difícil subida. A meio da Bandeja o caminho bifurcava-se, uma vez que aí existia uma canada que o ligava às terras do Outeiro. Como no lugar da Bandeja havia muitas terras de milho, alguns carros e corsões transitavam por este caminho, precisamente até meio da subida, na própria Bandeja. A partir daí, em termos de escalada, tudo era mais difícil, pois o caminho continuava com o piso cada vez mais inclinado e com inúmeras curvas e contracurvas, que dificultavam e causavam graves problemas a quem o subia. Além disso e no cimo da encosta, junto ao cerrado do Luís Fraga, embora o piso já fosse plano, o caminho prolongava-se mas transformando-se numa estreita canada que, em ziguezague ia percorrendo toda a zona das Queimadas e arredores, impedindo de passar qualquer meio de transporte.

Dado que as terras de um e outro destes lugares eram de cultivo ou relvas e uma vez que nestas últimas o gado pastava solto, as propriedades tinham que ser separadas umas das outras por grossas e altas paredes, feitas de enormes pedregulhos, o mesmo acontecendo com as paredes que ladeavam o caminho, o que lhe dava um ar tosco, agreste e selvagem mas também belo, soberbo e imponente. Da parte mais alta, sobretudo a partir da Bandeja disfrutava-se também de belas vistas e miradouros sobre o mar, uma parte da Fajã e toda a zona desde a Ribeira das Casas até à Rocha da Ponta, com a Caldeirinha, lá bem no alto a coroá-la.

No sítio da Bandeja, no local em que o caminho se bifurcava havia um largo formando um pequeno descansadouro, onde os homens se sentavam sobretudo durante a época em que o gado estava amarrado à estaca, alimentando-se de forrageiras e trilhando os campos para as sementeiras. À tardinha, muitos homens se sentavam ali, aguardando a hora da ordenha.

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publicado por picodavigia2 às 11:50





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