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O CASADO ARREPENDIDO

Quinta-feira, 17.07.14

«Meu sogro, quero falar-lhe, mas é muito em particular,

Quero hoje sem demora, consigo desabafar.»

«Das seis horas em diante, nã tenho nada a fazer.

Assim com tanta urgência o que tem para me dizer?

Se é para pedir dinheiro, escusa de tempo perder.»

«Não é para pedir nada, o que eu quero contar;

Se nã leva muita pressa, eu já le posso falar.

Eu casei com a sua filha, mas não la posso aturar.»

«Para mim é novidade, o que m’estas a dizer.

Se não la pode aturar, antão que hei-de fazer.

Eu também com sua sogra, custa-me muito a viver.»

«Antão já vem de família, nã há nada que estranhar,

Mas eu nã estou resolvido com ela me incomodar.

Para não fazer uma asneira, é melhor me desquitar.»

«Venha cá, senhor finório, nã faças coisas no ar,

É que ele é muito nova, o que lhe falta é pensar,

Nunca fez certos trabalhos, é preciso a ensinar.»

«Com vinte’oito anos de idade não tem o pensar devido?

Mas sabe ela a toda a hora, maltratar o seu marido.

Entes quebrasse uma perna do que a ter arrecebido.»

«Sim senhor, diz muito bem, mas eu não fui o culpado,

Se casou com a minha filha, por ninguém foi obrigado.

E se ela casou com você, nunca foi do meu agrado.»

«Se eu sabia o que sei hoje, nunca casava com ela,

Que o serviço que ela faz, é deitada ou à janela.

Tem tudo o que é de mau, até toma a sua piela».

«Um home que assim fala nã é home cavalheiro.

Se nã qu’ria ser casado, porque nã pensou primeiro?

Mas você gostou dos dez contos que ela levou em dinheiro.»

«Tivesse eu tanto de santo como estou d’arrependido,

Nem com cem contos de dote, nunca a tinha arrecebido.

   ( …)

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publicado por picodavigia2 às 22:50





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