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O DESCANSADOURO DA CUADA

Sexta-feira, 16.05.14

Na década de cinquenta, o lugar da Cuada, um dos três lugares habitados na freguesia da Fajã Grande, teria cerca trinta habitantes residentes, distribuídos por sete fogos, correspondentes a outros tantos agregados familiares. Um lugar pacato, silencioso, com as ruas, habitualmente, desertas, no que aos moradores dizia respeito. No entanto, muitos habitantes da Fajã tinham terras para aqueles lados, nomeadamente, no Tufo, Fajã das Faias, Eira da Cuada e na própria Cuada, Assim o fluxo de transeuntes e até de um ou outro carro de bois ou corsão, avoluma-se, por ali, durante o dia. Nas suas idas e vindas para os campos que ali possuíam, muitos homens da Fajã passavam, diariamente, pela Cuada, geralmente, vergados ao peso de molhos de incensos ou de lenha, cestos de milho ou sacos de inhames, bem precisavam de descansar. Além disso, como em muitas dessas terras, juntamente com o milho, semeavam forrageiras, no tempo do oitono, tinham, por ali, o gado amarrado à estaca, o que ainda, sobretudo antes da ordenha, os obrigava a procurar lugar para descansar, fumar, falquejar e conversar. Daí a criação de um descansadouro por ali, uma vez que o mais próximo era muito distante, no Delgado – o descansadouro de Santo António.

Ora o local que, para tal, oferecia melhores condições era precisamente o centro da localidade, onde, na confluência das três pequenas ruas que a Cuada possuía – uma na direcção da Fajã, outra que ligava ao Calhau de Nossa Senhora, no Caminho da Missa e, finalmente a última na direcção do Vale Fundo e Lavadouros, desembocando no Bezarraçado - havia um enorme lago. Era o local ideal para um descansadouro! Possuía paredes circundantes para colocar as cargas, nomeadamente, os muros do pátio de tia Glória, dispunha de banquetas, onde se incluíam os próprios degraus do pátio, água e, sobretudo da companhia dos cuadenses que, habituados a viverem só, viam ali um excelente contubérnio, para conviverem, conversarem e se informarem dos acontecimentos da freguesia.

Assim, os homens que vinham das paragens circundantes, carregando pesados molhos ou sacos tinam ali uma excelente ocasião não só para descansar, como também para matar a sede e dar dois dedos de conversa aos habitantes locais, que normalmente só se deslocavam â Fajã para cumprir o preceito dominical e, no caso das crianças, para virem à escola. De resto a Cuada tinha tudo: casa de Espírito Santo, máquina de desnatar leite, sapateiro e até uma pequena loja, onde se vendiam o indispensável.

 

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publicado por picodavigia2 às 10:48





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