Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O DESCANSADOURO DO CIMO DA LADEIRA DO COVÃO

Domingo, 10.05.15

Embora não fosse muito movimentado, uma vez que servia apenas de local de descanso para os homens que iam e vinham para a Pedra de Água, para o Outeiro Grande e para o Alto do Covão, o descansadouro do Cimo da Ladeira do Covão era um dos mais deslumbrantes descansadouros de quantos havia na Fajã Grande. Situava-se bem lá no alto, onde a ladeira terminava. Era constituído por uma bancada natural, feita de pedregulhos soltos encostada a uma alta parede que protegia de ventos e chuvas, quando vinham do sul e do oeste. Se o vento soprasse do norte, havia uma alternativa. Abrigar-se no início da vereda que dava para as terras do Alto do Covão.

A Ladeira do Covão era, incontestavelmente, a mais desnivelada, a mais íngreme e a mais abrupta ladeira de todas as que possuíam os tortuosos caminhos e veredas da Fajã Grande. Situava-se logo a seguir ao Cimo da Assomada, no Vale da Vaca e ligava o antigo caminho da Cuada, das hortas e dos Lavadouros com a Canada do Covão, ou seja com a penhascosa e escarpada vereda de acesso à Pedra d’Água e ao Outeiro Grande, a meio da qual se engastava o mítico e tenebroso Calhau das Feiticeiras. Situava-se pois, a referida Ladeira, numa elevada e altiva encosta, Mas o que ainda mais caracterizava a Ladeira do Covão e que lhe dava um ar de singularidade, é que se alongava, de um dos lados, como que paralela ao Vale da Vaca, enquanto do outro se confundia com a encosta subjacente, povoada de silvas, de vinháticos, de cubres, de funchos e de canaviais, donde emanavam cores e perfumes diversificados e atraentes e onde a passarada esvoaçava em acasalamentos ou na procura estonteante de sítios mais adequados para os ninhos. Do seu cimo ou seja no local onde havia o pequeno descansadouro, desfrutava-se de um cenário deslumbrante, duma vista maravilhosa. Ao perto o enorme vale onde predominavam as terras e cerrados de milho, muito verde e robusto, mais ao longe a Assomada, com as suas casinhas a agregarem-se e a protegerem-se entre as encostas do Pico e do Outeiro, mais ao longe, a Rua da Direita com o seu casario altaneiro e a igreja com o campanário a sobressair sobre os telhados e, ainda mais ao longe, o mar, o Monchique e os navios. A protegê-la as encostas sombrias do Pico da Vigia.

E como subir a Ladeira do Covão representava um gigantesco esforço e um enorme cansaço a existência do descansadouro, lá no cimo, era como a cereja em cima do bolo. Ali, no entanto, descansavam não apenas os que subiam, muitas vezes levando o gado para as relvas do Outeiro Grande e Pedra d’Água, mas também os que desciam vergados ao peso de molhos e cestos, pois por aquelas bandas, para além das pastagens existiam bons terrenos agrícolas onde se cultivava, para além do milho, excelentes batatas-doces. Além disso o descansadouro para além de muito abrigado e protegido de ventos e chuvas, caracterizava-se, sobretudo, porque como que suavizava o cansaço de quem ali se sentava, galvanizado pelo encanto da paisagem circundante, aureolada com o estonteante colorido da vegetação, com o perfume das flores, com os sabores dos frutos e, sobretudo, com a sublimidade do canto dos pássaros.

Os molhos, cestos e outros carregamentos enquanto os homens se sentavam a descansar e a fumar, eram colocados sobre uma plataforma que ladeava a ladeira do lado da encosta. Também era ali que se juntavam os homens, entre os quais Mestre Augusto Mariano que por ali tinha muitas relvas e terrenos agrícolas, enquanto aguardavam a hora da ordenha, na altura em que o gado estava amarrada à estaca, alimentando-se de trevo e erva-da-casta e trilhando os terrenos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 08:47





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter

calendário

Maio 2015

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31