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O DESCANSADOURO DO PICO AGUDO/PAUS BRANCOS

Quinta-feira, 27.03.14

Na primeira metade do século passado, o descansadouro do Pico Agudo/Paus Brancos era um dos maiores da Fajã Grande, embora fosse dos menos utilizados, sobretudo, devido à distância do povoado e por servir pouco mais do que meia dúzia de lugares. Situava-se no caminho que ligava a Fontinha aos Lavadouros, mas já bastante longe do povoado, muito além do seu congénere da Escada Mar, já quase na Alagoinha, precisamente, encastoado entre os dois lugares que lhe davam o nome e no início das canadas que davam para um e outro daqueles lugares. Do lado da Rocha, ou seja à esquerda de quem subia na direcção dos Lavadouros, ficava o lugar dos Paus Brancos que se prolongava pela própria Rocha. Quem circulava naquele caminho, poderia ver, do outro lado, uma pequena elevação de terreno, em forma de pico, bastante delgado e que dava nome ao lugar.

O Descansadouro estendia-se numa grande área rectangular, paralela à estrada e, geralmente, nunca se enchia de homens, pese embora servisse bastantes lugares: Curralinho, Portalinho, Alagoinha, Lavadouros, Mateus Pires, Horta das Abóboras, Rocha da Alagoinha, Paus Brancos e Pico Agudo. Para além de dar descanso aos homens que acarretavam molhos ou outras cargas trazidos dos campos que possuíam nestes lugares, este descansadouro também dava abrigo a animais sobretudo aos que puxavam corsões, pois sendo aquelas terras muito distantes das casas, regra geral recorria-se a estes meios de transporte, uma vez que assim, numa única viagem, acarretava-se o que às costas seria feito em dez, vinte ou mais. Era sobretudo feitos, cana roca e lenha que se acarretava dali, em corsões. Uma vez que na Alogoinha e nos Lavadouros havia boas pastagens, também descansavam ali muitos habitantes da freguesia, nas idas e vindas em que iam levar ou buscar o gado aquelas paragens.

O Descansadouro do Pico Agudo/Paus Brancos era tinha, geralmente, um aspecto sombrio, acinzentado, que o tornava enigmático e quase mítico. Ali, encastoado entre um pico e a rocha, transformava-se num espécie de vale, onde corriam, incessantemente, murmúrios de sonhos perdidos, sonhos assustadoramente desfeitos e lamentos, inconformadamente, cerceados pelo destino.

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publicado por picodavigia2 às 14:01





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